Dance To This
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Queria algo levinho, pra dar uma aquecidinha no coração.
Tradução nas notas finais.
Se conheceram no bar que Milo trabalhava.
Reparou naquele ruivo que frequentava o bar há bastante tempo, mas como ele estava sempre sério e pouco falava, nunca puxou papo. Mas tinha algo nele que lhe chamava atenção, que o fazia observar, da forma mais discreta que conseguia, aqueles dedos bonitos e finos segurando o copo de drink de forma tão elegante, ao mesmo tempo que sua postura mostrava certa irreverência.
Aos poucos, com o passar do tempo, foi surgindo assuntos educados entre eles. Sobre o tempo, como estavam os negócios, a crise. E então o ruivo passou a acompanha-lo quando tirava uma pausa para fumar um cigarro do lado de fora, e assim passaram a se conhecer.
Milo percebia como Camus era intelectual, polido, mas tinha uma urgência dentro de si para conhecer o mundo e se deixar levar. Conversava sobre tudo e se interessava sinceramente pelo o que Milo contava. Apesar da clara diferença de vida deles, se sentia plenamente confortável em conversar e compartilhar sua visão de mundo.
E então, em um dia em que Milo estava particularmente animado, falando e gesticulando com empolgação, parou por um momento e viu naqueles olhos que lhe encaravam uma vontade, um fogo. Ali percebeu que ele o queria tanto quanto ele queria aquele ruivo educado, elegante, com um sorriso doce e um risada rouca gostosa. Se beijaram atrás do bar, onde Milo se refugiava para uma pausa do trabalho. Se encararam como que pedindo permissão, e quando encaixaram as bocas, parecia que todos aqueles meses de interesse velado havia criado uma tensão que até então não havia emergido, mas estava ali, presente em cada ato. Se abraçaram, Camus encaixou a mão entre o pescoço e maxilar de Milo, fazendo um suave aperto e carinho, enquanto Milo enroscava os dedos naqueles cabelos ruivos que tanto lhe chamavam atenção.
— Você não faz ideia do quanto eu queria isso – disso Camus após se separarem minimente e olhar dentro daqueles olhos azuis tão cativantes, a mão agora na face do loiro.
— Pois eu digo o mesmo... – Milo sorriu aberto, puxando-o pela nuca para mais um beijo longo e envolvente.
Trocaram telefones e marcaram de sair. Se viam com frequência no bar, e as vezes Camus esperava o turno de Milo acabar para saírem juntos. Camus olhava como Milo dançava solto e se deixava envolver, com um sorriso de lado e de olhos fechados. Ficava encostado no bar, com uma multidão ao redor, mas ali ele só via Milo. E só mesmo aquele loiro insolente para conseguir convencê-lo a dançar. Envolveu a cintura de Milo com o braço enquanto acompanhava o corpo dele com o seu, lançando-os naquele vórtex de desejo que ameaçava queimá-los.
Milo finalmente conseguiu uma folga entre todos os bicos que fazia e faculdade, e Camus o convidou para seu apartamento. Iria ele mesmo fazer o jantar. Escolheu um bom vinho (obviamente francês, o que renderia piadinhas por parte de Milo), tomou um banho e organizou a sala para jantarem na mesa de centro mesmo, sentados em almofadas.
“Young ambition
Say we'll go slow but we never do
Premonition
See me spendin' every night with you”
Quando o grego chegou, Camus não conseguiu disfarçar o olhar ardente que lançou para a figura parada ali na sua porta, de camiseta branca, jeans desgastados e tênis. Os cabelos soltos jogados para trás, mochila num ombro e um sorriso enorme nos lábios. Puxou-o para um abraço, aproveitando para segurar-lhe pela nuca e puxá-lo para um beijo suave, mas rápido. Teriam muito tempo para aquilo ainda. Puxou Milo pela mão e apresentou rapidamente o apartamento, pedindo para ele sentar e aguardar. Pôs a mesa, e serviu o vinho, obviamente recebendo a esperada piada sobre como franceses eram preconceituosos com vinhos estrangeiros. Jantaram entre conversas e risos, com Milo realmente impressionado com as habilidades culinárias do francês.
Após finalizarem a garrafa de vinho, Milo se disponibilizou para lavar a louça, o que foi prontamente recusado por Camus. Acabou por se escorar na mesa da cozinha, observando o ruivo organizar a pia, enquanto colocava uma música em seu celular para tocar no ambiente.
“Oh, yeah, under the kitchen lights
You still look like dynamite
And I wanna end up on you
Oh, don't need no place to go
Just put on the radio
You know what I wanna do”
Camus olhou na direção de Milo, e o encarou. Encostado displicentemente na mesa, com a luminária logo acima iluminando os cabelos loiros e fazendo sombra em seu rosto, deixando Camus salivando com a imagem daquele homem tão lindo, sem sequer um esforço para sê-lo. Desistiu da louça e se aproximou devagar, não desviando o olhar. Beijaram-se com vontade, encaixando os corpos em um abraço apertado. Mãos sentindo os músculos, enquanto Camus puxava Milo pelas coxas para que sentasse na mesa, que imediatamente enroscou suas pernas ao redor do ruivo.
“We can just dance to this
Don't take much to start me
We can just dance to this
Push up on my body, yeah
You know we've already seen all of the parties
We can just dance to this”
A música rolava pelo ambiente, e ambos sentiam suas peles quentes e arrepiadas. Camisetas no chão, tateavam os corpos, sentindo com os dedos, a língua e os lábios.
“Dear beloved
Bring those 501s a bit closer, bit closer
And dear, my lover
Do that thing we never do sober, sober”
— Mon ange, vamos para o quarto, oui? – Camus deslizava os dedos pela face de Milo num carinho tranquilo, apesar do calor em seu corpo.
— Você sabe como adoro quando você fala francês assim... – Milo sussurrou enquanto mordia o lábio inferior de Camus, puxando-o para mais perto com as pernas.
— Se segura em mim. – Camus passou as mãos por baixo das coxas de Milo, suspendendo-o enquanto sentia ele agarrar-se a si. Se encaminhou ao seu quarto, enquanto sentia a língua de Milo brincando em sua orelha.
“I don't wanna sleep tonight
I just wanna take that ride
We can just dance to this”
Se amaram com vontade, dando vazão a todo desejo e sentimentos que os envolviam. Dormiram quando a exaustão os atingiu, e quando acordaram estavam ainda de mãos dadas. Tomaram banho, café da manhã, e curtiram o resto da tarde juntos.
Camus agradecia mentalmente todos os dias por ter tido um dia estressante no trabalho e ter ido beber sozinho naquele bar, longe do escritório para não correr o risco de cruzar com algum colega. Pensava nisso enquanto fazia carinho nas costas de Milo, que suspirou e abriu um sorriso, puxando-o para um abraço.
Agora sabia que poderia ter todos os dias estressantes do mundo, se chegasse em casa e visse aquele sorriso, valeria a pena.
Notas finais
“Young ambition
Ambição jovem
Say we'll go slow but we never do
Dizer que iremos devagar, mas nunca vamos
Premonition
Premonição
See me spendin' every night with you”
Me vejo perdendo todas as noites com você
“Oh, yeah, under the kitchen lights
Oh, yeah, sob as luzes da cozinha
You still look like dynamite
Você ainda parece como dinamite
And I wanna end up on you
E eu quero estar em você
Oh, don't need no place to go
Oh, não precisamos de nenhum lugar para ir
Just put on the radio
Apenas ligue o rádio
You know what I wanna do”
Você sabe o que eu quero fazer
“We can just dance to this
Nós podemos apenas dançar para isso
Don't take much to start me
Não leva muito para que eu comece
We can just dance to this
Nós podemos apenas dançar para isso
Push up on my body, yeah
Cole seu corpo no meu, yeah
You know we've already seen all of the parties
Você sabe que nós já fomos a todas as festas
We can just dance to this”
Nós podemos apenas dançar para isso
“Dear beloved
Querido amado
Bring those 501s a bit closer, bit closer
Traga esse 501 jeans um pouco mais perto, mais perto
And dear, my lover
E querido, meu amante
Do that thing we never do sober, sober”n
Faça aquilo que nunca fazermos sóbrios, sóbrios
“I don't wanna sleep tonight
Eu não quero dormir essa noite
I just wanna take that ride
Eu só quero entrar nessa com você
We can just dance to this”
Nós podemos apenas dançar para isso
Fale com o autor