Dance Club - Life Is a Suprise
12 Season 2 / Chapter 2 - Fight, Conclusion & Amusement Park.
Notas iniciais
Spike
"Pai, faz uma semana que você não me responde, o que você está fazendo aqui?" O garoto perguntou pela vigésima vez na semana, vendo o outro revirar os olhos e pegar uma garrafa. "Larga essa porra e me responde!"
"Não fale assim com seu pai!" O homem explodiu, levando a garrafa de volta ao lábios, sendo interrompido pela mão do filho, que deu um tapa na garrafa voando para o outro lado do abrigo onde ele tinha enfiado o pai – que ele não deixaria voltar para casa e preocupar mais ainda a mãe dele – e viu-a explodir em cacos.
"Pai?! Eu te chamo de pai por respeito e isso deveria estar ótimo para você! Você deixou de ser meu pai quando eu tinha sete anos, sempre bebendo e voltando para casa, pedindo perdão e falando que melhoraria, para então sumir por algumas semanas, sempre nesse ciclo vicioso... Você, olhe para mim, tem sorte de que eu me dispus de cuidar de você, mas se eu souber que apareceu lá em casa, eu te expulso, não vai ser dessa vez que você vai conseguir nosso perdão." Spike pegou a mochila e se virou, brevemente antes de se colocar a caminho da escola. "E isso tudo terá um preço, conversaremos quando eu voltar, não saia daqui. Tem comida e água na geladeira, espero que não se atreva a beber."
...
"Meu pai voltou." Spike disse, após um silêncio entre Marley e Potato, que se mantinham entretidos em procurar qual a próxima aula. Ambos viraram o olhar para encontrar com o outro, Marley tinha uma interrogação na cara, enquanto Potato exibiu um olhar aflito, afinal, ela conhecia muito bem o homem que o outro chamava de pai.
"Caralho..." Potato sussurrou, parando no caminho. "Posso contar?"
Spike assentiu e Potato explicou a história para Marley, vendo-a arregalar os olhos conforme os detalhes eram explanados.
"Porra, hein..." A menina olhou para Spike que sorriu, rindo de nervoso.
"Pois é, e agora ele está de volta e eu o coloquei em um abrigo, afinal, para minha casa ele não volta, não vou deixar que minha mãe saiba que ele está de volta, caso contrário acontece de novo o que aconteceu da última vez." Spike pegou o celular e viu uma mensagem do seu irmão mais velho, falando que estaria de volta à cidade até o fim do ano, fazendo Justin sorrir, feliz por uma nova notícia boa. "Enfim, ignoremos o assunto e foquemos em coisas novas, o que vocês estão aprendendo no grupo de dança?"
"Dança do Ventre!" As duas disseram, rindo em seguida. Potato e Marley rebolaram, as mãos expressivas características da dança mostrando que elas sabiam como se mover.
Spike bateu palmas, rindo ao vê-las fazerem um high-five, gargalhando pelos olhares dos outros.
...
"Quer que eu vá com você?" Potato perguntou na porta do colégio, vendo o outro sorrir e agradecer, arregaçando as mangas da jaqueta de couro preta.
"Não, obrigado. Se divirta aí no grupo e depois eu volto, ainda tenho o treinamento do time, já que o treinador me aceitou de volta, não posso pisar na bola, mas já avisei que iria só resolver uns negócios e depois voltava para treinar a tarde toda." Justin disse, os olhos cor de bronze vendo a outra assentir. Ele se aproximou e colocou as mãos no maxilar de Potato, a puxando para dar um beijo na testa. "Fique bem."
"Era para eu te desejar isso." A outra disse, vendo-o rir.
"Você ficando bem eu fico bem." Spike falou, acariciando com o dedão a bochecha da outra.
"Que piegas, mas fofo." Potato riu.
Max
O garoto olhou para a janela da sala de aula, completamente entediado e rezando para que o tempo passasse logo, assim iria treinar e escutar os gritos do seu treinador. Sem perceber, Kurt entrara na sala, logo virando-se, não querendo interromper.
"Ei!" Max disse, o chamando, vendo o outro se virar com um sorriso culpado.
"Ei... Foi mal, não queria te atrapalhar." Kurt diz, pegando o seu livro de História da Dança e se sentando na carteira do outro lado da sala, mas o outro logo o interrompeu pedindo para se aproxima.
"Pode se sentar mais perto, eu realmente não estou fazendo nada, só esperando o tempo passar..." O silêncio perturbador fez com que Kurt avançasse mais três páginas do seu livro, até o outro interromper: "Desculpe."
"Pelo quê?" Kurt olhou para o maior, vendo-o tirar os olhos dos seus, olhando para o chão.
"Por todos os banhos de misturas." O Player enfim proclamou, vendo Kurt sorrir e assentir.
"Obrigado por isso, é bom saber que você se arrepende. Aquelas coisas não foram legais." Kurt admite, voltando o olhar para o livro, sem querer olhar para o outro. "Desde que não ocorra mais, tá desculpado."
"E perdoado?" Max viu o outro olhar para ele, um olhar incrédulo, e de quem segurava um riso.
"Isso é pedir um pouco demais." Kurt viu o outro rir e assentir, sabendo disso.
"Não vai acontecer mais, conversei com o time e eles vão parar. Promessa de escoteiro." Kurt assentiu, rindo.
"Obrigado, isso é muito bom de ouvir." O menor afirmou, vendo o Player sorrir enquanto o sinal batia e ele se despedia, indo em direção do auditório.
O Player olhou para a carteira onde o menor estava sentado e viu o livro dele ali. O jogador pegou o livro e se dirigiu para o auditório, abrindo o livro e passando pelas páginas com os dedos, vendo as anotações no livro do garoto de grupo adversário ao seu.
"Meu Deus como ele parece a mamãe." Max disse, entrando no auditório, fechando o livro e observando de longe, meio escondido a apresentação de todos.
...
"Aqui, seu livro." Max ergueu o livro para o menor, assim que o mesmo desceu do palco, secando a testa, o riso passando, assim que se distanciava de Marley e Potato. Kurt levantou o olhar e sorriu, agradecendo. "Não foi nada. Eu vi que você tinha esquecido e logo trouxe... ahn, apesar de eu não entender nada de dança, você dança muito bem."
"Ah, valeu." O outro agradeceu, guardando suas coisas enquanto gritava em despedida dos outros, mandando um beijo para Sam, que sorriu.
"Seu namorado?" Max questionou, estranhamente feliz com a cena.
"Quase isso." O outro falou enquanto colocava a bolsa nos ombros e subia as escadas em direção de uma das portas que davam para as saídas do local, sendo acompanhado do Player. "E como as coisas vão entre você e a Dianna?"
"Não vão tão bem, isso é inegável. Mas eu acredito que seja por incompetência minha. Eu sei que eu e ela temos um relacionamento aberto fora da escola, ou pelo menos foi o que sempre pareceu, mas não sei porque parece que sempre que fico com outra pessoa eu sinto que estou traindo ela." Kurt fez uma cara de desconforto, claramente como se quisesse dizer algo, mas o bom-senso o impedisse. "Que foi? Pode falar, se quiser..."
"Relacionamento aberto pra você? Ou ela já concordou, explicitamente, com isso?" Max mordeu o lábio inferior, dando a resposta ao menor, que revirou os olhos. "Então é aberta para você. Por isso sente como se traísse, porque você está."
"Mas eu sei que ela também me trai." Ele respondeu e o Dancer riu.
"Você trai ela e reclama dela te trair? Chumbo trocado não dói. Você está errado, mas ela também não está certa, mas veja bem, você não têm razão pra reclamar disso, já que é você quem começou." Kurt piscou para ele, vendo-o rir, concordando. "E foi você mesmo que disse que é um relacionamento aberto. Talvez você devesse esclarecer isso com ela, assim vocês finalmente podem se ajeitar."
"Verdade, vou ver se ela topa de eu ir na casa dela hoje." O Player concordou.
Dianna
"Eu acho que estou apaixonada." A garota se virou para Naya e Liz, os olhos expressavam as dúvidas e dores que aquilo trazia.
"Que bom!" Naya disse, olhando para a outra e então deixando a ficha cair. "Ah, não é pelo Max."
"Não, não é." Dianna admite, vendo Liz fechar os olhos e respirar fundo, pensando no que dizer. "E é uma merda porque eu não quero terminar as coisas com o Max como terminei com o Spike. Tudo bem que eu e o Spike não tínhamos um namoro fixo, mas ainda sim era um namoro e a única pessoa que estava fora da lista eu fiquei."
"Olha, não adianta nada você e o Max ficarem juntos se não dar mais certo. E isso não é de hoje, já tá assim tem tempos, vocês não conseguem mais ficar num mesmo lugar sem brigar, ele já te traiu, diversas vezes, e você deu o trocado. Nem por WhatsApp vocês não conseguem não brigar." Liz disse, vendo a menor assentir, o coração pesando no peito, a angústia quebrando qualquer resquício de respostas que poderiam surgir para as perguntas em sua mente.
"E o que eu faço com essa paixão? Eu não entendo, eu nunca sequer havia, pelo menos reparado desse modo, em uma garota assim." Dianna assumiu, vendo Naya arregalar os olhos e Liz sorrir em reconhecimento.
"É uma garota?!" Naya sussurrou, a alegria na voz palpável.
"Sim." Dianna riu, cobrindo o rosto, claramente envergonhada de estar tendo aquela conversa com Naya, que provavelmente ficaria pulando de um lado para o outro por uma semana. "Meu único problema com isso é que meus pais não aceitariam, mas isso eu aperto o foda-se e beleza, mas o que me preocupa é o que eu sou, tipo, o que eu sou agora? Eu sempre achei que fosse hétero, e aparentemente não é o caso."
"Primeiro, você sempre achou, nunca teve certeza, afinal tu já se olhou no espelho quando vê uma garota bonita e comenta sobre?" Naya zombou, vendo-a corar e gargalhar. "Você não precisa se rotular se quiser, mas se quiser você vai ter que estudar um pouco para conhecer a comunidade LGBTQ+ e se conhecer."
"Por onde começo?" A loira questionou, vendo Naya pegar o notebook e colocar sobre o colo.
"Você sabe as definições de hétero e gay, né?" Naya perguntou, vendo a outra revirar os olhos. "Vou considerar isso como um sim. Então, partindo disso você precisa saber o significado de bissexualidade, polissexualidade e pansexualidade."
"Eu sei que bissexualidade é a atração por dois gêneros, mas não especificamente o masculino e feminino, né?" Dianna questionou, vendo as duas a sua frente assentirem. "Pan é alguém que se atrai por todos, ou independente, como alguns dizem, do gênero. Né?" Novamente assentiram. "Então o que é polissexualidade?"
"Poli é alguém que se atrai por vários, mas não todos os gêneros." Liz confirmou, vendo a amiga do seu lado assentir. Dianna sorriu, assimilando tudo isso.
"Já que tocamos no assunto de gêneros, vocês sabem alguns?" A loira menor perguntou, vendo as duas assentirem. "Quais seriam?"
"O bigênero, que é a pessoa que se identifica com dois gêneros. Tem o agênero, que é a pessoa que vivência a ausência de gênero. Também há o gênero-fluído, aquele que flui entre outros gêneros. Há outros, diversos assim como todos somos. Mas sempre é bom buscar entender com quem é o que é, e na internet há muitos artigos e histórias." Liz informou, Naya a admirando. Dianna sorriu discretamente para as duas.
"Beleza, assim que eu chegar em casa eu pesquiso mais... e apesar disso ser uma quebra do nosso acordo silencioso, como vocês se identificam?" Dianna viu elas se entreolharem e engolirem em seco, e ali ela soube que havia atingido um ponto que ainda não havia sido processado e cicatrizado.
"Garotas cisgêneras." As duas responderam, fazendo Dianna revirar os olhos.
"Me refiro à sexualidade." Liz sorriu, apesar de engolir em seco e olhar para Naya, quase como se pedisse permissão. "Qual é, eu sei que vocês ficam juntas, hétero é que não são."
"Eu sou pan, e já percebi isso desde o último ano do Fundamental, eu não me preocupo tanto com o gênero das pessoas com quem me relaciono, se me atrai, me atrai." Liz explicou, vendo Dianna sorrir e assentir. "Não foi fácil me aceitar, até porque eu não queria conversar com você ou outra pessoa além da Naya, já que a gente já ficava naquela época."
"Ai." Dianna brincou, vendo a loira rir, rindo em seguida.
"Eu não sei o que eu sou." Naya admitiu, vendo a loira assentir, se identificando. "Tipo, eu fico com os garotos, mas não sinto atração por eles e nem me apaixono. Parece que é como se eu estivesse tentando esconder algo. E isso é muito ruim para mim, não me identificar ainda, sabe?"
"Entendo... assim, não entendo sua situação por completo, mas entendo a parte de querer se identificar." A loira menor disse, sentindo o celular tremer, ela o pegou e leu a mensagem. "É o Max, ele quer se encontrar comigo lá em casa."
"Vá." As duas amigas lhe disseram, ela respirou fundo e assentiu, pegando a sua bolsa-mochila e sendo acompanhada pelas amigas até seu carro. "Boa sorte."
"Valeu." Ela disse, colocando a chave na ignição e dando ré, saindo da casa de Liz em 60 quilômetros por hora.
...
"Ei." Max acenou assim que ela estacionou perfeitamente entre o jipe e o carro preto do pai do maior.
"Ei." Ela disse, pegando a chave e colocando na calça que colocara na esquina, antes de enviar uma mensagem avisando que estava chegando, dando partida de novo. "Você tá bem?"
"Sim, e você?" Ele viu ela assentir, um sorriso forçado. "Desculpa pela minha babaquice e falta de bom-humor."
"Sem problema. Desculpa ter te mandado tomar no cu." Ela disse, vendo-o rir. Ela sorriu, contendo um riso. "Vamos entrar?"
"Sim." Max segue ela, vendo-a abrir a porta e olhar para dentro quase como se estivesse invadindo um ambiente sagrado. Ela suspirou, e não fora de alívio, fazendo Max logo sacar que o pai da garota se encontrava em casa.
"Oi pai." Ela disse, engolindo em seco enquanto entrava com Max ao seu lado. O homem levantou os olhos da mesa atrás das portas que separavam a sala de estar do escritório.
"Olá, Eleanor." O homem disse, vendo o namorado da garota e sorrindo. "Max."
"Senhor Carter." O garoto saudou, sabendo como se portar diante do chefe da família Eleanor Carter.
"Como você está, filho?" Max viu a garota fechar os olhos e engolir em seco, parecia que ela havia sido atingida por um soco.
"Bem, assim como Dianna." O garoto fez questão de frisar, vendo a outra sorrir em agradecimento.
"Pai, estamos indo para o meu quarto conversar, deixaremos a porta encostada, mas não trancada." A garota confirmou, puxando o menino pela mão em direção da escada.
Os pés de Dianna pareciam não se importar com o impacto que aquela velocidade causava em sua perna, ela só queria chegar no quarto e não olhar para o pai, ela já tinha medo de como seria a próxima vez que ele chegasse em casa, se iria a xingar, ou bater na mãe, talvez até estivesse tão bêbado que ela somente teria que aguentar os xingamentos até que ele desmaiasse e ficasse ela e seus pensamentos desejando que fosse daquela vez que ele não acordasse. Ela sabia que aquilo era horrível de pensar, mas ela não aguentava mais aquele homem e todo dia ela tinha que ser submissa e não aumentar a voz, porque se o fizesse, apanharia tanto que não poderia voltar para a escola sem antes maquiar todo o rosto e fingir um sorriso alegre na cara.
"Diga." Dianna foi curta e grossa, ela queria acabar com aquela conversa logo e correr para o único lugar que ela sabia que poderia desabafar sobre o que vinha acontecendo.
"Eu sei que você não quer conversar, principalmente com ele aqui, então vou ser rápido. Eu sempre achei que fosse um namoro aberto, pelo menos para mim, então você não sabia disso e eu te traía e você sabe disso. Por isso eu peço desculpas, mas eu sei que não devo pedir perdão porque eu realmente pisei na bola e vou procurar melhorar. Se você quiser dar uma chance eu agradeço, caso contrário, continuamos amigos, espero eu." Ele disse tudo de uma vez, resultando na risada de Dianna assim que ele terminou.
"Não vou brigar com você por ter me traído, afinal, não tem pouco tempo que eu o fiz também. Quero acabar com esse relacionamento porque têm tempos que isso não está dando certo e ultimamente então, só serviu de fachada. Quero continuar com sua amizade e reconstruir tudo, mas também preciso de um tempo, assim como sei que você também precisa." Ela disse, e ele assentiu.
"Amigos?" Ele perguntou, erguendo a mão e ela assentiu, pegando na mão dele e chacoalhando. "Eu vou pra casa, porque ainda tenho umas coisas pra resolver. Nos vemos amanhã, tudo bem?" Ela assentiu e deu um beijo na bochecha dele, vendo-o sair em seguida pela porta do seu quarto.
Ela pegou o celular e digitou rapidamente uma mensagem para Lea, sabendo que a garota não demoraria muito para responder.
Estou indo para sua casa, tudo bem? Preciso conversar. XxD
Sem problemas, estarei esperando. XxL
A loira retirou a blusa que vestia e colocou uma blusa de flanela vermelha, retirando o tênis que usava para colocar um all-star branco, abrindo a porta do quarto em seguida e descendo as escadas. Antes mesmo de chegar na metade da escada escutou algo de vidro quebrar ao chocar-se com a porta da sala, e ela viu que era seu pai jogando as coisas, cego de raiva, gritando com sua mãe que aparentemente, devido as sacolas do mercado ao lado de casa, havia acabado de voltar.
"Eu vou te foder e nada me impede disso!" O homem berrou, olhando a mulher branca franzina encostada na batente que dividia a cozinha da sala de estar. "Tire a roupa e me obedeça, cadela."
A mulher mais velha chorava, olhando dentro dos olhos da filha, pedindo que a mesma saísse dali. A loira, num ímpeto de fogo e cansada de ver as agressões do homem – cujo dessa vez ultrapassava um limite que ela não toleraria – correu, passando por entre eles e indo até a gaveta.
"Garota, saía daqui." O homem mais velho disse, o tom grosso e rude atingindo os ouvidos da garota, ao mesmo tempo que ela pegava uma faca e se virava.
"Eu já aguentei muita merda com você, senhor Carter..." A garota pronunciou, a voz demonstrando o desprezo e nojo. "... e assim, tolerei crescer numa casa onde você nunca se importou comigo ou com minha irmã, mas ele tirou a sorte grande e conseguiu ir pra faculdade a tempo, pelo menos não presenciou quando começou a agredir a mamãe. Eu não tenho força física pra te impedir e tive que viver me corroendo com a culpa de não impedir seus punhos de atingirem os olhos da mamãe, ou algum outro lugar, já que era mais fácil de esconder. Mas mano, você vai estuprar ela?! Não, não vai mesmo. E eu sou capaz de te matar se você encostar um dedo nela."
"Garota insolente, achando que pode fazer o que bem entende, você vai aprender uma lição." Ele falou, se aproximando da garota, ignorando a faca de trinta centímetros na mão da loira adolescente.
Ele levantou a mão e antes que pudesse atingir ela, a garota levou a faca para o alto, cortando o braço perto do pulso do mais velho, vendo-o arquear e arfar, ao mesmo tempo que ela corria e pegava a mãe pelo pulso, que se levantava e corriam para a porta, dando tempo de abrir a porta e jogar a mãe para fora, isso enquanto seu cabelo era puxada e era jogada no chão, a faca voando para cinco centímetros longe de seu corpo.
"Você é tão vagabunda quanto sua mãe, uma ingrata." O homem disse, antes de desferir um tapa na cara da menina, que sentiu o rosto atingir o chão ao mesmo tempo que ela conseguia pegar a faca.
"E você, seu merda, cuzão do caralho, você estragou a minha vida, me fazendo depender de somente a caralha de um elogio, somente uma visão positiva de mim, mas aqui estamos, um bosta bêbado, que nem sei como conseguiu beber tanto desde que subi com Max, e eu, uma garota carente e fodida da vida. Mas na minha mãe você não encosta mais." Ela disse, partindo pra cima dele, socando o rosto dele, vendo-o cambalear, ao mesmo tempo que ela fazia um corte superficial na bochecha dele, desviando em seguida de um soco e atingindo com a faca a batata da perna dele, vendo-o cair e sangue manchar o chão.
A garota conseguiu correr para fora de casa ao mesmo tempo que via o homem cair, ela tinha a visão levemente turva, mas se forçava a ficar acordada, até que ela viu a mãe desligar o telefone e olhar para a garota agradecida.
"Eu te amo, agora vá." A mulher disse, pegando a faca enquanto ao longe sons da sirene da polícia se aproximavam.
"Eu não vou te deixar aqui, mãe!" A garota exclamou, vendo a outra sorrir e acariciar o cabelo dela.
"Você não estará me deixando. Meu dever é te proteger, e vou concluir ele. Agora vá antes que a polícia chegue, quando seu pai for cuidado e preso, e provavelmente eu também vá, aí sim você me visita e dá seu depoimento." A mais velha acariciou os cabelos da menor e beijou a testa dela, desviando o rosto rapidamente ao ver dois carros da polícia entrarem junto de uma ambulância na rua. "Agora vá. Eu te amo, querida."
Lea
A morena penteou os cabelos, terminando-os ao ver um carro vermelho parar na sua porta. Ela sorriu, sabendo que era a loira.
"Pai! Ela chegou." A garota avisou, prendendo os cabelos e colocando os coturnos nos pés, admirando-os por um momento, para em seguida correr descendo a escada, saindo pela porta aberta pelo pai, vendo a loira sair cambaleando do carro, imediatamente a preocupando, fazendo-a correr ao socorro da loira, sendo seguida pelo pai.
"Dianna, o que aconteceu?" Lea perguntou, segurando a outra pelos ombros, servindo de apoio para a ajudar a entrar dentro de sua casa.
"Meu pai aconteceu." A loira disse, com uma careta sonolenta.
"Jesus..." A morena sentou a outra no sofá e deu uma batidinha em seu rosto, sabendo que o melhor a ser feito era a manter acordada. "Ei, não dorme, consegue se manter acordada por pelo menos vinte minutos?" Ela viu a loira assentir, então sorriu, fingindo que sabia que tudo ficaria bem e começou a enrolar: "Vai ficar tudo bem, meu pai vai cuidar de você e enquanto isso, me conta o que aconteceu."
...
Lea observava a loira dormir na sua cama abraçada em si mesma, seu pai estava do seu lado sorrindo, tentando confortar a filha com sua presença, pois sabia que conversar não ajudaria em nada. A roqueira havia mantido a Cheerleader acordada por pelo menos uma hora e dez minutos, enquanto o pai a examinava e cuidava para que as contusões e problemas fossem resolvidos das melhores maneiras possíveis. E não havia muito tempo que a loira apagara, sem conseguir mais se controlar. Lea estava preocupada, principalmente após escutar toda a história. E fizera como pedido por Dianna: chamou Liz e Naya para sua casa. Aparentemente as duas eram as únicas que sabiam do caso de agressões, além de Lea, claro.
Assim que a morena viu um carro parar e dele saírem duas garotas, ela desceu da cama e correu pela escada, abrindo a porta e abraçando Liz, chorando de preocupação.
"Eu só quero que ela fique bem." Lea sussurrou, sentindo Liz acariciando suas costas.
"Ela vai ficar bem, Li." Liz a acalmou, falando pelo apelido, vendo Naya sorrir um sorriso triste. "Que tal a gente entrar para ver ela?"
"É uma boa." A roqueira disse, limpando os olhos com as costas das mãos, enquanto deixava as duas meninas entrarem, fechando a porta e levando-as para seu quarto.
As duas quando chegaram reprimiram um soluço, vendo como a garota estava, com um corte superficial na bochecha, os lábios estavam levemente inchados e machucados, tinha uma mancha circundando um galo na cabeça da loira que evidenciava que a mesma havia levado um tombo.
"Meu Deus..." Elas suspiraram, vendo o pai de Lea assentir.
"Isso ainda são machucados superficiais, e com sorte devem sumir em duas semanas, menos o corte, o corte cicatriza em três, quatro, dias." O médico disse, abraçando a filha. A garota então deixou as lágrimas caírem, enquanto seu choro mudo fazia todos chorarem juntos.
***
Duas semanas haviam se passado. Dianna passara na delegacia e contara tudo para o delegado, um dia após o acontecido, liberando a mãe e garantindo 15 anos de prisão ao pai. Ela e a mãe se mudariam dali uma semana para uma casa longe de sua antiga casa, que agora estava alugada, porém perto da escola.
Angus, Luana, Marley, Yumi e Liz começaram a juntar dinheiro para comprar instrumentos para poderem tocar juntas, já que sempre que estavam juntas na casa de alguma delas, sempre havia música e cantoria.
Spike vinha conseguindo manter o pai sóbrio, o homem agora estava trabalhando no abrigo e quando tivesse dinheiro suficiente, como combinado com o filho, ele iria embora e dessa vez, para sempre.
Potato e seu pai haviam criado uma amizade e lealdade ainda maior após mais conversas e busca de compreensão de ambos. A mãe de Potato sempre ficava feliz em ver o quão bem eles estavam e como pareciam agora serem irmãos, sempre grudados dentro de casa.
Curtis havia trocado de remédio para seu Transtorno de Ansiedade com Pânico, e agora havia intensificado os exercícios com seu treinador. Ele frequentava mais a psicóloga, pois sentia essa necessidade desde a última crise.
Tatanka estava melhor e mais aberta com sua psicóloga, a garota vinha sempre falando de como as coisas estavam na escola e ela estava agora somente há três meses de terminar seu curso de proteção pessoal.
China vinha pesquisando sobre religião e mitologias, tentando aprender mais e ver se acreditava em alguma coisa ou se era mesmo ateia, ela sentia que a urgente vontade e necessidade de contar aos pais sobre sua religião vinha diminuindo, assim como sua frequência na igreja dos pais, mas eça sempre comparecia quando era a vez dela cantar. Ela vinha preparando o terreno e conversando com seus pais sobre ateus e respeito, vendo que eles melhoravam cada vez mais, o que facilitava mais ainda era a ajuda de Autumn, que havia recebido um prêmio regional pela apresentação que ela montara durante as férias e finalmente apresentara.
Kurt postava mais vídeos no Youtube, estranhando não estar com o tempo apertado, sem muitas lições de casas, mas ele sabia que isso não demoraria tanto, já que eles enfim estavam chegando no final do primeiro bimestre. O garoto vinha saindo sempre que possível com Sam, aproveitando os momentos de paz com o loiro, trocando carícias e beijos durante alguns pôr-do-sol sobre o telhado da casa do fashionista. Kurt havia enfim entrado numa competição virtual de uma revista que ele amava de moda, os melhores desenhos eram selecionados e tinham cinco fases que durariam pelo ano, o primeiro desenho era um modelo de faroeste que tinha que ser misturado à fantasia. Um tema um pouco estranho, mas ele sabia o que fazer.
Sam agora fazia parte do time de futebol, dessa vez ele decidiu que iria fundo nisso, não começaria e largaria como fizera ano passado, e em seu tempo livre praticava nado, para quem sabe um dia realizar um dos seus sonhos: iniciar a carreira de nadador profissional. O loiro pensava em como faria em seu último ano, já que queria iniciar carreira profissional de nadador, mas fazia parte do time de futebol, mas havia decidido que de veria isso ano que vem, ainda era o seu terceiro ano, então uma coisa de cada vez.
Lea havia começado a fazer algumas aulas de francês por um site na internet, assim como uma aula de teclado na esquina de sua casa, e sempre ensaiava um pouco com Yumi quando elas tinham horário vago. Lea sempre ficou perto de Dianna nesse último tempo, ajudando a amiga e verificando a melhora da mesma, notificando o pai quando todos os machucados haviam sarado.
Tony e Enzo tiveram que remanejar a data do casamento, já que houvera um problema, mas a nova data seria naquele próximo sábado, um dia marcante para várias pessoas e por vários motivos.
***
Potato
O garoto se sentu no palco, observando os amigos dançando e finalizando as apresentações para o professor que pedira uma demonstração de Hip Hop no início da aula. Ela já havia visto o relógio, controlando o horário para quando iria sair com Marley e Mandy, junto de Spike, ele já sabia que logo, logo começaria a anoitecer, então logo o professor iria os liberar. Aquele ano, segundo os seus colegas que começaram ano passado, estava sendo mais pesado porque eles tinham a chance de chegar no nível internacional e viajar para a Grécia para concorrer, e isso sempre a deixava pensativa sobre como seria chegar na Grécia, após conseguirem passar em todos os outros. Seus pensamentos foram interrompidos por Spike, que descia as escadas em sua direção.
Potato desceu do palco e abraçou o amigo, vendo o professor ajudar o último grupo e os dispensou, desejando um ótimo fim de dia.
"Terminou o treino?" Perguntou, vendo Justin assentir.
"Você precisa de um tempo para se arrumar?" Justin questionou, vendo o outro assentir.
"Vou tomar um banho rápido e me vestir daí te encontro no lado de fora do vestiário, pode ser? Já que é de lá que eu vou sair... E então a gente se encontra com a Marley e a Mandy lá fora, okay?" Spike assentiu e Potato deu um beijo na bochecha do maior, pegando a bolsa e indo para o vestiário.
Marley
A garota revirou os olhos, tentando controlar a risada pois não queria rir de uma piada tão sem graça. Ela estava numa lanchonete junto de Spike, Potato e Mandy, vendo Spike soltar piadas infames e bestas, fazendo Potato rir, com Mandy revirando os olhos, um sorriso não deixando-a negar que achara engraçado.
"Ah, qual é, Marley! Não é engraçado?" Justin sorriu e Marley riu, se entregando, vendo os outros três comemorarem.
"Que besta." Ela disse, e ele assentiu.
"Vocês vão amanhã para o casamento do Enzo?" Potato perguntou para Mandy e Marley, vendo-as assentirem. "Você poderia ir, Justin?"
"Mas não é só para o pessoal do clube de dança?" O outro perguntou e Potato assentiu.
"Sim, mas ele deixou que quem quiser levar um acompanhante, pode levar. Então, quer ser meu acompanhante?" Justin sorriu e assentiu, abraçando o corpo menor.
"Ótimo!" Mandy exclamou, feliz. "Vamos juntos para o casamento."
...
"Vamos para a Roda Gigante!" Marley gritou, puxando Mandy e vendo Potato travar os pés no chão.
"Deus que me livre de ir nisso." Potato disse rindo, virando e indo para um outro lugar. "Se divirtam, mas eu não gosto disso, foi mal."
"Ei, Potato! Vamos nas xícaras!" Spike o chamou, correndo atrás dele.
"Vamos?" Mandy perguntou e Marley assentiu.
Assim que subiram e a roda começou a girar, elas deram as mãos, ansiosas, o coração batendo forte. Quando perceberam que a roda havia parado no ponto mais alto, elas riram.
"Que clichê." Disseram ao mesmo tempo, soltando as mãos, Mandy indo para a beirada e admirando o local abaixo, brilhando em milhares de luzes com o início da noite.
Mandy se virou ao mesmo tempo que a roda voltava a andar e ela cambaleava, sendo segurada por Marley, os corpos se aproximando.
"Você é linda." Marley disse, vendo a menor corar e sorrir.
"Você também." Mandy disse, levando as mãos para o rosto da maior, colando seus lábios.
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