Dancing With You

6 Mágica, tudo que fazemos


Notas iniciais
Olá! Estou sendo procurada eu sei e depois de ler vocês vão querer me matar, mas eu aguento! Porque eu amo vocês e esse casal. Então, enjoy it!

A maioria das pessoas se sente familiarizada com essa história por diversos motivos. Primeiro de todos: Trata sobre uma viagem no subconsciente, onde respostas e questão de vidas são esclarecidas. Basicamente, é assim que é vista a história.
Mas, durante um bom tempo de sua vida, principalmente a infância, você acreditava tanto nessa história que tudo que você queria fazer é bater o sapato três vezes e estar lá. Pra que então, você perceba que tudo que você estava procurando lá, você possuía em casa.
A Cidade das Esmeraldas! Onde tudo é verde e animado. Onde se encontra o feiticeiro encantado, onde nosso conto hoje começa.

Pra dizer a verdade, nossa história não continua em Esmeralda ou no palácio do grande Oz. Ela continua em New York, não exatamente de onde paramos, um pouco mais adiante, na verdade.
Faz três anos desde que eu e Britt havíamos nos mudado para New York, para nosso apartamento na Rua 54 com a Madison. Tanto havia mudado e tanto havia melhorado. Mas o que é de uma mudança sem um mal? Coisas más aconteceram, é claro. Mais que inevitável, é saber que aconteceriam.
Começando com o pior. Abuela. Acho que não gosto muito de falar sobre o que aconteceu, apenas com Britt, porque ela não sente pena quando eu digo as palavras em alto e bom som. Ela partiu depois do natal, pouco antes do ano novo. O câncer havia piorado e, mesmo com Quimioterapia e Radioterapia, ela não agüentou ao retardo dos remédios. Um ano após nos mudarmos pra cá. E sabe o que eu mais odeio com relação a isso? Eu não conseguir falar sobre isso de alguma forma que se não a medicina envolvida. Ela era minha avó! E não era pra ela ter sido tirada assim! Do nada! Ela não merecia isso, ninguém merece. Ela era jovem, não conseguiu chegar à Espanha. Ficou no hospital, por um ano. E nem comida espanhola ela sentia mais o gosto.
Na ceia de Natal, eu e Britt voltamos pra Lima. Mesmo que eu tivesse prometido não voltar tão cedo, mas eu jurei pra minha avó que estaria lá e que não a perderia mais.
Britt ficou com a minha família, já que a dela estava num cruzeiro. Ficamos com o meu velho quarto pra dormir. Lugar de tantas lembranças.
Exatamente na hora da ceia, minha avó entrou pela porta, numa cadeira de rodas acompanhada por sua enfermeira. Ela nos desejou um feliz natal e pediu silêncio. Então, ela começou a discursar. Exatamente assim:
Eu estive lendo muito, durante este ano. Romances, dramas, comédias e até um livro sobre unicórnios, dado pela minha querida Brittany. Obrigada, querida.
Um desses livros era sobre, olhem só, câncer. Mas era diferente desses livros de medicina. Tratava-se do poder do câncer na vida de qualquer pessoa. O escritor acreditava que essa doença nascia da angústia, arrependimento e sofrimento. E eu, concordo com ele. Algo não poderia fazer mais sentido. Antes de eu mudar de assunto, para algo mais alegre, eu quero brindar. Homenageando vocês, Santana e Brittany e a vida! Dias melhores estão por vir.
Eu acredito tanto no Natal que seria idiota afirmar isso. Eu cresci num lugar onde Natal, era a maior magia do mundo. Onde a guerra descansava por um dia e apenas por este um dia, deixavam o amor invadir seus corações. O Natal trazia alegria, união e biscoitos de chocolate. Nenhum sentimento se comparava a ficar sentada debaixo da árvore e ouvir o barulho dos embrulhos se rasgarem. Era puro. Natural. Mágico.
Mas então, eu cresci. Casei-me, tive filhos, netos, sobrinhos. Eu ainda me sentava perto da árvore e ainda ouvia os embrulhos sendo rasgados. Ainda era puro, natural e mágico. Só que eu havia crescido e percebido que, diferente do eu achava e do que me foi falado quando criança, o Natal não era a coisa mais poderosa e mágica do mundo. Chegava perto, mas passava longe.
A coisa mais poderosa pra mim é o amor! Ele é a magia por trás do Natal, ele é o segredo por trás da Guerra. É ele que nos faz respirar e adoecer. Ele dói, quando o fazem doer. Mas ele é irrecuperável, quando o fazem amar.
Então, eu tinha um desejo esta noite. E esse era meu último desejo. Já que minha viagem pra Espanha deu pro saco. (Risos) Que se amem, mas não apenas hoje. Que esse amor, visto hoje, ontem ou daqui a dois anos, seja o mesmo. Que ele seja mágico, puro e seu. Obrigada. Ao amor! (Então, brindamos.)

Sem dúvidas, ela acabou comigo. Britt chorava, eu chorava, papai chorava, minhas tias choravam, todos choravam. Então, o Natal passou. No dia 29 de Dezembro, ela se foi. Amando. Como nunca havia feito, mas aprendeu a fazer.

Seguimos com a vida. Duas semanas após a ida à Lima, recebemos três visitas seguidas. A primeira era de Rachel, Kurt e Blaine. Foram pra marcar nossa festa-pós-natal-já-que-ninguém-estava-em-NYC. Eu sabia que estavam lá pra saber como estávamos e eu os agradeci por isso. Rachel viajava freqüentemente para LA, mas continuava com Funny Girl em New York. O show não havia ficado pronto, mas um piloto já estava sendo filmado. E eu estava orgulhosa dela, ela merecia mais do que ninguém. Kurt se recusava a deixar New York, mas naquele natal foi inevitável. Ele e Blaine seguiram numa viagem de ônibus, que acabou na Flórida. Muito longe de New York. Kurt havia conseguido um emprego de assistente de figurino da Broadway e tudo graças ao seu talento e uma boa recomendação da Isabelle (palavras do Kurt). Ele dizia: eu sempre gostei de roupas, talvez meu grande sonho fosse enrustido. Já o Blaine, havia decolado como ninguém. Voava e agradecia por trazermos ele ao chão. Ele se tornou um conhecido dentro da música, mesmo que ainda cru, já fazia sucesso. (Palavras de sua mentora).
Nossa segunda visita havia sido Mercedes, Sam e Artie (que não tinha vindo com a Rachel, Kurt e Blaine porque o elevador estava quebrado). Eles foram lá pela mesma razão. Mercedes veio me situar no sucesso do nosso dueto e ver como estávamos. Mercedes arrasava as rádios, internet, qualquer meio que pudesse sair sua voz e ficava difícil ela nos visitar. Ela ia começar uma turnê e estava empolgada. Sam. Havia desistido de ser modelo, e voltou pra Lima, depois de passar no nosso apartamento. Com a Mercedes saindo de turnê, ele ficou alucinado e desistiu de grandes cidades. O que é uma pena, já que seu corpo era visto em todos os ônibus. O grande Artie. Ainda estava na Faculdade, mas já havia feito dois filmes e ainda continuava solteiro.
Nossa grande surpresa veio com a terceira visita. Quinn e Puck. Levamo-los para jantarem e por um segundo, voltamos há ter 16 anos e deixar o Puck escolher quem ia pra cama com ele. Nostalgia. Havíamos crescido, mas ainda éramos as malas de Lima, Ohio.

Bem, eu comecei contando sobre a Cidade das Esmeraldas. Lugar onde o Leão aprendeu que coragem não se ganha, se descobre. Onde o Homem de Lata viu que o sentimento é criado e intenso. Lugar onde, o Espantalho, era um gênio, porque acreditava que era. Onde Dorothy viu que nada é melhor que o nosso lar.
E você deve estar se perguntando aonde encaixo isso? Bem, aqui. No nosso espaço mágico de New York.

Durante esses três anos, mudanças ocorreram dentro do apartamento. Já havíamos uma cama, cortinas e tudo mais que um apartamento precisava. Mas ocorreram, também, mudanças com nós. Se eu me olhasse no espelho, veria uma Santana diferente. Uma Santana que soube perdoar e aprendeu do modo difícil. Fisicamente, eu estava igual. Uma noite mal dormida aqui, um sábado relaxado lá. Mas o mais importante, eu veria uma publicitária. Sim, uma publicitária. Sejamos óbvios, aqui é questão de sobreviver. Não é chamada de Selva de Pedra à toa.
Agora, se eu olhasse para a Britt. Eu me apaixonaria de novo, como todo dia eu faço. Ela tinha ficado ótima, fazia aulas de dança e dava aulas também numa academia. Era o sonho. Fisicamente? O tempo só havia melhorado-a, se é que isso era possível. Tão doce e meiga, mas muito menos pura. Acho que acabamos por inverter os papeis. Eu continuava apaixonada por ela, como toda minha vida eu fui.
Era uma sexta-feira e eu já estava em casa, trabalhando numa campanha sentada no nosso sofá verde, o jantar tailandês pedido e a agitação lá fora era como sempre, indomável.
Eu me levantei, fui até um quarto pequeno que eu e Britt fizemos de escritório que não era bem um escritório e peguei um livro. Com ele veio uns dez e um pesado bateu no meu pé.
–Ai! Caral**. Droga. Ai. sai pulando e pus todos de volta. Peguei o fino e voltei para sala.
–San! Oi. disse Britt, que havia acabado de chegar. Ela me deu um beijo corrido e animado, ou seja, ela tinha alguma coisa pra falar.
–Britt. Como foi hoje lá na academia?
–Bem. Eu queria até te pergunt... Isso aí é o Mágico de Oz? ela disse indicando o livro em minha mão.
Eu olhei a capa, eu tinha pegado o livro errado.
–É... Mas o que você queria falar?
–Tudo bem. Hoje vai ter aquele encontro que eu te falei, das meninas da academia. Você vem comigo? Por favor!!
–Ah, Britt. Sexta?
–Ah não. Sem essa. Eu quero curtir com a minha namorada, eu quero sentir o sol nascer com você do meu lado. Vem! Vem que a cidade está te chamando.
–Okay, mas só vou por você. Já tentei namorar essa cidade, não deu certo.
Britt começou a rir e veio até mim, me beijou mais lentamente do que antes. Alguém tocou o interfone.
–Eu pedi comida, não sabia que íamos sair.
–Não tem problema.
Eu fui me arrumar, já que íamos sair. Ficar em casa nem passava por minha cabeça. Britt estava certa. Ela era um gênio.
Vestido preto. Com bordas verdes escuras. Vestido rosa bebê. Com cristais. Foi assim que eu e Britt nos vestimos, respectivamente. Saímos de casa lá pelas dez e ainda assim, pegamos transito. No táxi, Britt me deu um beijo e sussurrou no meu ouvido: Bruxa má do Oeste. Coincidência?
Talvez Britt estivesse certa, talvez eu devesse liberar a Bruxa má do Oeste que existe dentro de mim.
O que aconteceu depois foi apagado da minha memória como mágica! Um feitiço chamado: Uísque. Só sei que não fui eu que me joguei do septuagésimo andar do Empire State porque havia sido um homem. Eu só consigo me lembrar de passagens de memórias, a maioria com a Britt. E que às seis da manhã, eu vomitava tudo que eu não havia comido ao lado de uma banca de revista. Aonde eu li sobre Um anjo que se jogou do céu, o cara que se jogou do Empire State.
A Britt segurava meu cabelo, e ria para o ar. Como se estivesse vendo macacos voadores pelo ar.
–Eu sei que você vai recusar mais que qualquer outra coisa, mas você quer tomara café?
E pus tudo pra fora. Mas eu aceitei. Não sei como, mas estávamos em Manhattan e o cheiro das confeitarias era diferente.
Fomos caminhando pelas ruas desertas, ou quase, de New York. Com dois copos de café. De mãos dadas.
–Você não pode beber tanto assim, San. Tenho certeza que o vídeo de você dançando jê está na internet. disse Britt.
–Tudo bem. Um dia, foi apenas um dia. Eu libertei A bruxa e sei lá quem mais.
Britt começou a rir. Ela me deu um abraço forte. Como se aquilo fosse o meu remédio para agüentar o dia.
–Ah, Britt. Falando em Oz, Bruxa má. Eu ganhei quatro ingressos para assistir Wicked na Broadway. Você quer ir comigo?
–Que tipo de pergunta é essa? Britt disse sorrindo. É claro que eu aceito, sempre. Vamos chamar o Kurt e o Blaine.
–O Blaine não está em New York. Mas a Rachel está. Você acha que ela vai querer ir?
–Bem é a nova Rachel que estamos falando. O sonho com a Broadway já foi realizado, mas não custa nada perguntar.
–Então, vamos lá! Estamos perto mesmo.
Eu e Britt chamamos um táxi, depois de assobiar forte para que os tapados ouvissem. O sol ainda surgia fraco, mas já clareava o dia. Chegamos ao loft e abrimos a porta. Mania de não por tranca. A Rachel estava acordada e estava na cozinha com os olhos arregalados, e uma faca na mão.
–Susto! Meninas são vocês... Entrem. Eu estava preparando meu café da manhã, vocês aceitam alguma coisa?
–Não, obrigada Rachel. A gente já tomou.
–Sabe ainda bem que vocês estão aqui. Eu estou precisando falar com alguém. O Kurt já sabe e ele está feliz, mas eu não sei. Acho que ainda não é a hora.
–O que foi, Berry? Grávida? perguntei brincando.
–Não, não. Eu estou saindo com alguém. Mas eu sinto que não estou pronta ainda. Eu sinto que tenho que esperar mais. Não estou pronta.
–Berry... eu olhei pra ela. Eu sei que já faz quatro anos, mas você tem que lembrar que ele nunca vai sair de você. Ele respirava você, Rachel, você vai ter que conviver com isso. Não estou dizendo que é fácil ou que tudo vai ser esquecido, só estou dizendo que você tem que ser corajosa e se estiver pronta ou não, está tudo bem.
–É o que eu disse pra ela... disse Kurt saindo de seu quarto. Dia garotas.
–Bom dia Kurt. disse Britt.
–Obrigada Santana. E Kurt. E Britt. disse Rachel sorrindo, do jeito sincero. Me esqueci! Pela roupa de vocês, não dormiram em casa?
–Não, mas eu nem me lembro. respondi rindo.
–Eu recebi um vídeo seu. Santana. Pelo menos eu acho que é você... Você dançou aonde você foi? Por que... Você tem que ver esse vídeo!
O vídeo era escuro, mas eu me reconheceria bêbada até se eu estivesse bêbada. Espera aí... O que? Reconheci o vestido de Britt atrás de mim, ela estava rindo e no final fui cambaleando até ela.
–Sou eu mesmo! Orgulho nacional... eu disse rindo. Mas sobre a nossa visita...
–A gente passou por aqui e viemos dizer um olá. disse Britt olhando pra mim.
–Viemos perguntar uma coisa pra vocês, na verdade. Vocês gostariam de ir com a gente assistir Wicked?
Kurt e Rachel se entre olharam e eu e Britt também, chegou a ser engraçado se não fosse tenso.
–Mas é claro, independente do dia e horário. Sempre teremos um espaço pra Wicked. respondeu Rachel.
–Legal próxima semana. Eu mando detalhes... Mas me conte Rachel, como ele é?
–George? Ele é legal... Alto.
–Sério? Achei que fosse um hobbie suas atrações por homens altos... eu disse rindo.
–Do mesmo modo que você tem por loiras. Rachel respondeu. Olha, fiquei até orgulhosa. Começamos a rir, parecia que eu ainda morava ali. Saudades.

No caminho pra casa, eu e Britt fizemos um passeio pelo Central Park. Tinha tanta criança que chegou a me dar um pequeno enjôo. Tinha um aglomerado que assistia a, olhem só, Mágico de Oz. Isso eu poderia chamar de estranho. Não, estranho e doce foi o que a Britt me perguntou em seguida.
–Você já pensou em ter filhos, Sant? Britt perguntou olhando em volta e parando em mim.
–Pensar sobre filhos? Já... Tive um sonho em que homenageamos uma cantora, que foi idéia da Berry e então, mudamos o nome.
–Era comigo que você estava sonhando?
–Sim e com quem mais seria?
–Pois é. Eu só estou louca mesmo. Eu também já pensei, não sei como funcionam os bebês das Lésbicas, mas ele seria perfeito. Ele teria seu nariz, o olho esquerdo seria meu e o direito seria seu, a boca seria minha.
Eu olhei-a. Ela me fazia querer sair gritando que a amava. Eu ri.
–Acho que os olhos serão difíceis acontecer, mas nada é impossível. Eu queria que ele ou ela fosse parecido com você. Tão linda.
Sentamos-nos no banco e ficamos abraçadas. Ficamos um bom tempo comentamos sobre filhos, o que realmente me surpreendeu.
Um casal gay veio até nosso encontro pouco tempo depois. Eles estavam fazendo um abaixo assinado para a doação de crianças para casais gays. Eu olhei pra Britt sorrindo e rimos juntas.
–O que eu disse... Mágica! ela sussurrou.

Podemos esperar muito mais das Cidades das Esmeraldas e vocês devem mesmo. Para chegar até a Cidade das Esmeraldas, Dorothy teve que passar por uma trilha de tijolos amarelos. Estamos nos tijolos amarelos dessa história, mais tarde vocês entenderão o motivo dessa incrível coincidência. Nada acontece sem uma razão, e essa história é uma das boas. Razão. Razão. Coração. Acabamos por preferir o que nos convém, mas não agora. Agora, preferimos o que sentimos. O amor.

Notas finais
Good Night. Buenas noches!!! Amo vocês e vou postar com mais frequência! Tenho que postar o próximo, onde tudo vai ter um motivo, mas a história está longe de acabar. Não se esqueçam disso: amo vocêss!! XOXO