Dance Made

23 #22- Recomeço.


Notas iniciais
Oi! Ainda me amam? Então, fiquei um mês sem postar capítulo. Devo uma explicação? Com certeza. Gente, eu estava em dúvida do caminho que queria seguir na história, e não quis escrever algo de qualquer jeito para vocês. Fiquei MUITO tempo pensando em como seria a melhor maneira de continuar, e sempre que eu sentava para escrever eu me bloqueava de alguma forma. Enfim, agora está tudo decidido e eu prometo não demorar tanto para o próximo! Boa leitura!

***POV: Elin***

Já faz um mês que o Breno se afastou de mim. Tanta coisa mudou.... O Vinicius me pediu em namoro.... Eu aceitei. Fazem duas semanas que a gente namora, e ainda não sei se essa foi a escolha certa. A Bea parece odiar ele mais do que tudo e até hoje eu não sei o porquê. Yan reclamou da sintonia do Jake e da Jane, agora eles têm que ir fazer algo juntos para tentarem melhorar. Ainda bem que o Breno separou o “ódio” dele por mim da dança.

Eu acho que nunca vou entender esse garoto.

Amanhã é sábado e vamos viajar todos juntos para uma mansão que o estúdio alugou. Essa mansão fica bem perto do local da apresentação, estão todos muito ansiosos e com um pouco de medo também. Isso me preocupa.... O Vini não vai nessa viagem, e digamos que eu não confie muito nos meus instintos adolescentes.... Namorar ele é incrível, mas eu sempre tenho um pé atrás.

Não sei o que esperar dessa viagem, mas... confesso que estou ansiosa para ver o que vai acontecer.

***POV: Jake***

Sexta à noite. O Yan acha que a minha sintonia com a Jane está péssima na dança. A minha cena com ela é difícil de ser feita, realmente precisa de muita ligação entre os personagens. Ela é um demônio que tem que me mostrar que sedução e prazer vale mais do que o amor. Eu aceito, e traio a Micaela com a Elin.

Bom, digamos que a Jane nunca vá conseguir me seduzir, e eu nunca vá conseguir me sentir atraído por ela de novo. Como vamos fazer essa cena? Não faço a menor ideia.

Agora, eu estou no centro da cidade, esperando a Jane em uma praça. Isso porque o Yan pensa que se sairmos juntos nossa cena vai ficar melhor. Coloquei uma calça jeans preta, uma blusa azul marinho, uma jaqueta jeans preta e um tênis. É basicamente a roupa que eu uso quando eu não me importo muito com a ocasião.

Ah, finalmente. Depois de uns 20 minutos esperando, vejo a Jane descendo do taxi. Ela estava com uma calça jeans escura, uma jaqueta de couro preta, uma blusa vinho e, por algum motivo, veio com um salto preto.

—Oi, te fiz esperar muito? —Ela disse, sentando ao meu lado no banco.

—Fez. 20 minutos.

—Ah, sem problemas então.

—Demorou por quê?

—Digamos que você não seja a minha prioridade, Jake.

—É, o Yan tem razão. Essa noite vai aproximar muito a gente. —Ironia.

Ela revirou os olhos.

—O que quer fazer, Jake?

—A gente tá no centro.... Vamos andar e decidir.

—Já vi que vamos andar a noite toda....

—Veio de salto porque quis.

Ela ia me responder, mas preferiu ficar calada. Quanta sintonia, né Yan?

—Se ver algo interessante fala. —Eu disse, me levantando.

—Tá.... —Ela se levantou também.

Começamos a andar juntos pela calçada da avenida principal, tem muitas atividades aqui. Não é possível que pelo menos uma não agrade os dois.

—Quer ir na sorveteria? —Ela disse.

—Não sou muito fã de sorvete.... Fliperama?

—Enjoativo.

—Hm....

—Restaurante?

—Muito coisa de casal.

—Comer virou coisa de casal agora?

—Em uma mesa pra dois à luz de velas? Sim.

—Tá, tá....

Andamos mais um pouco até que....

—Boliche? —Eu disse.

—Não, eu acabaria com você.

—Isso foi um desafio?

—Com certeza não foi.

Nos olhamos. Ela deu um sorriso malicioso e foi correndo na minha frente. Eu fui logo atrás dela e pedimos uma pista de vinte minutos, porque ainda queríamos fazer mais coisas.

Colocamos os tênis e fomos para a pista.

—Posso começar? —Ela disse.

—Pode.... Quer que eu pegue uma bola mais leve pra você?

Ela riu. Acho que ela pegou a bola mais pesada que tinha disponível, não sei se era sempre assim ou se foi só para me humilhar.

—Jake, Jake.... Você vai se arrepender tanto.

—Hm. Vou?

Ela me lançou um olhar de pena e foi fazer sua jogada.

Strike.

—Quer que eu peça pra subir a canaleta?

—Menos, Jane.

Ela riu.

Eu costumava jogar boliche com o meu pai, então sei muitas coisas do jogo.

Strike.

Ela pareceu surpresa.

—Talvez você não seja a única jogadora aqui, Jane.

Ela me encarou.

O jogo virou uma espécie de batalha para ver quem é o melhor dos dois. Infelizmente, no final dos vinte minutos, tivemos um empate.

—É, Jake. Pensei que você sairia chorando daqui, mas.... Parabéns.

—Digo o mesmo.

Ficamos nos olhando enquanto trocávamos os sapatos. Uma hora eu nem sabia mais porque estava fazendo aquilo.

—O que a gente faz agora? —Ela disse, enquanto saíamos do boliche.

—Parece que desafios funcionam pra gente.

—Quer brincar de verdade ou desafio? Sério isso?

—É, mas sem a parte da verdade.

—Ah, parece interessante. Mas.... Ah, deixa.

—O que foi?

—Nada, Jake. Só esquece.

—Jane, se você não me falar o que te incomoda, nossa relação vai continuar péssima.

—Eu odeio ficar sozinha com você.

—Por que?

—Você finge que nada aconteceu entre a gente.

—Você prefere que eu fique te lembrando a cada segundo?

—Não, só queria que você sentisse o mesmo que eu.

—E o que você sente?

—Jake.... Vamos sair dessa conversa. Vai, vamos começar com os desafios.

—Tá bem, vou jogar um fácil. Tá vendo aquele garoto comendo pipoca?

—Sim....

—Duvido você roubar a pipoca dele.

Ela ergueu as sobrancelhas e foi até o garoto. Acho que 30 segundos depois ela voltou com a mão cheia de pipocas e me oferecendo um pouco.

—Tá, esse foi muito fácil. Sua vez, Jane.

—Hm.... Eu duvido você provar o vestido daquela vitrine.

—Apelona.

Ela deu de ombros enquanto comia sua pipoca.

Acho que foi o momento mais constrangedor da minha vida, mas a Jane e a vendedora riram bastante. Depois fomos expulsos da loja.

Continuamos com desafios “fáceis”, até eu ter uma ideia....

—Jane.

—Hm.

—Nah, esquece. Você não faria isso.

—O que?

—Ia sugerir que a gente fosse naquela balada ali.

—Jake, é pra maiores de 18.

—Aham.... E?

—É que....

—Viu? Eu sabia, vamos continuar com o joguinho então, sua vez.

Ela me olhou irritada, suspirou e foi andando na minha frente até a porta da balda.

Dei um sorrisinho e acompanhei ela.

—Coloca sua jaqueta, você não engana ninguém com essa blusinha azul.

—Ah é?

—É.

—Então já pode ir passando um batom vermelho, rostinho de boneca.

Ela revirou os olhos e foi pegar o batom no bolso dela.

Conseguimos entrar. O lugar estava cheio e era bem grande, a música estava bem alta e era open bar. Não faltava nadinha.

Jane segurou minha mão. Ela estava olhando para baixo.

—O que foi? —Perguntei.

—Han?

Cheguei mais perto e perguntei de novo, mas, dessa vez, no ouvido dela.

—Ah, eu só não costumo vir em festas assim. —Ela respondeu, também no meu ouvido.

—Se quiser, a gente pode sair daqui.

Ela me olhou por um tempo.

—Quero beber alguma coisa.

—Você já bebeu antes?

Ela negou com a cabeça.

—Jane... Tem certeza?

—Eu confio em você.

Por algum motivo essas palavras mexeram comigo.... Eu nunca pensei que fosse ouvir isso dela.

Olhei para ela e a levei até o open bar.

—Me vê um coquetel pra ela, por favor? —Pedi.

—Na verdade.... Eu vou querer esse drink roxo que aquela garota tá tomando.

Fiquei surpreso.

—Drink saindo para a mocinha, e você meu garoto? —Disse o cara do bar.

—Eu vou querer um laranja.

O cara foi preparar.

—Jane, você sabe que é melhor começar com coisas fracas, né?

—E daí, Jake?

Suspirei.

—Não diga que eu não avisei.

Os drinks chegaram.

—Pronta?

—Esse drink é um shot?

—É, mas.... É melhor você tomar aos poucos.

Ela me olhou e sorriu.

—No 3 a gente vira? —Ela disse, segurando o copo.

Ergui as sobrancelhas.

—É sua primeira vez bebendo, Jane.

—Acho que vou virar sem você, então....

Revirei os olhos.

—No 3. —Ela repetiu.

—1

—2

—3! —Falamos juntos e viramos.

—E então? —Perguntei.

—Doce, forte e gelado.

—Isso é um “gostei”?

—Talvez.... Ei, o que é aquele palco?

—Ah, as garotas sobem ali pra.... Dançar.

—Você quer dizer seduzir?

—Também....

—Qualquer um pode subir lá?

—Sim. Por que tantas perguntas, Jane?

—Curiosidade....

Ficamos calados por um tempo.

—Jane.

—Hm?

—Eu duvido você subir lá.

—Achei que tinha acabado o joguinho de desafios.

Comecei a rir.

—Espera um pouco.... Você acha que eu não tenho coragem de ir lá, né?

—Eu sei que você não tem.

Ela me encarou e eu a encarei de volta. Jane desceu do banco e começou a andar em direção à multidão.

Ela não vai fazer isso.... Vai? Ah, claro que não.

Me virei novamente para o bar e fiquei olhando as luzinhas da mesa.

Começou a tocar “High for this”, do The Weeknd. Essa é uma das músicas preferidas da Jane. Me virei na mesma hora.

As pessoas começaram a se empolgar e virar para o palco. A Jane subiu.

Ela começou a andar lentamente pelo palco, até parar de costas e deixar a jaqueta ir caindo aos poucos. Ela me lançou um olhar que eu não soube como reagir, e depois deu um sorrisinho.

Levantei do banco e comecei a ir em direção ao palco.

Quando a jaqueta caiu no chão, ela se virou e começou a fazer uma adaptação do solo dela da apresentação para a música que estava tocando.

Ela não tirava os olhos dos meus.... Acho que mudei de ideia em relação à Jane, talvez ela consiga me seduzir.

Quando a música estava chegando ao fim, ela pegou a jaqueta dela, colocou no ombro e desceu do palco.

Todos aplaudiram. Muito.

Eu não sabia para onde ela tinha ido, mas eu tinha que encontrá-la.

Olhei em todos os lugares, menos.... A escada. Me aproximei e vi que ela havia deixado a jaqueta dela em um dos degraus. Revirei os olhos e comecei a subir.

—Jane?

Olhei em volta e não tinha ninguém. Até eu encontrar uma sala.

Essa sala tinha uma luz vermelha iluminando o ambiente e um palco pequeno no final dela. Jane estava deitada nele.

—Pra quem não costuma vir em festas assim.... Nada mal. —Disse, jogando sua jaqueta em seu rosto.

Ela riu, tirando a jaqueta do rosto. Depois olhou para mim, com aquele mesmo olhar do palco.

—Por que foi atrás de mim? —Ela perguntou, olhando para cima.

—Porque estamos saindo juntos, ué. Ordens do Yan. —Eu disse, colocando as costas na parede ao meu lado.

—Já saímos, você poderia ter ido embora. —Ela se sentou.

—Não ia te deixar sozinha.

—Por que não?

—Não sou esse tipo de cara.

—Jake.... No começo dessa noite, você preferia estar em qualquer lugar que não fosse aqui comigo. Então.... Por que se importa agora?

Suspirei.

—Sinceramente? Eu não sei.

Ela se levantou, e começou a se aproximar de mim.

—Não mesmo? —Ela disse, me olhando.

—Não faço a menor ideia. —Devolvi o olhar.

—Então.... Acho que podemos ir embora.

—Podemos.

Ela abaixou para pegar a jaqueta, e me olhou mais uma vez:

—Quero te perguntar mais uma coisa.

—Pode falar. —Disse, olhando para baixo.

—Eu consegui?

—O que?

Ela levantou meu queixo.

—No palco.... Eu consegui?

Tirei sua mão do meu queixo lentamente.

—Jane. Você precisa de mais pra conseguir me seduzir. Mas, não se preocupe, é só uma atuação.... Até amanhã. —Disse, me virando.

—Jake.

—Sim?

—Nossa cena não pode ficar daquele jeito.

Me virei.

—Não vai ficar. Nós estamos de bem agora, dá pra entrar nos personagens.

Ela revirou os olhos e se aproximou. Fiquei parado encarando seu olhar.

Ela chegou mais perto e me deu um selinho. Começamos a nos olhar. Ela se afastou, meio desapontada, e começou a ir em direção à porta.

—Jane, espera.

—Você não quer, Jake.

—Não é isso, Jane. —Fui até ela.

—Jake, eu não sou uma desesperada, posso viver sem isso.

—É, você pode. Mas, você quer?

—Eu não sei se vale a pena.

Coloquei minha mão em sua bochecha. Me aproximei, deixando nossos lábios próximos. Olhei de novo em seus olhos e a beijei. Quando fui me afastar, ela colocou as mãos em volta do meu pescoço e me puxou para perto de novo. Senti sua respiração em meus lábios e seus dedos puxando levemente meus cabelos.

Nos beijamos de verdade dessa vez. Coloquei minhas mãos em volta de sua cintura e me deixei levar. Beijar a Jane nunca é igual, parece que toda vez ela me mostra algo a mais. Talvez seja por isso que eu me afasto tanto.... Ela tem muito controle sobre mim.

Nos afastamos lentamente.

—Vale a pena? —Perguntei.

—Não mesmo.

Rimos.

—Acho que a gente devia ir embora, Jake.

—Também acho.

Ela começou a andar em direção à escada.

—Você não vem?

—Não lembra onde é a porta?

Ela revirou os olhos e desceu.

É, talvez o Yan esteja certo.

***POV: Breno***

Aconteceu tanta coisa nesse mês.... Ver a Elin e o Vinicius namorando só me dá mais certeza de que tudo que ele fez foi um plano para conseguir isso.

Eu falei muito com a Bea ultimamente, e ela sempre insistiu para eu falar com a Elisa. Eu não quero colocar ela nessa história, mas, sinceramente, eu não sei mais o que fazer.

Talvez a melhor escolha seja esquecer a Elin de vez. Eu não culpo a Bea por isso, o único culpado de tudo é o Vinicius.

A Beatriz continua insistindo que eu não desista dela. Mas, cara.... Se ela está namorando, ela está feliz.

A viagem é amanhã.

Eu não sei o que esperar dela....

Notas finais
Sim, Jake e Jane está de volta. Sentiram falta? Feliz Natal e bom ano novo para vocês! ♥