Danças e Surpresas

1 Capítulo único


Notas iniciais
Yay! Mais Victuri p preencher minha alma e alimentar minha vida! Como coloquei na sinopse (que está péssima, por sinal, gente, eu odeio fazer sinopse, como vocês sabem...), o Yurio aparece aqui. Há algum tempo já eu queria colocá-lo em alguma fic. Na verdade, o que mais queria era enquadrá-los como a família que são. Espero fazer mais coisas assim. Foi a primeira vez que escrevi o Yurio e foi um tanto interessante p mim, eu acho. Bem, espero que gostem, porque eu realmente amei escrever essa fic ♥ só o fato de Yuri on Ice / Victuri ter me re-revigorado p escrita já me deixa indescritivelmente feliz. Então boa leitura e me avisem sobre qualquer erro, mas também me deixem saber o que acharam da fic. ♥

Estava quente. E extremamente confortável. Senti o ar penetrar minhas narinas devagar e tentei me mexer, mas havia um peso, que não demorei a descobrir ser a coisa quente, e, muito lentamente, as cores de meu quarto preencheram minha visão, a luz do Sol que entrava pela fresta da cortina na janela, a faixa clara que gentilmente tocava o rosto de Yuuri.

Ah... nós havíamos pegado no sono, então. Lembro de estarmos discutindo alguns pontos sobre as coreografias dos novos programas antes de apagarmos – ou será que houve algo mais antes disso?

Remexi-me devagar e observei Yuuri a fazer o mesmo. Meu braço estava um pouco dormente, mas eu não queria de maneira alguma retirá-lo debaixo da cabeça dele. “Yuuri,” talvez acordá-lo – o que eu havia decidido com muito pesar em meu peito – devagar fosse uma melhor opção a tirá-lo do sono por movimentos bruscos. “Yuuri, acorde.” Afundei a ponta de meu nariz em seus cabelos, cujas mechas longas, que ele deixava agora crescer, acomodavam-se em sua bochecha.

Um múrmuro foi tudo o que recebi como resposta. “Yuuri, eu preciso mover meu braço.” Observei suas sobrancelhas formarem uma ruga em sua testa e ele remexeu-se novamente, deixando que eu movesse o braço que formigava um pouco. “Desculpe, amor.” Beijei seu rosto.

“Victor, me deixe dormir.” Sua voz estava muito rouca e as palavras, completamente embaladas no sono junto com ele, quase não conseguiam se completar.

“Eu vou buscar um pouco de café, ok? E então me prometa que vai levantar.” Beijei seu rosto novamente e recebi um novo múrmuro. Sorri diante da pequena irritação de meu noivo e deixei o quarto.

Quando voltei, Yuuri estava mais enrolado no edredom do que antes, suas mechas longas e bagunçadas ondulavam por seu rosto e travesseiro, seu rosto sereno e adormecido ainda iluminado pelo raio de Sol que atravessava a janela, tocando-o gentil e belamente, como toca o rinque de gelo de Hasetsu por muitas vezes ao fim do entardecer.

Deixei as xícaras de café sobre a mesa em frente à cama e chamei por Yuuri mais uma vez, enquanto caminhava até as cortinas, mas não houve qualquer resposta. Puxei o tecido de cor grafite, separando-o em dois, e todo o quarto foi brutalmente iluminado, tingido, em sua maioria, de branco, grafite e azul.

Novamente, as sobrancelhas de Yuuri juntaram-se, fazendo surgir uma ruga em sua testa, e suas pálpebras apertaram-se a fim de protegerem seus olhos da claridade. Eu sentia-me um pouco cruel por aquilo, mas não podia deixá-lo desregular seu sono dessa maneira, não faria bem para sua saúde.

Deitei ao seu lado, abraçando-o com pernas e braços por cima do edredom, e escondi meu rosto da curva de seu pescoço. “Yuuri,” Um novo múrmuro, mais uma vez. “Yuuri, acorde. Disse que levantaria depois que trouxesse o café.” Bem, na realidade, Yuuri nada havia respondido quando disse para fazê-lo ao meu retorno com as xícaras, mas minha tentativa valia a pena. “Wake up, my sleeping beauty.” Deixei alguns beijos por seu pescoço, ainda abraçando-o, e então um suspiro irritadiço veio.

“Você é tão bonito enquanto dorme, Yuuri, desculpe-me por ter de acordá-lo.” Movi-me para deixar um selinho em seus lábios e só então Yuuri fez algum esforço para abrir os olhos. “Wow, meu príncipe encantado parece ainda estar vivo.” Sorri e fui empurrado devagar por um japonês muito sonolento e preguiçoso, e também um pouco irritado. “Fico feliz que tenha acordado.” Inclinei-me para beijar seus lábios de novo e então levantei-me a fim de pegar as xícaras com café.

Ouvi Yuuri bocejar, ele já estava sentado quando o entreguei uma das xícaras. Sentei-me na cama e beberiquei meu café quente e fresco, observando Yuuri assoprar o seu antes de fazer o mesmo. A careta que veio foi esperada por mim e eu não pude deixar de dar uma risadinha. “Sei que não gosta de café, mas imaginei ser uma boa opção já que foi tão difícil de acordá-lo.”

Yuuri descansou a xícara no colo, seus olhos estavam levemente inchados pelo sono e suas bochechas pareciam maiores, também. Ah, eu queria apertá-lo para sempre! “Que hora é agora?”

Busquei pelo relógio sobre a pequena mesa e respondi. “Quase meio dia. Não acredito que cochilamos.” Ri. Yuuri e eu costumávamos acordar cedo, por volta das seis ou sete da manhã e assim havíamos feito hoje. Saímos para nossa corrida diária, voltando ao apartamento, tomamos banho para nos livrarmos do suor e deitamos para discutir sobre os programas – estou quase certo de que era sobre os programas que falávamos antes de acabarmos dormindo.

“Do que está falando? Você foi o primeiro a pegar no sono.”

Eh?” Observei-o bebericar o café enquanto suas sobrancelhas se juntavam levemente por conta do sabor forte.

Após Yuuri se levantar, cuidamos de preparar o almoço, usando algumas coisas que havíamos comprado na volta de nossa corrida matinal. Então, depois de comer, levamos Makkachin para passear na praia. Ele corria feliz e ora ou outra molhava as patas na água do mar.

“O cheiro do mar aqui é diferente.” Yuuri comentou, apertando minha mão dentro do bolso de meu casaco.

“Você acha?”

Ele fez um leve sinal de sim com a cabeça com um sorriso pequeno nos lábios enquanto fitava o horizonte feito de água e céu. Caminhávamos sem pressa e eu fiquei a admirá-lo. Erámos rodeados pelo som da brisa muito leve, das pequenas ondas, das aves e de Makkachin a brincar.

Então eu parei e recebi o olhar um pouco confuso de Yuuri, o qual retribuí com um sorriso. Livrei meu bolso de nossas mãos e beijei a aliança em seu dedo. “Você é lindo.” Suas bochechas ganharam cor instantaneamente.

“Victor...” Ele disse meu nome na tentativa de me repreender, mas seu tom de voz o traía completamente.

Segurei seu queixo e o beijei, ele retribuiu, segurando em meus braços. Quando nos separamos, Yuuri surpreendeu-me com vários beijos em meu maxilar e bochechas e eu ri, adorando a atenção, antes de abraçá-lo sobre os ombros e aspirar o cheiro gostoso de seus cabelos. Seus braços rodearam minha cintura e eu apertei o abraço por alguns poucos segundos.

Minha boca estava próxima à orelha de Yuuri e eu aproveitei para cantar a letra de uma das músicas românticas de que eu gostava.

“Victor, você continua cantando essas músicas em russo e nunca me diz o que significam.”

Voltei a encará-lo, meu polegar de volta ao seu queixo. “Significa que você aquece meu coração e me faz feliz.” Beijei a ponta de seu nariz e constatei, novamente, a coloração em suas bochechas. Desta vez, porém, os dedos de Yuuri voltaram a se entrelaçar com os meus e ele sorriu sincero para mim. Nos beijamos novamente e nos separamos quando as patas de Makkachin colidiram agitadas com minhas costas.

Sorri, abaixando-me para acariciar as orelhas peludas e receber algumas lambidas em meu rosto. Yuuri fez o mesmo e então as lambidas e agitação foram alternadas entre nós dois.

Quando voltamos ao apartamento, nos ocupamos em finalmente organizar algumas coisas que estavam jogadas pelo chão de nosso quarto – o quarto que não era mais apenas meu, o quarto que agora era de Yuuri, também –, havíamos decidido não discutir a pequena bagunça ao longo da semana, uma vez que nossos treinos ocupavam integralmente nosso tempo. Como estávamos de folga naquele dia, resolvemos arrumar. Nenhum de nós estava mais aguentando olhar para aquelas pequenas pilhas de roupa aqui e ali e não demoramos e levá-las todas para o closet – outra coisa que agora eu dividia com Yuuri.

Enquanto separávamos as peças, encontrei uma gravata de que gostava muito, era azul escura e era exatamente a mesma que eu usava na noite do banquete em que dancei com Yuuri pela primeira vez, a noite em que me apaixonei por ele pela primeira vez. Ainda sentado no chão, encarei o grande espelho a alguns metros de mim e comecei a ajeitá-la ao redor de meu pescoço.

“Yuuri, o que achou?”

Yuuri aproximou-se.

“Lembra-se desta gravata? É a mesma que eu estava usando no banquete.” Sorri. Não era preciso especificar a qual banquete eu me referia.

Uh, lembro apenas pelas fotos que me mostraram.” Ele falou, parecendo um pouquinho sem graça. Eu honestamente ainda não acreditava em como Yuuri podia não se lembrar de nada daquilo...

“Como fiquei?” Endireitei minha postura, fazendo pose para ele. Era apenas uma gravata velha ajeitada numa camisa cinza de mangas levantadas, não era como se eu esperasse realmente uma avaliação de look.

“De que importa se fica melhor quando eu a tiro.” Yuuri disse, surpreendendo-me tanto pela frase quanto por agarrar a gravata e puxá-la ao abaixar-se um pouco à minha altura.

“Você sabe que amo quando faz isso.” Eu não sabia ser tão forte minha coisa por puxões em gravata antes de conhecer Yuuri.

Ele deu uma risadinha e um sorriso belíssimo desenhou-se em seus lábios. “Sei.” Descansei as mãos em sua cintura quando ele montou em meu colo para logo me beijar. Não sei de onde havia saído tudo aquilo tão de repente, mas era Yuuri, e surpreender-me era uma característica forte sua e também uma de minhas preferidas.

O beijo de Yuuri deixava-me completamente louco, sua língua, vez ou outra, deslizava sobre meus lábios, que então eram sugados ou mordidos em seguida. Às vezes eu mal podia acompanhá-lo, porque deixava-me levar por inteiro nas sensações que me causava. Sua confiança em constante crescimento atuava muitas vezes nesses momentos e isso me deixava imensamente feliz, saber que ele se sentia bem consigo mesmo daquela maneira.

Ele puxou minha gravata mais uma vez e sorriu enquanto afundava os dedos em meus cabelos para puxá-los também, fazendo-me encará-lo.

“Yuuri,” sorri de volta para ele antes de ter meu lábio inferior preso entre seus dentes. “Hmm,” murmurei quando ele o soltou e passei a língua por cima da região tocada há dois segundos. Yuuri moveu o quadril sobre meu colo e deslizou sua boca sobre a minha antes de voltar a me beijar. Mesmo com toda sua atitude, pude perceber que o leve rosado não havia deixado suas bochechas.

“Você quer que eu a tire?” Ele perguntou, interrompendo o beijo, mas mantendo o contado entre nossas bocas, sua voz tinha um tom provocativo que mais parecia uma ordem e fazia minha mente ser jogada num haze do qual eu dificilmente iria querer sair.

“Sim, por favor.” Não era minha intenção sussurrar, mas não foi nada mau.

Senti sua mão livrar meu cabelo para juntar-se à outra na tarefa de desfazer o nó de minha gravata e não demorei a senti-la afrouxar. Deslizei meus dedos para debaixo do tecido de sua camisa e toquei sua pele quente, sentindo-o arrepiar-se. Yuuri era um tanto sensível, não sei se por simplesmente ser ou por ainda ser novo em tudo isso, mas era indiscutivelmente adorável e eu não tinha como não amar descobrir cada coisa sobre ele e fazê-lo juntos.

Yuuri começou a desabotoar minha camisa e, no processo, livrou meus lábios para tocar meu pescoço. Seu quadril moveu-se de novo e eu arfei seu nome, apertando suas coxas – ah, como amo as coxas de Yuuri. Na realidade, amo todo seu corpo, cada pedacinho. Tudo no Yuuri merece atenção e apreço. Amo suas curvas – e, ah, que curvas –, suas pernas grossas e bem trabalhadas, os pontos mais cheinhos de seu corpo, que felizmente ainda existiam, suas estrias, suas mãos... Por cada parte do corpo de Yuuri, por cada parte dele, sou completa e infindavelmente apaixonado.

“Victor,” A voz de Yuuri veio diretamente ao meu ouvido.

“Você é tão bonito, Yuuri.”

Não houve qualquer resposta de Yuuri, mas suas mãos descansaram em meus ombros e ele me empurrou devagar até que minhas costas estivessem completamente contra o carpete. Então ele me encarou e por um momento eu honestamente não soube o que era respirar.

“Você está tão bem assim.” Eu disse, minhas mãos mais uma vez deslizando por suas coxas, que pareciam ainda mais firmes daquele ângulo.

“Eu sei.”

Algum dia desses o Yuuri vai com certeza me matar e certamente será uma morte magnífica.

“Me pergunto se estou bem como você, nesse momento.” Sorri de canto e o observei a morder o próprio lábio.

“Você sempre está ótimo, Victor.” Ele sorriu um sorriso que nada combinava com a situação e que se tornou ainda mais fora de contexto quando seu quadril moveu sobre meu colo, num movimento muito sedutor e fluído, e eu arfei. Yuuri estava pressionando exatamente a ereção que se formava sob minhas vestes e a visão que eu estava tendo sua me causava sensações que alternavam em derreter em meu cérebro e pênis.

Yuuri inclinou-se e capturou um de meus mamilos entre seus lábios e eu não pude evitar o gemido que dei, ele sabia quais eram meus pontos mais sensíveis e nós dois estávamos muito contentes pelo uso desse conhecimento. Agarrei seu cabelo quando ele mordiscou, ainda se movendo em meu colo.

“Yuuri, ahnn...”

Então Yuuri voltou à posição anterior e eu o encarei, apoiando-me em meus cotovelos. Yuuri tinha um semblante perigoso no rosto, ainda que o embaraço vivesse em seu olhar, eu estava verdadeiramente feliz em ver toda aquela confiança lá, também.

Ele pressionou certeira e vigorosamente minha ereção com seu íntimo e minha cabeça pendeu para trás com a sensação. “Y-Yuuri...”

“Você é muito fácil, Victor.” Havia um tom brincalhão em sua voz e eu o ofereci um sorriso torto.

“Apenas para você, amor.”

Is that so?” Yuuri moveu-se mais uma vez e eu gemi baixinho, voltando a descansar sobre minhas costas, minha cabeça de novo pendendo para trás.

A gravata, mesmo desfeita, ainda estava ao redor de meu pescoço e Yuuri aproveitou para puxá-la outra vez, tomando minha boca ao inclinar-se sobre mim.

“Yuuri,” suspirei seu nome entre o beijo. “Tire essa camisa.” Ergui a barra de sua camisa e Yuuri imediatamente se livrou dela. Segurei sua cintura e movi-o sobre mim ao mesmo tempo em que ergui meu quadril em busca de maior fricção.

Ahhn,” um gemido abandonou sua garganta e alguns mais vieram ao passo que eu continuava com aquilo. “Victor,” meu nome saiu de sua boca como um alívio.

Decidi, então, que era hora de acelerar as coisas e, erguendo-me para segurar sua cintura e costas, e sendo muito cuidadoso, inverti as posições. Os olhos de Yuuri se arregalaram no primeiro momento, mas tão logo ele sorriu para mim um de seus sorrisos que fazia parecer que o Sol era a estrela mais miserável no universo, e nos beijamos – sem demora, desta vez.

Yuuri abraçou minha cintura com as pernas e seus dedos voltaram aos meus cabelos quando passei a dar atenção ao seu pescoço. “Yuuri, você é tão bom. Tão bom. Moi Yuuri.”

Vkusno,” ele deu uma risadinha sincera e eu não pude deixar de fazer o mesmo.

“Você é lindo, Yuuri.” Beijei sua têmpora, sendo um pouco atrapalhado por seus óculos.

Yuuri estava tão lindo. Como disse, seu cabelo estava crescendo e eu acho que não devia ter ficado surpreso em ver o quão bonito ele estava, porque, sinceramente, Yuuri fica bem de qualquer jeito.

Concentrando-me no que fazia, movi-me contra seu corpo, pressionando minha ereção em seu íntimo, e ele soltou um gemidinho, agarrando o tecido aberto de minha camisa. Movi-me novamente e suas pernas abandonaram minha cintura e abriram-se ao meu redor. Só aquela visão já tinha o poder de arrancar um gemido de mim.

“V-Victor...” Junto com a voz baixa e um pouco arrastada de Yuuri veio o latido de Makkachin e, quando nos demos conta, ele vinha em nossa direção. “Ma-“ Imediatamente quando nos alcançou, começou a lamber o rosto de Yuuri, que tentava contê-lo, mas sem muito sucesso.

Esforçar-me para segurar a risada foi muito mais difícil do que eu imaginei, apesar do momento completamente inconveniente. “Makkachin, brincamos com você daqui a pouco, ok?” Dizer aquilo serviu apenas para chamar sua atenção para mim, pois, no momento seguinte, era meu rosto que ele lambia. Ri, segurando em suas orelhas para tentar contê-lo, assim como Yuuri. “Makka...” Ele não parecia muito disposto a desistir de nossa atenção, latiu e continuou a me lamber, agitando-se todo. Olhei para Yuuri, procurando por alguma ajuda, mas ele parecia tão perdido quanto eu. Como Makkachin podia me trair daquela forma?

“Você trocou a água dele?” Yuuri perguntou e eu apertei os olhos por um momento, em completa decepção comigo mesmo.

Yuuri jogou a cabeça para trás, parecendo decepcionado também – e um pouco envergonhado, eu arrisco dizer. Dei uma risadinha enquanto acariciava as orelhas de Makkachin. “Me perdoe por isso, Makka. É água que você quer, huh? Como pudemos esquecer?” Makkachin, ainda agitado, afastou-se, mas percebendo que eu não o seguira imediatamente, parou à porta do closet e ficou esperando com a língua para fora.

“Victor."

“Yuuri, vamos terminar isso mais tarde?” Inclinei-me para beijá-lo e mover-me novamente contra sua ereção, infelizmente já não tão desperta.

A-ahn, Victor,” ele gemeu baixinho e respirou meu nome antes de ter o lábio inferior entre meus dentes. Eu o puxei e movi-me de novo. “V-Victor... Makkachin está aqui.”

Sorri e ofereci-o um, dois, três, quatro selinhos além de alguns beijos pelo rosto. “Yuuri,” arrastei seu nome em minha língua propositalmente da maneira mais lasciva que consegui.

“Victor!”

Makkachin latiu e eu ri, levantando-me finalmente e com muito esforço. Suspirei, não querendo acreditar que havíamos sido obrigados a parar com o que estávamos fazendo e interromper o que estava prestes a acontecer. Mas, bem, não era como se Makkachin tivesse alguma culpa, afinal.

Mais tarde, porém, não tivemos como continuar. Eu havia esquecido completamente que Yurio passaria a noite conosco e apenas quando Yuuri avisou sobre sua mensagem, informando que estava quase chegando, foi que me lembrei. E eu não podia sentir-me mais frustrado. Era como ter filhos e pouca privacidade.

“Você está exagerando, Victor.” Foi o que Yuuri falou quando verbalizei meu pensamento acima para ele. “Não é como se Makkachin... nos atrapalhasse... em... qualquer coisa.” As palavras iam morrendo em sua frase ao passo que seu rosto ganhava cor.

Cerca de dez minutos depois Yurio estava na portaria do prédio e tão logo a campainha de meu apartamento tocou.

“Eu nem acredito que conseguimos convencê-lo de vir.” Yuuri falou em algum momento.

“Eu apenas aceitei para vocês dois pararem de me encher!”

Yurio já havia estado em meu apartamento uma vez, mas esta seria a primeira em que passaria a noite. Era engraçado e imensamente confortante pensar em como Yuuri nos aproximou. Estive acompanhando Yurio desde quando ele era ainda criança, embora não trocássemos muitas palavras que não tivessem a ver com a vida dentro do rinque de gelo. Yuuri fez com que nós nos aproximássemos de uma forma diferente, de um jeito melhor. Yuuri, assim como fez por mim sem sequer dar-se conta, fez muito por Yurio e Yurio confiava em Yuuri e o admirava de verdade.

Agora eles tentavam decidir o sabor da pizza que pediriam, passando de opção para opção no menu disponibilizado por um aplicativo x no celular de Yuuri. Ambos buscaram por minha opinião, mas deixei que eles decidissem, queria que fosse uma surpresa.

“Seria bom se tivesse pizza de katsudon.” Abracei Yuuri por trás, descansando meu queixo em seu ombro.

Gross!” Yurio disse, atirando em mim um guardanapo amassado.

“Yurio, por que não nos trouxe pirozhki de katsudon? É tão gostoso... Seu avô é um gênio!”

“Eles não são para você.”

Eh?”

“Pedido feito.” A voz de Yuuri juntou-se a nós.

“Onde é que eu vou dormir?” Yurio perguntou e eu dei uma risadinha por seu tom desnecessariamente agressivo, que o fazia acolher ainda mais a imagem de adolescente rebelde.

“Com a gente!” Brinquei.

“Nem fodendo.”

“Ele está brincando. Há um quarto para hóspedes, Yurio.”

Mostramos o quarto a Yurio e ele deixou sua mochila em cima da escrivaninha, analisando o cômodo. “Por que há tantas luzes nesse apartamento, Victor?”

“Gosto de como ficam na decoração e acho que combinam comigo, vocês não acham?”

“Sim,” ele respondeu “egocêntrico e parece um ator pornô. Realmente combina com você.”

“Yurio!” Yuuri chamou sua atenção, mas ele pareceu pouco se importar.

Quanto a mim, senti-me um pouquinho alfinetado. “Yuuri, eu não sou egocêntrico ou pareço um ator pornô, não é?” Choraminguei.

“É c-claro que não, Victor.”

Yurio revirou os olhos, mas riu. “Vocês são dois idiotas.” Ele caminhou até a vidraça do quarto e ficou a observar o cenário de São Petersburgo lá fora. “Aqui é mesmo muito alto. Dá para ver muita coisa.” Havia um tom de admiração em sua voz e aquilo, de alguma forma, confortou-me, talvez porque era bom saber que ele estava contente em estar aqui conosco – em seu jeito Yurio de demonstrar. Ou talvez eu só estivesse pensando e enxergando demais. De qualquer forma, eu estaria mentindo se dissesse não estar preocupado com aquilo, é claro. “Olhe! Dá para ver o teatro daqui! Katsudon, você já foi ao teatro?” Yurio perguntou, sem tirar os olhos da janela, e Yuuri aproximou-se dele.

“Quando criança eu sempre ia com minha família.”

Yurio apontava na direção do teatro para que Yuuri visse.

“Não sabia que você gostava de teatro, Yurio.” Eu falei, aproximando-me também.

“Eu também ia mais quando criança, junto com meu avô, mas quando podemos gostamos de ir.”

“Quem sabe não poderíamos ir todos juntos um dia?” Sugeri. Não era uma má ideia, afinal. Há tempos eu não ia ao teatro, ainda que, honestamente, não fosse um dos meus entretenimentos preferidos. Yurio me lançou um olhar que eu já esperava receber. “Também não vou há algum tempo e podemos aproveitar para que Yuuri conheça o teatro russo.” A expressão de Yurio amenizou e ele pareceu considerar a proposta.

“É, pode ser.” Ele fingiu não se importar e voltou a admirar o cenário lá fora.

“É só... eu realmente adoraria,” Yuuri começou a dizer “mas como vou poder entender?” Eu e Yurio o encaramos, confusos. “Ou a peça é apresentada em inglês?”

Oh, that!

Yurio grunhiu e eu ri breve. “Podemos procurar por algum que não seja falado em russo.”

“Não importa. Do jeito que vocês dois enrolam nos treinos, sendo melosos e nojentos, vão precisar de tempo demais para aperfeiçoarem as coreografias. Não teríamos como ir.”

“Isso não é verdade.” Foi Yuuri quem o respondeu. “Ok, decidido: fica por conta de Yurio, procurar um teatro com língua estrangeira.”

“O quê?”

Eu ri. “Está decidido.” Abracei Yuuri e beijei seu rosto, Yurio revirou os olhos novamente.

“Vocês são dois idiotas.”

“Mas você gosta da gente.” Falei.

“Nem sonhe com isso, velho.”

Quando a pizza chegou, fiquei feliz em descobrir que era de camarão e aproveitei para tirar uma foto e postar no Instagram.

“Você é um idiota.” Ouvi Yurio dizer – de novo – enquanto eu escolhia um filtro para a foto. Ele próprio quem nos serviu, Yuuri havia colocado os pratos e copos sobre o balcão – preciso dizer: o pequeno fato de Yuuri já ter decorado onde fica cada coisinha e ir diretamente a elas quando precisa me deixa imensamente feliz, porque mostra como ele já está habituado ao que agora é nossa casa.

Sentamos todos no sofá e ligamos a televisão, mas apenas por ligar, porque nenhum de nós prestou real atenção no que passava. Eu ainda mexia no celular – mas pretendia parar o quanto antes, porque deixar a tela engordurada não era minha intenção – e portanto aproveitei, de novo, para tirar algumas fotos. Uma delas eu não podia simplesmente não postar: um grosso filete de queijo ia do pedaço de pizza à boca de Yurio e ele esforçava-se para finalmente cortá-lo entre os dentes. Yurio is having some trouble with his pizza era a legenda. This is the light of my life era o que estava escrito em uma das fotos postadas, nesta estava Yuuri, sorrindo, com seus olhinhos fechados e o pedaço de pizza em uma das mãos. Meu peito aquecia apenas de olhar para a foto.

Deixei o celular de lado depois de uma selfie com os dois e com Makkachin e nos perdemos em um assunto qualquer até algum tempo depois de terminarmos a pizza. Eu estava verdadeiramente satisfeito com o modo como Yurio e Yuuri estavam se dando um com o outro. No momento, por exemplo, Yurio descansava os pés no colo de Yuuri – que acariciava as orelhas de Makka.

“Que merda de foto é essa, seu velho?” Não era como se eu já não estivesse esperando pela explosão de Yurio quando ele visse sua foto postada em meu Instagram, mas acho que eu devia ter esperado pelo chute em minha perna, também. “Não ria, Katsudon!”

“Você está fofo.” Yuuri falou.

“Fo- argh, é uma perda de tempo falar com vocês.”

Mais tarde, ao acessar minha conta, deparei-me com uma foto em que eu e Yuuri estávamos na cozinha, meus braços em torno de seus ombros enquanto eu beijava sua cabeça. Eu odeio os dois era o que dizia a legenda, mas todos nós sabíamos que as palavras não significavam aquilo de fato. Havia também uma ou duas fotos de Makkachin em seu Instagram e fiquei feliz em ter finalmente certeza de que Yurio não odiava cães.

No outro dia, como de costume, fui o primeiro a acordar. Preparei um pouco de café e me sentei à pequena mesa na sala, ligando o notebook. Coloquei uma música de meu agrado e humor para aquele instante, calma e instrumental em grande parte, e fiquei a cuidar da minha vida.

Cerca de uma hora havia se passado quando a voz de Yuuri alcançou meu sentido. "Victor,” virei-me para ele. “Bom dia.”

Sorri e levantei. “Sem sustos hoje?” Havia um brilho divertido nos olhos castanhos de Yuuri quando ele sorriu de volta para mim. Tinha se tornado um pouco comum, eu ser pego de surpresa por ele: quando acordava e decidia me concentrar em algo, Yuuri sempre dava um jeito de me assustar – de maneira agradável –, como quando, muito silenciosamente, me abraça por trás e diz bom dia— às vezes ele também beija meu rosto ao fazê-lo, quando minha posição permite. Eu não me incomodava em ser pego de surpresa assim. Na realidade, achava bastante adorável e o que mais eu poderia querer se não um Yuuri Katsuki de repente em frente aos meus olhos? E melhor: me abraçando!

“Bom dia, meu amor.” Eu disse, finalmente, e trocamos um selinho.

“O que você está fazendo?”

“Dando amor à luz da minha vida.” Eu segurava o rosto de Yuuri com uma das mãos enquanto deslizava a ponta de meu nariz por sua bochecha.

Ele deu uma risadinha. “Não isso.” Eu sabia que sua pergunta não se referia àquilo, mas não poderia perder a oportunidade de dizer. “Está ouvindo música...” Yuuri acariciou meu pescoço.

“E fazendo algumas pesquisas.” Eu falei as palavras, mas não consigo dizer se as escutei realmente, meus olhos se concentravam no rosto de Yuuri e eu sentia meu coração bater mais rápido, como se olhar para ele significasse me apaixonar de novo e de novo, cada vez. Que curioso, sentir algo tão forte por alguém. Admirar Yuuri como naquele momento significava várias coisas para mim, cruciais e muito positivas. Muito rapidamente, eu já não alcançava mais as coisas do passado, em que me sentia desmotivado e em que patinar já não fazia mais tanto sentido para mim. Agora eu apenas sinto esse amor gigante de Yuuri por mim e de mim para ele.

Toda vez é uma surpresa, como quando eu consegui, pela primeira vez, realizar um salto na patinação. Yuuri era como uma festa inacreditavelmente realizadora em que eu havia sido jogado e eu não poderia desejar melhor lugar para querer ficar.

“Isso é francês?” Sua voz chamou minha atenção, ele referia-se à música que tocava: uma composição lenta em acordeão e piano.

“Sim.” Sua mão segurou a minha e ele beijou a aliança dourada antes de acariciar meus dedos com o polegar.

Senti sua outra mão em minha cintura e recebi um sorriso pequeno e sem graça dele, mas notei haver muita determinação em seu olhar. Segurei em seu ombro e começamos a nos mover devagar, e ainda que Yuuri não conhecesse a música, conseguimos um ritmo harmonioso com ela.

Eu adoro dançar com Yuuri. Independente da música, independente se há música. Então ficamos assim no meio da sala, trocando algumas palavras aqui e ali enquanto dançávamos. Na metade da segunda música, nosso ritmo mudou e não mais acompanhava a composição, sequer prestávamos atenção em como a música corria, para ser honesto. Movíamos mais livremente, girando ora ou outra, e Makkachin se juntou a nós, pulando ao nosso redor e latindo com nossas risadas e empolgação. Em um dos giros, acabei escorregando, mas Yuuri me segurou firme, evitando que eu caísse, e eu rodeei seu pescoço com meus braços.

Oops, escorreguei.”

“Você está bem?”

“Graças ao Yuuri, sim.” Ele riu e nos abraçamos ao endireitarmos nossas posturas e eu firmar bem os pés no chão. Makkachin pulou em nós, ficando sobre suas patas traseiras ao apoiar as dianteiras na gente. Eu e Yuuri rimos mais e eu ainda ria quando ele segurou meu queixo com delicadeza e me fitou com um olhar cheio de ternura e amor. Nos beijamos devagar e sem pressa e quando nos separamos, Yuuri falou, um pouco preocupado:

“Acho que fizemos muito barulho, será que acordamos o Yurio?”

“Não se preocupe, tudo ficará resolvido com o daddy Victor.”

“Victor, pare com isso.” A expressão de Yuuri era séria, mas suas bochechas tinham um leve rosado.

“Por que vocês não calam a boca?”

“Yurio!”

“Que tipo de idiota tem toda essa empolgação durante a manhã?”

Makkachin correu para Yurio e ele acariciou sua cabeça felpuda.

“Yurio, nós o acordamos?” Yuuri perguntou, preocupado, ainda me segurando em seus braços.

“Com todo esse barulho, quem não acordaria?”

“Nos desculpe.”

Yurio nos encarou por alguns segundos e então disse, sem qualquer agressividade ou defesa em sua voz: “Tanto faz. Estou com fome. O que tem para o café da manhã?”

“Não preparamos nada ainda.”

“Eu fiz café.”

Ew,” Yurio pôs a língua para fora e Yuuri deu uma risadinha confortante.

“Eu também não gosto de café.”

“Victor gosta porque ele é velho.” Ele disse com maldade.

“O que tem a ver?” Eu franzi as sobrancelhas.

Nenhum dos dois me respondeu.

Fomos à cozinha, Yurio acomodou-se à mesa e eu e Yuuri nos ocupamos em pegar ingredientes para prepararmos algo.

“Que tal bliny?” Sugeri.

“Eu gosto de bliny.” Yurio disse e então concordamos que esse seria nosso café da manhã.

Enquanto eu e Yuuri cuidávamos de tudo – fiquei responsável por preparar e assar a massa, Yuuri ocupou-se em preparar suco, uma vez que ele nem Yurio tinham apreço por café –, Yurio brincava com Makkachin. O ouvíamos perguntar “você também gosta de bliny, Makkachin?” e às vezes ele erguia as mãos acima da cabeça para Makka pular, acompanhando-as.

Deixamos a louça para depois, ao terminarmos, mas concordamos que tínhamos de dar fim a esse hábito que crescia, de deixar as bagunças para depois, bem como as roupas pelo quarto e closet.

Hmm, nada mau.” Yurio falou ao comer um pedaço da massa.

“Yurio, você dormiu bem?” Yuuri perguntou, eu sabia que ele estava louco para verbalizar aquela pergunta, pois preocupava-se que o outro não tivesse conseguido descansar.

“Sim,” Yurio respondeu ainda de boca cheia.

“Fico feliz.”

“Esse suco também está muito bom, Katsudon.”

“Obrigado. Você tem que experimentar o chocolate quente que Victor faz.” Os olhos verdes de Yurio ergueram-se cheios de curiosidade para Yuuri e então para mim.

“Ótima ideia!” Eu falei, me empolgando. “Podemos ver um filme e tomar chocolate quente!”

“Nada de comédia romântica.” Yurio falou e Yuuri suspirou, aliviado.

“Nada de comédia romântica, por favor.”

“Por favor.” Concordei.

Enquanto tomávamos o café da manhã, pensei no que Mila comentou comigo brevemente há alguns dias, durante o treino: “É como se vocês fossem uma família, você e Yuuri são os pais e Yurio é o filho rebelde.” Naquele instante eu sentia que era como se fossemos aquilo, mesmo. E Makkachin ao nosso lado apenas me fazia pensar mais naquilo.

Ao terminarmos, dividimos a tarefa de lavar a louça da seguinte forma: Yurio lavava, Yuuri secava e eu guardava.

Conversávamos sobre alguns saltos em nossos novos programas e toda vez que eu me aproximava para pegar algo das mãos de Yuuri para guardar, dizia algo tipo “Olá, moço bonito,” fingindo cantá-lo. Yurio havia desistido de tentar demonstrar irritação.

Quando a louça acabou, Yurio, sem querer, deixou que um pouco de água, que estava na pia, caísse no chão, molhando um pouco de sua roupa também.

“Desculpe,” ele apressou-se em dizer.

“Não se preocupe, Yurio, deixe que nós secamos, troque essa camisa. Você trouxe alguma reserva?” Perguntei.

“Essa é do pijama, eu tenho outra.”

“Então vá vesti-la.” Yuuri pediu.

“Deixe eu ajudar primeiro.”

“Não se preocupe.” Repeti. “Tudo ficará bem com o daddy Victor.”

“Victor!” Yuuri me repreendeu e Yurio ficou confuso, mas aceitou ir trocar a camisa.

Mais tarde, saímos com Makkachin para passear um pouco, Yurio nos acompanhou. O filme aconteceu quando voltamos ao apartamento – não antes do chocolate quente ser preparado, é claro. Yuuri fazia um pouco de pipoca e, ao mesmo tempo, companhia para mim. Yurio mexia no celular, deitado no sofá.

“Experimente,” entreguei uma xícara com o chocolate quente a Yuuri e ele assoprou antes de bebericar.

“Por que isso é tão bom?” Foi o que ele disse.

“Não vai me perguntar qual o ingrediente secreto?”

“Você acha que eu já não descobri?” Yuuri ergueu uma sobrancelha e um sorriso torto e delicioso se desenhou em seu rosto. E eu não tive certeza se de fato verbalizei ou se o pequeno “what?” aconteceu só na minha cabeça.

Em minha cabeça ou não, com certeza minha cara devia estar cômica, porque Yuuri começou a rir e aproximou-se para arrumar meu cabelo atrás de minha orelha e deixar um selinho sobre meus lábios. Seu sorriso era belíssimo.

“Yuuri, quando é que vai me dizer quem colocou a luz das estrelas no seu sorriso?”

“Victor,” sua risada agora era sem graça e adorável.

“Vocês devem ter caries e diabetes.” A voz de Yurio juntou-se a nós, mas seus olhos mantinham-se no celular.

Levamos a pipoca e o chocolate quente à sala e, ansioso, entreguei a xícara a Yurio. Ele demorou um pouco para experimentar e eu acho que foi de propósito, para me deixar na expectativa. Mas quando finalmente provou, sequer precisou dizer uma palavra, porque sua expressão deixava claro que havia amado!

Assistimos a um filme de ação e mistério que nós três havíamos ficado curiosos sobre. A tigela de pipoca estava sobre o colo de Yuuri, que descansava o corpo contra o meu, meu braço rodeando seu ombro e sua cabeça em meu peito. Yurio, de início, estava sentado ao lado de Yuuri, com as pernas cruzadas em cima do sofá, mas ao passo que os minutos se iam, ele deitou o corpo sobre Yuuri. Ele também era o único com frio suficiente para cobrir-se com o lençol.

Yurio não pôde passar mais aquela noite conosco, porque tínhamos treino no dia seguinte, mas o fizemos prometer que viria mais vezes.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!