E mais uma daquelas grandes máquinas de refrigerantes voava em minha direção. Como ele é previsível. Desviar delas não me fazia usar qualquer esforço e ele não parecia se tocar disso, por que as jogava sem parar.


Sorri para mim mesmo.


Shizu-chan realmente é um monstro...

– IZAYA! – o protozoário gritava com tanta raiva, era tão divertido...me fazia rir.


– Ne, Shizu-chan, não está cansado de me perseguir tantas vezes? – zombei.


– CALA A BOCA, EU NÃO PRECISARIA SE VOCÊ SAÍSSE DAQUI SEU...- mais uma placa, depois um hidrante.


Mas eu não tinha tempo pra me divertir com ele. Eu estava em Ikebukuro para resolver algumas coisas com Shiki-san, eu devia parar de brincar de gato e rato. Apesar de me divertir bastante o fazendo.

Corri entre as ruas e finalmente consegui despista-lo. Apesar de saber que ele não desistiria facilmente, comecei a andar com cautela. E também não queria ser visto por mais ninguém ali, como Simon ou Masaomi, não tinha tempo para joguinhos divertidos.


O lugar onde marquei de me encontrar com Shiki-san era em um grande edifício, devia ter uns 15 andares ou mais, com letreiros em néon apagados, claro, visto que ainda eram umas 4 da tarde. Subi o elevador em silêncio, aproveitando-o.


– Ah, Izaya-kun! Bem na hora. – Shiki-san estava sentado no meio de um grande sofá em frente a uma mesa, rodeado de outros caras meio estranhos de terno. Já vi que o assunto era meio sério.


– Konnichiwa~ — cumprimentei-os.


E logo fiquei sabendo o por quê me chamaram ali.


– Izaya, eu sei que em uma época sua você estava lidando com algumas coisas com a Yakuza – ele tragou o cigarro – preciso de sua ajuda, eles estão invadindo certas partes dos meus negócios e eu não quero, nem pretendo deixa-los.


Sorri.


– Vai desafiar a Yakuza? – disse, meio sarcástico – Não é do seu feitio...


– Infelizmente, estou sendo obrigado – ele me olhou sério – Você sabe com que tipo de coisas eu lido. E sabe que é uma área arriscada.


Shiki-san era quase um mafioso. Era envolvido com tráfico de drogas, boates, essas coisas. Tipos de coisa que a Yakuza adora também...Vi que as coisas estavam ficando mais interessantes.


– E...o que eu, um mero informante pode fazer por você? – indaguei.


– Você não é um mero informante – ele sorriu – além de informações, eu fiquei sabendo de um lugar onde eles estão tomando conta, é uma boate, mas tem sete andares – ele ficou sério – precisava ir lá e acabar com aquela farra, mas adoraria que você estivesse do nosso lado. Sabemos como é habilidoso em conseguir informações. É perigoso, mas eu vou pagar muito bem.


Boates? Eles queriam mesmo que eu os ajudasse a se infiltrar? Ia ser...no mínimo MUITO interessante. E empolgante.


– Tudo bem. Me passe o valor, aí conversamos. – Respondi.


Não era pelo dinheiro, que ia ser uma quantia enorme, ENORME mesmo. Essas coisas de máfia davam sempre uma boa quantidade de dinheiro, mas eu estava fazendo aquilo era pela diversão. Ia ser ótimo. Mal pude conter minha empolgação enquanto descia pelo elevador com um quinto do valor que combinamos no bolso do casaco. Senti uma vertigem meio estranha.


Argh.

E eu havia tendo essa vertigem à um bom tempo. Não só uma vertigem, mas uma dor de cabeça muito forte, que me deixava tonto. Era melhor eu ir ao Shinra algum dia antes do grande dia que eu invadiria a tal boate, vai que eu desmaiava lá no meio.


Sorri ao pensar nisso.


Logo que saí do edifício, já estava quase escurecendo. Os néons já tinham sido ligados e Ikebukuro estava cheia, uma multidão andava pelas ruas e notei um artista de rua fazendo um truque qualquer em frente aos carros que paravam no semáforo.


Então senti uma coisa muito pesada na minha cabeça, um impacto tão forte que caí logo em seguida no chão, contra o concreto duro.


-


- Izaya? Izaya? – ouvi uma voz ao fundo me chamando.


- Hum – tentei dizer algo mas tudo o que saiu foi quase um ganido.


- Que bom que está acordando! – a voz ficou cada vez mais clara.


- S-Shin...ra? – gaguejei.


- Sim, sim, calma, agora você está bem. Está no hospital e...


Hospital? Por que hospital? O que tinha acontecido? E que droga de dor de cabeça era essa...?


- Ei, calma, você não pode fazer muito esforço, mas já pode abrir os olhos.


Abri os olhos e vi quase tudo branco, exceto o vaso de planta no canto do quarto.


- Você está bem pra quem ficou desacordado por 2 dias...

- D-dois dias?! – mais uma vez, um grunhido estranho.


Mas o que diabos tinha acontecido? Eu não lembro de nada a não ser...do encontro com Shiki e...


- Argh! – grunhi, franzindo o rosto de dor.


- Calma, calma. Deixa eu te explicar. Você levou uma pancada muito forte na cabeça, ficou desacordado e veio pra cá, ficou no soro.


- E...que porra de dor de cabeça é essa? – levei uma mão à têmpora – Dói. E dói desde antes dessa tal pancada...


- Ah. – Shinra ficou sério. – Eu...preciso falar com você sobre isso.


- O que?


- Você. Por Deus, sempre soube que essas brigas suas e do Shizuo iam acabar mal! Quantas concussões você já deve ter tido e nem me procurou? – ele começou a dizer.


- Como assim? – claro, nas brigas eu fui acertado algumas vezes pelo protozoário mas...


- Digo que com tantas pancadas na cabeça você desenvolveu certas seqüelas, dores de cabeça tensionais crônicas, enxaqueca...um tanto dolorosa, que te trará dores e...temo que elas não sumam...


- O QUE? – exclamei.


O QUE? O MALDITO PROTOZOÁRIO – era ele que tinha causado...aquilo?! Desgraçado! Por causa dele eu ia ficar...passando mal e tendo essa dor de cabeça maldita...Eu...ODEIO!


Novamente tive uma dor de como estivessem esmagando meu crânio.


- AH! – gemi de dor.


- Ei! – Shinra me colocou novamente deitado – Não se esforce, por favor...


- Shinra! Aquele desgraçado! Olha como ele me deixou! Foi ele não é? Foi ele que me deu a pancada na cabeça...?!


Ele suspirou.


- Eu tenho que te dizer que...foi ele quem te trouxe aqui junto com a Celty. – ele disse calmamente.


- O que?! Ele...quem me trouxe?!


- É. Ele quem chamou a Celty...acho que ele ainda está aqui. Quer que eu o chame...?


- Pro inferno com ele! – gani.

Ele ia me pagar muito caro.




Notas finais
Izaaaaya T^T