Dando Voltas no Ponteiro

13 Capítulo XIII – MAINE E TERRA


Notas iniciais
Bem, como vocês ter notado, o Fanfiction saiu do ar. Eu não sabia se iria ou não voltar, muito menos quando e isso particularmente me fez planejar um capítulo incrivelmente grande pra vocês. Eu continuo me decepcionando com vocês, mas tudo bem porque na realidade eu só gosto de escrever mesmo. Bem, aproveitem a leitura!

Lá estava eu e Katherine Woods nas ruas do Maine. O clima temperado da região estadunidense estava no seu ápice de calor, 22ºC considerando que não estávamos nem perto do litoral da cidade. Kat, que fora a única que se adiantou em pesquisar sobre o local antes das passagens serem compradas, veio com um short e uma blusa rosa folgada. Os óculos escuros e o chapéu quase a faziam parecer uma garota americana normal. Quase. Isso até ela abrir a boca e o sotaque europeu atrair uma dúzia de rapazes para o nosso lado.

Mas é claro que eles só viram uma europeia no local, até porque meu cabelo tem cor humana. E sou mais magra. E mais alta. E não gosto de roupas curtas e extravagantes como as de Kat. Certo, Kat é bem mais atraente do que eu mas não é como se eu estivesse disponível porque meu namorado está preso no meu subconsciente. Imagine o quanto isso seria constrangedor de explicar para um bando de garotos de 17 anos com músculos definidos e um bronzeado maravilhoso?

“Ouvi isso” a voz de Luke ecoou na minha cabeça.

– Adoro pálidos. – me virei e olhei Kat que agora, estava começando a ficar constrangida devido ao fato de um garoto ou dois se aproximarem demais dela.

Eu não sei bem o que foi, mas meu braço mexeu-se rapidamente do meu ombro esquerdo pra lateral da minha coxa direita. Um golpe. E o que ele fez? Uma barreira mágica invisível em volta da Kat. Ela me olhou, atônita e eu só mexi a cabeça, mencionando que tínhamos que seguir um plano. Ela deu um “tchau” rápido pros garotos e veio correndo.

Pegamos um táxi e simplesmente, não sabíamos aonde ir. Perguntamos onde tinha um bom hotel e barato e ele nos levou a um deserto do Maine.

– Bem, isso não é o que eu chamo “de bom hotel”, mas tudo bem. Quanto deu? – revirei os olhos e abri minha carteira.

– Pode não ser um bom hotel, mas ele é barato. Sessenta e três dólares. – o motorista gordo com barba malfeita, deu um sorrisinho no pelo retrovisor e estendeu a mão.

Paguei e estirei o dedo do meio. Kat abaixou antes que ele pudesse ver e ele retirou nossas malas e fomos em direção ao hotel. Melhor dizer, o “Motel do Amor de Maine”.

– Ele por acaso sugeriu que somos lésbicas? – Kat dessa vez mostrou sua indignação. Até demais porque, os baldes de água que havia ali perto estavam começando a tremer bastante.

– Acho que as pessoas do Maine não são tão educadas quanto esperávamos. – meus olhos transluziram em negro quando a olhei e ela se acalmou – Você precisa se controlar.

– Eu preciso me controlar? Você mostrou o dedo pro motorista.

– Esquece isso. Temos um Cosmo pra encontrar. Urgentemente.

“Sim. Urgentemente.” Luke falou em minha cabeça. Eu tenho que parar de me esquecer dele no meu subconsciente.

Depois de uma noite “tranquila” de sono num motel nojento, nos arrumamos para achar essa garota que poderia significar tudo ou nada. Eu nem sabia por onde começar e Kat insistia em me fazer rastreá-la no meio do caminho só que dessa vez eu queria não parar num hospital. Muito obrigada, de nada. Estávamos num carro alugado (na verdade roubado, mas alugado foi o que dissemos pra a polícia que nos pegou por limite de velocidade. E bem, eu tenho essa influência). Eu não sabia onde eu poderia encontrá-la, já que era final de semana e pelo o que eu sei, não tem aula nos sábados e domingos.

A escola. Eu posso entrar e ver a ficha dela. Descobrir onde ela mora. Mas é claro que Kat percebeu isso, então ela me fez parar o carro e disse:

– Você tá achando que eu sou uma delinquente agora? Já roubamos um carro e agora você quer invadir uma escola e descobrir onde uma garota de 17 anos mora? Olha, sinceramente Fayel, você está começando a me irritar. Eu posso explodir a gasolina desse carro com você dentro, sabia? – ela virou no banco e agarrou a gola da minha jaqueta com as duas mãos – Então é bom você encostar a merda do carro e rastreá-la com esses seus dons sobrenaturais.

Evidente que eu estava assustada. Meus olhos estavam arregalados e eu suava um pouco, até porque, desde que a conheci novamente eu era a pessoa que fazia as ameaças com o Elemento. O que eu fiz? Encostei o carro e a rastreei. Carter Lancaster estava numa festa numa casa de praia no norte da cidade. E pra lá eu fui.

Muito tempo no carro, tentando entender onde realmente ficava o norte da cidade e qual era a casa de praia, me dei conta do quanto Luke estava tagarelando na minha cabeça. Me dizendo que eu precisava fazer isso logo, porque ele lembrou que tinha um câncer pra curar, dever pra entregar semana que vem, barbeiro marcado pra segunda-feira... E eu obviamente o xinguei. E isso foi bem quando Kat reconheceu o som da festa na casa que estávamos em frente.

– Acho que o Luke te guia. – ela deu um meio sorriso e saiu do carro, me convidando a sair também.

Fiquei pensando no quanto àquilo era irônico porque Luke estava agindo como uma garotinha na minha cabeça, e isso era muito irritante. Então, a irritação que o Luke me causa me faz seguir o caminho certo? Eu não entendi muito bem isso.

Entramos na festa e de princípio achei Carter. Ela estava sentada num banco, observando todo mundo. Mantendo o equilíbrio do universo, cuidando de pessoas... Enfim, sendo um Cosmo. Quando cheguei mais perto a ouvi dizendo:

– Estive te esperando.

O mais estranho é que ela não moveu os lábios. E enfim, já basta o Luke invadindo meus pensamentos. Empurrei a conexão dela em mim e meus olhos tremeluziram contra minha vontade.

– Sai da minha cabeça. – sentei. Eu devia ter continuado com Kat do meu lado, mas a perdi de vista no momento em que entramos.

– Olhos interessantes. Algum tipo de filho do Caos?

– Elemento. – a olhei, arqueando as sobrancelhas – Elemento roubado. Prazer, Tempo.

– Ouvi histórias sobre você. – ela retribuiu com um sorriso marrento no canto dos lábios e falou mais alto – Não entendo porque o ser vivo mais poderoso da Terra quer a minha ajuda.

– Está tirando uma com a minha cara, Carter?

– Não. Só acho interessante uma europeia viajar até os Estados Unidos por causa de uma adolescente de dezessete anos.

– Quer saber o que foi? – ela me olhou sorrindo, mesmo já sabendo a história, ela quis saber vindo de mim – Meu namorado largou minha mão enquanto estávamos no meu Elemento. E agora ele não existe mais.

“Namorado, é?” um tom malicioso ecoou na minha cabeça “Gostei desse termo. Gostei mesmo”.

– Ele também conversa comigo mentalmente. – massageei as têmporas, um gesto que há muito tenho feito desde que ele começou a conversar comigo enquanto esteve na minha cabeça – Você precisa mesmo me ajudar.

Ela arregalou os olhos. E estou começando a duvidar da certeza dela sobre a minha situação atual.

– O que foi? Alguma coisa errada?

– Bem, além do fato do seu namorado conversar com você telepaticamente? Só eu ter adivinhado errado o motivo da sua visita.

– E... O que você estava esperando que eu pedisse?

Ela finalmente sorriu mais abertamente, mas é claro, com as sobrancelhas arqueadas, como um desafio.

– Achei que você tivesse vindo procurar Cory Adamanto.

– E quem seria esse?

– O Elemento da Terra.

E então, eu, Kat e Carter estávamos sentadas na cama do quarto daquela casa de praia gigantesca conversando sobre os Elementos a serem encontrados.

– Como assim você não pode achar os Elementos do Ar e do Fogo? – Kat rolava não só os olhos, mas também o corpo, pra lá e pra cá na cama.

– Cory mora aqui na cidade. Acabou de se mudar. Ele é metade grego, veio morar com a mãe por um tempo.

– Grego? Interessante. – Kat imediatamente parou e pôs as mãos embaixo do queixo e sorriu – Ouvi muitas coisas sobre os gregos.

Carter não parecia ter gostado da futilidade de Kat então simplesmente voltou a falar.

– Ele vai fazer dezoito anos. Daqui a três dias. Vocês esperariam ele fazer o aniversário? Ele não comemora um com a mãe desde que tinha seis anos.

Kat levantou a mão, fazendo uma pergunta que eu sinceramente, também queria saber:

– Mãe? Como ele pode ter mãe? É a Rainha dos Elementos de quem estamos falando não é? Ele não pode ter uma mãe.

– Ele a vê como uma mãe. – Carter respondeu imediatamente. De onde ela tirou todas essas informações? Ela persegue a vida da pessoa pra poder ser um Cosmo?

– Precisamos dele agora. – falei – Não. Espere, primeiro precisamos fazer o Luke se tornar uma pessoa. Uma pessoa concreta, real.

– Vocês tem um carro? – levantei as chaves do carro roubado e saímos em disparada para o veículo e dirigimos até a casa do Cosmo. Legal, porque eu sempre tive duvidas em como seria a casa de alguém que tem o universo inteiro nas mãos.

E confesso também que fiquei meio desapontada. Era uma casa americana normal com uma sala de estar normal, cozinha normal, um banheiro normal, quartos normais.

Ou quase isso. Quando Carter abriu o armário no seu quarto e tirou um espelho de moldura antiga com uma frase em latim em cima, que dizia “Petere desinis monstra sub lecto, cum nos intellexit sint in nobis”, eu logo fiquei interessada. Ao perceber meu olhar direcionado à frase, Carter traduziu para mim:

– Significa: “Paramos de procurar monstros embaixo da nossa cama quando percebemos que eles estão dentro de nós”. – ela deu um sorriso e continuou – Mas sabe o que significa quando você traduz de volta pra nossa língua?

– O que? – dessa vez Kat parecia a mais interessada nos segredos do espelho.

– “Monstros padrões de baixo conseguem conhecer a casa da corte quando percebemos que enguias verão de dentro da recepção”. Não que eu saiba qual a lógica disso, mas tenho trabalhado nesse mistério.

– Por quanto tempo esteve tentando desvendar? – me aproximei do espelho, tocando as letras.

– Desde que o descobri. Eu tinha oito anos. – ela fez o mesmo, e me olhou – Talvez algumas coisas não foram feitas para serem desvendadas, não é mesmo?

De algum modo, aquilo pareceu bastante direcionado a mim. Coisas que me sinto obrigada a descobrir, pessoas que precisam ter seus segredos expostos. Eu meio que me sinto tentada a isso às vezes.

– Certo. Meu namorado está no meu subconsciente. Preciso dele como um ser humano normal. – falava rapidamente e fazia gestos com as mãos repetidamente.

– Pra que todo esse nervosismo? Já disse que consigo. – ela tem hábito irritante de rolar os olhos. Muito. Irritante.

– Então o faça! – gritei. Isso não é muito bom quando você depende de alguém – Por favor. Rápido. Eu tenho um prazo para... – Kat me olhava tão assustada quanto Carter – Fazer isso tudo. Eu estou apavorada, certo? Certo. Eu... Preciso dele aqui pra isso tudo funcionar. – todo o medo, toda a ansiedade estava me deixando meio tonta.

– Fayel, você está bem? Seus olhos, eles... – então eu apaguei, antes de ter a oportunidade de ouvir o que Kat havia dito.

E como sempre, eu fui levada para alguma memória. Uma memória que eu obviamente não fazia ideia do que era. Era mais como...

“Um segundo aviso” a voz de Hercília ecoou por todo o lugar. Que eu não sabia qual era.

Tinha paredes marmorizadas, chão de vidro que mostrava tubarões nadando embaixo dele e é claro: um trono com a Rainha nele. Não preciso de muitos detalhes para deixar bem claro que aquilo me deixou muito, muito apavorada.

– O que é dessa vez, Hercília? Do que você tem medo? – ela arqueou as sobrancelhas – De que eu tome seu trono? Esse trono feito de ódio e amargura?

“Eu pareço apavorada? Ao contrário de você, Fayel Lynch, sei lidar muito bem com as minhas emoções.” Ela não estava lá muito errada.

– Emoções? Tenho 17 anos, minhas emoções estão sempre à flor da pele.

“Não parece bom. Principalmente pra uma líder de guerra.”

– Então você está com medo. – sorri com a conclusão – Não se preocupe, Hercília, prometo ser carinhosa quando eu arrancar sua imortalidade.

“Eu poderia te matar aqui e agora.” Minhas pernas ficaram bambas com o anuncio e eu estava começando a suar frio “Mas eu prefiro me divertir com a cena de uma ladra sofrendo. Você e todos à sua volta.”.

– O que você quer dizer com isso?

“Ah, Fayel. Você acha mesmo que só você está correndo perigo? A primeira coisa que eu vou fazer é torturar todo seu exército psicologicamente.”

– Seus próprios filhos, Hercília? Que tipo de mãe é você?

Pude ver aquele sorriso vermelho na boca da Rainha aumentar e antes que ela pudesse dizer, já sabia o que estava por vir. Uma dor excruciante na minha cabeça veio à tona, como uma onda que derruba um banhista no mar. Veio em cheio.

“Filhos? Nada mais são que meus hospedeiros. Vejo que você tem ajuda.” Ela olhou para cima de mim, como se tivesse alguma coisa me protegendo “Se eu fosse você, não dispensaria isso por nada. Você vai precisar de toda a ajuda do mundo, Lynch.”.

Acordei gritando com Kat e Carter me prendendo na cama. Eu ainda estava lá. Depois dessa conversa nada agradável e sem nenhum propósito com Hercília, eu ainda estava sentindo aquela dor de cabeça.

– Faz parar! – gritei com Carter.

– Eu estou tentando! – foi então que notei que seus olhos estavam completamente brancos. E a cama era o único objeto físico de onde estávamos. Era como se o universo estivesse nos acolhendo. Era como se...

– É o espelho? – tive tempo de perguntar, antes que meus olhos cintilassem num preto e branco constante. Acompanhado com meus olhos negros, também vinha uma dor no peito e na cabeça, cada vez mais forte.

– Cala a boca, Fay! Ela estava quase conseguindo. – Kat dessa vez foi quem se pronunciou. Os olhos dela também estavam brancos. Assim como o cabelo. E todo o seu corpo. Era como se ela fosse feita de papel.

– Estamos no espaço. Sem oxigênio. Nem H2O. – Carter me explicou, como se pudesse ler o que eu penso.

Então desmaiei de novo. Dessa vez no meu Elemento. Vi Luke deitado numa maca, em um lugar branco infinito, com muitas luzes. Ele estava com os olhos fechados, parado. Morto. Fui correndo ao seu encontro que por acaso, nunca parecia chegar. A voz de Carter dizia “corre mais!” e eu simplesmente não conseguia.

– Luke! – gritei. Então, a maca veio até mim.

Sorri, vendo que talvez daria certo. Vendo que talvez a gente pudesse ter um futuro. Que talvez, em chances de um pra um bilhão, pudéssemos constituir uma família. Que eu talvez pudesse ficar em paz.

Mas então, quando o toquei vi um futuro que eu quis evitar. Uma coisa sombria e infinita. Uma coisa fraca, mas intensa. Me senti fraca ao tocar nele porque sabia que um final feliz não seria possível. Um futuro que eu quero muito evitar porque não sei como poderia ficar pior. Não tem. Porque nada é pior do que a...

– Luke. – dessa vez eu estava realmente no quarto de Carter. Deitada, e no meu lado, Luke.

Sorri ao tocar no rosto pálido dele. Eu, por outro lado, estava vermelha e pingando de suor.

– Digamos que foi um parto de consciência. – Carter pegou um pano úmido e limpou minha testa. Ri da frase simplesmente porque tudo ficou engraçado.

– Ele está bem?

– Ótimo. Só cansado. Como um bebê recém-nascido. Literalmente. – arqueei as sobrancelhas.

– Literalmente? – eu e Kat nos olhamos, confusas.

Carter virou pra o espelho e me espiou.

– Esse espelho me mostra o que as pessoas são, Fayel. Quando você parou na frente dele, vi alguém insegura do que pode fazer. Com medo dos próprios poderes. Vou te dar uma dica: faça com que te temam, não o contrário.

– Você não respondeu a pergunta.

– Ele provavelmente não se lembrará de você. Mas eu tenho certeza de que você pode mudar isso né? Não é uma dádiva do seu Elemento controlar o pensamento das pessoas, mas você o faz.

– Não faz? – aquilo me atingiu em cheio. Não fazia parte do meu Elemento?

– Claro que não. Como você acha que uma mera mortal como Monique conseguiu roubar um Elemento tão poderoso quanto o Tempo?

Fiquei paralisada. Eu nunca parei realmente pra pensar em como ela havia enganado a Rainha Hercília. No desgosto impregnado na feição da Senhora dos Elementos quando ela falava de Monique. Eu nunca havia notado que na verdade, eu sou poderosa com ou sem o Elemento do Tempo em minhas mãos.

– Você nunca notou que é telepata, não é Fayel? – ela se virou para mim e sorriu.

A minha fala foi interrompida pela respiração de Luke. Me virei e o ouvi dizendo meu nome, baixinho. Olhei para Carter e sorri.

– Acho que não vou precisar alterar as memórias dele, não é?

– Fay... – ele segurou minha mão e olhou pra mim com aqueles olhos azuis lindos que senti mais falta que tudo – Nunca mais vou soltar sua mão.

Comecei a rir e o beijei. Ele segurou minha nunca e depois me abraçou. Aquilo poderia ser constrangedor para as garotas virem, mas quando espiei Carter a vi sorrindo com a cena. Afinal, esse era o trabalho dela. Sussurrei um agradecimento e ela retribuiu com um “de nada”.

Estávamos quase saindo da casa de Carter quando ela me puxou e fez uma cara de quem estava se esquecendo de alguma coisa.

– O Cory. – Luke me olhou com uma cara meio “Você realmente vai procurar um cara comigo por perto?”.

– Eu o pego daqui a três dias. No aniversário dele.

– Estou começando a achar que não vai ser uma boa ideia. Tem alguma coisa atrapalhando o caminho de vocês. Precisam ir agora.

– Agora? – Kat a olhou com uma urgência que eu não entendi mas depois de ler um pouco os pensamentos dela, entendi que na verdade ela só queria dormir.

– Sim, e rápido. – ela pôs a mão na minha testa e avisou – Isso vai doer um pouco.

Então ela apertou e uma série de imagens começou a piscar na minha cabeça. Empurrei sua mão e ela disse:

– Controle seus instintos. Seus olhos estão negros. – ela parecia estar com um pouco de medo, mas conseguiu disfarçar com aquele sorrisinho sarcástico que ela adorava – Ninguém aqui vai conseguir me exorcizar da sua cabeça.

– Tem razão. Perdão, eu só... Fiquei confusa com tantas imagens. – meus olhos cintilaram pra sua cor original e a olhei – O que são?

– O caminho pra casa dele. Corram!

A abracei. Ela ficou surpreendida o suficiente pra ter prendido a respiração. Eu mesma não costumo abraçar todo o mundo, mas ela literalmente salvou minha vida.

– Muito obrigada.

Carter, que estava com os olhos arregalados e numa posição cômica disse:

– Esse é o meu... Ahn, trabalho. – ela deu um sorrisinho rápido, completamente diferente do sarcástico e calculista que ela tem.

Assenti e fomos correndo para o nosso carro alugado/roubado. Fui seguindo o que minha cabeça dizia e paramos numa casa com aspecto antigo, mas bem cuidada. Era toda rosa com detalhes de madeira. Tinha um jardim lindo, com uma fonte e um carro popular na frente. Bati na porta e esperei pra alguém atender. Bati mais forte.

Ouvi passos. A pessoa que abriu a porta me deixou sem falas, sem respirar, sem piscar. Um garoto forte e esguio de olhos escuros, cabelos loiros e um rosto marcado e lindo, disse:

– Sim? – sorri e então ele sorriu, inclusive, lindo sorriso. Muito lindo – A que devo a honra de ser notado por alguém como você?

– Cory Adamanto, não é? – gaguejei devido ao elogio, na qual não consigo me acostumar – Eu sou Fayel Lynch.

– Europeia? Veio da Europa pra se apresentar?

– Na verdade, – Kat interveio aparecendo no meu lado – para te apresentar pra nós. Estamos formando um exército.

Ele nos olhou com uma cara de deboche e então meus olhos cintilaram para o preto.

– Precisamos de você, Elemento Terra.

Notas finais
Eu gostei desse capítulo. Nele tem a Carter, personagem de uma história avulsa. De uma amiga minha e inclusive, leiam. Quando ela decidir postar, eu divulgo e aí vocês leem. É uma história incrível e com personagens com uma química incrível. Mas agora, concentrem-se em ler a minha e comentarrrrr jskdf ok, obrigada por terem lido. Amo vocês ésse dois ésse dois