Dance Club - Life Is a Suprise
8 Season 1 / Chapter 8 - Three girls, three diferent problems.
Notas iniciais
China
A garota correu atrás do professor de Artes, aproveitando que era a última aula e realmente não tava a fim de acompanhar a aula do professor de Geografia.
—Ei, Mr. Franklyn! — Ela chamou, antes que ele pudesse entrar no auditório, fazendo-o se virar.
—Ah, ei China! Não era pra você estar na sala? — Ele fez um olhar questionador, mas cúmplice. Ela assentiu e ele riu, balançando a cabeça como se entendesse. Ele entrou no auditório e com a mão a chamou. Ela o seguiu e ele se sentou onde sempre costumava ficar, praticamente acima da maioria dos outros assentos. — Me fale, o que houve?
Ele rapidamente assumiu a expressão séria e que escutaria tudo e falaria – normalmente — só no final. Ele já havia reparado nos comportamentos dela nas últimas semanas, parecia que ela estava um pouco cansada e irritada, até mesmo sem inspiração, e ela sabia que ele já havia notado isso, mesmo quando longe ela sabia que ele buscava por meios de conhecer eles e cuidar deles como um pai faria. Ele era um pai para o grupo. Ele não sabia disso, mas era.
—Você sabe que meus pais são religiosos e essas coisas. Eu sempre tentei acreditar em fosse lá o que tivesse acima de nós, mas não consigo. E recentemente, por mais que eu tente lutar contra, não adianta. Isso só me causa mais dor, me causa mais medo da reação deles, porque pra eles a crença em Deus é tudo. — China falou, limpando uma lágrima — E eu me sinto culpada por não seguir isso também, acho lindo a fé dos outros, mas eu não consigo acreditar e isso parecia tão insano de princípio, afinal, como que eu, criada e doutrinada desse modo, poderia não acreditar em Deus?
A garota desandou a chorar, e o professor a abraçou, forte e silencioso, mostrando que estava ali.
Assim que ela se acalmou, o professor a encarou e sorriu, vendo-a retribuir o sorriso, respirando fundo.
—Olha, eles não podem forçar uma crença, ou qualquer outra coisa sobre você. Isso é um fato. Não sei como eles reagiriam sabendo disso, mas isso cabe a você. A religião não deveria ter tamanho peso sobre você, ou qualquer outra pessoa. Saiba que eu estou aqui por você, assim como seus amigos. Converse com eles sobre isso.
A garota assentiu e abraçou o professor, saindo do local, aproveitando que o sinal não demoraria para bater.
Entrou na sala no mesmo segundo que o sinal batia, andando contra as pessoas que saíam da sala. Foi em direção da irmã e assim que ela terminou de guardar o material a puxou.
—Precisamos conversar. — A menor disse, vendo a irmã a encarar preocupada.
As duas foram para um canto.
—Você acredita em Deus? — Sua irmã perguntou, o olhar claramente determinado, parecia que tinha algo acontecendo e Autumn não sabia o que era, simplesmente explodia e ela tinha medo de ser algo perigoso.
—Acredito, mas não acredito na Bíblia. — Autumn respondeu simplesmente, vendo a outra respirar fundo. — E você, China?
—Não. Não acredito que haja uma força maior que me protege, enquanto outros iguais a mim sofrem coisas piores. Não consigo acreditar que nosso destino é escrito por Ele, se muitas e muitas pessoas morrem sem a intervenção divina. — China respirou fundo, tentando não se exaltar mais, como havia. — E é horrível saber que papai e mamãe vão ficar malucos comigo se souberem disso.
—Primeiro, como você já sabe, eu não compartilho da sua crença, ou falta de. Mas eu estou aqui por você, e primeiro, calma, respira fundo, não é como se eles precisassem saber agora, a não ser que você queira contar agora, aí é outro caso. — A maior sorriu, vendo a outra se acalmar e assentir, sorrindo, agora sem preocupações exacerbadas. — Agora vamos para o clube?
—Claro!
Tatanka
—Vocês agora irão trocar de duplas. Eu sei que desde o começo do ano só houveram pouquíssimas vezes que os treinos não fossem em dupla/grupo ou vocês por vocês, sozinhos. Mas dessa vez é para testar como está a coordenação do grupo. Então, comecem a montar suas novas duplas. — O professor disse, e Tatanka sorriu para Curtis, vendo-o mandar um beijo para ela, ela riu e viu Kurt vir em sua direção.
—Me concede essa dança? — Ele perguntou, brincando, se curvando. Ela riu, e assentiu.
—É o seguinte: a música que irá tocar vocês conhecem. Cada um escolhe como vai dançar, ou o tipo específico de dança. Porém, nada extremamente sensual. — O professor pediu para a banda tocar, vendo-os colocar Get Low, de Liam com Zedd.
Kurt e Tatanka se juntaram, ela na frente dele, ele abraçando ela e o início foi basicamente moverem seus corpos de acordo com a batida, imitando batidas de um coração. Então ele a pegou pela mão e a girou, voltando a colar seus corpos, deitando no chão, acompanhando a lentidão que a música assumira e ele levou as mãos aos ombros dela.
Ela segurou a respiração. Flashes da noite da festa correram pelos olhos dela e o rosto dela começou a ficar vermelho.
Kurt não percebeu, levou as mãos até as bochechas dela, e foi ali que ela segurou as mãos dele.
—Eu não consigo. — Ela disse e imediatamente Kurt se sentou. Ela respirou fundo, tentando puxar o ar que não vinha, tentando acalmar o coração e secar as palmas das mãos que não paravam de suar.
—Calma, você não está em perigo. — Kurt disse, segurando a mão dela, vendo-a se acalmar aos poucos. — Professor?
—Kurt? — O professor olhou para o aluno que o chamou com a mão, Curtis percebendo do outro lado do palco moveu a cadeira em direção da amiga.
—É um ataque, mas já ta passando. — Tatanka esclareceu, e puxou o ar uma última vez. Os outros que ensaiavam se aproximaram, sentando no palco ao lado de Tatanka. — Está tudo bem pessoal, de verdade. — Ela tentou segurar o choro que insistia em vir.
As garotas colocaram suas mãos nos ombros de Tatanka, em solidariedade. China abraçou e deixou que ela aproveitasse o abraço. O choro veio.
Autumn
A garota girou, e girou novamente. Quando estava para ficar tonta, o professor mandou ela parar. Ela parou com classe, os pés na posição correta. O professor encarou os pés, olhou para ela, para os pés novamente, e então sorriu para ela, fazendo uma singela baixada de cabeça, mostrando que mostrara e feliz pela conquista da garota. Ela sorriu, o sorriso que iluminaria mil luas, a felicidade esplendida no olhar. Para ela, um passo novo certo no ballet, era como ganhar um milhão na loteria, para quem vivia trabalhando vinte anos numa empresa que não valorizava seu trabalho.
—Dispensadas. — O professor daquela aula foi em direção ao banco colado na parede, pegou sua bolsa e encarou Autumn, que após ter pego suas coisas o encarava. — Sim, Autumn?
—Eu sei que consegui, mas tem algo mais que eu possa melhorar? — Ela perguntou, a dúvida no olhar. O professor soltou um riso nasal, ao mesmo tempo que passava seus cabelos para trás, cujo caíam na testa.
—Autumn, uma vez, foi dito à uma grande heroína que ela nunca deveria duvidar de si mesma. Pegue esse conselho. Fique feliz pela vitória de hoje, amanhã você terá mais batalhas, mas hoje fique feliz com isso. — O professor falou, e ela assentiu. — Eu sei que na sua cabeça deve estar passando o discurso que eu escutei no seu primeiro dia aqui que seus pais falaram: "Trabalhe duro, dez vezes mais os outros, uma garota como você não tem as mesmas chances.", e de fato não tem, mas não cobre tanto de você, isso não faz bem para ninguém, além de que você foi e é excelente.
Ela sorriu e agradeceu, vendo o professor sair do local. Ela olhou para o espelho e foi em direção à caixa de som, aproveitou que tinha exatamente vinte minutos antes que o próximo professor entrasse e largou a própria bolsa, deixando-a cair no chão.
Após alguns passos, de Piruetas a Jeté, ela sequer percebeu a batida na madeira da porta.
—Autumn... — China chamou, fazendo a irmã sair do transe. — Vamos?
—Vamos. — A garota limpou a pele negra do suor e pegou sua toalha, secando o suor. Ela pegou a bolsa e foi para o banheiro, onde colocou uma regata e por cima um blusão. Colocou uma legging e saiu, vendo a irmã sorrindo para ela. E irmão pegou na mão da outra e juntas elas foram para a casa, onde provavelmente seus pais ainda não estariam.
—Eu te amo. — Autumn disse, vendo a outra sorrir contente, um pouco emocionada, a maior não entendia o porquê de aquelas palavras serem tão impactantes na irmã.
—Eu também te amo. — A outra disse, com o coração apertado, pois ela sabia que a irmã era a única que sempre iria a aceitar por ser quem era, por isso ela sempre ficava tão emotiva com o 'eu te amo' da mais velha. — Podemos parar no shopping antes?
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