Dance Until Die
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O barulho ensurdecedor a sua volta parecia distante, corpos suados dançavam na pista de dança. O cheiro de bebidas, cigarros e talvez até coisas ilícitas rodavam no ar como uma névoa. Estava escuro, cheio... Claustrofóbico.
Não gostava daquele local. Na verdade, não o frequentava.
Só de lembrar o que a fizera ir ali um sorriso irônico aparecia em seus lábios trêmulos. Sempre criticara pessoas as quais bebem para esquecer seus problemas e olha só o que estava fazendo!
Brigara com o Sasuke. E porra, a culpa era toda dela! Como odiava admitir isso!
— Ainda não estou bêbada, ainda não esqueci. – Comentou pra si mesma enquanto pensava se pedia mais uma dose de tequila.
Odiava-se um pouco mais a cada momento. O que estava fazendo consigo mesma por um homem? Cadê o amor próprio? Cadê o maldito amor próprio?!
Errara certo. Ele não queria ver seu focinho durante um tempo. Tudo bem. Quanto tempo?
— Droga! – Colocou as mãos no rosto respirando fundo.
Seu coração estava comprimido, acelerado e quente. Estava longe de ser uma boa sensação. A garganta encheu num bolo e as lágrimas queriam sair novamente. Não faria isso, não mais.
— Mais uma dose de tequila, por favor. – Pediu, não aguentando pensar mais.
O copo a sua frente parecia atrativo demais, uma solução passageira, mas ainda assim muito apelativo. Tomou só num gole e pediu mais um. E mais um.
Em algum momento ela se perdeu na noite. Não distinguia os rostos, nem os cheiros nem mesmo conseguia se focar em algo. Ficou leve, como se voasse. Meio tonta, talvez. Os risos saiam fáceis enquanto tentava improvisar alguns passos na pista de dança.
Levantou uma garrafa de cerveja, em uma parte mais animada da música. Não sabia qual era, entretanto nem era como se importasse.
—-
Na manhã seguinte, estava em sua cama jogada de mau jeito, ainda com os sapatos. Não fazia ideia de como havia chego. E tinha certeza que se morasse com os pais teria tomado um esporro.
A dor de cabeça a estava matando lentamente. Olhou para o lado de sua cama e suspirou ao não encontrar quem devia estar lá. Ele resolvera sair de casa por uns tempos, devia estar com algum amigo. E já fazia três dias sem notícias.
Não ligaria.
Não.
Olhou o telefone e o jogou debaixo da cama. Depois escondeu o celular no fundo do armário.
Nem pensar.
Deixe a tentação passar.
— Preciso de um comprimido pra essa dor de cabeça. – Resmungou indo até a cozinha fazer um café.
Sua sorte era que estava de férias no trabalho e na faculdade, senão estaria totalmente ferrada para enfrentar uma aula de Economia. Ou seu chefe que adorava dar em cima dela. E o motivo da briga.
— Filho da puta. Desgraçado.
Por que diabos ele tinha que falar tudo que falara quando seu namorado chegara? Ciumento do jeito que era, o barraco estava feito. E pra melhorar ela ainda ia lá e provocara.
Quando olhou o relógio até se assustou. Eram cinco da tarde. Seu estomago estava embrulhado, então tomou somente o café e decidiu em dois segundos o que faria: sair de novo.
Mas é claro que não deixaria a casa fora de lugar, do jeito que eram os amigos de Sasuke, apareceriam com alguma desculpa só pra ver como estava. E se negava a mostrar fraca. Mas antes tomar um remédio pra dor de cabeça, claro.
Arrumou tudo em uma hora. Sentia que se não saísse dali se sufocaria. E a fome ainda não viera a visitar, então tomou um banho longo, perfumou-se, colocou aquele vestido preto de todos os dias e buscou uma cerveja na geladeira.
Sasuke as deixava lá e ia tomando conforme os dias. Bom, agora ela mesma acabaria com estas.
A campainha tocou uma vez e a vontade de fingir que não estava cresceu, porém tocaram mais uma vez. Outra. E só tinha um maldito que fazia isso. Era Naruto, o melhor amigo de Sasuke.
— Já vai!
Quando abriu a porta se deparou com o próprio e quase abriu um sorriso de vitória. Sabia que ia acontecer isso.
Este a olhou meio assustado. Imaginava a encontrar de pijama com uma panela de brigadeiro como todas as outras vezes que aqueles dois brigavam. Em vez disso, Sakura estava deslumbrante como se fosse sair. E segurava uma cerveja, a garota não bebia!
— Ow! Vai pra onde? – Não conseguiu segurar a pergunta.
— Olá pra você também. E que pergunta idiota, não? Sair.
— Posso perguntar pra onde?
— Na verdade, não. – Sorriu educada. – O que queres?
— Hmmmm. – Sorriu sem graça. – Buscar umas roupas para o Teme...
— Beleza, pode entrar. Só deixe a chave debaixo do tapete quando sair do apartamento, ok? – Foi pegar a bolsa que se encontrava na mesa da sala de estar, onde estava desde o dia anterior.
O Uzumaki entrou, assustando-se mais. Tudo estava arrumado!
— Ok.
— Adios. – Sakura saiu e fechou a porta atrás de si, sorrindo quase que sadicamente.
Não importava como se sentia. E sim como os outros a viam.
Não importa.
Droga, importa sim!
Terminou de tomar a cerveja enquanto pegava o elevador e pediu para o porteiro jogar fora. Logo estava noite a fora, decidindo onde passaria as próximas longas horas.
Porém desta vez estava de estomago vazio. Depois de algumas doses, a vontade de vomitar cresceu e correu para o banheiro que achava ser feminino. Colocou tudo pra fora, o que tinha e o que não tinha. Ao lavar sua boca, não conseguia distinguir mais a cor de seus próprios olhos.
Fez questão de tomar mais uma dose de tequila antes de seguir até fora da boate. Que horas eram? Não fazia ideia!
Quando achou um táxi, este por sorte era educado e não tentou dar em cima dela. Recebeu alguns pontos dela por isso, apesar que não ia lembrar disso no dia seguinte, obviamente.
Ao entrar em casa, esperava estar tudo silencioso e escuro, mas as luzes estavam acesas.
— Que porra...? – Colocou as mãos na frente dos olhos.
A sua vontade era se jogar no sofá e dormir ali mesmo, estava tonta.
— Sakura! – Ouviu a voz de Sasuke.
Achou que estava ficando louca, mas logo o moreno de olhos ônix apareceu na sua frente com uma cara muito brava, puxando-a para o banheiro.
— Solte-me... – Falou meio grogue.
Este ficou quieto e a jogou debaixo do chuveiro, colocando na água gelada. Sakura reclamou, mas algo no olhar do cara a avisou que era melhor ficar quieta. A partir daí a sonolência a pegou em cheio.
Em pouco tempo, estava na cama com um pijama. Devia ser um pijama, pelo menos.
Quando eram seis da manhã abriu um pouco os olhos e encontrou olhos onix a encarando.
— Sasuke...
— Durma. Depois resolvemos.
Fechou os olhos, querendo que todos seus problemas desaparecessem. Talvez conseguisse resolver mais tarde, mas agora iria dormir.
Ao abrir os olhos novamente, a cama ao seu lado estava vazia. Por um momento perguntou-se se estava tendo alucinações bêbadas, porém estava com um pijama e os cabelos úmidos. Levantou-se e, na pressa, acabou caindo. O estrondo atraiu alguém que estava fora do quarto. Logo viu Sasuke, ali, parado a encarando. Não ajudara, não perguntara se estava bem. Engoliu o orgulho e levantou-se, sentindo seu joelho latejar. Quando encontrou os olhos do homem que amava, sentiu como se seu corpo todo esfriasse instantaneamente. Não era felicidade que encontrava ali. Estava bem longe disso.
— Sasuke?
— Já estava de saída.
— Eu... Por que veio aqui? – Tentou recuperar o foco. Um sorriso irônico surgiu nos lábios do rapaz.
— Aqui era onde eu morava, certo?
— Passado?
— Talvez.
Tentou com muita força não quebrar-se na frente do rapaz. Seu coração estava sangrando, despedaçando e se desfazendo em frente aos seus olhos. Não deixaria que isso
acontecesse... Ou pelo menos tentaria retardar.
— Isso é o fim? – Sakura não conseguiu deixar de perguntar.
— Não sei. – Virou-se para ir embora.
— Como assim não sabe?!
Aquelas respostas curtas estavam a deixando louca. Vê-lo ir assim, tão fácil, matou-a por dentro. Aquele não podia o Sasuke, o cara que a acordava com um beijo todo dia.
— Não sabendo. Não me procure, por favor.
E saiu do apartamento depois de uma pequena pausa. Assim que a porta foi fechada, Sasuke pôde ouvir algo se espatifando contra esta e os soluços da mulher vindo de dentro do apartamento. Respirou bem fundo, sentindo-se uma porcaria. Mas vê-la indo embebedar-se quando ele estava pensando em ir conversar, não dava. Impossível. Era humano e se tinha algo que não aceitava era ver Sakura chegar alta hora da noite sem saber onde estava praticamente. Quem garantia o que ela havia feito bêbada? E se estivesse com algum homem? Sua única sorte era que não havia chego com nenhum, senão não teria nem o que pensar.
Nunca aqueles remédios para dormir pareceram tão atraentes. Sakura fungou enquanto tomava mais uma garrafa de vinho. Fora esta, já tinha tomado mais duas. As lágrimas caiam sem parar, nada tinha mais sentido. No momento em que o vira sair, parecia como se sua vida estivesse acabada. Era óbvio que não voltaria. Seu armário estava vazio das roupas dele.
— Maldito...
Soltou mais um soluço, tomando um comprido seguido de mais um gole de vinho. E assim foi até acabar os dois. Seu corpo foi em direção e, na verdade, não sentiu o baque. Seu rosto estava molhado e gelado em contato com o piso, mas parecia detalhe.
Sua cabeça rodou e então a respiração faltou. O desespero a tomou quando não conseguia respirar. Tentou levantar as mãos, mas estas estavam pesadas demais, seu corpo estava pesado demais. Tentou gritar, nada saia. E foi nesse dia, de um modo totalmente idiota, que Sakura morreu. Tivera uma overdose e morreu de parada cardíaca. Ficou dois dias em seu apartamento, até a acharem. Sasuke? Bem, esse se arrepende até hoje. Mas seguiu a vida. E a garota? Perdeu a vida por um cara que a superou num piscar de olhos.
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