Dance Club - Life Is a Suprise
21 Season 3 / chapter 1 - New Year, New Guys
Notas iniciais

Theo Seville
O garoto colocou novamente o casaco verde e ajeitou o pequeno topete, sorrindo para si no espelho do estabelecimento, fechando os olhos com preguiça de ir para a mesa com seu pai e os irmãos, ele realmente não queria conhecer a nova namorada do pai. Não entenda ele mal, ele desejava tudo de bom para o homem, e sabia que aquela era a primeira tentativa dele desde que ele e seus irmãos foram adotados (ou seja, em 7 anos), mas ter que aguentar Alvin cantando alguém, ou Simon tentando ligar para a namorada e/ou entreter a nova namorada do pai com coisas de matemática e outras mais de Exatas, era demais pra ele.
Ele saiu do banheiro e se esquivou do caminho que dava para a sua mesa, indo para o bar, onde sentou-se em um banco e pediu um refrigerante guaraná e ficou mexendo o limão dentro da bebida com o palitinho dado pelo barman.
"Guaraná?" Um homem ao seu lado perguntou, o tirando de seus devaneios. Ele encarou o homem e sentiu um arrepio subir sua nuca, e pernas. O homem tinha barba por fazer, olhos azuis mesclados com mel, um sorriso branco e vestia calça jeans preta, uma camiseta cinza com um paletó por cima.
"Sim." Theo respondeu, simplesmente, sem dar passagens para mais perguntas sobre isso.
"Uma escolha estranha, porém interessante. Saúde." Ele disse, levantando o copo leve e gentilmente, encostando e fazendo um tilintar leve ecoar entre os dois.
"Saúde... Theo." Após um silêncio, o garoto soltou seu nome, vendo o outro o encarar com as sobrancelhas franzidas. "Meu nome, prazer, Theo."
"Ah, prazer, Theo. Sou Miles." O homem apertou sua mão, um formigamento subindo por ela, fazendo o menor sorrir. "O que você faz aqui essa hora? Cedo demais para alguém beber refrigerante."
Theo riu, balançando a cabeça, quase se como não acreditasse que estava sendo zombado por um cara que aparentemente havia se aproximado dele do nada, não o contrário. Não que o menino fosse alguém que paquerasse, mas ele gostava de sempre tentar estar conversando com alguém, fazer amigos.
"Eu estou fugindo de ficar na mesa com meu pai que vai me apresentar a namorada e meus irmãos, que não calam a boca." Ele disse, simplesmente, vendo o outro rir.
"Gostaria que essa fosse uma visão simples para mim, mas apesar de ser muito tangível, foge da minha realidade." O outro disse, simplesmente, sem querer parando e olhando nos olhos do menor.
"Um ser misterioso..." Theo suspirou, vendo o outro rir, negando.
"Não mesmo, somente digo isso porque vivi com minha mãe e só tenho um irmão que na maioria das vezes nem sequer gosta de ficar falando." Ele esclareceu, vendo o outro assentir, entendendo. Após uns minutos de silêncio, Miles apontou para o casaco, reconhecendo o símbolo. "Presta qual faculdade?"
"No momento eu ainda não decidi, mas é provável que eu escolha Letras. Eu ainda não sei e não sei o porquê dessa dúvida." Ele explicou, dando de ombros. "E isso me deixa mal e eu desconto na comida e ainda tenho que ficar lidando com os comentários maldosos dos outros por causa do meu peso. Desculpa. Eu tenho essa mania de começar a falar e desabafar da minha vida." Ele se desculpou, encolhendo os ombros e corando, e vendo Miles sorrir.
"Não se preocupe, não há nada de errado em querer desabafar de vez em quando. E assim, não ligue para o que os outros dizem, você é lindo." Theo sorriu e agradeceu. "Não precisa agradecer, às vezes um elogio sincero melhora nosso dia, e eu não estou falando nada mais que a verdade."
Theo desviou os olhos castanhos dos que lhe olhavam, corando mais ainda e respirando fundo, mordendo o lábio inferior.
"Ahn, e você? Qual faculdade?" O menor mudou o curso da conversa, voltando os olhos para o maior, vendo-o sorrir, sabendo a estratégia.
"Engenharia Mecânica, mas finalizei com pós-graduação em pedagogia." O maior esclareceu. "Eu gosto de ensinar, mas meu amor por carros é maior, então inverti a ordem e finalmente hoje posso dizer que tenho um emprego que começa amanhã."
"Parabéns." Theo parabenizou, vendo-o sorrir, os dedos sobre a bancada se aproximando dos dedos do com casaco verde. Quando os dedos se cruzaram e entrelaçaram eles se entreolharam, enquanto o maior se levantava e o puxava para o banheiro, quase correndo.
Assim que cruzaram a porta que há, não muitos, minutos atrás o menor havia saído, o professor o encostou na parede e olhou dentro dos olhos do menor, vendo-o sorrir envergonhado.
"Eu quero te conhecer melhor." Miles falou, vendo o outro sorrir e assentir.
"Também quero." Assim que ele terminou de falar, o maior o puxou para um beijo.
...
"Me passa seu número?" Miles perguntou e Theo, em resposta, abriu o paletó dele e retirou o celular, pedindo-o para desbloquear, e quando foi feito, ele colocou seu nome e salvou o número, voltando o celular para o bolso do outro. Theo deu um beijo nele, mordiscando o lábio inferior do pedagogo e desceu da bancada.
"Eu tenho que ir, eles devem estar me esperando." Theo viu o outro assentir, então o menor ficou nas pontas dos pés e deu um beijo na bochecha do maior e saiu do banheiro, o sorriso do engenheiro em seus pensamentos, até que ele percebeu que estava de frente para o pai, que o encarava sorrindo, um olhar desconfiado no rosto, como de alguém que sabe das coisas.
"Está tudo bem?" O mais velho perguntou, vendo o menor assentir, sentando-se enquanto Alvin parecia dar seu número para o garçom.
"Jura, Alvin?" Theo viu o irmão do meio dar de ombros e sorrir, vendo um garçom tímido e corado indo servir outras mesas.
"... Como eu ia dizendo antes de me interromperem..." Simon retomou a fala – sobre o que parecia ser algo relacionado à faculdade que o garoto vinha pensando em cursar (algo envolvendo Exatas)– e a partir disso, Theo se desligou da conversa, os pensamentos voando para o portador dos olhos azuis meio castanhos, sem perceber a aproximação de uma mulher com um garoto que aparentava ter sua idade.
"Crianças..." Quando o pai deles começava com o crianças sutil e doce, era porque ele estava sendo cuidadoso. "Essa é a minha namorada, Samantha." E então Theo olhou para ela, sorrindo. Ela usava um lenço colorido na cabeça, um vestido preto, básico, mas muito chique.
"Prazer, e filho, esse é o meu namorado, Dave." Ela sorriu para o filho, que abraçou o pai de Theo. Theo se levantou e cumprimentou Samantha, sendo seguido pelos irmãos.
"Prazer." Todos repetiram, se sentando em seguida.
Após um silêncio, calmo e um pouco desconfortável, Alvin se virou para Samantha, perguntando: "Esse lenço é lindo, você usa ele para o que?"
"Alvin!" Dave ralhou.
"Desculpa. Isso foi insensível?" Ele perguntou novamente, olhando para a mulher, que riu, negando com a cabeça.
"Não, não é insensível. Dave, eu entendo, curiosidade de adolescentes. Alvin, eu tive câncer e após dez meses de tratamento eu consegui erradicar, agora meus cabelos estão crescendo novamente. Por isso o lenço." Ela explicou.
"Ela é incrível, eu apoio esse namoro." Alvin disse, recostando na cadeira, cruzando os braços, sorrindo para o pai.
"Alvin!" Ele ralhou novamente, fazendo todos da mesa rirem.
...
"Mas tu já vai pra cama?" Alvin questionou, vendo Theo rir e assentir.
"Sim, eu to com sono e amanhã começam as aulas opcionais, não dá pra ficar de brincadeira." O garoto disse, se referindo às aulas opcionais que preenchiam seus horários, sendo que começavam somente na terceira semana de aula do ano letivo.
"Mas ainda é o começo do ano letivo!" Alvin exclamou e o outro revirou os olhos.
"Isso não quer dizer que eu quero estar morrendo de sono amanhã." Theo retribuiu o olhar de tédio do irmão.
"Ele está certo, você sabe, né?" Disseram juntos, Dave e Simon, sorrindo um para o outro em seguida.
"Então tá, vamos logo." Alvin disse, fazendo um bico típico que logo lembrou Theo da primeira semana naquela casa, quando Alvin não conseguia dormir e fez bico até que Dave se aproximasse da cama e começasse a contar uma história cheia de ação e aventura, para que quando Alvin dormisse tivesse que acolher Theo nos braços e contar histórias de seres mágicos e fofos, sem sangue e sem ação. Theo chacoalhou a cabeça e sorriu para Dave, ele amava o pai que tinha.
"Eu te amo." Ele disse para Dave, que sorriu, as lágrimas ameaçando encher os olhos.
"Eu também te amo, filho." O homem disse, abraçando ele, cobrindo-o em seguida. "Amo vocês todos."
"Amo vocês, pentelhos." Alvin disse, fazendo todos rirem.
***
Theo olhou para o despertador e revirou os olhos, sem a menor vontade de levantar, mas se iria levantar iria ser de bom humor, então ele sorriu e respirou fundo, sentindo o positivismo quase infantil o inundar. Ele jogou os cobertores para longe e se levantou, correndo para o banheiro, aproveitando que Simon já havia tomado banho e devia estar tomando café (afinal ele era o mais organizado e em ponto dos três). Theo não demorou no banho, e assim que saiu deu um berro com Alvin, vendo-o cair assustado aos gritos, lembrando-se de que essa mesma cena se repetiria pelo próximo ano.
Assim que chegou à cozinha, deu tempo de comer o cereal e beber um pouco de leite com achocolatado, para então Alvin surgir apressado e atrasado, pegando uma laranja, uma barra de cereal com chocolate e entrar no carro enquanto Dave dava ré e pisava fundo, não levando quinze minutos para chegar na escola, já que eles moravam muito próximo.
"Não acredito que nos mudamos..." Alvin disse, vendo Simon assentir.
"Pois acredite." O mais velho (em segundos) disse.
"Não me entenda a mal, mas como construir uma popularidade aqui em menos de um ano?" Alvin questionou, fazendo a típica cara pasma que fazia os três rirem.
"Não sei, mas acredito em você, agora fora do carro porque o sinal vai bater." Dave disse, vendo os três saírem do carro. "Amo vocês e tenham um bom dia!"
"Que homem apressado." Alvin zombou, vendo Theo o olhar com um sorriso irônico.
"Por que será, né?" Alvin deu de ombros e se virou, indo em direção da escola sendo seguido pelos dois.
"Qual as aulas de vocês?" Simon perguntou, vendo Theo e Alvin olharem seus respectivos papéis.
"Matemática, ugh!" Alvin e Theo disseram ao mesmo tempo, encolhendo os ombros enquanto reviravam os olhos.
"História." Simon acenou para eles e mandou um beijinho, virando o corredor.
"Imbecil." Theo e Alvin disseram ao mesmo tempo, rindo e fazendo um high-five.
...
"Como foram as suas aulas de hoje?" Alvin questionou, quando se sentou sobre o capô de um dos carros da garagem da aula de Mecânica.
"Apesar de essa ser só a terceira semana, eu já estou amando todas as aulas, até a nossa de matemática me deixou feliz, não emburrado e com vontade de sair correndo à cada cálculo passado." Theo disse, vendo Alvin rir, assentindo.
"Só quero deixar claro que o professor de Artes é lindo." Alvin sorriu malicioso, fazendo Theo revirar os olhos.
"E casado." Theo acrescentou, vendo o mais alto bufar, rindo.
"A professora de Teatro também é linda." Alvin disse, o sorriso malicioso aparece novamente.
"Ela é sua professora!" Theo ralhou, vendo o outro dar de ombros.
"Realmente não me importo. Não é como se eu fosse beijar ela em um banheiro de algum lugar." Alvin terminou de dizer e um homem entrou no local, fazendo os burburinhos silenciarem, por ele estar de costas ninguém conseguia reconhecer. Assim que o homem se virou, Theo empalideceu, em seguida corando se lembrando do que o irmão dissera há pouco. Os olhos de Miles varreram a sala e pararam em Theo, vendo-o engasgar pelo susto.
"Merda..." Ele disse, fazendo todos começarem a virar a cabeça para ver pra quem ele olhava, quando o professor retomou a fala. "Eu sou Miles, não vou falar meu sobrenome porque eu não gosto de formalidade, então podem me chamar só de Miles. Eu sou o professor da matéria opcional de vocês, Mecânica."
"Jesus..." Theo engoliu em seco, vendo Alvin olhar para ele e o professor com a sobrancelha arqueada.
"Está tudo bem?" Ele alisou o casaco vermelho com os dedos, vendo Theo assentir.
"Hoje vamos começar pelo básico, e saibam que vocês estão competindo uns com os outros para ficar com o carro que irão consertar. Quem ficar em primeiro leva o carro, quem ficar em segundo também. Os carros de terceiro para baixo irão ser enviados e concertados para doação à soldados que estiveram em guerras. Podem escolher." O professor deu a deixa e os alunos ficaram encarando os carros enquanto lentamente se dirigiam para os que selecionavam, Alvin continuou sentado no capô do Toyota Hilux (agora Volkswagen Taro), enquanto Theo olhava para o Dodge Journey e um Impala 67.
"Siga seu coração, não sua razão." Alvin aconselhou, reparando no irmão indeciso.
Theo abriu a porta do Impala e entrou, se sentando e sorrindo, sabendo que aquela era uma escolha que não o daria arrependimentos, e já que havia escolhido aquela aula, iria trabalhar duro para conseguir o carro.
"Escolheram?" O professor perguntou, distribuindo alguns livros para os alunos. "Esses livros são práticos e de fácil entendimento, então quero que leiam as páginas 5, 6 e 7. Depois de lerem, olhem mais atentamente seus carros e então farei perguntas. Podem começar." Miles informou, dando o último livro para Theo, cujo entrou no carro e se sentou, enquanto o professor fingia olhar o volante, falando com Theo. "Você é aluno? Eu achei que fosse cursar faculdade."
"E eu vou, ano que vem, esse é o meu último." Theo esclareceu. "Eu realmente não estava tentando te enganar nem nada, eu achei que você só tinha se confundido."
"Não tem problema, mas você pode ficar depois da aula pra gente conversar sobre?"
"Claro." Theo engoliu em seco e assentiu, olhando para ele, os lábios brilhando.
"Você sabe que não podemos ter qualquer relacionamento, né?" Miles viu Theo assentir, um sorriso amarelo concordando. "Além de aluno e professor, talvez amigos. Eu realmente não gostaria de perder seja lá o que começou entre nós, espero que seja uma amizade." Ele esclareceu, sorrindo e apertando o ombro do outro, indo ver como os outros alunos estavam fazendo as coisas.
...
"Alvin, fecha a porta, por favor." Miles pediu, vendo Alvin assentir e piscar para o irmão, cujo revirou os olhos. "Então..."
"Então..." Theo repetiu, rindo em seguida, fazendo o mais velho rir.
"Você tem quantos anos?" Ele perguntou, vendo Theo assentir, reconhecendo a pergunta que deveria ter sido feita na noite passada.
"17, mas faço 18 daqui uma semana. E você?"
"25, mas faço 26 mês que vêm." Theo o encarou e a testa franziu.
"Mas Engenharia Mecânica não tem cinco anos para cursar?"
"Sim, mas eu pude pular dois anos, então não cursei o terceiro e quarto ano do Ensino Médio." O homem explicou e Theo o encarou, admirando.
"Parabéns." O garoto sussurrou, admirando os olhos azulados na sua frente.
"Obrigado." Miles olhou nos olhos castanhos esverdeados do menor e sorriu, vendo-o retribuir. "Ahn..."
"Sim, vamos direto ao assunto." Theo percebeu que era isso que o professor queria falar, então apressou.
"Eu realmente não quero perder você... ahn, deixa eu reformular isso." Miles riu de nervoso, sem saber o que dizer. "Eu não quero ter uma relação só de aluno/professor. Eu percebi que noite passada algo além tinha entre nós. E seria legal manter uma amizade com você."
"Claro, também não gostaria de uma relação só aluno/professor." Theo colocou a mão no ombro do outro e sorriu, vendo Miles encarar seus olhos e em seguida descer para seus lábios.
"Claro." Miles repetiu, em seguida o puxando pela cintura, colando os lábios dos dois. O beijo não durou muito tempo, mas a sensação era de décadas. Theo suspirou em meio ao beijo e mordiscou os lábios inferiores do maior. "Não deveríamos fazer isso. Uma última vez, certo?"
"Claro." Theo riu, fazendo o outro rir, os lábios ainda roçando. E com um beijo eles selaram o pacto.
Enzo
O professor olhou para sua classe, respirando fundo sem saber como dizer o que tinha para dizer. Desde a viagem e férias o homem não contara nada e mantivera aquele segredo com ele mesmo, tanto tentando manter a felicidade do grupo, como para arranjar uma saída, mas não havia saída.
"Galera." O homem chamou, vendo um por um fechar a boca e sentar no palco, olhando para ele, que se mantinha abaixo do palco. "Eu tenho uma notícia não muito agradável, mas já tentei esconder e resolver durante as férias e essas três semanas, mas pelo que me parece não tem jeito..."
"O suspense é louvável, mas tá matando a gente por dentro." Kurt disse, vendo todos concordarem, após um minuto de silêncio. Enzo riu, concordando com a cabeça.
"O diretor não tem como bancar o clube e as viagens. E isso sem falar que os programas de Artes estão sendo silenciosamente derrubados pelo nosso governo, mas essa não é a primeira tentativa." Enzo viu um por um ter em seu rosto a cara que ele fizera quando soube da notícia. "É horrível, mas eu não tenho como conseguir o dinheiro e o Estado não está mais conseguindo fornecer, porque Artes está parando de ser uma matéria usada, está sendo jogada de lado. E nisso, a escola não tem dinheiro para bancar os projetos que envolvem Teatro, Dança, entre outros da Arte. E todos os métodos possíveis foram pensados e pelo que parece, o nosso grupo vai ser fechado, derrubado." O professor limpou as lágrimas que ele notara tarde demais estarem caindo, junto da alegria de seus alunos. Era isso que ele não desejava.
"Não vão nos derrubar sem antes um protesto. Porra, tudo que construímos até aqui, todas as amizades, todos os momentos, não, eles não vão nos calar!" Kurt disse, se levantando, os olhos expressando sua raiva.
"Isso mesmo, quem eles pensam que são pra determinar que Artes não são importantes? Sem Artes eles não seriam porra nenhuma nesse mundo." China disse, os olhos refletindo os milhões de pensamentos que zuniam pela cabeça dela.
"Derrubar a gente?" Sam riu, se levantando. "Nós que vamos derrubar eles."
"Já sei o que podemos fazer!" Dianna exclamou, olhando nos olhos de cada um. "Kurt e China tem canais no Youtube e Sam posta vídeos dele tocando violão, então eles podem fazer vídeos falando da importância da Arte e nós fazemos bombar. Eu posso conseguir contatos de blogueiros e vlogueiros acessíveis e contar a situação pelo twitter."
"E vocês sabem quem acabou de entrar na escola?" Angus perguntou, vendo todos negarem. "Ah, qual é gente, os irmãos Seville!"
"Ah meu Deus! Eu amo eles." Luana disse, claramente por fora da situação, mas era compreensível, já que ela voltara no fim de semana passado de uma viagem com os pais.
"Eles têm tipo, um milhão de visualizações e inscritos! Eles são super de boas e nós sempre estamos buscando mais gente que queira fazer parte do clube, por que não tentar com eles?" Angus disse e todos concordaram. "Yay! Vou tentar ver com eles, junto da Luana e Marley. E Liz e Yumi, que tal vocês tentarem divulgar o máximo possível nas nossas contas da banda?"
"Partiu." As duas disseram, pegando os celulares e começando a pesquisar mais informações para terem fonte e confiança no que diriam.
"Meu Deus por que eu não falei com vocês antes?" Enzo se questionou, vendo todos assentirem, fazendo um biquinho clássico de pode crer, bem semelhante de populares de filmes.
"E professor, você pode fazer panfletos e pendurar pela escola, e até mesmo fora dela." Lea apontou para uns papéis em cima da mesa do homem, que assentiu. "E podemos começar a nos apresentar por dinheiro em alguns lugares aqui da cidade. Cantando, dançando..."
Todos assentiram e começaram a pensar sobre o que fariam a partir dali.
...
Enzo passou a bolsa para seu outro ombro, apesar de ficar levemente incômodo, ainda era mais seguro. Ele avistou a biblioteca/livraria que o marido trabalhava e foi em direção ao local, entrando e sentando-se numa das mesas que ficavam perto das estantes de História da Arte e Como Arrecadar Dinheiro/Autoajuda.
"Olha só quem está aqui." Tony surgiu atrás de si, sorrindo e o abraçando.
"E trouxe seu almoço." O maior falou, entregando um saco marrom para o marido.
"Eba! Sanduíche." Os olhos de Tony brilharam, enquanto ele se sentava ao lado do marido e fechava o saco, pois o horário de almoço ainda não começara. "Além disso, você também veio para quebrar ainda mais sua cabeça tentando achar uma saída para o problema sem saída?"
"Eu não acredito que vou dizer isso, mas parece que tem algumas saídas, sim." Enzo falou e Tony o encarou com a sobrancelha arqueada.
"Oi?" Ele questionou, fazendo o maior rir.
"Eles acharam soluções. Eles são muito inteligentes. Três meses batendo cabeça tentando achar uma resposta e eles acharam seis, senão mais alternativas e já começaram a planejar. Isso em um dia. Gente, como eu amo aquelas crianças!" Enzo disse, fazendo Tony sorrir para ele com carinho, acariciando a mão do marido. "Mas ainda estou tentando fazer minha parte e ver outros meios de conseguir dinheiro sem afetar a escola."
"Boa sorte, querido. Logo, logo estou em horário de almoço e a gente sai um pouco." Tony disse, beijando a testa do maior, voltando para a prateleira de Ação.
"Te amo!" Enzo disse e Tony piscou para ele, sorrindo.
Alvin
Alvin piscou para o irmão e saiu da sala, consciente que o de verde tinha revirado os olhos.
Ele riu e girou o boné na cabeça, deixando a aba pra trás. Ele sorriu exibindo os dentes brancos, piscando vez ou outra para algumas garotas que o interessava e caso algum garoto olhasse pra ele, a piscada era direcionada para o mesmo. Alvin andou até o armário, abriu e colocou o material que carregava na mão ali dentro e pegou o da próxima aula.
“E aí, cara?” Disse um garoto usando a jaqueta do time da escola, cabelo marrom e olhos quase da mesma cor.
“Oi... Quem você é?” Alvin perguntou direto. O garoto riu e Alvin se viu admirando o sorriso do menino.
“Sou Max, e você?” Ele perguntou e Alvin pensou no quanto queria saber se aquele garoto era hétero.
“Alvin. Não tão novo aqui, mas essa é minha primeira semana.” Alvin mordeu levemente o lábio inferior, teste um concluído com sucesso, ele pensou assim que o outro desceu os olhos para seus lábios e engoliu em seco.
“Como assim não tão novo?” Max questionou, fazendo Alvin rir.
“Era pra eu ter vindo no início das aulas, mas eu estava resolvendo umas coisas.” Max assentiu.
“Seja bem-vindo.” Ele falou pronto para se virar, e Alvin agradeceu, colocando a mão no ombro esquerdo de Max, perto do pescoço e perguntando: “Você pode me ajudar a achar a sala de Química?”
“Claro.” Respondeu Max. “Também é pra lá que estou indo.”
“Ótimo.”
...
“Não acredito!” Alvin exclamou, fazendo Max rir, assentindo.
“Pois creia.” Max riu mais um pouco, enquanto entravam no vestiário.
“Agora é treino de futebol?”
“Sim, quer ficar para ver?” Max se virou para olhar Alvin enquanto tirava a camiseta, fazendo o de vermelho morder o lábio inferior.
“Claro.” Ele sorriu.
Max colocou todos os acessórios protetores para jogar enquanto Alvin observava. Quando estava tudo pronto, Max foi até Alvin e passou o braço pelos ombros do garoto, puxando-o para fora do lugar.
“Você pode ficar nos bancos ali, okay?” Max indicou com o dedo, vendo Alvin se distanciar, então ele mandou uma piscada, fazendo o de vermelho sorrir.
Alvin se sentou na arquibancada, ao invés de um dos bancos, para poder ficar um pouco mais distante do campo, sem correr risco de levar uma bolada na cara. Ele ficou olhando, tentando entender o jogo. Não o leve a mal, ele só não é o maior fã de futebol americano. Ele sabe o básico e joga entre amigos, mas não seria a primeira opção dele. Sem notar, alguém havia sentado do lado dele.
“Como está sendo seu primeiro dia?” Simon chamou sua atenção, fazendo Alvin quase pular e cair da arquibancada no susto.
“Porra, mano!” Alvin viu Simon rir. “E você ri, eu poderia ter morrido!”
“Okay, Drama Queen.” Simon zombou, vendo o irmão mais novo fechar a cara, crispando os lábios. “Vai, me conta.”
“Tá indo bem, até agora não odeio nenhum professor e eu conheci o Max.” Simon olhou pra ele semicerrando os olhos, vendo Alvin rir com sua expressão.
“Sinto cheiro de esse é o menino que eu quero pegar agora.” Simon pressupôs, vendo o outro assentir. “Você não tem jeito...”
“Não mesmo.” Concordou.
“Só cuidado, você sabe, pra não machucar ele nem você.”
“Obrigado pelo conselho, ó filósofo.” Zombou Alvin, vendo o outro revirar os olhos balançando a cabeça. “Brincadeira. Obrigado pelo mesmo. Vou tomar cuidado.”
“E essa é minha deixa.” Simon falou, levantando.
“Ah, qual é? Só porque eu concordei com você?” Simon riu.
“Não, é porque ele ta vindo.” Simon indicou Max com a cabeça, subindo alguns degraus e indo em direção a um cadeirante e uma garota de olhos escuros com algumas mechas brancas.
“Ei, quem era aquele?” Max perguntou aparentemente curioso.
“Meu irmão, Simon.”
“Ah, sim... e aí, gostou do jogo?”
“Eu realmente não entendo mais além do básico, mas nada mal.” Provocou, vendo o de cabelos marrom rir, o puxando para baixo.
“Vamos jogar.” Max notificou, fazendo Alvin rir e concordar. “O treino acabou, então dá pra gente se divertir por bastante tempo.”
Simon
“... e é incrível! É muito legal e a gente pôde aprender muita coisa nesse longo processo.” Tatanka contava para Simon sobre o clube de dança, vendo o garoto interessado.
“O bom é que além de aprender, a gente conhece mais gente que nunca iríamos conhecer por conta própria. É uma mistura de ‘classes’ ali. Tem cheerleaders, Players e todo o resto da galera.” Curtis contou.
“Nossa, vou ver se consigo convencer meus irmãos a tentar. Se eles não quiserem, eu vou. Primeiro preciso achar o professor e me inscrever, mas não posso fazer isso hoje, daqui a pouco nosso pai vem buscar eu e meus irmãos.” Explicou Simon, mordendo o lábio inferior, pensando.
“Pretende fazer o que hoje?” Perguntou Curtis, vendo Simon balançar a cabeça.
“Olha, sinceramente, só as lições, fora isso, nada.”
“Que tal se a gente marcar de se ver mais tarde?” Tatanka questionou, vendo Simon assentir.
“Daí vocês podem conhecer meus irmãos também, pode ser?”
“Claro. Vou ver se mais algum dos nossos amigos quer ir também.” Tatanka falou, pegando o celular e perguntando no grupo do clube quem tava livre no dia.
“Vamos fazer o quê?” Curtis perguntou, vendo Simon sorrir, claramente tendo uma idéia.
“Vocês estão sabendo do show que vai ter essa noite?” Os dois assentiram.
“É de um grupo de amigas nossas, elas são incríveis!” Curtis notificou.
“Então partiu!”
...
“Vamos galera!” Simon pediu pela segunda vez.
“Eu já não ia fazer nada, então não tem porque ficar preso em casa.” Alvin assumiu, levantando e indo pro banheiro tomar banho antes de saírem.
“Eu só tenho que terminar uma lição de casa.” Theo disse relutante em sair.
“Você pode fazer depois. E olha que quem ta te falando isso é eu.” Brincou Simon, vendo o irmão soltar um breve okay e ir pro banheiro do quarto do pai.
“Isso!” Simon comemorou, correndo pro banheiro e batendo na porta, escutando um resmungo de Alvin.
“Que é?” O irmão do meio perguntou.
“Eu já vou indo, marquei de me encontrar com Tatanka e Curtis pra pegar um lugar. Não saia sem o Theo!” Ordenou Simon, escutando um okay, chato do irmão.
...
Eles haviam marcado de se encontrar perto da livraria que dava na esquina antes de atravessar a rua para a praça onde seria o show.
Ele estava andando em círculos, animado e sem conseguir se controlar. Era a primeira vez que ele havia conseguido interagir sem esforços ou por meio dos irmãos. Era a primeira vez que eram os amigos dele. De tanta animação, não percebeu quando alguém vinha, o que causou de ambos os corpos colidirem e irem pro chão.
“Meu Deus, me desculpa!” Ele exclamou, levantando o olhar, se recuperando do impacto. E então ele viu uma garota linda. Os cabelos cacheados caíam nos ombros indo até a cintura, olhos castanhos âmbar, pele negra se assemelhando areia escura.
“Desculpa eu, não estava olhando pra onde ia, culpa do celular!” Ela brincou, segurando a mão dele para levantar.
“Entendo. Essas coisinhas são como sorvete, vicia.”
“Olha só, mais um sorvetólatra.” Ela riu, causando o efeito de Simon rir de volta. “Uma palavra inventada já que além de chocólatra não há palavra pra quem é viciado em sorvete. Vergonha.”
“Verdad-“
“Ei!” Tatanka o chamou, junto de Curtis.
“Ei.” O garoto cumprimentou os dois.
“Vamos pegar lugar?” Curtis perguntou, reparando em seguida na garota ao lado de Simon. “Oi, sou Curtis, prazer.”
“Oi, Curtis, prazer.” Ela sorriu.
“Tatanka.” Tatanka dispensou a mão dela e abraçou a menina.
“Ahn, desculpa não ter perguntado antes, como você se chama?” Simon percebeu o erro, corando.
“Jeanette. E você?” Ela questionou.
“Simon.” Ele sorriu, meio sem jeito pelo mico.
“Prazer.”
“Prazer.”
“A gente vai ver esse show. Quer sentar com a gente?” Tatanka perguntou, vendo a garota assentir.
“Minhas irmãs estão vindo pra ver esse show também.”
“Ótimo.” Simon disse.
Eles foram para o centro da praça, onde havia uma abóbada de aresta, que cobria um palco pequeno onde as amigas de Tatanka e Curtis se apresentariam. O local não estava super cheio, mas deviam ter pelo menos mais de cinqüenta, não muito centrado, as pessoas estavam espalhadas. Agradeci por estar usando calças jeans, algo me dizia que mais pela tarde iria esfriar e eu não gostaria de estar de bermuda. Meu casaco de capuz com zíper escondia meu suéter azul quentinho. Escolhemos ficar mais próximo do centro, era um local fácil da gente se achar e apesar de não ter muita cadeira, tinha bastante lugar em canteiros feitos de pedra para proteger as árvores e flores, então dava pra sentar ali.
“Dianna, Lea, aqui!” Tatanka gritou, acenando para uma loira que vinha de mãos dadas com uma morena de roupas pretas e adornos rosa.
Chegamos xAlvin
Onde cês tão? xSimon
Na frente de uma livraria xAlvin
Se eu estiver certo é de onde nos encontramos, mas de qualquer modo, estamos no centro da praça. xSimon
Não demorou muito e Alvin, juntamente de Theo, estava ali com todos. Mais alguns amigos de Tatanka e Curtis haviam chegado. Respectivamente, Marley, Mandy, Kurt, Sam, China e Autumn. As irmãs de Jeanette também já haviam chegado e haviam se dado super bem com Thoe e Alvin, seus nomes eram Theodore e Brittany.
“Infelizmente o resto da galera não vai poder vir.” Tatanka informou, vendo todos assentirem.
O som que tocava parou, anunciando que a banda iria entrar. Cinco garotas subiram por trás do palco e acenaram para o centro, reconhecendo os amigos.
“Oi, galera!” Geral aplaudiu e assoviou. “Sejam bem-vindo ao nosso primeiríssimo show oficial. Começaremos com nosso cover de Cool Kids. E por favor, quem puder dar um pouco de dinheiro para nós, agradecemos, afinal, estamos tentando arrecadar para participarmos da Competição Nacional de Dança, e vermos se chegamos nas Finais!”
…I wish that I could be like the cool kids…
Simon começou a dançar meio embaraçado, pois ele não costumava dançar na frente de muita gente, mas ele custou a se lembrar que estava ali pra se divertir. E foi isso que ele fez pelo resto da noite.
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