Dance is the rule
11 Capitulo 10- Quem é?
Notas iniciais
A viagem foi passada em silêncio e em meio a seus pensamentos o carro parou, encontravam-se a frente da porta traseira do clube, a que ia dar acesso á cozinha da Tikki e do Plagg. A Lady Wifi foi em frente, tinha percebido que a Tikki precisava de falar com a sua amiga mais do que ela.
— A Alya sabe?
— Agora sabe…
— Até onde é que lhe contas-te?
— O que aconteceu na filial, do Felix…do nosso “amor”, da traição…
— E do que aconteceu na noite da fuga? No caso do Volpine?
— Não…Ela disso não precisa de saber…
Ambas se olharam, a Tikki sorriu para a amiga que retribui, entraram e cumprimentaram o Plagg, desceram em silêncio, o ele tinha percebido o que se passava. Chat Noir dançava no meio da pista, a sua lady não tinha chegado. Algo lhe prendia a mente…Quando ele passou pelo quarto, a Marinette estava de cabeça baixa e a Alya com cara de choque. Ele não ficou a observar, mas sabia que algo não estava correto com a amiga de infância (por quem no fundo ele sabia que tinha desenvolvido uma paixoneta, que considerava infantil). Ele dançava tão distraidamente que as raparigas que estavam á sua volta, pouco lhe interessavam, A Ladybug, apareceu em palco, com um sorriso na cara, animada, mas apesar disso ele podia ver um pouco de mágoa nos seus olhos. Ele não se atreveria a perguntar nada…. Ela apresentou-se e declarou oficialmente o início da noite. Ela desceu, cumprimentando toda a gente. E deslocou-se para o centro da pista, o Chat afastou-se para a deixar aproximar-se, quando ela começou a dançar, ela começou a pensar no gato…onde ele estaria? Será que já tinha chegado? Tal como Adrien não admitia a paixoneta por Marinette, a Ladybug nunca admitiria a paixoneta pelo gato selvagem, que teria sido quase amor a primeira vista. Aqueles olhos de gato de rua, verdes como uma esmeralda, realmente a sua vida estava cheia de rapazes de olhos verdes e cabelos loiros. O seu magnetismo animal a atraía e ela não percebia porquê. O gato aproximou-se atrás de si, e colocou as mãos nos olhos da joaninha, adaptando-se ao ritmo dela.
— Quem é m’lady?- perguntou com um sorriso de canto.
— Esse apelido denunciou…
Ela virou-se para ele, ai como aqueles olhos azuis o envolviam, como o mar talvez…o seu mar…Ela deixou-se engolir pelo verde berrante dos olhos de uma gato vadio. Ambos perdidos no céu e na terra, no mar e na relva. Ela queria se perder nele e ele queria se encontrar nela. Os seus rostos aproximavam-se, as respirações cruzavam-se, o verde anestesiava-a, deixava-a doida. Estavam perto, dançando devagar, ao ritmo da musica, como da ultima vez, a pista era deles. Quando ela retomou a sua razão, afastou-se do gato fazendo-o dar-lhe uma volta, ambos estavam mais vermelhos que a sua roupa.
A musica acelerou um pouco, fazendo os esquecer-se do momento constrangedor, acelerando o passo, até aqui tinha sido a azulada a comandar, mas agora o gato via a sua oportunidade de lhe mostrar o que ele valia e ela percebeu, não querendo ficar para trás, encostou-se totalmente ao rapaz, que ficou sem jeito sentindo os seus corpos totalmente colados, deu-lhe mais uma volta, retomando o controlo, e assim foi, quase como um desafio para ambos se controlarem. Mais uma vez a pista era deles, e assim, sem falarem apenas dançando, intendiam-se perfeitamente.
Do lado de fora, em frente á porta principal do clube, havia um conjunto de prédios e atrás um parque de estacionamento. Aí, no silêncio da noite, uma mota parava e de cima dela saltava um garoto, de cabelo loiro esbugalhado e olhos verdes, colocou a máscara de tigre já habitual. Aproximou-se dos seguranças do clube e entregou-lhes um pequeno bilhete.
— Podem entregar a Ladybug?
Os seguranças trocaram olhares e acenaram positivamente com a cabeça. Ele afastou-se do local e encostou-se numa parte encaixada do parque de estacionamento, na parte dos prédios. Um dos seguranças entrou no clube e chegaram á beira da azulada entregando de o bilhete e despedindo-se de seguida. Ela separou-se um pouco de Chat e leu “Vem ter comigo ao parque de estacionamento neste preciso momento, eu não gosto de atrasos, e tu sabes disso”. Os seus olhos arregalaram-se.
— Chat, eu já volto, podes esperar um pouco?
— Claro m’lady, mas o q…
Ela saiu a paço apressado dali, deixando Chat totalmente confuso para trás. Ela sabia perfeitamente quem era e sabia perfeitamente que podia ser uma emboscada, mas bem conhecendo o tigre ele só queria provocar, e ela precisava de fazer umas perguntas. Ela saiu do clube a passo apressado. Deu a volta aos prédios e chegou ao parque de estacionamento, olhou de um lado para o outro cautelosa, nem sinal do loiro, se calhar teria sido uma partida? Deu um paço em frente um pouco mais relaxada, até que olhou em frente e reparou na mota vermelha, era dele. Ela arregalou os olhos, num movimento rápido as suas mãos foram agarradas puxando a contra a parede, fazendo as suas costas baterem na mesma. Quando ela olhou para a frente, a máscara de tigre com os olhos cor de esmeralda encaravam-na, observando dos pés á cabeça, segurando as suas mão acima da cabeça com uma mão e com a outra puxando a máscara para cima, mostrando a sua cara.
— Quem é princesa?
Ela estava um pouco atordoada com o impacto e em puro choque quando olhou nos olhos do rapaz. Ela congelou olhando para o sorriso de canto que o jovem apresentava. Colocou a sua mão na cintura dela apertando a, sorrindo ainda mais vendo o terror estampado no rosto da jovem, deixava-o louco. Encostando os lábios aos dela, num beijo selvagem, agressivo e possessivo, fez com que ela voltasse á sua plena consciência, tentando retirar as mãos do aperto das garras do tigre, o que fez com que o mesmo apertasse ainda mais os seus pulsos e a sua cintura, empurrando-a contra a parede de novo fazendo a soltar um gemido de dor. Ele aprofundou o beijo forçando a entrada da sua língua na boca dela, em momento algum ela retribui, ele começou a passear a sua mão na curva da cintura dela, foi ai que ela viu a sua oportunidade, trincando a língua dele em meio do beijo, quando ele afastou a cara com uma expressão de dor, ela conseguiu retirar as mãos do aperto dele empurrando-o com força fazendo-o cair de rabo no chão, ele riu alto enquanto ela limpava os lábios com as costas da mão que tremia com a adrenalina.
No clube o Chat começava a ficar preocupado, ela já estava a demorar muito. Ele correu para a cozinha onde sabia que iria encontrar Tikki e Plagg. Ela confiava mais neles do que nele, conhecia os a mais tempo, se fosse para alguém se meter, talvez eles fossem a melhor opção. Entrou na cozinha com a respiração acelerada. Contou a Tikki o que aconteceu, o Plagg e ela entreolharam-se e a Tikki começou a correr, se a cartinha fosse de quem ela pensava, eles estariam num lugar isolado, o parque de estacionamento.
A azulada estava com raiva, quem ele pensa que é para a beijar daquela maneira, para a tratar daquela maneira, para se rir daquela maneira? Ela queria que ele morresse, longe de preferência. Ela correu na direção dele esticando uma perna para lhe dar um pontapé na cara, ele deitou o tronco no chão, esquivando-se do ataque da joaninha, puxando-lhe a perna de seguida fazendo-a cair no chão de barriga para cima, colocando-se em cima dela e segurando as suas mãos em cima da cabeça dela de novo. Ela olhava-o com desprezo e ele com diversão, ela era a preza dele e sempre fora.
— Uma joaninha a enfrentar um tigre? Essa é nova.
Ele falava em tom de gozo.
— Como a joaninha tem tanta boa sorte, talvez ela tenha a sorte do tigre a deixar em paz…Se não, talvez a joaninha o mande castrar…
Ela esticou a perna acertando nas partes baixas do loiro e quando ele se encolheu, ela deslisou para longe dele, pondo-se de pé. De repente paços apreçados poderam ser ouvidos do outro lado dos prédios. O loiro com um pouco de dificuldade pôs-se de pé e olhou para ela com um sorriso de canto.
— Bem jogado princesa, agora tenho de ir vemo-nos mais tarde…
— Ou nunca mais…
— Isso não pode ser.
Ele virou as costas e pôs se em cima da moto, pondo a mascara na mala por baixo do banco e pondo o capacete com um par de orelhas de tigre e arrancou, deixando para trás Marinette totalmente acabada. Agora que a adrenalina acalmava, uma dor atingiu as suas costas, como se uma navalha tivesse arranhando as suas costas. Sentou-se contra uma parede respirando devagar.
— MARINETTE!
A Tikki correu na sua direção e pôs-se de e olhou para ela.
— Marinette que se passou?
Ela apenas retirou o bilhete do bolço e entregou á jovem de cabelos rosa que o leu com rapidez e arregalou os olhos. A azulada olhava o céu sem estrelas, enublado. Os seus olhos estavam marejados, as horas que o Félix passava a consolá-la, a dizer que ia ficar tudo bem, que se pudesse alterar a situação ele faria, tudo mentiras e mentiras e mais mentiras. Uma lágrima solitária correu por cima da máscara e pela bochecha rosada.
— Era o tigre…não era?
— Era sim…
— Estás bem…
Tikki passou os olhos pela amiga, marcas vermelhas nos pulsos da rapariga, um leve fio vermelho a correr pelos lados das costas da azulada e marcas roxas que saiam um pouco nas ancas. Lá estava outra vez a Marinette, fria e distante ali sentada, parcendo cada vez mais sozinha e abandonada a cada segundo. A Tikki ajudou-a a levantar-se, a joaninha contorceu o rosto com dor, e quando a jovem de cabelo rosa retirou a mão das costas dela olhou chocada para o braço que estava manchado de vermelho.
— Marinette…vira as costas…
A azulada obedeceu, as costas dela estavam cheias de cortes e marcas de pedras, sendo que no meio das costas dela uma pedra estava cravada um pouco mais fundo criando um leve fio de sangue que corria. A Tikki baixou levemente a parte direita das calças fato de treino e lá estava uma marca roxa de uma mão, junto com as marcas nas mãos que agora estavam a ficar arroxeadas. Aquilo doía no coração da jovem, o estado dela, os machucados das costas amontoados com as marcas roxas nos pulsos e nas ancas, Tikki chorou silenciosamente ali olhando para as marcas da amiga, porque é que ela não conseguia proteger a azulada? Marinette sabia perfeitamente que a Tikki se sentia culpada e que naquele preciso momento estava a chorar. Os punhos dela serraram-se, ela chorava de raiva.
— Tikki…nunca…NUNCA…penses que o que aconteceu…o Tigre e o Felix…o caso Volpine…a noite da fuga…o meu cativeiro…as drogas que correram nas minha veias…o meu estado atual…foi culpa tua…NÃO FOI! ESTÁS ME A OUVIR?! É TUDO CULPA DO HAWKMOTH E DE MAIS NINGUÉM!
Ela gritou o que o seu coração e a sua mente sentiam, a culpa não era dela e nunca seria, gritou não para Tikki mas para as estrelas que não estavam visíveis naquela noite, gritou a sua raiva a quem quisesse ouvir, a sua dor e a sua tristeza. A Tikki percebeu o recado, percebendo o estado frágil que apesar de estar a parecer forte, estava a desmoronar por dentro. Colocou a mão de novo nas costas da amiga, pondo o braço de Marinette a volta do pescoço dela, elas deram a volta aos edifícios e ao clube, seria uma má escolha entrar pela porta da frente do clube e captar os olhares de todos, principalmente mostrar aquele lado frágil da Lb, que era uma coisa que a azulada não queria, deram a volta a tudo indo parar á porta das traseiras que ia dar a cozinha. Bateu 3 vezes a porta.
Chat Noir caminhava as voltas na cozinha, preocupado, insultando o ar, culpando-se por não ter ido atrás dela, Plagg tentava acalmar o rapaz, sem efeito algum. Ouviram um bater na porta e o Plagg foi lá e abriu a porta de modo a que só ele visse quem estava lá fora. Arregalou os olhos.
— Plagg…ela está ferida…
Mais fios de sangue escorriam pela barriga de Lb vindos das costas dela, os seus pulsos e as suas ancas eram cada vez mais escuros. O Plagg apenas berrou.
— GAROTO! TRÁS O KIT DE PRIMEIROS SOCORROS, UMA BACIA E UM PANO! JÁ!
— Mas..
—JÁ!
O gato saiu a correr, indo ao escritório do lado onde estava tudo o que o moreno pedira. Pegou no Kit e no pano e meteu dentro da bacia correndo. A sua respiração estava alterada. Ele tinha ouvido a voz da Tikki, a sua Lady estava ferida? O seu coração batia desmedidamente. Por que ele não foi atrás dela? Porquê? Ele bateu á porta. Ouvia soluços altos de alguém a chorar parecia a Tikki.
— Tikki tem calma, os ferimentos parecem ligeiros…
— MAS A CULPA É MINHA PLAGG…toda minha…
— Tikki, ambos sabemos que não é verdade..
— É SIM…
— PARA TIKKI! O PLAGG TEM RAZÃO! JÁ TE DISSE!
O gato abriu a porta ouvindo a voz da joaninha, abriu a porta, arregalando os olhos. Quando entrou lá dentro, a azulada abraçava a rosada contra o seu peito onde chorava, com um sorriso calmo e terno na cara, acariciando o cabelo cor-de-rosa da amiga com uma mão, O braço da Tikki estava coberto de sangue, as costas da joaninha também, misturando o sangue no top vermelho. Na mão que acariciava os cabelos da amiga era visível uma marca roxa tal como nas ancas dela.
— Lady…bug?
— Chat…tudo bem?
Ela sorriu para ele, ela parecia bem, o que era uma mentira, ela sentia uma dor agoniante nas costas, mas ela não o mostraria.
A Lb sentou-se ao contrário na cadeira. O Plagg limpou o sangue das costas dela, os cortes eram só superficiais, causados devido ao impacto das costas na parede. Ele retirou a pedra com um par de pinças que estavam no kit. Limpou a área e desinfectou, de vez a vez ela fazia uma careta de dor. Chat olhava, imóvel. Então era aquilo que significava ser um representante da Miraculous? Até aquele momento apenas tinha confrontado akumatizados em batalhas de dança, algumas pisaduras, mas nunca nada daquele género. Puseram gazes esterilizadas nas costas dela e alguma pomada nas negras dos pulsos e das ancas.
— Tikki…Lb…foi o Tigre…não foi?
A Marinette olhou para Plagg com um leve sorriso nostálgico na cara assentindo com a cabeça.
— Porque não nos avisas-te? Porque és teimosa? Lavavas o Chat contigo se necessário…
O Chat fechou os punhos com força. Porque é que ela não disse nada? Não confiava nele? A azulada fitou o chão.
— Não quero que mais alguém saia magoado desta situação…já bastou o John…não foi?
— Ladybug…tu sabes muito bem que a culpa não foi tua…
O resto do tempo foi passado em silêncio, o gato não tinha coragem de perguntar quem era o tigre ou o John, muito menos o que se passava… Passando algum tempo, Chat foi chamar a Lady Wifi que conversava animadamente com o Bubbler, despediram-se todos, a Alya e a Marinette foram com a Tikki para casa, deixando o Plagg, o Bubbler e o Adrien para encerrar a noite. Pelo caminho a Marinette contou o que aconteceu as amigas, passando o resto do tempo em silêncio. Chegaram a casa e saltaram a janela, a Alya foi tomar banho enquanto a Marinette trocava de roupa, deitando-se de seguida e adormecendo coma as palavras de Felix na sua cabeça.
“Quem é princesa?”
Fale com o autor