Dancing Until Morning Comes
16 Capítulo 16 - Party
Notas iniciais
elogios/kichin/pedradas/sugestoes à vontade.
Boa leitura :D
Capítulo 16
Party
Limpávamos tudo na cozinha, já que fazer aquele bolo fez uma bagunça terrível. Charlie andava para lá e para cá com o telefone no ouvido e eu estava ficando tonta. Eu já estava quase tomando o telefone de sua mão e jogando o mesmo no chão.
Quando tudo estava bem por ali, observei Kichin se levantar da cadeira da cozinha e eu o observei.
– Acho melhor eu ir, volto na hora da festa.
– Mas já?
Ele se olhou e eu fiz o mesmo. Ele estava todo sujo. Me olhei também e eu estava um pouco pior. Ele começou a rir e cruzou os braços.
– Acho que preciso de um banho. – Ele disse e eu assenti.
– Eu também. – Falei parecendo óbvio. – até mais tarde então. – Eu disse o vendo caminhar para a porta, Charlie mandou beijos no ar para ele, que somente fechou a cara e acenou para mim.
Fui tomar um banho bem merecido. Eu estava pura a farinha e chocolate. Peguei qualquer vestido no meu armário e vesti, deixando meu cabelo solto. Coloquei uma sapatilha dourada. Estava prontíssima. Passei um delineador de leve e um batom de cor mais clara. Agora sim. Peguei meu celular e disquei o número do John.
– Você não vive sem mim, não é minha pirralha? – ele disse e eu comecei a rir.
– Podia estar bem aqui. Não sabe como meu sábado está sendo ótimo.
– Dormiu o dia todo? – O ouvi rir bastante e eu murmurei um “há há há, muito engraçado”.
– Não, Charlie vai dar uma festa. – falei com a minha melhor voz de enterro.
– Ué, não gosta de dançar? E eu me lembro que quando nos conhecemos há dois meses você disse que gostava de festas.
– É, eu gosto. Mas hoje vamos dizer... Mamãe não sabe de nada e vai se tornar praticamente um cabaré no meio da nossa sala.
Ele riu muito do outro lado da linha.
– Você não vem mesmo né?
– Estou na casa da minha mãe. Chego aí amanhã de tarde. – Ele disse e eu suspirei. A mãe dele, Rachel, morava há quase 200 quilômetros de Londres.
– Chato. Vai me deixar sozinha? – Eu disse triste, mas depois ri do que eu disse. Que idiotice, Kichin viria.
– Ué, o Hideki não vai para aí não? Eu pensava que sua irmã estava namorando ele.
– Está maluco? Depois do casamento dos nossos pais semana passada, você ainda pensa que isso é verdade? – Falei divertida.
– Sei lá. Se lembra que era um maior clima estranho entre os dois? – Ele disse e eu respondi um “sim”. – Mas você parece feliz com essa história toda. Sabe, dessas pequenas alfinetadas dos dois. – Ele riu pelo nariz. Suspirei.
– Não quero que ele fique maluco por causa da minha irmã. Não vale a pena.
– E pelo que vale a pena enlouquecer? – Ele disse e eu fiquei pensando.
– Sei lá, John. Ah, o Wilson e o Steve vem também. Não vai ser tão ruim, eu acho... – Falei desanimada.
– Claro que não vai. Se anime.
– Poderia estar melhor se você estivesse me fazendo companhia!
– Seu sábado foi tão ruim assim? – Ele disse rindo e eu respondi que não.
– Kichin apareceu aqui em casa e fizemos um bolo. Minha irmã chegou do jeito que ela chega sempre e contou da novidade pra gente. Olha que maravilha. Mas sobre a festa, isso a gente conversa depois. Ela tem que acontecer primeiro. – falei rindo um pouco.
– Divirta-se. – Ele disse rindo e eu ri também.
Desliguei.
Desci as escadas e vi algumas pessoas espalhadas pela sala. Já haviam começado a chegar e eu aqui, no tédio.
Fiquei andando pela casa. A decoração estava amigável, mas eu temia pelo o que vinha pela frente. Bebidas, caras dançando praticamente nus e minha irmã juntos não vai dar nem um pouco certo. Molly acenou para mim e foi me cumprimentar. Ficamos conversando por alguns minutos, andando pela casa. Eu peguei um pouco de refrigerante (nem morta irei beber essas bebidas que minha irmã trouxe) enquanto via Molly se afastar de mim e dançar com um cara que eu nunca tinha visto na vida. Voltei a ficar no tédio. Fui para o quintal, sala, cozinha, subi pro quarto, voltei pra sala, cozinha... Fiz esse trajeto umas quatro vezes quando decidi me sentar no canto do sofá onde não tinha ninguém se agarrando.
Não demorou muito para vir um cara falar comigo, e ele parecia bem bêbado. Já vesti minha melhor expressão de tédio+enterro+some daqui. Mas, logicamente, ele não se sentiu acuado. Pelo contrário, ele se sentou do meu lado e começou a se esfregar em mim. Eu estava enojada. Tentei sair a todo custo, mas ele não me largava de jeito nenhum, ele era bem mais forte. Era até bonito, se estivesse sóbrio não seria tanta perda de tempo...
– Ei cara, o que pensa que está fazendo? – Ouvi uma voz grossa abafada por trás de mim, tentando tirar o rapaz que cada vez mais grudava em mim, já estava passando mal com seu hálito “levemente” – pra não dizer PRA CARAMBA – alcoolizado.
Consegui me levantar tropeçando em mim mesma, só não caí porque o meu salvador (sim, eu chamo o Kichin assim de vez em quando, quando ele me salva da minha irmã na Begum) me segurou pelo braço e eu ri sem graça.
– Obrigada. – Falei mais sem graça ainda, vendo que ele sorriu para mim.
Ele andava tão esquisito... Antes, ele andava comigo sim, mas era de longe com muito menos freqüência do que nos últimos dias, talvez nas últimas duas semanas.
Charlie entrava com cerca de cinco homens musculosos e algumas mulheres bem bonitas também. Fiquei com cara de tacho. Ela realmente estava falando sério... Ainda não sei por que duvido dela.
Kichin olhou para mim sem emoção e me puxou o mais rápido possível quando viu os trajes dos caras. Paramos no quintal da casa. Nos sentamos nas cadeiras e suspiramos. Seria uma longa e tediosa festa...
Fiquei olhando para ele, ele parecia bem disperso. Estava pensativo e parecia com raiva.
Mas até que tudo se acalmou e achamos um assunto bem rápido. E adivinha sobre o que? Coreografias. Ele parecia bem empolgado comentando de uma que aprendeu recentemente e disse também que queria me ensiná-la. Não demorou muito para ele se levantar e começar a dar os primeiros passos.
Ri de sua empolgação e fui à cozinha por dois minutos. Antes disso havia perguntado o que ele queria para beber, não sei se foi porque eu perguntei, mas ele disse que também queria refrigerante.
Enquanto bebíamos, ele continuou a ensinar a coreografia. Havia uma parte bem complicada, já que eu não consegui fazer nem um pouco. Eu já estava bem suada quando eu acertei o giro, mas acabamos nos esbarrando. Claro, tinha que ser a desastrada aqui para fazer merda.
– Desculpe. – Falei rindo pelo nariz. Estávamos deitados na grama, depois do tombo. Verifiquei se meu vestido não estava no meio da minha barriga e suspirei de alívio ao saber que não estava. Voltei a mão para a grama, mas seu braço estava na mesma posição. – Opa. – Falei tirando o braço rapidamente, virando o rosto para o outro lado.
– Sem problemas. – Ele disse com sua voz grossa, sorri ao ouvi-la. Endireitei meu rosto, olhando para o céu. Meu coração estava disparado. Não sei se era porque estava tocando uma música realmente muito boa ou se era porque Kichin estava se ajeitando na grama e colocou seu braço encostado com o meu. Ele não pareceu se importar, então eu não falei nada.
Era impressão minha ou cada vez mais o espaço entre a gente diminuía? Eu estava paradíssima.
– Megan... – Ele disse e eu esperei continuar. – Como é possível você ser tão diferente da sua irmã?
– Isso é um ponto positivo.
– Sim, com certeza é. Mas estou dizendo... Toda vez que eu venho aqui, sua mãe está fazendo algo pra Charlie, sempre para a Charlie. É realmente tão ruim assim para você para chegar ao ponto de dançar escondida a sua vida inteira?
Sorri de lado e suspirei.
– Sei lá, Kichin. Eu já me acostumei com essas coisas. – Falei rindo um pouco. Ele riu também. – Não vou negar, sempre fui feliz dessa forma.
Ele parou de tentar puxar assunto depois de um tempo, então me virei para ver se ele não havia dormido.
Ah, mas por que eu fiz isso? Quando virei eu o vi se ajeitando perto do meu braço, estava de olhos fechados e eu fiquei o observando por um momento.
Ele era lindo, sabia dançar e tinha o bom senso de não gostar da minha irmã ou pelo menos das atitudes dela. Ou seja, em outras palavras, uma pessoa decente que se tornou meu amigo.
Meu amigo... Isso parecia estranho na minha cabeça, mas logo tirei o pensamento da minha mente.
Achou uma posição confortável e eu sorri um pouco. Mas talvez eu tivesse sorrido um pouco alto demais. Ele abriu os olhos e finalmente pude perceber o quão perto ele estava.
Ele sorriu um pouco, fechando os olhos.
Acho que ficamos por ali por horas, eu estava quase dormindo. Mesmo que a música lá dentro estivesse altíssima.
– Megan? Hide? – Ouvi uma voz abafada pelo som da música, então abri meus olhos lentamente. Era a Molly.
Me levantei num pulo, fazendo Kichin abrir os olhos e se sentar, arrumando o cabelo com um pouco de grama.
– Oi Molly. – Falei confusa e ela sorria um pouco, encarando a gente. Tinha dois copos na mão. Não me pergunte o que eram.
– Então... – Ela parecia meio perdida no que ia falar. – Trouxe isso aqui pra você, Megan. – Me estendeu um dos copos. – Te procurei a festa inteira. Está perdendo aqueles caras maravilhosos dançando em cima da mesa da sala.
Revirei os olhos e Kichin tinha uma expressão séria, balançando a cabeça negativamente. Ri um pouco.
Kichin continuava sua cara fechada para Molly, e ela o encarava surpresa e até de um jeito malicioso.
– Ahm... Hide? – Ela riu pelo nariz. – Pega isso também. Acho que vou pegar outro pra mim.
Kichin pegou o copo desconfiado e Molly saiu dali sem dizer nada. Tomei um pouco do conteúdo do copo e tossi um pouco.
Um pouco forte. O que era aquilo? Algo alcoólico com certeza. Eu não sabia minha tolerância ao álcool, mas tomar aquele gole me fez esquecer um pouco do que atormentava minha mente naquele momento: meu coração.
Depois de mais alguns goles, eu mal sabia o que estava acontecendo por ali.
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