Dançando Na Chuva
9 Tremendo.
A aula inteira fiquei olhando algumas coisas que fizera nos últimos tempos, eu tinha vergonha de mostrá-los, para todos, Sui principalmente... Afinal, era ele que escrevia as letras, e eu tocava a melodia na minha guitarra. Ele significava tudo para mim, meus sentimentos, principalmente... Falava da minha vida, do que eu passara todos os dias, como um diário, em forma de poemas, desenhos, textos... E se alguém descobrisse sobre este caderno, minha vida inteira seria revelada, eu não queria isso ...
Consegui prestar um pouco de atenção na aula, no segundo e no terceiro tempo, mas enquanto a Sui ... Ele não tinha prestado atenção, em nenhum dos horários, estava tão distraído, mais que o normal. Ele não preocupava com a matéria quando está triste, melancólico, os momentos com ele assim se baseava em silêncio e distração, não prestava alguma da sua atenção para alguma pergunta, seu silencio, era a única resposta...Sui é uma pessoa difícil, acho que eu sou umas das únicas pessoas que o entendo, ele é diferente, ele é triste, eu queria mudar isto de sua personalidade.Tudo que eu mais queria era dizer a ele todos meus sentimentos, tudo que guardo no meu coração, os velhos sentimentos lá guardados, escondidos a sete chaves, o velhos sentimentos que foram crescendo de uma forma tão única e especial, eu nunca sentira isso por alguém, tanto afeto ... Eu estava completamente apaixonado por ele... Eu estava afundando em tudo, por não poder abraçá-lo, tocá-lo sempre que quiser, eu sempre me encontrava chorando, deprimido por tudo isso, limpando lágrimas que sempre escorriam quando pensava nele, e estas lágrimas estão me matando, se não contar logo a ele, não sei se irei aguentar mais... ''Acordei'' quando Sui disse:
-Misery, vamos passar o recreio na biblioteca?
-Sim, vamos. — Respondi fechando o meu caderno e guardando os meus objetos.
Seguimos correndo a biblioteca, para Sui pegar o livro de poemas que tanto queria, chegando lá, ele copiou o poema ''Vida Corrida''
-Olha Miey! O que acha dele?-Sui perguntou.
-Miey? Esse foi o apelido em que escolheu para mim?-Respondi.
-Sim, eu gostei desse apelido, se não quiser que eu o chame assim é só falar.
-Não, tudo bem, sem problemas. — Sorri ao responder.
Ele me olhava com olhar diferente quando sorria assim, parecia que de alguma forma, ele gostava tanto de mim, dos meus sorrisos. Mas como eu poderia saber se era verdade, como eu poderia acreditar nos meus pensamentos? Ele não fazia nada...
Eu estou descidido, de hoje não passa, não aguento mais me afogar em tantas lágrimas... Não aguento mais apenas sorrisos dóceis...
Então, fomos passar o recreio na biblioteca...
Sentamos no lugar de sempre... Sui logo pegou seu fone:
-Quer escutar comigo?
-Ah! Sim, claro... -Respondi indo sentar do seu lado.
E por ali ficamos o recreio inteiro... Conversando, e tocando olhares, sempre ao mesmo tempo...
Ele sempre dava sorrisos repentinos, lindos sorrisos que me encantavam sempre mais, mais e mais...
Seu toque faz meu coração disparar, batendo tão forte...
Com ele minha tristeza sumia tão rapidamente, mas Sui escondia sua felicidade, bem lá no fundo de sua alma, trancada, sempre deixando a tristeza dominar tudo...
O tempo passou rápido, logo levantamos e fomos em direção a escada.
Estávamos descendo a escada quando Sui escorregou, e se não tivesse segurado tão forte em sua mão, ele teria se machucado, eu até quebrado alguma parte do seu corpo. Quando apertei a sua mão, ele logo segurou no corrimão ao seu lado :
-Desatento você, não?
Ele riu.
— É eu estava pensando alto...
-Pensando alto? Em o que? Posso saber? -Perguntei...
Bom, era o único jeito de saber o que ele estava pensando... Acho que ele não mentiria.
Mas foi como se não tivesse perguntado nada a ele, não deu alguma palavra, nem um ''Não irei falar'‘, qualquer coisa serviria, mas eu o entendo, também não iria dizer, o silêncio respondia por ele...
Eu queria ouvir... um... ''Em você'‘... Apenas duas palavras, que mudaria minha vida completamente, mudaria para melhor...
Então, fomos descendo as escadas, ate chegar a nossa sala.
Lá, sentamos nas nossas carteiras, e esperamos até o professor chegar...
-Misery, o que queria me dizer?-Sui perguntou olhando para mim.
-Bom, eu disse que falaria no final da aula, não foi não?-Respondi rindo enquanto abria o caderno.
-Eu entendi, não irá me falar... Obrigada ! -Ele respondeu virando para frente.
Eu ri, logo após eu falei em seu ouvido:
-Me espere no final da aula, na saída, irei até a sua casa, posso?
-Claro. -Ele respondeu.
O professor chegou então sentei corretamente, e ele começou a aula
O tempo passou, e a aula foi acabando, Sui já não estava tão distraído como nos outros horários.
Assim, o tempo se foi, o sinal bateu, o outro professor entrou...
À hora estava chegando e eu já me via tremendo, e com o coração disparado, logo eu irei revelar tudo que sentia por Sui, não que eu não queira, é o que eu mais quero, e preciso fazer... Preciso acabar com isso logo, mas meu coração esta apertado, de tanto nervoso... Mas nada vai tirar isso da minha cabeça, nada vai me atrapalhar não neste momento.
O sinal tocou finalmente, na saída vamos seguir até a casa de Sui...
Sui disse que iria me esperar do lado de fora, juntei meus matérias, levantei e fui descer as escadas.
Eu estava tremendo tanto que mal conseguia andar, tinha que caminhar escorando nas paredes, nos corrimãos...
Antes de sair fui beber água em um dos bebedouros perto da minha sala, eu tinha de relaxar, respirar fundo...
Após isso, eu corri até a entrada, e Sui estava lá, me esperando, foi andando até ele:
-Onde estava? Por que demorou tanto assim?
-Isso realmente importa?-Ri.
Ele também riu como resposta.
-Vamos?-Ele disse puxando a minha mão. -Nossa, sua mão está gelada, está nervoso?-Ele riu
Olhei para o relógio tentando disfarçar:
-Vamos embora eu não?-Disse.
-É você está nervoso. -Ele disse rindo.
Enfim fomos para sua casa, a cada passo que dávamos, meu coração batia mais rápido...
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