Dançando com o Mal

4 Capítulo 3 - A Ilha Misaki


Joyce segurou bem a mão da filha e respirou fundo tentando absorver a notícia. Várias pessoas no avião falavam alto e as aeromoças tentavam acalmar os mais histéricos. Alguns perguntavam como aquilo teria acontecido mas na mente de Joyce só se perpetuava uma pergunta, que ilha era essa?

— Mamãe, eu não entendi. O que tá acontecendo? — Cora perguntou assustada.

— Não se preocupe, filha. Vai dar tudo certo. — Joyce quis acreditar. No fundo sentiu uma sensação ruim, um mal presságio, um instinto ruim.

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Durante o pouso houve muita turbulência mas tudo correu bem. Diversos passageiros suspiraram quando chegaram ao chão e desceram depressa. Joyce tentou retirar suas malas da parte superior quando uma pequena mala escorregou e caiu em cima de sua cabeça. Ela não pode fazer aquilo sozinha. Um homem que estava ali perto se aproximou oferecendo ajuda.

— Meu nome é Alec, prazer. — ele disse enquanto estendeu a mão, mas Joyce estava com as duas mãos ocupadas segurando malas. Ele percebeu o erro. — me desculpe. — sorriu sem graça — deixe que eu pego estas.

—Claro. Toda ajuda é bem-vinda. — Alec pegou uma das malas da mão de Joyce e a última que estava em cima. Assim, os três desceram juntos.

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—Nossa, esse aeroporto é péssimo. — uma mulher segurando um bebê se aproximou de Joyce. — Oi, sou Anna. — a mulher estendeu a mão para Joyce que a encarou por alguns segundos. Anna parecia cansada, tinha olheiras e olhos fundos, além dos ombros caídos.

— Joyce, prazer. — ela apertou a mão de Anna e as duas sorriram. — esse lugar parece péssimo mesmo — Joyce continuou — acho que ninguém vem aqui em anos. — as duas olhavam o ambiente em volta e constatavam isso. O lugar estava acabado, ou pelo menos, abandonado. Não havia muita coisa para se ver também, só um monte de espaço de lojas vazias e um banheiro logo a frente.

—Se ninguém vem aqui a anos, esse lugar não devia estar fechado? — Anna estava com seus pés doendo então decidiu sentar num banco ali próximo — é esquisito que isso esteja aberto… Não tem nada…

— É estranho mas não sabemos nada daqui, talvez tenham algum motivo para isso…- Joyce acompanhou Anna e sentou-se no banco, Cora fez o mesmo — está sozinha?

—Sim, claro, fora o bebê.

—Estava indo ver o marido?

— Esposa, na verdade. Esse carinha aqui tem duas mães.

— Nossa… Me desculpe. — Joyce começou a corar. Por milésimos as duas ficaram em silêncio.

—Tudo bem, eu não me importo, sou um ser humano como qualquer outro — Anna respondeu e direcionou a Joyce um sorriso amigável.

De repente, elas ouviram uma voz arranhada e idosa tentando falar inglês. O velho zelador do aeroporto estava chamando o piloto e logo depois os dois tiveram uma conversa longa.

—Você não acha engraçado que o avião tenha ficado sem gasolina? — Joyce sibila para Anna.

— Olha, um pouco mas eu não entendo muito disso, então não posso ter certeza.

— Olha, a pista de pouso lá fora é muito pequena para um aeroporto normal, acho que precisaria de muita habilidade do piloto…

— … e você acha que um piloto experiente jamais ia cometer um erro tosco desses? — Anna cortou Joyce e se inclinou em sua direção.

— Exatamente…

— Senhores e senhoras passageiros, venham aqui, por favor! — o piloto grita e logo um aglomerado de pessoas se reuniram em volta dele — então — continuou — a ilha Misaki não tem suporte para hospedagem — nesse momento houveram muitos murmúrios — se acalmem, vocês poderão escolher entre as três ilhas que estão naquele painel ali para se hospedarem — o piloto apontou para o painel marrom na sua direita — vou certificar que o aeroporto pague os gastos de hospedagem e transporte.

— O aeroporto vai pagar tudo? Até parece. — Anna murmurou para Joyce enquanto tranquiliza a seu bebê, que havia começado a chorar.

— E ainda temos que escolher entre ilhas, que ridículo.

—Mamãe, eu quero ir ao banheiro. — Cora puxou o braço de sua mãe com força.

— Tudo bem, filha.

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Joyce se recostou na bancada em que estava a pia do banheiro. Estava quente e sua testa suava.

— Mamãe, aqui não tem papel higiênico. — Cora gritou. Joyce saiu da bancada e se dirigiu a cabine da direita, abriu a porta e viu o vaso sanitário todo sujo, ali não tinha nada. Foi na outra cabine a esquerda e encontrou o rolo de papel higiênico em cima da descarga do vaso. Ela entrou e subiu em cima da privada. De súbito a porta da cabine se fechou e uma fumaça gélida escapou para dentro. Joyce pegou o rolo na mão e abriu a porta assustada. Ela arregalou os olhos. O vidro que estava acima da pia estava completamente congelado, e uma frase cravada no gelo o decorava: "Por que não me salvou, mamãe?". Ela tremeu com o frio que permeava o lugar.

— Mamãe, socorro! — ela escutou Cora gritando e abriu a cabine do meio desesperada. Infelizmente, seu desespero aumentou quando viu um corpo totalmente de ébano com um sorriso assustador.

— Oi, mamãe. — a criatura disse, sua voz era masculina e retumbou em cada parte do corpo de Joyce. Ela paralisou e sua respiração acelerou. O monstro se levantou e tentou toca- lá, ela saltou para trás e escorregou. Tudo fica preto.