Dance Made

15 #15: Segredos.


Notas iniciais
Oi mozorees! Postei rápido, né? Então, esse cap tá meio tenso, mas, tudo é importante para a história! Boa leitura! ♥

***POV: Elin***

Eu e Bea fomos subindo até nosso apartamento, ela queria me contar algumas coisas sobre a festa de hoje à noite. Não sei se eu deveria me preocupar com isso, mas, depois do que eu escutei no salão, com certeza era algo que as turmas levavam à sério. Bom, uma coisa que eu tinha certeza que merecia minha preocupação era o fato da Jane estar pedindo conselhos para o Breno. Espero que ele não tenha falado bosta.

Chegando na porta do apartamento, Bea fez uma cara desconfiada para mim, antes de abrir a porta, como se achasse que eu estivesse escondendo alguma coisa e que só abriria se tivesse uma resposta.

—Elin, tá tudo bem?

—C-claro! —Ótima hora para gaguejar, Elin. Parabéns. —Por que não estaria?

Ela me fuzilou com o olhar por um momento, então dei um sorriso meio torto, sem olhar muito em seus olhos. Eu sempre achei sinistro quando ela fazia aquilo.

—Bom.... —Comecei, tentando fazer ela parar. —Vamos abrir a porta, amiguinha?

—Vamos sim, Elin. Até porque a senhorita vai me contar tudo que está te perturbando quando entrarmos no quarto.

Fiz bico, mas ela nem ligou. Bea abriu a porta e foi direto para nosso quarto. Antes de entrar, decidi conferir se os meninos haviam chegado. Não, ainda não. Entrei no quarto e sentei na minha cama. Aquela conversa seria meio longa. Felizmente ou não, me deparo com a Bea procurando enlouquecidamente por algo em sua bolsa. Como se fosse a última balinha que ela tivesse guardado, mas que sumiu.

—Amiga, tá procurando o que? —Disse, me sentando em sua cama.

—Ahrg. Não acredito que perdi isso. —Ela nem olhou na minha cara. Também, quem mandou ter uma bolsa que parece um buraco negro?

—Terra para Beatriz! —Disse, estralando meus dedos em seu rosto.

—Ai, Elin. Eu perdi minha pulseira.

—Aquela com o pingente de urso?

—Não é um urso, Elin. É um lobo. —Completou, ainda vasculhando sua bolsa.

—Ai, tanto faz.

Pronto. Agora provoquei. O pai da Bea deu essa pulseira para ela antes de ele se separar da mãe dela. Ele costumava chamar a Bea de lobinha, por isso o lobo. Enfim, é uma pulseira realmente importante para ela. Tanto é que, assim que eu disse minha última frase, ela parou de procurar, olhou no meu olho, e ficou extremamente furiosa. É, eu concordo, a Bea é tipo um lobo mesmo.

—Elin. Você sabe muito bem que não é “tanto faz”.

—Eu sei, mozona. —Disse, a abraçando, tentando acalmá-la.

—Eu não acredito que eu perdi. —Ela disse, com seus olhos marejados de lágrimas. —Como eu vou ganhar a batalha sem ela comigo? —Bea me abraçou mais forte, chorando de verdade. Ela acredita que essa pulseira dá sorte.

—Amiga, eu vou achar pra você. Tá bem?

Ela parou para me olhar por um momento.

—Como?

—Olha, hoje de manhã você estava sem ela. Então você deve ter esquecido no lugar que você fez a caça ao tesouro. A Elin vai achar, tá?

—Elin.... Eu te agradeço muito.... —Bea me deu um abraço bem forte.

—Pronto, passou. Agora me diz, onde você fez sua caça ao tesouro?

—Na cobertura do hotel....

—NA COBERTURA? —Digamos que eu tenha tido alguns traumas de infância com altura, então, saber que eu vou estar no vigésimo andar de um prédio não é muito reconfortante.

—Eu sei que você tem medo.... Não preci—

—Eu vou.

—É sério, Elin?

Não. Vou dormir, beijo.

—É, Bea. —Já me arrependi já.

—Amiga, você é a melhor!

Outro abraço. É bom que essa bendita pulseira esteja lá.

—To indo lá. Quando eu voltar, você me fala sobre a festa. Beleza?

Ela concordou sorrindo, e continuou procurando a pulseira pelo quarto.

Quando eu estava saindo, me deparei com Breno e Diego no corredor. Torci para que eles não me vissem. A última coisa que eu quero é ter que aturar esses dois.

—Posso saber aonde você vai? —Disse Breno, segurando meu braço.

—Não te interessa. —Respondi, sorrindo, e me soltando. Se eu não for nessa cobertura nesse segundo, eu volto para o quarto.

—Eita, tá extressadinha? —Disse Diego, que continuou andando com Breno até o quarto.

Entrei no elevador e subi até a cobertura. Ignorei a possibilidade da pulseira estar perto da varanda. Não quero confirmar que as pessoas daqui de cima ficam do tamanho de formiguinhas.

Comecei a vasculhar a pulseira pelo salão principal, estava cheio de cadeiras, então só dificultava minha busca. Agachei e comecei a olhar em baixo das cadeiras, na verdade, eu estava quase deitada, mas, aparentemente não tinha ninguém na cobertura.

—É novata?

Só aparentemente. Levantei, arrumando meu cabelo, que estava todo na minha cara. A voz era masculina, e tenho que dizer. Que voz. Soava meio rouca, mas era sexy ao mesmo tempo. Comecei a olhar para os lados, procurando o dono da voz.

—Aqui. Atrás de você.

Olhei para trás e me deparei com lindos olhos.... Cinzas? Não, eram olhos azuis acinzentados. Ele tinha cabelos cor de mel e parecia ter a minha idade. Logo minha atenção saiu de seu rosto para seu abdômen. Ele estava com uma blusa social azul clara totalmente desabotoada. Por um momento cheguei a me perguntar se ele era real.

—Você fala, novata? —Ele disse, sorrindo. E que sorriso.

Com certeza era real.

—Desculpa, me chamo Elin. Você é.…?

—Não sabe quem eu sou, Elin?

Infelizmente não.

—Desculpa, não sei.... Sou novata, como você mesmo disse.

—Olha só.... Você é da turma do Pedro?

—Não, sou da turma do Yan.

—Yan? Nossa, me surpreende você não saber quem eu sou.

—E quem você é? —Perguntei, meio desconfortável.

—Isso você vai descobrir aos poucos.... Enfim, me chamo Rodrigo.

—Muito prazer, Rodrigo.

—O que você estava procurando?

Desculpa, Bea. Já tinha esquecido da sua pulseira.

—Uma amiga minha perdeu a pulseira dela aqui na Noite de Luzes.

—Tem um pingente de lobo?

—Sim! —Nossa, nem acredito que ele achou.

—Ela tá aqui. —Ele disse, tirando a pulseira do bolso e estendendo-a para que eu pegasse.

Ahrg. Droga, ele está na varanda.

—Rodrigo.... você pode.... Ah, esquece, não dá.

—Pode pegar, Elin. Eu não mordo. Só se você pedir, claro.

—É que.... Você tá na varanda....

—E.…?

—Eu tenho.... Eu tenho medo de altura. —Fiquei vermelha. Mas tipo, muito vermelha.

—Então parece que alguém não vai ter a pulseira de volta. —Ele disse, chegando mais perto ainda da beirada da varanda.

—É sério, eu realmente tenho medo.

—Se quiser, eu posso me desfazer dela. —Ele estendeu a pulseira para a beirada, ameaçando jogá-la.

—NÃO! Por favor, não faz isso.

—Então vem pegar.

Respirei fundo. Eu prometi trazer essa pulseira de volta. Fechei os olhos e comecei a andar em direção ao Rodrigo. Só abri quando senti que havia batido em algo. Que, no caso, era o Rodrigo. Me afastei imediatamente, com certeza ele não era boa pessoa.

—Viu? Você chegou....

—Cheguei, agora me dá a pulseira, por favor.

—Eu ganho alguma coisa?

—Que?

Ele já estava indo longe demais.

—Eu ganho um beijo agora que achei a pulseira?

—Não....

Ele me prensou na beirada da varanda. Era muito desconfortável.

—Eaí...? Vai me dar meu beijo? —Ele perguntou, se aproximando ainda mais, fazendo nossos corpos de encostarem. Eu não conseguia mais me mover.

—Você não ouviu a garota? Ela não quer. —Breno. Essa voz com certeza era do Breno.

Rodrigo olhou para trás e viu Breno se aproximando, furioso. Ver ele me trouxe muita calma.

—Breno, Breno.... —Finalmente ele me soltou, mas isso me fez cair no chão, ralando meu joelho. —Você não sabe com quem tá se metendo.

—E eu preciso saber? Você tá desrespeitando uma garota. Um cara como você merece muito mais do que a morte.

—É mesmo? Não era assim quando você e eu estávamos na mesma turma. Não lembra? Ano retrasado. Você colocou boa noite cinderela na bebida da Alice.

—Breno? —Perguntei, me levantando. —Foi você? Como.... Como você pôde?

Breno me olhou com raiva, como se fosse culpa minha daquela situação estar acontecendo.

—Rodrigo. —Ele continuou, ignorando minha pergunta. —Já deu sua hora. Some daqui.

—Te vejo na batalha. —Rodrigo disse, jogando a pulseira de Bea no chão e saindo dali.

Breno estava ofegante. Com certeza ele e Rodrigo não se davam bem. Mas ele tinha que me explicar aquilo. Fiquei olhando para ele, desacreditada do que ouvi. Ele parecia ignorar totalmente minha presença, apenas pegou a pulseira e fez um sinal com a cabeça para voltarmos para o apartamento.

Continuei decepcionada com ele. O Breno é capaz de muitas coisas, mas, disso?

Fomos em silêncio até o quarto. Bea ainda estava preocupada com sua pulseira, mas também se preocupou com a gente. Demoramos muito para voltar.

—Vocês dois! —Ela disse, correndo para nos abraçar. —O que houve?

—Eu disse que aconteceria. —Breno entregou a pulseira para Bea e se trancou em seu quarto.

—Breno.... —Bea não conseguiu terminar, ele fechou a porta antes. —A gente tem mesmo que conversar, né?

Concordei com a cabeça. Por algum motivo eu estava segurando o choro. Talvez por não acreditar que o Breno faria algo assim, ou por pensar que ele faria de novo.

Sentamos na cama da Bea, e tudo que pude fazer foi abraça-la. Eu não sei. Aquilo tudo foi muito rápido para mim. Quando ela me abraçou de volta, comecei a chorar em seu colo. Enquanto ela fazia cafuné no meu cabelo.

—O que aconteceu lá em cima? —Ela disse, preocupada.

—Nem eu sei direito.... Tinha um menino.... O nome dele é Rodrigo.

—Rodrigo? —Ela parou com o carinho.

Sentei, abraçando uma almofada.

—Sim.... —Disse, confusa.

—O que ele fez com você?

—Nada.... Quer dizer, com certeza ele faria se o Breno não.... —Voltei a chorar. Era muito forte para mim.

—O Breno subiu assim que eu disse que você estava na cobertura. Parece até que ele sabia que algo iria acontecer.

—Sim, mas.... Eu tenho tantas perguntas, Bea.... Quem é Rodrigo? Por que ele queria fazer aquilo? E o Breno? Boa noite cinderela? Como assim...?

—Vou te explicar.... Tudo bem?

Assenti. Mesmo que fosse difícil, eu precisava saber.

—Bom.... —Ela começou. —A competição ser em uma festa, não é algo aleatório. Os jurados fazem propositalmente, para ver quais são as turmas mais espertas. É horrível, eu sei. Mas ninguém disse que seriam mil maravilhas. Enfim, O Breno era da mesma turma do Rodrigo. Naquele ano, a Alice era nossa aluna mais forte. O Rodrigo sempre foi má influência, e é muito bom em enganar as pessoas. Nesse dia, ele fez o Breno dar em cima da Alice e colocar boa noite cinderela na bebida dela. Quando ele entendeu o que havia acontecido, pediu para mudar de turma, e veio para a nossa. Ele quis se afastar o máximo possível do Rodrigo. Bem, depois disso, todas as sabotagens foram causadas pelos alunos que estavam na mesma turma do Rodrigo. Todo ano ele muda de turma, mas nunca adianta. Ele sempre consegue persuadir alguém....

—Que garoto.... Nossa. Que garoto horrível. Eu nem sei o que dizer.

—Só toma cuidado, Elin.... Você é nova, as pessoas se aproveitam disso.

—Eu tenho que dizer pro Breno que tá tudo bem, e agradecer ele por—

—Não. Deixa ele. O Breno precisa de um tempo pra pensar.

—Tá....

—Vem, vamos treinar para a festa. Esquece isso. A gente vai se diverti muito hoje.

Eu e Bea treinamos por uma hora. Até notarmos que já eram 18 horas, e que tínhamos quarenta minutos para ficarmos prontas e nos encontrarmos com nossa turma.

Ferrou.

***POV: Jake***

O apartamento estava vazio. Henrique e Letícia (a dupla que divide o quarto com a gente) saíram para treinar. Jane não chegou no apartamento desde a hora que saímos do salão. Estou muito preocupado com ela. Mas, entendo que ela queira um tempo para pensar. Na verdade, eu também preciso desse tempo. Não estou nem um pouco a fim de ir batalhar hoje. Mas, sei que é necessário.

Estava deitado no sofá, só olhando para o teto. Eu poderia ficar assim à noite toda. Sim, eu poderia. Mas, agora eu já to dentro da batalha. Ouvi o barulho da porta destrancando e levantei a cabeça para olhar quem era.

Cabelos ruivos. Jane.

Pensei em me sentar no sofá e chamá-la para conversar, mas decidi que olhar para o teto era a melhor coisa a fazer. Quer dizer, era a melhor coisa para mim, mas não para Jane.

Ela se aproximou, estava muito irritada, então a encarei, confuso. Jane parou na minha frente, ela estava apertando os dedos, só acontece quando ela está nervosa. Decidi me sentar. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ela interrompeu.

—O que você queria?

—Que? —Ainda estava muito confuso.

—Aquilo tudo seria para me ver sem blusa? Porque se for, eu tiro agora e você satisfaz seus desejos ridículos de garoto na puberdade.

—Te ver sem blusa? Do que você tá falando, Jane?

—VOCÊ SABE, DROGA! —Ela se sentou, limpado as lágrimas de seu rosto.

—Jane.... Eu juro que não sei.

—Naquela noite. Você fez tudo porque queria me usar, não foi? —Seus olhos ainda estavam marejados.

—Eu nunca usaria ninguém. Muito menos você.... Cara, você é minha ruivinha.... Eu te amo, Jane.

—Que.…? — O brilho nos seus olhos estava voltando. E que lindos olhos....

—Eu te amo, Jane Dolabella.

Ela começou a chorar ainda mais. Abracei ela, queria passar todo o amor que eu sentia por ela, mesmo sabendo que era impossível.

—Jake.... Desculpa.... Eu coloquei essa coisa na minha cabeça.... Eu nem sei o que dizer....

—Sabe sim.

—Hm?

—Você sabe muito bem o que quer dizer agora.

Ela parou um pouco. E depois disse com um lindo sorriso:

—Eu te amo, Jake Baden.

Nos olhamos mais uma vez, até nos aproximarmos, e eu beijá-la. Foi só um beijo. Mas foi o mais sincero de toda a minha vida.

Sorrimos um para o outro, e depois fomos nos arrumar, nós tínhamos vinte minutos para ficarmos prontos e nos encontrarmos com nossa turma.

Ferrou.

***POV: Elin***

Chegamos. Não sei como, mas chegamos. Todos os outros já estavam lá. Yan começou a dar instruções sobre a festa. A batalha começaria às 20 horas e terminaria às 21. Os outros horários eram livres para curtir a festa. Ele também disse para ficarmos juntos, porque assim não teria risco de algo acontecer.

Entrando no salão, encontramos muitas luzes, também haviam balões coloridos e vários pufes espalhados pelo local. A música estava em uma altura ideal, era ótimo para sentir as batidas. Não pude deixar de notar que havia uma plataforma redonda de mármore preto no centro do salão, nela ocorreriam as batalhas. De repente bateu aquele frio na barriga, mas tentei mostrar naturalidade. Também tinha algumas mesas com comida e um bar com bebidas sem álcool. Pelo menos nisso eles pensaram.

Enfim, estava tudo muito colorido e brilhante. Era realmente muito lindo. Também gostei do fato de ser uma festa que ninguém vai de salto alto ou então com aqueles vestidos curtíssimos e super colados.

Eu estava usando um tênis branco, uma calça jeans clara larga, um casaco preto amarrado na cintura, caso ficasse frio, e uma blusa dourada caída no ombro que deixa a barriga aparecendo. Eu não iria usar ela, mas a Bea disse que distrai a concorrência. Decidi amarrar meu cabelo em um rabo de cavalo, deixando uma mecha caída no meu rosto. A Bea disse que eu fico linda assim.

O Breno. Estava com medo de me aproximar. Mas, queria muito dizer logo tudo o que eu sinto por ele, não aguento mais esse joguinho. Principalmente essa noite, ele estava lindo. Ele estava com um tênis branco, uma calça jeans preta larga, uma blusa branca, e uma camisa social azul aberta por cima de sua blusa.

Todos fomos sentar em uma das ilhas de pufes, alguns saíram depois para dançar, mas, agora não era a melhor hora. Jane sentou do meu lado. Ela ainda acha que tem um clima estranho entre a gente. Eu não vou negar.

—Você tá linda, Elin. —Ela disse, sorrindo.

—Você também, Jane.

Ela realmente estava. Jane foi com um short jeans mais soltinho, uma meia calça preta por baixo do short, um casaco jeans escuro e uma blusa preta caída no ombro meio folgada. Seu cabelo estava solto como sempre, mas dessa vez ela foi com um gorro vinho. Eu amo o estilo dela.

Ficamos conversando por um tempo, e ela me contou tudo que havia acontecido. Jake entrou na conversa depois, e acabamos bem também. Enfim, é como se eu tivesse deixado um peso sair das minhas costas.

—Gente, quantas horas? —Perguntou Letícia, que já estava ofegante de tanto dançar.

Bea olhou no relógio e arqueou as sobrancelhas.

—Caraca, já são 19:50! Faltam dez minutos para o início das batalhas.

—Tá zoando, né? —Letícia perguntou, meio desesperada.

Bea mostrou o celular para provar que não era mentira. Yan logo chegou correndo para nos avisar da ordem das apresentações. Ele disse que tem uma tradição dos novatos irem primeiro, ou seja, eu era a primeira a batalhar.

Eu estou muito ferrada. MUITO.

Todos receberam suas posições e fomos para a plataforma de batalha. Meu concorrente era um garoto, o que é algo bom, segundo a Bea. As meninas disseram para eu usar muito quadril e rebolados em geral. Mas não quero ganhar por causa do meu corpo. O meu plano é destruir ele com umas sequências de passos complexos que eu tenho em mente.

A batalha começou e ele estava debochando, só por eu ser uma garota. Provocou né, amor? Comecei a dançar e todos ficaram surpresos por eu não jogar sujo. No final, a plateia decide quem venceu. E adivinha? Ganhei!!!

Desci da plataforma e todos foram correndo me dar um abraço, eu amo minha turma, eles são os melhores. A amizade que eu tenho com eles é totalmente diferente do que qualquer outra, é inexplicável. Eu simplesmente trocaria tudo para viver com eles para sempre.

—Gente, eu to morrendo de sede agora. —Eu disse rindo, enquanto me soltava dos abraços mais gostosos do mundo.

—Alguém pode ir lá com ela? —Disse Yan, preocupado por eu ser novata e blah blah blah.

Quase ninguém podia, pois teriam que dançar logo. Mas, como eu disse, quase ninguém.

—Eu vou. —Disse Breno, com uma cara de “tanto faz” que me irrita profundamente. Mas, agora vou ter que conviver com essa cara aí.

Breno foi andando na frente até o bar, dando algumas olhadas para trás para conferir se alguém não tinha me roubado dele.

Sentamos nos bancos e apoiamos os braços na bancada. Peguei o cardápio e comecei a notar que, mesmo com a música alta, havia um silêncio discrepante no ar.

—Elin, —Ou não— Já decidiu o que vai beber?

—Acho que vou querer esse azul aqui.

Ele pediu minha bebida e ficamos esperando ela ficar pronta. Breno estava muito desconfortável ao meu lado, e eu não sabia exatamente porque.

—Toma, sua bebida. —Ele disse, entregando o copo na minha mão.

—Obrigada.

Ele deu um sorriso meio torto, e depois olhou para a plataforma.

—Pode ir, Breno.

—Hm?

—Pode ir, você é o próximo. Não perca uma batalha por minha causa.

—É só que.... Tem certeza?

—O copo está na minha mão, o que você acha que pode acontecer?

—Tá.... Mas fica esperta.

Concordei com a cabeça e fiquei vendo-o sair. De alguma forma aquilo me doía.

—Sozinha de novo? —Rodrigo. Com certeza era ele.

Me virei, já irritada por saber quem ele realmente era.

—Dá o fora daqui, Rodrigo. Eu não quero nada com você.

—Elin, mesmo que tenham te dito coisas horríveis sobre mim, você tem que me ouvir.

Fiquei em silêncio.

—Bom, —Ele prosseguiu— Eu quero me desculpar pelo meu comportamento de hoje. Eu não sou assim, é só que.... Você é hipnotizante. Qualquer um faria de tudo para ficar com você.

—Para de exagerar.

—Enfim. Você me desculpa? —Ele se ajoelhou, segurando minha mão.

Quase sorri, mas alguém não deixou.

—Ei, seu babaca! Tá fazendo o que com a minha amiga? —Era Jane, ela provavelmente se preocupou por eu não ter voltado logo e foi atrás de mim.

—Qual é, Jane. Para de ciúmes.

Eu não conseguia defender minha amiga, na verdade, eu não conseguia falar.

—Ciúmes de você Rodrigo? Nem morta.

—Sabe, acho legal que, enquanto você fica falando comigo, sua amiguinha ali não parece muito bem. —Ele disse, apontando para mim.

—Que? —Jane me olhou, ela parecia preocupada, mas eu não entendia o porquê. —O que você fez, Rodrigo?! —Ela prosseguiu, se virando para ele.

—Eu? Tá perguntando pro cara errado. —Ele disse, se levantando.

—Quem mais teria sido?

—Eu tenho mesmo que falar, Dolabella?

—Óbvio! Quem teria sido? O Breno? Espera.... Ele não faria isso. —Ela estava muito preocupada.

—Já fez. —Rodrigo foi saindo lentamente, como se quisesse ouvir as respostas de Jane.

—Seu ridículo! Elin! Tá me ouvindo? —Ela disse, segurando minhas mãos e lacrimejando. —Elin! Me responde! Elin! ELIN!

Tudo ficou escuro. Mas eu me lembro que a garota de cabelos ruivos me segurou.

Segurou? Não sei. Na verdade....

Agora eu não sei de mais nada.

Notas finais
Então.... Eu disse que seria tenso. Mas não se preocupem! Vou postar o próximo essa semana para vocês não me matarem! Beijinhos ♥