Dancing On My Own
1 Capítulo 1: Dancing On My Own.
Notas iniciais
Essa história se passa antes da partida do Derek na quarta temporada.
Então se você não chegou lá, não leia essa fanfic. Estão avisados.
Outra coisa, escrevi essa fanfic ouvindo várias versões de Dancing on my own. Maaaaas~ Recomendo que escutem a versão de Adore Delano. É só pesquisar lá no youtube, Dancing On My Own Adore Delado. Prontinho *---*
Espero que gostem!
Boa leitura!
Meus poderes evoluíram e eu precisava partir para aprender a controlá-los e não correr o risco de machucar meus amigos. Ficar longe de minha alcateia ia ser difícil, mas era pelo bem deles. Eu era um beta que podia aguentar ficar longe. Então eu tinha de partir.
Falei com Scott naquela noite antes de partir, assim que voltamos do México.
— Eu preciso ir. — falei cruzando os braços, encostado a parede de seu quarto. — Não sei exatamente como isso vai ser, então preciso me afastar para aprender a lidar com essa nova transformação.
Ele já sabia que eu ia então não foi uma surpresa, mas eu precisava falar com ele antes de ir.
Scott suspirou e me olhou com as sobrancelhas franzidas.
— Não prefere ficar? Podemos te ajudar a aprender mais rápido sobre a transformação.. Você não tem que ir, Derek. — sua mão apertou meu ombro.
Soltei-me de seu consolo. Eu realmente precisava ir. Conhecia alguns lobos na América do Sul que podiam me auxiliar com isso. Uma alcateia que minha mãe m e contou há muito tempo, onde todos os betas passavam pelo processo de evolução. Eles poderiam esclarecer minhas dúvidas.
— Ficar longe não vai te enfraquecer? Não seria nada bom se te atacassem sozinho...
— Não vão me atacar. Muitas pessoas nem sabem que estou vivo. — dei ombros, tendo certeza de que ficaria tudo bem. — Mas enfraquecer faz parte. Não posso levar minha alcateia para onde quer que vá.
Sorri, e por um breve momento imaginei como seria viajar com eles para a América do Sul. Scott e Kira com certeza iriam ver aquilo como uma viagem de casal e iriam ignorar todos nós. Malia reclamaria a viagem inteira, mas ficar grudada em Stiles... Ela desenvolveu esse apego sem sentido. Lydia iria ser como sempre, um gênio. Ela com certeza seria nossa guia. E Liam seria um pirralho descontrolado.
Mas parecia uma viagem agradável... Mas não podia exigir isso de meus amigos.
— Derek, fale com Stiles antes de ir. — Scott tinha uma expressão de tristeza ao dizer o nome do garoto. — Ele tem falado sobre nunca mais nos separarmos e não deixarmos um ao outro. Então... Talvez eu não consiga mudar sua mente. Mas talvez Stiles com seu jeito acelerado... Talvez ele consiga pensar em algum plano.
Falar com Stiles. Não queria... Não. Eu queria falar com ele. Não queria me despedir. Eu não sabia quanto tempo demoraria para poder voltar. Ele perguntaria. E eu não teria resposta.
— Por favor, fale com ele... — o jovem suspirou e sorriu de canto. — Se mesmo assim você for, tome cuidado. E volte logo.
Seu corpo me convidava para um abraço que apesar de esquisito, era bom. Quente. Como um abraço de família.
Scott ainda me via como um pilar. Eu não podia fraquejar diante dele. Então o abraço, apesar de tudo, durou pouco.
Segui meu caminho pelas ruas, seguindo o cheiro inconfundível de Stiles. Malia estava com ele.
Eu não podia competir com ela. De jeito algum.
Eu sentia o cheiro da ansiedade de Stiles aumentar quando estava perto da coiote, da mesma forma que aumentava quando eu estava por perto antigamente.
Era óbvio o que aquilo significava. Mas nunca comentei isso com ele. E mesmo assim eu fui infectado com seu odor de paixão. Não podia mostrar esse lado para o garoto. Ele era jovem, tinha uma vida inteira a seguir, e se ele me desse a chance não conseguiria deixá-lo ir, e Stiles odiaria.
Não correspondi seus sinais. Mesmo quando eram como tiros em meu peito, como os olhares que perdemos.
Mesmo quando era sutil e caloroso. Eu não podia. Não daquela forma. Stiles era uma criança, e não estava apaixonado por mim. Não. Apaixonado, talvez, mas com tanta vida... Tanta coisa para ver... Pessoas para conhecer... Ele não ficaria comigo. Não pelo tempo que eu iria precisar se me rendesse aos encantos do garoto mais irritante e hiperativo que já conheci.
O caminho por caminhada era longo e eu tentei organizar minhas palavras.
Mas eu sabia que ele iria me surpreender com perguntas que eu nunca esperaria. Então pouco adiantava organizar um roteiro.
Na verdade... Tudo que eu mais queria naquele momento era encontrar com ele dormindo com Malia. Babando nos braços dela. Com o rosto mais bobo possível. Ela acordaria, com certeza, mas não me impediria de ir. Assim eu iria embora sem precisar ouvir as tentativas tentadoras que Stiles faria para me convencer a ficar. Talvez se Malia estivesse com ele, sua atenção se voltasse mais para a coiote e ele não fizesse muito drama.
Ou não...
Realmente era inútil passar e repassar o discurso de "Sinto muito, mas tenho que ir".
O cheiro me guiou até a delegacia. Pensei em esperá-los sair. Pois o xerife estava la também. E querendo ou não, eu não conseguia deixá-lo a vontade.
Mas eu precisava partir o mais rápido possível, afinal não seria nada bom lidar com um descontrole de novos poderes durante a viagem.
Então entrei.
O xerife e Malia estavam saindo. Rindo e falando de pizza.
— Oh... — ambos prenderam os olhos em mim, mas foi o pai de Stiles que falou e jogou uma chave para mim. — Vou levar Malia para comer pizza. Solte-o depois que você achar que ele já pagou o castigo.
O sorriso que recebi me fez sorrir de volta.
— Pode deixar. — respondi de forma tranquila. — Divirtam-se.
Partiram com destino a pizzaria mais próxima.
Durante alguns instantes fiquei parado, hesitando entrar na sala onde pude ouvir o garoto resmungando e chacoalhando a algema.
Respirei fundo e caminhei em sua direção.
Coloquei as chaves no bolso. Não podia deixar que ele me perseguisse. Deixaria a chave sobre a mesa depois de falar com ele. Com algum esforço, ele conseguiria sair, mas até lá eu já estaria longe.
— Stiles.
O garoto que estava de costas assustou-se, mas virou para mim e sorriu.
— Hey, Derek. Que bom que está aqui. — balançou a algema. — Pode me ajudar?
Cruzei os braços. Podia. Queria. Mas naquele momento... Eu não deveria.
— Qual o problema? — falou.
— Eu preciso ir embora. Preciso buscar...
— O que? Como assim precisa ir? — Stiles me interrompeu.
— Deixe-me explicar. — suspirei quando vi que ele estava tentando soltar a algema mais uma vez. — Eu evolui. Mas não sei a extensão desse novo poder. Não sei se a raiva vai ser uma âncora forte o suficiente. Não sei o que acontecerá na lua cheia. Minha mãe falava de uma alcateia que os betas evoluem, na América do Sul. Eles podem me ajudar. Então eu tenho que ir.
Stiles parou por alguns instantes. Seus olhos estavam sem foco, olhando de um lado a outro do piso.
Ele abriu a boca e fechou. Sabia que estava pensando no que dizer. No que responder. No perguntar.
— Você sente que não tem controle desse novo poder?
Inesperado, óbvio. Eu sabia que seria algo assim.
— Eu não posso arriscar.
— Arriscar quem? Você não vai conseguir machucar Scott ou qualquer outro na alcateia. — Stiles voltou seus olhos para os meus.
— Você, Stiles. Não posso arriscar. — dei um passo a frente. — Não sei se haverá um descontrole, mas você é humano. E se eu te ferisse Scott não me perdoaria. Eu... Eu jamais me perdoaria.
O garoto suspirou. Eu senti o cheiro de sua decepção. Mas logo em seguida senti da decisão e uma pequena pontada de medo misturado com a coragem.
Ele estendeu o braço livre em minha direção.
— Então, me morda. Se eu não for humano, você vai ficar? — ele não estava blefando, a certeza que seus olhos mostravam era real. — Se a resposta for sim, então me morda agora.
— Eu não posso te transformar. Eu sou um beta. — minha cabeça pulsava.
Parecia que eu ia explodir. Ele precisava ser tão imprevisível?
— Então vamos ligar para Scott agora mesmo. Ele não vai ter problemas em fazê-lo. — tentou soltar a algema mais uma vez.
— Eu não posso, Stiles. — mordi meus lábios e tentei acalmar a pulsação acelerada. — Eu realmente não posso... Desculpe.
Dei as costas.
— Hey! Derek! Não ouse ir embora! — senti o cheiro da antiga paixão em sua voz. — Não me deixe. Não destrua tudo. Nós todos íamos ficar juntos até o fim, lembra?
Parei.
O cheiro era tão agradável. Fazia tanto tempo desde a última vez que ele mostrou aquilo.
— Por favor. Fique. Nós podemos te ajudar com isso... Nós podemos te ajudar... Você não precisa ir. — a voz estava baixa e trêmula.
— Eu não posso atrapalhar vocês. É o último ano. Vocês precisam se focar nas aulas para uma boa faculdade. Precisam pensar no futuro.
— E o seu futuro? Quando eu vou te ver de novo?
Tive que me virar.
Seus olhos estavam implorando. Ele se rastejaria se isso me fizesse ficar. Mas nada me faria ficar. Eu precisava ir. Não queria, mas precisava.
— Eu não sei. Não posso te garantir nada.
Eu sabia que ele estava perdendo suas armas quando chacoalhou a algema mais uma vez e bufou quando não conseguiu nada.
Suspirei. Aquele garoto realmente era alguém que eu queria por perto. Alguém que estava pensando em mim. Não nas vantagens que tinha ao estar comigo. Mas estava pensando se eu ficaria bem, perguntando quando eu voltava, puramente por preocupação.
Dessa vez a voz era um suplício.
— Por favor... Fique. — murmurou.
— Por que?
— Eu preciso que você fique. Eu... Eu preciso de você.
— Por que precisa de mim? — perguntei sentindo minhas mãos tremerem.
Eu sabia a resposta.
Stiles não sabia. E mesmo que soubesse nunca admitiria. Nunca.
Caminhei até ele e tirei a chave do bolso, mostrando. Coloquei a no chão, distante dele.
— O que está fazendo? Derek? — seu olhar oscilou entre a chave e meus olhos.
— Você conseguirá pegar a chave e sair... Mas até lá eu...
— Não. Não, Derek! — balançou a cabeça.
Ele deslizou seu corpo para o chão. Sentou e se dobrou para tenta e alcançar a chave com os dedos. Ainda sem sucesso.
— Derek, não faça isso. — olhou para mim com medo.
Aproximei e deixei minha mão pousar em seus cabelos. Senti sua ansiedade. E senti seu carinho e sua vontade. Senti o tanto que ele queria que eu ficasse e o tanto que ele precisava do meu toque...
Senti o amor. A mágoa. O abandono. Senti o medo, mas senti a aceitação.
Stiles entendia que precisava ir. Aceitava.
Mas outro pedido se formava em sua voz:
— Fique, Derek. Por favor.
As palavras ecoaram em meu ouvido e o pedido correto alcançou-me.
Ajoelhei-me suavemente e encostei minha testa na dele. Meus olhos se perderam no dele. Era tão lindo. Tão expressivo.
Não haviam lágrimas. Mas sua alma chorava. Eu podia ver e sentir o choro incessante. O sorriso suave e falso que eu usava de barreira desapareceu. Se eu ficasse mais um segundo não conseguiria ir embora. Mas não conseguia me livrar do olhar. Da presença.
— Stiles, eu...
Não pude completar minha sentença, pois quando murmurei seu nome ouvi uma pulsação forte. Irregular, mas forte. Não soube dizer se ela vinha do meu peito ou do outro.
Os olhos castanhos de Stiles se prenderam durante alguns segundos em minha boca. Pensei se talvez eu estivesse transformado, mas quando corri a língua entre os lábios senti que meus dentes estavam em seus tamanhos e formas humanas.
— Ahm... — um som rouco saiu de Stiles. — Der... Derek...?
Novamente a pulsação desregulada.
Era minha.
Era o meu coração reagindo a ele.
Droga.
Eu precisava ir embora naquele momento.
Tentei me afastar, mas sua mão livre segurou meu braço.
— Não vá... Por favor...
Senti um tremor percorrer meu corpo.
E antes que eu pudesse me impedir, pousei meus lábios sobre os dele.
Ele retribuiu meu ato insano e impensado. Da maneira confusa e ansiosa. Stiles. Como Stiles faria. Mas foi efêmero. E casto.
Afastei-me e limpei uma pequena gota que escorreu na bochecha dele.
— Derek... Não...
Sorri da forma que pude.
— Até um dia, Stiles.
E caminhei para fora da delegacia.
Caminhei até onde conseguia continuar ouvindo o que Stiles fazia. Ele conseguiu puxar a chave com o pé e se livrado das algemas em menos tempo do que eu imaginei. Mas foi tempo o suficiente para que eu conseguisse me afastar de sua visão.
Eu ainda conseguia sentir o cheiro de água salgada. E pude ouvir sua voz gritar meu nome algumas vezes.
Não podia ficar.
Mas não pude ir embora quando o cheiro da coiote preencheu meus sentidos. Ela estava diante mim. Olhava-me como se eu fosse digno de pena, mas ao mesmo tempo com raiva. Sabia que ela e Stiles estavam tendo algo. Sabia que ela estava desenvolvendo esse carinho por ele, mas afinal quem não desenvolvia isso? Ele era adoravelmente idiota às vezes, mas tinha o coração puro e era extremamente leal. Era fácil amar Stiles.
Desviei meu corpo da trajetória que ela faria para chegar em Stiles. Gesticulei com a cabeça, pedindo para que ela fosse ajudá-lo. Mesmo que isso significasse perdê-lo para sempre.
— Obrigada. — murmurou.
— Cuide dele. — respondi entre dentes. — Se algo acontecer, eu saberei. E antes de você ter a chance de pedir desculpas, sua garganta já estará dilacerada.
— Você não precisa me ameaçar. — seu olhar se tornou furioso. — Eu cuido muito bem do que é meu.
Um riso doído se formou em meus lábios, e o que eu mais queria era destruir as palavras que ela afirmou. Mas ela estava certa. Stiles nunca me pertenceu. E ele era dela agora... Eu não podia fazer nada.
— Vá agora.
Era uma ordem e Malia me obedeceu pelo simples fato de saber que perderia uma briga comigo.
A coiote passou ao meu lado e não olhou para trás quando partiu de encontro ao garoto.
Agora eu deveria ir. Eu precisava ir. Mas... Não conseguia.
Quando Scott sugeriu que eu falasse com Stiles eu soube que seria assim. Ele conseguiria me convencer a fazer qualquer coisa. E ele havia me convencido a ficar.
Segurando meu braço, retribuindo meu beijo, implorando pela minha estadia. Derramando lágrimas por mim... Importando-se.
Ouvi quando Malia alcançou Stiles. Ela abraçou-o.
— Ele foi embora! — sua voz soou quebrada e errada. — A gente ia ficar junto! Ele abandonou todos nós. E...
— Shh... Eu nunca abandonaria você. Mas ele tem sangue Hale. Ele abandonaria todos que não fazem diferença. — a coiote falou em alto e claro tom, querendo que eu a ouvisse. — Derek não abandonou todos nós. Ele te abandonou.
A raiva borbulhou em meu peito e eu pude sentir meus dentes mudarem seu tamanho.
Malia deveria ajudar e aquilo não era ajuda. Aquilo era piorar a situação.
Deixei que meus pés me levassem para mais perto, ainda sem deixar que me vissem. Se ela ousasse piorar ainda mais o que Stiles estava passando, eu interromperia.
Quando consegui vê-los soube que era melhor ir.
Malia estava com o rosto de Stiles entre as mãos. Sua boca na dele.
Algumas lágrimas ainda estavam no rosto do garoto e eu podia sentir o cheiro de sua mágoa e pânico. Malia cuidaria dele. Agora eu não podia mais intervir.
Ela ajudaria lentamente. Com pequenos agrados e carinhos. Algo que eu jamais pude dar.
O beijo deles foi mais longo que o meu. E eu estava queimando aquela imagem em minha mente para que jamais eu pudesse voltar para atrapalhar algo que não é minha responsabilidade. Que não diz respeito a mim.
E quando se afastou, Malia abraçou seu corpo, permitindo que ele recostasse sua cabeça em seu ombro. Ela murmurou que estava tudo bem, mas seu rosto estava virado em minha direção. Aquelas palavras eram para mim.
Abri a boca para responder. Mas não pude.
Fiquei parado até que eles fossem embora e a caminhada de Stiles e Malia até o jipe foi o momento mais lento e difícil que enfrentei em toda a minha vida... Eu tive que ficar me segurando, evitando o impulso de gritar por ele e voltar para seus braços. Mas um desejo gritava tão alto.
— Olhe para trás... — sussurrei inconscientemente. — Eu estou aqui...
Mas ele não me viu.
Stiles não se virou.
E quando o jipe fez a curva na rua, eu soube.
Eu teria que continuar. Continuar e treinar e aprender sobre meus poderes. Não podia levar Stiles, mas podia voltar para ele.
E mesmo que ele estivesse com a coiote, ainda sim...
Eu voltaria para ele.
E isso era uma promessa.
Notas finais
Meio bobo meio feels~
Mas espero que tenham gostado! s2
Não esqueçam de deixar comentários pq deixa a tia muito feliz s2
Beijinhos e até a próxima. s2
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