Dance Club - Life Is a Suprise

17 Chapter 7 - "Who we are?! Girl Power!"


Notas iniciais
E como antes dito, eu voltei mais cedo! Recomendo que escutem Beautiful Trauma da Pink! partindo do POV das garotas da banda, okay? Tipo, vocês vão entender o porquê depois aokdsokd. Enfim, não vou me enrolar porque tenho coisas pra entregar na escola amanhã, já que essa é a semana final (AMÉM, FOI ISSO QUE EU PEDI SIM SENHOR!) da escola. Espero que as coisas estejam melhores pra vocês. Boa semana, até semana que vem! ♥

Chapter 7 – “Who we are?! Girl Power!”

Tatanka

“Graças a Deus que já é o mês de terapia, eu já estava me remoendo sobre tudo que queria compartilhar com você. Preparado pra saber das tretas que aconteceram esse último mês?" O terapeuta riu, assentindo. "Primeiro, eu achei pertences da minha descendência indígena e estou estudando sobre isso. Já volto nisso, mas estou colocando tópicos mentais pra não me perder. Segundo, entrou esse novo menino, Max. Terceiro, China deu uma aula para nós do clube de dança sobre assexualidade. E quarto, eu e Curtis finalmente assumimos o namoro." Ela estava sorrindo, a felicidade refletida nos olhos. O terapeuta sorriu e anotou na ficha que carregava.

"O primeiro tópico eu descobri esses dias lá em casa. Quando a gente morava perto dos meus avós, sempre via coisas da minha linhagem e que meus avós falavam que eu adquiriria quando fosse a hora certa e aparentemente, está se aproximando de acordo com minha mãe." Ela se ajeitou no sofá, tirando os all-star branco. "Eu fiquei muito feliz, porque como sabe eu sou Sioux e eu nunca me importei tanto com isso lá perto dos meus avós, acho que porque lá era comum descendentes indígenas, mas por aqui as pessoas nos olham com estranheza, sabe?"

“Então você percebeu a importância de suas ancestralidades.” Afirmou o terapeuta, vendo-a assentir.

“Sim. É estranho como damos conta da importância de algo quando somos ‘ameaçados’ ou perdemos aquilo.” Ela refletiu e balançou a cabeça. “Enfim, entrou esse novo garoto, o Max e ele é super gente boa. A apresentação que ele fez foi linda! Tinha rosas caindo no palco, chuva e músicas antigas como Singin’ in the rain. Nós vencemos a segunda parte da Competição graças a idéia dele.” Ela lembrava do dia da vitória como nunca, todos felizes pelo que viria a seguir. “Consequentemente agora vamos para a Grécia daqui um mês para a última fase da Competição. O único problema de termos vencido é que o pessoal do time contra nós fica nos atacando. O estranho é que eles também vão, afinal, estão em segundo lugar. Nisso tudo, já deu tanta confusão, eles tacaram ovos no carro do nosso professor e ainda tentaram acertar a gente, sorte que previmos e estávamos com guardas-chuva. E não acaba, vivem mandando cartas para Angus e ofendendo ela por ser trans e negra. Ela já tentou dar queixa na polícia, mas esta ficando cada vez mais difícil com esse Presidente nosso que foi eleito.”

“Trump não está facilitando pra ninguém. Mas não tem como ela pedir ajuda de alguém da família?” O terapeuta perguntou e ela assentiu.

“Ela tem um tio que é policial e está ajudando ela, assim como a mãe que é advogada. Eles estão olhando tudo que for possível para processar esse pessoal. Até porque há vídeos na internet dela sofrendo bullying, deles escrevendo a carta e xingando-a... eles não vão se safar dessa.” Ela sorriu contente. “Voltando... minha amiga China se descobriu assexual e contou para nós, praticamente deu uma aula super explicativa sobre o que significa. O pessoal deu bastante suporte e buscou mais além das aulas, leu alguns relatos de pessoas que são e vimos como é viver numa sociedade que prioriza a atração sexual até demais, excluindo as pessoas que não sentem. O que é louco, já que estamos nesse ciclo doentio: um grupo maior inferioriza outro e esse inferiorizado tem várias ramificações e o grupo que ‘domina’ esse grupo inferiorizado inferioriza quem eles lidam como errado.” O terapeuta assentiu, seguindo a lógica.

“Hétero, gay, bi e então assexual.” O terapeuta disse e ela assentiu. “Eu só não digo pansexual porque em geral, pansexuais são pessoas mais marginalizadas, então eles têm mais consciência sobre como é ser inferiorizado e ter o cuidado para não o fazer com outro grupo marginalizado. Pelo menos eu e todos que conheço são assim, mas com certeza deve existir algum que foge disso. É triste ver que a comunidade LGBT+ é controlada pelos que tem mais visibilidade, cujo são os gays, até a bandeira que usamos como símbolo LGBTQ é a Bandeira Gay.” Tatanka assentiu, lembrando da conversa que tivera com China, Dianna, Sam, Lea e Kurt recentemente sobre esse mesmo assunto. “A maior parte das visibilidades são de homens gays e brancos e nesse processo, todo o resto acaba sendo invisibilizado ou tratado na TV como... ‘farsa’ ou ‘ele é gay’. As pessoas não consideram bissexualidade, pan, poli... Enfim, desculpa, me empolguei.”

“Magina, é bom ouvir você falando sobre isso, eu e meus amigos conversamos sobre isso recentemente e chegamos a conclusão que seria incrível que fizessem uma bandeira pra representar toda a comunidade, não usar uma de um grupo só.” Ele sorriu e assentiu.

“Enfim, me conte sobre seu namoro.” Ela deu um sorriso tão aberto que parecia que o sol estava entrando na sala.

“Eu e ele decidimos parar de enrolar e nos beijamos, depois ele falou que estava apaixonado por mim e gostaria de ver onde aquilo iria, mas se eu não quisesse, a gente continuaria como amigos e tudo certo.” Os olhos dela pareciam que estavam se lembrando de um momento fofo. “Eu disse que também estava apaixonada por ele e o que mais queria naquele momento era que tentássemos. Vai completar um mês de namoro e ele disse que está planejando algo para nós.”

“Fico feliz que vocês tenham finalmente dado esse passo.” O terapeuta falou e ela sorriu, assentindo. “E como você está com os novos remédios?”

“Melhor. Esses anti-depressivos estão me ajudando mesmo.” Ela sorriu e ele assentiu, voltando a anotar as coisas.

“Há dias de baixa?” E ela balançou a mão.

“Mais ou menos. Menos em comparação com o outro. Desde a última vez que nos vimos, foram quatro dias de baixa e um que eu tentei fazer as coisas, mas me sentia inútil e quase chorei na cozinha por derrubar o prato de miojo.” Ele assentiu, anotando tudo. “mas estou melhor, esse remédio é melhor e diminui essas coisas, estabiliza.”

“Fico feliz de ouvir isso.” O terapeuta voltou a anotar, em seguida perguntando mais sobre como as coisas estavam indo.

Liz

“Então já que decidimos ir em frente, será Liberty Girls mesmo, certo?” A loira sentou na mesa da sala de detenção, vendo a professora bater palmas, feliz de vê-las indo em frente com aquilo.

“É um ótimo nome.” Elas concordaram.

“E como vão fazer sobre as apresentações?” A professora perguntou, distribuindo os seus instrumentos da então falecida aula de canto para as alunas.

“Vamos ir publicando no nosso canal do YouTube, afinal, não temos muito tempo esse ano para fazer apresentações fora da escola. E após planejarmos, queremos fazer nosso primeiro show de fato, ano que vem, só temos que decidir quando e onde, mas é algo para se pensar depois, estamos focando primeiro no agora.” Yumi respondeu, conectando o teclado.

“Ah, é uma excelente idéia.” A professora disse, lhes dando mais confiança.

“Então, partiu ensaiar. E você professora, pode gravar para nós?” A professora assentiu, pegando a câmera e iniciando a filmagem no mesmo instante que elas começaram a tocar e cantar Rock Bottom de Hailee Steinfeld ft. DNCE.

Marley (Marilene)

Ela sentou na cama do quarto de Angus e olhou para ela, a garota balançava a cabeça com os fones de ouvido numa altura que até ela podia escutar, mesmo que a distância fosse significativa. Luana conversava com Liz paralelamente, enquanto Yumi tinha um dos braços apoiados na cara, provavelmente dormindo para tentar conter a dor de cabeça que tivera depois de passarem horas ensaiando sem perceber o tempo passar.

— Gente... podemos conversar? – Angus perguntou tirando os fones enquanto virava com a cadeira para nós. Todas assentiram, até Yumi que Marilene achava estar dormindo. – Eu acabei de ver uma postagem de uma tia minha contra a “ideologia de gênero” e apesar de meu instinto ser ir lá e escrever um texto enorme, eu quero conversar com vocês sobre quem eu sou.

— Partiu. Só deixa eu me ajeitar. Yumi… vai para o lado. – A de cabelos curtos e loiros escuros disse, deitando sentando na cama direito.

— Então, eu me descobri não tem muito tempo, como já disse para vocês. E quando me descobri contei para minha mãe e ela tentou me ajudar e entender tudo para me ajudar. Meu pai soube em seguida e ficou bem confuso, mas disse que estava ali para mim quando eu precisasse. Ano que vem eu vou fazer minha cirurgia para fazer meus peitos e estou muito feliz com isso, afinal, esse é o passo mais importante para mim na descoberta de quem eu sou. Eu levei muito tempo para me entender e entender o porquê incomodava tanto os outros eu querer alterar meu corpo para como me identifico. E entendi como cada pessoa é uma pessoa e nem toda pessoa que não se identifica com o gênero importo no nascimento vai querer alterar algo no corpo. E eu só queria compartilhar isso porque eu me sinto segura para conversar com vocês sobre isso. – Abraçamos ela, sem falar algo. Sabíamos que aquele momento era um daqueles que não se fala imediatamente, se abraça e consola pelos gestos.

Ficamos todas abraçadas por um tempo, pensando no que dizer e deixando com que Angus pensasse, deixasse o choro cessar.

...

Pegou o refrigerante de dois litros e sentou-se na frente das amigas.

— Hoje o dia está bastante emotivo. – Ela disse, e viu as amigas assentirem. Todas tinham algumas manchas quase invisíveis abaixo dos olhos após compartilhar suas histórias mais profundas após Angus ter começado.

— E bota emotivo nisso. – Disse Luana, fazendo todas rirem.

— Eita quanta gostosa numa única mesa! – Um cara da mesa ao lado cantou as meninas, fazendo-as encurvar e tentar ficar o mais longe do ser humano, enquanto os amigos riam.

— Cala a boca, cara. – Marley retrucou, sendo a única que não havia se curvado ou distanciado da mesa.

— Olha só, a gostosa tem boca. – Ele provocou e ela sorriu.

— Sim, e ela serve pra mandar você tomar nesse seu cu. – As outras quatro garotas se entreolharam, vendo o cara rir. Ele tinha um sorriso branco, olhava para elas de maneira nojenta, como se fossem carne, os cabelos pretos arrumados como um leve topete, usava uma jaqueta de couro preta com um símbolo, símbolo que elas reconheceram como do grupo rival.

— Calma, baby. Vamos nos divertir essa noite, que tal? – Ele perguntou, se levantando e levando as mãos para a cintura de Marley, que não hesitou e lhe deu um gancho de direita, fazendo-o cair no chão.

— Se encostar em mim ou alguma outra mulher dessa maneira, eu vou te arrebentar. – Marley proclamou, olhando para o círculo ao redor delas. – Estão esperando o quê? Chamem a polícia. E vocês, não se atrevam a pegar ele e sair daqui.

— Sabia que as amigas da macaca eram outras otárias. – Um dos caras falou e Marley olhou para ele, virando a cabeça devagar, se aproximando dele e sorrindo, antes de dar um soco no nariz do loiro, vendo-o tombar na mesa e atingindo o chão com um baque surdo.

— Chame minha amiga de macaca de novo e eu te faço de tapete. – Marilene pisou no cara e ficou ali, esperando a polícia chegar no local. – Meninas, podem me pegar meu copo ali? Estou com sede.

Luana

— Quem somos? GIRL POWER! – As outras meninas bateram palmas e Marley sorriu, fingindo estar tirando um chapéu. – Menina, obrigado por defender a gente. Você é um ser incrível.

— Gente, não tem o quê agradecer, não. Eu fiz o que temos que fazer, nos posicionar umas pelas outras. Por quem não consegue se defender. – Luana abraçou a amiga, vendo-a rir.

— Enfim, galera, eu tenho que ir pra casa agora. Temos aula amanhã. – Liz lembrou e abraçou as amigas, indo para o carro.

— Espera aí! Você pode me dar uma carona? – Yumi perguntou e a loira assentiu, então a morena deu beijos nas bochechas das amigas e correu para o carro da loira, sentando no carro do passageiro.

Luana continuava abraçada em Marley, vendo Angus pedir licença para ligar para os pais. Marley sorriu para ela, que sorriu de volta.

— Você é muito fofa. Como isso é possível? – Marley perguntou, vendo Luana rir e corar, tentando esconder o rosto com as mãos.

— E você é muito linda. Como isso é possível? – A garota respondeu, vendo a outra agradecer e sorrir. Luana se pegou admirando o sorriso da loira, então desviou os olhos para os lábios da mesma. Sem perceber seus atos, ela levou uma das mãos para o rosto da outra e o virou para si, colando seus lábios num selinho demorado. Elas se afastaram um pouco depois, Marley sorrindo entendendo algumas coisas. – Desculpa.

— Não se preocupe. Desculpe eu por não poder te corresponder. – Luana negou, sorrindo.

— Não controlamos o que sentimos. Você é hétero e por mais que eu gostaria que você retribuísse, não é pra ser. Não é sua culpa. – Luana deu um beijo na bochecha de Marley e elas soltaram as mãos que não haviam percebido estarem dadas. – Manda um beijo para Angus por mim.

E assim a garota saiu para a noite, plugando o fone no celular e selecionando Beautiful Trauma de Pink.