Dancing
1 With Another Man
Notas iniciais
A cama era a mesma, porém parecia vazia sem ela. Aqueles lindos e compridos cabelos cor de laranja espalhados por todos os lados, ainda consigo ver ela do meu lado.
Aquela música suave que você mesma adorava escutar, aquela música que tocou no nosso primeiro encontro e passou a ser seu despertador logo depois. Ela me fazia tão alegre, agora me deixa um vazio no peito.
Você ia se casar hoje, durante muitos meses Luffy, Zoro, Usopp, Chopper, Robin, Franky e até aquele velho pervertido que é o Brook não paravam de falar de você. Eu sentia flechas perfurando meu corpo, uma após a outra. Eu não te dei o que merecia, esse foi o preço.
Droga Nami, porque eu não consigo fazer as coisas certas quando se trata de mulheres? Sempre piso na bola e com você infelizmente não foi diferente, eu queria que fosse, mas eu simplesmente não consigo. Por onde eu andava eu escutava seu nome, o meu coração estava sendo despedaçado igual a uma flor quando arrancam suas pétalas. Droga.
Eu andava pelas ruas em busca de uma floricultura, sei que não vai adiantar muito de dar flores agora, mas quero que seja feliz com seu noivo. Selecionei um lindo buquê de rosas vermelhas, não eram suas favoritas. Eu poderia te dar uma plantação de laranjas, mas eu trabalho com cozinha e não plantações. Olhei no relógio e percebi que estava atrasado, eu era um dos padrinhos, merda.
Eu queria ter dado muito mais atenção, às vezes eu chegava em casa meia noite por causa do trabalho porque eu fazia trabalhos extras e sempre as nossas saídas noturnas eram canceladas. Eu não te levava as festas porque eu... Tinha ciúmes. Nós dançávamos muito pouco, embora você adorasse, queria ter dançado com você muito mais naquele último dia. O dia que nós terminamos tudo, que eu levei dois tapas e um chute, que nós gritamos, que você chorou. Ver você chorar por minha culpa foi tão doloroso que fiquei com aquilo na cabeça por três semanas.
Cheguei na igreja e o marimo me deu um soco no ombro. Nós tivemos uma breve discussão até que Vivi nos parou, ela era a melhor amiga de Nami e minha companheira pra entrar ali. Uma música tocou, nós entramos e ficamos parados nos devidos locais. E depois de minutos de espera a marcha nupcial começou a tocar, olhei para a entrada e a vi.
Uma princesa, a princesa que eu perdi por cair do cavalo. Ela entrou com a mãe adotiva, Bellemere, uma senhora adorável e boa de briga. O noivo se chama Trafalgar Law, um cirurgião conhecido pelo país inteiro. Ao que parece, Chopper é um aprendiz dele e diz que Law nunca cometeu um erro sequer em suas operações. Eu e ela sonhamos que casaríamos, mas agora ela está casando com outro homem, tudo culpa minha.
Depois daquele dia que nós brigamos eu tentei bater na sua porta e pedir desculpa, mas eu tinha que assumir que a culpa era minha. Esse orgulho um dia ainda vai me matar. Eu fiquei com minhas bochechas inchadas por alguns dias, você estava segura sozinha ou não porque você era forte. Você amava crianças, sempre que íamos ao parque você brincava com uma ou duas. Era doce com elas que eu chegava a imaginar nossos filhos, isso não será mais possível, não é?
Quando chegou na hora do beijo eu olhei para o outro lado, mas fiquei ouvindo as palmas e assovios. Queria ter recebido tudo isso, saí correndo e peguei o buquê de flores que deixei no último banco. Continuei a correr e parei quando cheguei na frente de um salão, o salão da festa. Fechei os olhos e por um segundo vi você chegando ao lado dele, ah como dói.
E é mesmo, quando você chegou lá trajava um vestido vermelho comprido. Poderia ficar te elogiando a noite toda, mas isso já não é mais tarefa minha. Queria dançar com você, mas você estava dançando com ele. Tomei coragem de depois da dança ir falar com você, mas enquanto você dançava com muitas pessoas inclusive nossos amigos eu pensava nas palavras que eu iria dizer.
E então, quando você sentou naquela cadeira eu fui até lá escondendo meu buquê de flores nas costas. Quando você me viu ficou surpresa e sorriu, um sorriso doce e verdadeiro. Mostrei-lhe o buquê e ela me abraçou, disse que não esperava que eu estivesse aqui e estava extremamente feliz por eu estar ali. Sem que eu percebesse duas lágrimas molharam o ombro dela, ela percebeu e me perguntou o que houve. Eu apenas respondi que era um prazer poder ser seu amigo depois de tudo.
–Nami, quero que saiba que independente de com que você esteja eu quero ver vocês felizes, principalmente você. Sei que talvez ele vá fazer alguma cagada e você terá que corrigi-lo, mas não pegue tão pesado, porque dói bastante. – Eu ri. – É bem tarde pra eu dizer que queria te dar esse buquê no seu aniversário, mas aceite como presente de casamento. Enfim, quero que o Law faça tudo que eu não consegui fazer. Espero que ele te dê ótimos presentes, viaje bastante ao seu lado e outras coisas. Quando você tiver um filho se prepare porque eu vou te visitar quase todos os dias para saber como vocês estão, claro se o Law me deixar entrar. Então, quero que sejam felizes e tudo mais. – Ela me abraçou, senti meu ombro úmido, será que?
–Sanji, seu idiota, irei te receber de braços abertos mesmo que aquele lá não queira. – A abracei forte, senti seu aroma de laranja e quase adormeci ali, porém lembrei-me do que tinha que fazer.
–Vou embora agora, irei viajar para a Europa, quando voltar espero ter algum bebê para brincar viu. – Me virei de costas e comecei a andar.
–Passe bem. – Sorri de costas e acenei, fui embora até minha casa. Peguei minha mala e pedi um táxi até o aeroporto. Passei por todo aquele processo de verificação de bagagem e logo estava dentro do avião. Antes de partir peguei meu celular e mandei uma mensagem para ela. O avião decolou e mergulhei nos meus pensamentos.
No dia seguinte Nami pegou seu celular e viu a mensagem de Sanji
“Já estou voando, ficarei muito bem. E não quebrem a cama viu? Haha, brincadeira. Sejam felizes, até a próxima, Nami” – Enviada por Sanji às 21:34, sábado.
Esperarei de braços abertos sua volta, seu hentai.
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