Dance Club - Life Is a Suprise
27 Season 3 / chapter 7 - "Go for it!"
Notas iniciais

Capítulo 7 – “Go for it!”
Olhei para eles sem acreditar no que diziam. Eles não podiam estar falando sério. Aquilo era loucura.
— Como assim viajar? – Olhei para o rosto de cada um no auditório da escola. Já era segunda de novo, com isso estávamos ficando quase sem tempo e faltava pelo menos mais de três mil para conseguirmos o que era necessário, então eles haviam sugerido que fôssemos fazer uma viagem curta, com tempo contado e por algumas poucas cidades por Ohio, assim poderíamos conseguir o dinheiro que nos faltava, já que os seguidores do canal dos meus irmãos e eu não podiam mais ajudar e as apresentações locais não estavam mais fornecendo tanto dinheiro. – Mesmo se todos toparem com isso, como vamos viajar com um pouco mais de vinte pessoas? E não só isso, como estaremos fazendo isso durante período de aulas e precisamos pedir permissão para nossos pais. – Eu apontei, achando que eles não haviam pensado nisso ainda. Iludido.
— A permissão do diretor já foi concedida, isso vai entrar nos nossos históricos como excursão e extra-curricular. Sobre os pais, ligamos pedindo e todos toparam. E como vamos viajar de carro, já agendamos dois hotéis, que serão o suficiente para passarmos as noites, já que iremos visitar três cidades perto da nossa em três dias. – Max informou, apontando para Autumn, China e Lea, indicando que elas haviam o ajudado.
— Isso parece impossível, eu topo! – Alvin se animou e eu ri da reação dele. – Qual é gente? Precisamos do dinheiro e falta muito pouco agora.
— Galera! – O portão do local foi aberto, revelando o professor com um sorriso enorme. – Os professores decidiram ajudar e agora o que nos resta caiu, faltam somente dois mil e quinhentos e cinqüenta e cinco reais para conseguirmos nos inscrever.
— Nossa chance melhorou! – Kurt comemorou.
— Agora mais do que nunca precisamos investir nisso. – Dianna disse e eu assenti, cedendo, mesmo que meu medo (não sei do quê especificamente) estivesse ainda presente.
— Quando vamos? – Eles comemoraram com minha pergunta e eu ri, revirando os olhos.
— Hoje precisamos descansar e dormir bem, então nos encontramos na entrada da escola amanhã às 6 horas, que tal? – Max perguntou e todos assentiram.
— Ótimo que já se decidiram, agora vamos começar a aula, pode ser? – Enzo perguntou e todos assentiram.
— Hoje vamos conversar sobre algumas danças africanas e apropriação cultural. – Ele comentou, puxando a lousa para o centro do palco, vendo-nos sentar. – Quem conhece alguma?
***
No dia seguinte lá estava eu com os dois patetas que eu chamo de irmão que brincavam de lutinha. Dez minutos mais cedo. E isso me trouxe uma memória. Quando éramos pequenos, digo, com nossos 10/11 anos, eles viviam me chamando de infantil porque eu ainda gostava de desenhos... quem eram os infantis agora?
— Ei galera! – Dianna chamou e acenou para nós, ela estava no seu carro vermelho, enquanto Sam no dele. – Entrem aí, Enzo está na saída principal da saída. Alvin entrou comigo no carro de Dianna, onde Lea também estava, enquanto Simon foi no carro de Sam, onde Kurt também estava. – Curtis já está com o carro dele cheio, Autumn e China estão lá junto de Tatanka, enquanto no carro de Liz estão indo as outras quatro garotas da banda e Naya. Thomas, Max e Potato estão indo no de Enzo e Tony.
— São quantas horas de viagem até a cidade mais próxima? – Alvin perguntou e Lea se virou, ajeitando o cinto de segurança, enquanto a gente fazia o mesmo e Dianna dava partida, enquanto éramos seguidos por Sam.
— Aparentemente quarenta e cinco minutos. Devemos chegar no horário que as pessoas se preparam para sair da balada, então vai ser excelente para conseguirmos um dinheiro na balada que vamos nos apresentar. Na verdade não é bem uma balada, está mais para um clube. – A roqueira respondeu e assentimos, entendendo.
— Então vamos acelerar, espero que estejam com os cintos. – Dianna disse e assentimos, vendo-a sorrir pelo espelho retrovisor. Ela acelerou, não demorando a avistar Enzo, que deu partida e nos guiou.
...
Havíamos chegado em menos tempo que o esperado. Tínhamos chegado em vinte e três minutos no local. O bom era que aquele horário ainda não tinha trânsito. O que facilitou o nosso tempo de arrumar as coisas no palco, ao mesmo tempo, vendo algumas pessoas indo embora. O sol estava começando pintar o céu de azul claro, com poucos resquícios do escuro da noite. Eu me perguntava o quê essas pessoas estavam fazendo ali numa manhã de segunda-feira. Mais tarde, na minha vida, aprenderia que ninguém dava a mínima, ou melhor, não tinha tempo para dormir, era um ciclo vicioso, ir para algum lugar e beber, reclamar da vida, depois voltar para casa e dormir um pouco, para ir ao trabalho e repetir todo o processo depois.
Mas aquele dia eu estava encantado com o local, apesar de sem entender o porquê daquelas pessoas estarem ali no meio de semana. Era todo de madeira, do teto ao chão, com colorações diferentes. O teto era mais escuro, enquanto o chão era mais claro, num estilo terra misturada com areia. Havia pequenas tochas com fogo dispostas por todo o lugar, enquanto pequenos nichos de luz fraca ficavam acima de cada mesa, as cervejas brilhando. Os aperitivos eram básicos, mas aparentemente aquele lugar levava jeito para a coisa, porque toda hora alguém pedia mais. Eu estava com fome e não tinha percebido até aquele momento. Passei as mãos nos meus cabelos levemente caracolados e me olhei no reflexo do violão, apertando minhas bochechas gorduchas. Eu cantaria aquela primeira música, estava orgulhoso de mim mesmo, não era sempre que eu me orgulhava. Na maior parte das vezes me olhava no espelho e não me elogiava, somente dizia que minhas notas eram nada mais que minha obrigação e admito... naquela época eu ainda tinha milhões de cicatrizes abertas dos antigos locais que vivi até encontrar Dave.
Comecei a dedilhar o violão, atraindo – mais – a atenção de todos do bar. Comecei a recitar Send My Love (to your new lover) da Adele, enquanto quem não cantava ou tocava os instrumentos que davam base para o violão dançava, no caso, quem tocava era a banda.
This was all you, none of it me
You put your hands all over me and told me, umm
Eu cantava aquela música para mim mesmo, para talvez a chance que eu tinha perdido. A chance de algo que eu não podia arriscar e não podia fazer. E ainda hoje me questiono o porquê de não poder fazer o que queria antes: ficar com Miles. Eu entendia o lance de leis e tudo o mais, porém se eu antes tinha quase dezoito, só uma lei me impedia e se eu quisesse quebrar ela eu iria em frente, mas depois de muito tempo a gente entende que não conseguiria lidar com esse tipo de pressão, mas não só isso, no fundo a gente entende que ter dezoito não nos torna donos da razão, além de claro, o medo de se relacionar com alguém mais velho, já que apesar de tudo, eu não conhecia ele além do que havíamos compartilhado. E também não queria ter um relacionamento com alguém mais velho se havia a possibilidade de tornar aquilo tóxico, de ser algo tóxico.
Apesar de saber que ele – ainda – não estava com outra pessoa, era só um quesito de tempo, já que ele era bonito e talvez fosse tão incrível quanto eu o idealizava.
Send my lover to new lover
Treat him better
We’ve gotta let go all of our ghosts
We both know we ain’t kids no more
Eu sabia que as lágrimas estavam escorrendo, manchando minha camisa xadrez azul e verde. Porém não deixava isso afetar minha performance. Mantendo a voz intacta e a rouquidão perfeita, finalizei. Quando acabou, todos aplaudiram de pé. Inclusive meus companheiros, sorri, saindo do banco, tirando-o dali para a próxima música, que seria Moonlight de Grace VanderWaal tocado e cantado com guitarras pelas garotas da banda.
...
A próxima apresentação seria no shopping ali perto e teríamos pelo menos quatro horas até ficar cheio, então fomos para o hotel – que era um mediano para que o dinheiro de todos nossos pais pudesse pagar – e decidimos dormir um pouco, felizes por termos arrecadado quatrocentos e trinta reais, contando com o dinheiro que haviam jogado, ou dado para nós durante as apresentações.
Durante meus sonhos, sonhei com nossa apresentação no shopping, e acordei com o meu celular embaixo da minha cabeça despertando três horas e meia depois, me fazendo cair da minha cama. Ótima maneira de acordar, não?
— Vamos crianças, entrem nos carros! – Enzo disse, após descermos as escadas e entrarmos nos carros, do mesmo jeito que antes, dando partida.
...
O shopping estava cheio de gente e vi Curtis tomando um pouco do calmante dele por causa do seu Transtorno de Ansiedade e como ele me disse “para evitar qualquer situação”. As pessoas comiam e conversavam felizes, quase sem perceber vinte pessoas andando até o centro da praça de alimentação. Aquela apresentação seria a mais importante no quesito financeiro. Ganharíamos mil cento e dez para aquilo. Seria basicamente mais de 40% do que nos faltava. Terminando a apresentação, faltaria somente mil e quinze reais e no dia seguinte iríamos para a próxima cidade, seguindo reto em direção ao norte, onde apresentaríamos somente às uma da tarde e seguiríamos para a última cidade.
Assim que terminamos de arrumar as coisas no palco, conectamos o microfone, o som fez com que eles ficassem quietos por um instante, então eu comecei a tocar junto das meninas, enquanto Tatanka e Curtis cantavam Couting Stars, eles se entreolhavam a todo instante, o que era fofo, sempre sorrindo.
I feel something so right
Doing the wrong thing
I feel something so wrong
Doing the right thing
Todos olhavam para eles, interagindo, batendo palmas e até cantando juntos. Alguns gravavam e tiravam fotos, a gente se sentia como famosos.
Eles finalizaram se entreolhando e sorrindo como se houvesse um segredo entre eles. O que fiquei feliz. Era bom ver eles juntos. Eram um daqueles casais que você gosta e realmente torce para o bem.
A próxima música eu iria cantar junto dos meus patetas, quer dizer, irmãos.
Peguei o violão novamente e comecei a tocar no ritmo de Chained To The Rhythm, da Katy Perry.
Are we crazy?
Living our lives through a lens
Trapped In our white-picket fence
Like ornaments
So comfortable, we’re living in a bubble, bubble
So comfortable we cannot see the trouble, trouble
No fim, estava literalmente, todo mundo cantando a música, enquanto o pessoal dançava entre as mesas, entretendo as pessoas. O show durou mais uma hora, com diversas músicas, animando o pessoal. Por fim, decidimos ir para o hotel dormir, afinal, ainda não havíamos terminado.
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