Dance Made
11 #11- Uma noite iluminada.
Notas iniciais
Bea se aconchegou na cama, notando que essa seria uma longa conversa. Seu olhar parecia preocupado, e o silêncio no ar mostrava a seriedade da situação. Decidi perguntar novamente, tentando confortá-la com o assunto:
—Bea, quero que você me conte o que aconteceu na festa da Letícia. Sério, amiga, pode falar.
Ela desviou seu olhar para mim e, com um tom preocupado, respondeu minha pergunta:
—Tudo bem. Mas.... Pode ao menos me dizer por que você quer saber isso?
—Bea. —Eu não mentiria para ela. —Eu só quero concertar as coisas.... O Breno é meu parceiro agora, e isso tá desgastando muito a gente....
—Hm.... Então.... Por onde eu começo....
—Pela parte que você achar melhor. Saiba que eu não vou me abalar.
—Me pergunto o que o Jake acharia disso.... Sabe, ele e o Diego fazem de tudo para que você esqueça daquela noite.... Eles se preocupam muito com você—
—Me pergunto qual o direito que o Jake e o Diego têm para interferir em uma situação da minha vida. —Talvez assim ela vá direto ao ponto.
—Nossa! Foi mal então, Elin.... Mas não precisa ser ignorante com eles, né....
—E por que eu não seria? Foi o Jake que me ensinou a ser ignorante, e foi hoje mais cedo. Parece que já aprendi.
—Quer me contar alguma coisa...?
—Não. Quero que você me conte.
Bea revirou os olhos, mas, depois de uma pausa silenciosa, ela finalmente decidiu me contar.
—Vou te contar o que sei. —Ela começou, após suspirar profundamente. —A situação já tinha começado desde a primeira vez que vocês ficaram. O Breno disse que você tava conquistando ele—
—Sério?! —Eu tive que interromper.
—Sim, Elin.... Mas, como eu já tinha te falado, o Breno não gosta de se apaixonar, porque nunca dá certo. Só que com você foi diferente.... Ele não queria se apaixonar porque com certeza iria te decepcionar, e ele não queria isso. Então, na semana seguinte, ele tentou te esquecer. Por isso ele não respondia suas mensagens, nem falava direito com você.
—Tá.... Mas.... Então por que ele me chamou pra festa? —Perguntei, confusa.
—Então.... Ele me disse que não aguentaria ver você com outro garoto, daí te chamou.
—Ah, mas, ele com outra garota pode, né?
—Elin, essa parte é mais complicada.... Seguinte, depois que vocês ficaram, ele não sabia mais se o que ele sentia por você era só admiração, então foi conversar com os meninos, para descontrair. Mas, não deu muito certo. A Camila chamou ele para conversar, e, nessa parte, eu concordo com você e com os meninos, o Breno foi um idiota por ter ido. Bom, depois, no meio da conversa, a Camila beijou o Breno. Tipo, do nada. E você só viu até aí. Mas, na mesma hora, ele empurrou a Camila. Daí, rolou uma briga feia entre eles.... Enfim, ele foi falar comigo na mesma hora, a gente decidiu ir embora, mas, quando soubemos o que tinha acontecido com você, enviamos não sei quantas mensagens, só que você não leu. Olha, Elin.... Eu disse tudo o que aconteceu. Espero que tenha entendido e que possam se resolver.
Não sabia o que dizer. Então.... O Breno era inocente? Sei que a Bea não mentiria para mim. Se eu tivesse procurado saber a verdade antes, tudo estaria bem....
—Bea.... —Comecei. —Eu não consigo expressar o que eu sinto agora.... Mas.... Tem uma parte da festa que eu ainda não te contei.
—O que foi, amiga?
—Bea.... Tá. Eu e o Jake ficamos.
—Vocês o que?!
—Olha, eu sei, foi muito precipitado, mas—
—Eu não acredito nisso, Elin.
—Bea, você tá sendo muito precipitada também. Se você parar pra pensar, agora eu e o Breno estamos quites.
—Tá.... Até que faz sentido.... Mas, Elin, me promete que vocês vão se resolver? —Ela estendeu o mindinho, para que eu pudesse oficializar nossa promessa.
—Prometo, amiga. —Disse, entrelaçando nossos mindinhos.
—Agora vamos descansar, daqui a pouco tem a Noite de Luzes, e você não vai perder.
—Tá bom, mãe.
—Besta.
Fomos dormir, pois a noite seria longa.
Acordamos algumas horas depois, na hora de se arrumar para a festa. Meu despertador tocou, mas a Bea não ouviu. Então, eu fiz ela levantar. Subi na cama dela e comecei a pular, isso fez ela acordar um pouco desesperada.... Mas, está viva, é o que importa.
Coloquei uma saia rodada preta que ficava um pouco acima do joelho, com uma blusa vinho rendada, daquelas que aparece um pouco a barriga. Ela era bem confortável, mas, infelizmente, ela tinha um decote bem considerável.... Em minha defesa, quem escolheu minha roupa da Noite de Luzes foi a Bea, que também estava com uma roupa bem.... Bom, já deu para entender. Coloquei uma sapatilha aveludada bem confortável, porque ninguém usa salto em uma festa de danças. O que é algo muito bom. Nos maquiamos e fizemos cachos no cabelo, sem esquecer de passar um bom perfume. Essa noite promete.
Abrimos a porta do nosso quarto e, para variar, os meninos já estavam prontos. Eles estavam no sofá aguardando há um tempo. Ao notar nossa presença, Diego se levantou imediatamente para nos acompanhar. Já o Breno, parecia esperar uma recepção mais calorosa.
—Breno. —Eu disse, o chamando. —Você não vem?
Ao notar minha voz, ele se levantou, lentamente, colocando suas mãos no bolso de seu jeans. Breno estava com um blazer preto, da cor do seu cabelo, com uma calça jeans preta e uma blusa social vinho. Com certeza foi a Bea que mandou ele colocar essa cor. De qualquer forma, essas roupas sempre ficam muito bem nele.... Mas, não fui só eu quem decidiu avaliar....
Quando nossos olhos se encontraram, Breno me deu uma olhada. Mas foi AQUELA olhada. Sabe aquela que você se pergunta por que se deu o trabalho de colocar roupas? Então, essa mesma. Depois, franziu a testa, soltando um leve sorrisinho pervertido. Bem a cara dele.
—Ai, gente! —Exclamou Bea. —Vamos logo! São 18:15!
—Bea. —Respondeu Breno. —A Noite de Luzes só começou há quinze minutos.
—Então fica aqui! Eu to saindo. Bora, Elin. —Ela concluiu.
Todos decidiram acompanhar a Bea, inclusive Breno. Ao abrir a porta do apartamento, encontramos várias caixas no corredor. Dentro delas, haviam acessórios, tintas, e um monte de coisas fosforescentes. Eu e Bea pegamos umas pulseiras, enquanto os meninos pegaram gravatas. Encontramos umas canetinhas e decidimos escrever no corpo. A Bea desenhou duas estrelas nas minhas costas, depois pediu para eu fazer nela também, pois seria nossa marca caso nos perdêssemos uma da outra. O Breno desenhou um “x” na lateral do seu pescoço, me perguntava se aquilo era uma indireta para mim, mas, espero que não. A parte curiosa, é que a Bea escreveu um “Propriedade da Bea” no ombro do Diego. Ela vai me explicar isso depois. E como vai.
Chegando na recepção, o local havia mudado completamente. Haviam várias velas no chão, nas mesas, nas flores.... Era encantador. O lustre estava apagado, mas refletia as luzes emitidas pelas velas, deixando o lugar incrível. As recepcionistas estavam com vestidos brancos cheios de tinta fosforescente, eram lindos. Todos os hóspedes usavam os acessórios e tintas do hotel. Mas, depois de ver algumas meninas, não estranhei o porquê do Breno desenhar o “x” no pescoço....
Ao entrar na parte externa do hotel, me apaixonei mais ainda pela decoração. O hotel tinha um jardim enorme com trilhas que levavam você para lugares diferentes. Os postes que iluminam as trilhas estavam apagados, deixando somente as velas e a luz da lua cheia iluminarem o caminho. Haviam velas que emitiam luzes diferentes por toda a parte externa, o que fazia as folhas de algumas árvores parecerem roxas ou azuis. As velas ficavam nas laterais das trilhas, perto das flores e penduradas nas árvores. Era lindo. Acordei do meu momento com a voz da Bea:
—E então? Que trilha nós vamos seguir? —Ela disse.
—Não sei.... —Respondi, ainda boba com o local. —Quais têm?
—Olha, —Ela explicou. —A gente pode ir para a piscina, pro palco externo, para a fonte, para a praça principal, para o labirinto ou pro salão.
—Nossa. Eu não vou conseguir decidir isso. —Respondi.
—Bom, —Complementou Breno. —Eu acho melhor começarmos pelo palco externo. Porque vai ter apresentação lá agora.
—É verdade! Eu topo! —Concordei.
—Então, —Disse Bea. —Eu e o Di queremos começar pela praça, mas vocês podem ir para o palco.
Breno e Bea se olharam. Aqueles olhares cheios de códigos que só eles entendem. Pareciam ter combinado algo, mas eu nunca descobriria o que era.
—Seguinte, —Começou Breno. —Acho melhor nos separarmos por duplas então, igual acontece em todo ano.
—Beleza, eu topo. —Concordou Diego. —É melhor assim mesmo. Tudo bem pra você, Elin?
—Ah.... —Olhei para meu parceiro, pensando que uma noite com ele não seria uma má ideia. —Pode ser.
—Então fechou! —Disse Bea. —Tchau, amiga, curte sua noite! Qualquer coisa me liga!
—Tá bem, Bea. —Respondi.
—Cuida dela, Breno. —Ela concluiu.
Breno assentiu com a cabeça.
—Elin, juízo com esse cara. —Disse Diego, se despedindo. —A propósito, você não viria com o Jake?
Muito obrigada por lembrar, Diego.
—Ele não pode perder tempo comigo. —Notei o olhar confuso no rosto do Diego. —Mas não se preocupa Di, o Breno não vai me matar.... Não muito.
Diego e Bea foram na frente rindo da situação. Até eu ficar sozinha com meu parceiro, que não deu boas vindas muito calorosas:
—Ingênua.
—Que? —Perguntei.
—Quem disse que você tá segura comigo?
—Ué—
Ele me carregou, me colocando em seu ombro. Deixei um grito escapar, espero que isso não faça a Bea voltar correndo achando que o Breno já conseguiu me sequestrar ou algo do tipo .
Depois de várias tentativas de descer do ombro do Breno, acabei desistindo e me acostumando com a situação.
—Opa! —Começou Breno. —Desistiu?
—Sim. —Respondi com a voz mais delicada que conseguiria fazer naquele momento.
—Ah, então nem tem mais graça.
—Oi?
Ele me colocou de volta no chão. Se eu soubesse que era só fazer isso, já teria parado de resistir há muito tempo.
—Enfim, chegamos. —Ele disse, estendendo o braço para que eu pudesse acompanhá-lo.
Aceitei seu braço e pegamos nossos assentos. A apresentação foi incrível. Primeiro, estava tudo escuro. Depois, tochas foram se acendendo enquanto os dançarinos chegavam no palco. Ao longo da apresentação, fogos saiam do palco e as luzes das tochas iam mudando de cor. Foi tudo muito lindo e, quando acabou, todos aplaudiram de pé.
Breno e eu nos levantamos e voltamos para a trilha. Não tínhamos nenhum outro lugar em mente, mas ele fez uma boa sugestão:
—Elin, quer ir pra fonte?
—Ah, pode ser! O que vai ter lá?
Ele respondeu à pergunta colocando seu indicador nos lábios, mostrando que era segredo.
—Aff, tosco. —Reclamei.
—Como vai querer ir, tosca?
—Que?
—Tá, eu decido.
Dessa vez, ele me carregou nas costas, colocando minhas mãos em volta de seu pescoço, para que eu pudesse me segurar e entrelaçou minhas pernas em seu corpo, segurando-as. Não tentei fugir, para que ele me soltasse logo. Mas, parece que não deu certo.
—Ué, não vai me soltar?
—Por que soltaria? —Ele respondeu, com um tom irônico.
Apenas ignorei e decidi me confortar, já que nada que eu fizesse faria ele me tirar dali. Coloquei meus braços em volta de seu corpo, deitando em suas costas, o abraçando. Ele deu uma olhada para baixo, vendo a nova posição de minhas mãos, depois deu uma risadinha meio pervertida.
—Que foi? —Perguntei.
—Nada.... Mas, se seu plano era descer daí, agora é que eu não te tiro mesmo.
Estranhei. Mas depois entendi o que ele queria dizer. Meus seios estavam pressionados em suas costas, e minhas mãos estavam em seu abdômen, o que, com certeza, faria ele ter pensamentos pervertidos. Na mesma hora, voltei para minha posição inicial, com as mãos em volta de seu pescoço. Ele deu uma risadinha, mostrando que eu havia entendido a situação. Mas isso me deixou irritada.
—Ei, fecha os olhos. —Ele disse.
—Tá...
—Só abre quando eu disser.
—Sim senhor. —Cansei de hesitar, ele sempre ganha no final.
Andamos por mais um tempo, até eu ouvir um barulho de água e uma música alta. Provavelmente chegamos na fonte.
—Pode abrir. —Ele disse, me colocando de volta no chão.
A fonte era enorme, haviam várias pessoas em volta, e os jatos de água eram coloridos e se movimentavam de acordo com a música. Era muito lindo. Nos juntamos à multidão e começamos a ouvir as instruções de um dos funcionários do hotel:
—Seguinte, agora vai começar o desafio de dança da fonte. Todos vocês estão separados em duplas. Nesse desafio, vamos testar a sintonia dessas duplas. Um dos integrantes fica vendado, enquanto o outro fica sem venda, para conduzir seu parceiro. O estilo musical é definido aleatoriamente, e a única obrigação é que a dupla deve fazer uma dança de interação, ou seja, nada de dançarem sozinhos. Quem serão os primeiros?
Breno e eu nos olhamos ao mesmo tempo. Mas concordamos em ser os segundos, para entender melhor como o desafio funciona.
A primeira dupla, por incrível que pareça, foram as Borges. A dança selecionada para elas foi Ballet. Qual é a chance de eu e o Breno pegarmos Hip hop? Isso mesmo. Zero. Elas foram muito bem, até porque já foram bailarinas.
Era minha vez de ir com o Breno. Fomos para o centro da meia lua de olhares, e bateu aquela vontade massa de desistir e sair correndo, mas, já era tarde.
—Então, —Começou o apresentador. —Qual dos dois usará a venda?
Concordamos que eu usaria, porque sou uma péssima condutora. Uma assistente amarrou a venda em volta do meu rosto e pediu para eu sentar em uma cadeira. Comecei a considerar a possibilidade de isso ser um sequestro, mas, tudo bem.
—Muito bom! —Continuou o apresentador. —O estilo de dança selecionado para sua dupla é.... —Bora, mano. Pode falar. Tá tudo bem, tá? Eu to em uma simulação de sequestro, mas, tá tudo bem. Então fala logo. —É tango! Essa dupla dançará tango, pessoal!
Ele demorou uns vinte segundos só para falar tango. Enfim, agora teria que analisar minha situação. Pontos negativos: No tango, a dupla dança com os rostos muito próximos, e isso seria bem desconfortável com o Breno, porque ele sempre pensa em segundas intenções. Outro ponto negativo, eu só sei o básico do tango. Pontos positivos: É. Acho que não tem não.
A música selecionada foi “Earned it, do The Weeknd”. Bom, eu pelo menos sei que música eu estou dançando né....
Para a minha surpresa, o Breno sabia dançar tango, e ele já tinha uma coreografia em mente. Quando a música começou, ele segurou minha mão e a beijou, me puxando levemente para seu corpo, e me fazendo levantar. Ele entrelaçou minha cintura, colando nossos corpos e colocou minha outra mão em seu pescoço. Os passos estavam fáceis de acompanhar, pois temos uma sintonia muito boa dançando. Fizemos giros, movimentos clássicos do tango, e, no fim, Breno se ajoelhou, me deitando em sua coxa. Nessa hora, pude sentir o calor de sua boca, o que me fez suspirar, por ser uma situação tentadora. Todos estavam aplaudindo, e pedindo algo para o final, mas eu não queria beijá-lo. Não mesmo. Felizmente, ele sabia disso, então, colocou uma de suas mãos em meu queixo, erguendo meu pescoço. Depois, o beijou. Aquilo foi o suficiente para agradar a plateia. Os resultados da dupla ganhadora saem amanhã. É bom que isso não tenha sido em vão.
Breno tirou minha venda, enquanto o apresentador chamava a próxima dupla. Depois, fomos juntos para as trilhas, mas não dissemos nada até chegarmos nelas. Já estava cansada desse clima pesado que fica no ar quando fazemos algo do tipo. Mas, ele também estava. Eu tinha que resolver isso. Eu prometi para a Bea que eu resolveria.
—Breno.... —Disse, ainda envergonhada.
—Sim...? —Ele respondeu, com o mesmo tom que eu havia perguntado.
—Por que é sempre assim? Sabe.... A gente tem que resolver essa energia ruim.
—Eu concordo, Elin. Mas.... Não, melhor não.
—Agora fala, Breno.
—Não aqui. —Ele olhou ao redor, e avistou uma pracinha bem isolada entre as árvores, não havia ninguém lá, então seria o lugar perfeito. —Vem.
Caminhamos até ela e nos sentamos em um dos banquinhos que tinha lá. Breno começou a se explicar:
—Sei que não tenho esse jeitinho de príncipe encantado que vocês garotas sonham, mas, não é por isso que eu vou ser um babaca.
—Você é.
—Tá, mas sou um babaca consciente. Eu nunca desonraria uma garota igual aconteceu na festa.... Elin, a Camila me beijou do nada, e tenha certeza de que eu larguei ela na mesma hora. Também quero que saiba, que eu fui o primeiro a me odiar por isso, então não precisa vir com sermão. Mas, enfim.... Sei que não tem como você me perdoar por isso.
—Na verdade.... —Não foi só ele que errou. —Nós estamos quites.
—O que quer dizer com isso, Elin?
—Bom.... Depois que eu vi você com a Camila.... Eu e o Jake.... A gente—
—Vocês ficaram?!
—Sim, Breno.... Mas—
—Elin. —O tom de seriedade em sua voz era perturbador. — Deixa eu ver se eu entendi. Você se estressa com uma situação, não procura saber a verdade e, pra aumentar seu ego, você fica com o primeiro cara que encontra?
—Breno, você sabe que não foi assim—
—Como foi então, Elin? Hein? Porque eu to desde aquele dia me matando por dentro por ter desonrado a garota mais incrível que eu já conheci na minha vida, e eu descubro que isso tudo foi em vão.
Meus olhos ficaram marejados com lágrimas, mas eu também estava com raiva dele. Ele não tem o direito de falar assim.
—Eu falei com a Bea hoje. —Comecei, me levantando do banco. —Falei com ela porque queria concertar minha situação com único cara que conseguiu me prender de verdade em uma fantasia com ele. Mas, parece que eu fiz isso por nada.
Olhei no fundo dos seus olhos, enquanto ele olhava nos meus, ainda sentado no banco. Compartilhamos a mesma raiva naquele olhar. Até eu me virar e ir para qualquer lugar que não fosse aquele. Mas, ele interrompeu:
—Então o que tá esperando? —O tom de raiva ainda não havia saído de sua voz.
—Que? —Disse, me virando.
—É, Elin. —Ele disse, se levantando e se aproximando. —O que tá esperando pra concertar?
—O que você tá esperando? —Disse, quase encostando meu corpo ao dele.
—Eu? To esperando por você.
—Estou bem aqui.
Continuamos com aquele mesmo olhar de antes. Penetrante, provocador. A raiva que compartilhávamos ia aumentando a cada instante, mas os argumentos já haviam acabado. Então tudo que tínhamos eram os olhares. Nossa respiração ia aumentando, ao mesmo tempo. O que prova que, mesmo com raiva, estávamos em sintonia. Mas, uma hora, a gente descarrega as emoções.
Breno mordeu seu lábio inferior, e isso foi o suficiente para nossos olhares se descarregarem em nossos corpos. Nós praticamente avançamos um no outro. Entrelacei meus braços em seu pescoço, e ele entrelaçou os dele em minha cintura, colando nossos corpos. Nos olhamos por uma última vez, e nos beijamos. Mas, dessa vez, o beijo foi intenso e provocante. Eu arranhava suas costas enquanto ele entrelaçava seus dedos em meu cabelo. Breno me ergueu um pouco, fazendo meu pescoço ficar em frente aos seus lábios. Então, ele começou dando leves mordidinhas na lateral do meu pescoço, o que me fez sentir um pouco de dor, me fazendo suspirar e puxar seus cabelos da nuca. Depois, ele me colocou de volta no chão, voltando seus lábios para os meus. Ele começou a arranhar minhas costas, do pescoço até o fim delas, me fazendo suspirar contra sua boca. Enquanto isso, arranhei seus braços, do começo dos ombros até o final das mãos. Eu sabia que ele gostava disso. Quando cansamos, paramos para recuperar o ar. Coloquei minhas mãos em seu rosto, e ele continuou com as suas pousadas em minha cintura. Enquanto nossas testas ainda estavam coladas.
—Breno.... —Minha voz soou um pouco fraca.
—Elin, não precisa.... Acho que acabamos de dizer tudo que queríamos. —A voz dele estava fraca também.
Sentamos em um dos banquinhos e fiquei deitada em seu ombro. O silêncio continuou por mais um tempo, até ele quebrá-lo.
—Ei.... Tem um lugar que eu sou obrigado a levar você.
—Que lugar?
—O labirinto. É nele que começa a caça ao tesouro.
—Sério? Nossa, todo mundo disse que não se pode ir à Noite de Luzes e deixar de ir na caça ao tesouro.
—Pois é.... E ela já vai começar.
—Então bora, Breno! Anda! Levanta! —Disse, puxando ele pelo braço.
Quando ele finalmente levantou, fomos de mãos dadas até o labirinto. Ele era enorme e tinha uma estrutura muito bem-feita. Cada dupla começava em uma parte do labirinto, e iniciava com uma pista. Breno e eu, por sorte, conseguimos uma vaga e fomos para nossa posição inicial. O apresentador falava no microfone qual dupla iria para qual posição, e isso era legal, pois saberíamos quem são nossos concorrentes. Tudo corria bem, até ouvirmos:
—Dupla Jake e Jane, vocês iniciam na ala seis.
Como assim? Eles não estavam ensaiando?
Breno fez o mesmo olhar confuso que o meu, mas, pode ter certeza:
O Jake tem muita coisa para me explicar. Muita.
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