Dance Hard, Laugh More...
2 Mais café, por favor.
Eu parecia me encontrar presa em um universo imaginário, costumava ter alucinações, ou sonhos, até acordada. Não tive escolha, novamente, a não ser levantar, me limitar aos poucos luxo do apartamento e voltar para a internet, mas, durante essas tarefas, sempre imaginei ao meu lado alguém que me apoiasse, não alguém que conheço, mas que eu tivesse o prazer em conhecer e em ter como companhia. Quando dizia isso a alguém, me diziam que eu estava ficando louca, mas era minha carência tomando forma.
Era meio-dia quando tinha acabado de levantar da minha cama, apreciado meu desjejum típico de férias e feito as higienes corretas. Mamãe e papai estavam viajando e meu irmão mais velho Leonardo, mais conhecido como Leo, havia dormido na casa de um amigo e só voltaria no meio da tarde, me senti livre pra não ter que fazer um almoço ou preparar algo que fosse bom o bastante para ele engolir.
Apenas fui pro computador. Tudo estava lá: meu fã clube, meu twitter, meu espaço. Se tem algo que jamais me arrependerei de ter feito é o meu fã clube.
Para o meu espanto, havia algo incomum acontecendo: Logan e James respondendo aos tweets enviados por fãs e, por mais absurdo que pareça, muitas brasileiras haviam conseguido resposta, inclusive Natalia, uma de minhas melhores amigas, conseguiu um tweet do James. Assim que vi a resposta e estava pronta pra transbordar de felicidade por minha amiga, ouvi o começo de "Stuck". Era meu telefone tocando: Natalia havia me ligado, chorando e sorrindo ao mesmo tempo, vibrando com o que havia conseguido. Eu, como não poderia perder isso, mandei um tweets ao Logan e apenas na sexta tentativa atingi êxito.
Choro de felicidade, sorrisos mais do que expressivos, palavras doces, comemoração. Eu e Natalia jamais imaginamos que poderíamos conseguir juntas. Eu não poderia dizer o mesmo de Karine, que não conseguiu tweets e o o preferido dela não deu o ar da graça.
No meio da tarde, meu irmão chegou em casa, trouxe cupcakes, donuts e refrigerante, resolvi comê-los na frente do notebook, eu não tinha nada a perder com isso. Ouvi de longe ele falar:
– Cuidado, Tamy, esse computador aí ainda vai te deixar louca! — E uma risada sarcástica. Apenas ignorei.
Eu e as meninas abrimos, no msn, uma janela com nós 4 e decidimos, juntas, que iríamos para São Paulo, onde Karine morava, e elas viriam para o Rio de Janeiro, onde eu morava, caso houvesse show do BTR em alguma das duas cidades, e então realizar juntas o nosso grande sonho.
Eram quase 18h45 da tarde quando os fã clubes resolveram subir uma tag no twitter onde as fãs pediam que BTR viesse para o Brasil. Não foi demorada a resposta de Kendall e Carlos ao ver a tag nos Trends, ambos diziam "Brasil, nós amamos vocês e estaremos aí o mais breve possível", cada um em sua maneira. O desânimo foi eles não responderem como os outros, mas, só de mandar palavras de carinho, nos sentíamos completas.
Meu relógio biológico começou a apitar, então saí do computador e fui tomar banho. Me perdi em pensamentos, imaginando como seria quando eu conhecesse meu Logan, o que eu diria, como agiria... Tinha tanto a imaginar: a maneira de falar, de me expressar, de manter a calma. O frio na barriga veio só de imaginar algo do tipo, era inevitável. Eu só queria manter a pose de madura, de séria, mas não conseguiria, seria inacreditável demais e...
– Tamy, sai logo desse banho, também tenho que tomar o meu! — Leo falava alto e num tom de autoridade. Logo terminei do banho e fui para o meu quarto me arrumar.
Nunca fui fã da imagem que via no espelho, eu não me achava feia, mas não achava perfeita ou deslumbrante, como as pessoas me diziam com frequencia.
Enquanto me arrumava, sem nenhuma pressa, ia pensando que eu poderia nunca conhecer meus grandes amores, os donos do meu sorriso. Senti lágrimas escorrerem tímidas, não fiz barulho algum. Mal percebi o tempo passar. Olhei no relógio digital em forma nota musical que ficava na parede do meu quarto e já eram 20h, corri para a cozinha para preparar um jantar decente.
Abri os armários, procurei na geladeira, estava tudo cheio, menos minha cabeça. Eu tive a ideia perfeita, consciente e segura, com certeza seria o melhor jantar que eu poderia fazer:
– LEO, DESCE AQUI E ME TRAZ DINHEIRO, PEDIREI UMA PIZZA! — Gritei para ele, que ouviu facilmente do quarto dele e veio correndo para a cozinha.
– Você não teria ideia melhor nem se quisesse! — E entregou o dinheiro em minha mão. — O de sempre, tudo bem? — Apenas assenti e liguei para a pizzaria.
Meia hora de espera, foi mais rápido do que imaginávamos. Enquanto estávamos à mesa, ficamos conversando e nos divertindo. Apesar de brigas e um pouco de distância, nos amávamos muito.
Mais uma vez meu telefone tocou, para minha supresa, pois quase nunca me ligam e já era a segunda ligação só naquele dia. Não olhei para a tela, apenas atendi:
– Alô.
– TAAAAAAAAAMY VOCÊ NÃO SABE O QUE ACONTECEU! — Natalia gritava no telefone, animada e excitada, me deixando extremamente calma.
– Calma, criatura, calma e me conta, logo, pelo amor de Deus! — Eu estava tão curiosa que acabei falando rápido.
– É... Que... Ai meu Deus eu nem acredito... A Better With U Tour... Ai... — Se estivesse com ela, poderia dar um tapa, porque enrolando tanto? — A Better With U Tour... Uh... Respira... Foi expandida pra América Latina! — Eu fiquei sem reação. Simplesmente arregalei os olhos, abri a boca e olhei para um lado qualquer.
Conseguia ouvir Natalia perguntando o que houve pelo telefone e Leo ao meu lado, perguntando se eu estava bem, o que havia acontecido. Simplesmente saí desse estado de transe inexplicável e desnecessário, olhei para Leo e acenei, dizendo que estava tudo bem.
– Meu Deus! — Eu disse espantada. — Primeiro Kendall e Carlos falam do Brasil, depois isso... — Pausei como se pudesse sentir que Natalia tinha o mesmo pensamento que eu. — Se confirmarem show.
– NO BRASIL! — Dissemos juntas e começamos a rir.
– Tamy, eu vou voltar pro twitter, vem também, quero falar com você algumas coisas antes de surtar. — Ela parecia calma.
– Tudo bem, então. — Desliguei o telefone.
Deixei tudo na mesa, o segundo pedaço ficou inacabado no prato. Fui para o quarto, sentei na minha cama, perto da cabeceira, abracei meu travesseiro e encarei meus posteres. Minha cabeça estava rodando, mil imaginações, mil possibilidades. Eu sorri e comecei a chorar, chorar porque, finalmente, eu iria ver os amores da minha vida, porque minha chance chegou e, por mais que não tenham falado diretamente do Brasil, eu podia sentir que eles viriam. Eu sussurrei como se falasse com meus posteres: "Eu nunca perdi a fé." e sorri suavemente.
Limpei as lágrimas, me acalmei e abri o notebook, já sabia tudo o que falar no twitter, tudo o que escrever no meu tumblr que ninguém sabia que existia.
Assim que entrei nas redes sociais, fui conversar com Natalia. O que ela queria comigo era desabafar, problemas em casa, problemas com relacionamento com o pai, que sempre foi superprotetor e, muitas vezes, ignorante e intolerante.
Falei tudo o que gostaria, no twitter recebi RTs, conversei com minhas seguidoras, ganhei novas seguidoras, brinquei com as amigas de fã clube, me diverti pra caramba. Conversei com as melhores amigas que poderia ter e voltamos àquela conversa de ir para a casa da outra, brevemente iríamos conversar com nossas mães e combinar tudo certo, eu tinha certeza que ia dar certo, principalmente por estarmos juntas.
As horas correram, não vi o tempo passar e já estava sonolenta. Corri para a cozinha e preparei um café, eu precisava me manter acordada para esperar, caso acontecesse algua coisa, algum tweet importante... Apenas coloquei na garrafa términa e levei para a sala de estar. Liguei a tv e coloquei o pen-drive que tinha os episódios de BTR. Eu já tinha decorada grande parte das falas, mas nunca me cansava deles. Deixei rolando enquanto fui para o quarto pegar o notebook.
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