Damon e Elena - Casamento de Mentirinha
20 Viagem
Notas iniciais
— Você está chorando, Elena? – Damon perguntou acariciando meu rosto delicadamente.
Limpei as pequenas lágrimas com as mãos e respondi:
— Esse filme me emociona. E se passa em um lugar tão lindo!
Damon riu.
— É, Paris é bonita mesmo, mas já vi lugares melhores – ele falou sem dar muita importância.
— Claro – murmurei um pouco envergonhada.
Damon conhecia muitos lugares, enquanto eu só conhecia Mystic Falls e New York. Nunca nem sequer tinha viajado de avião.
— Elena, me corrija se tiver errado, mas acho que você nunca viajou de avião – assenti. Ele parecia ter lido minha mente. – Mas tenho certeza que você pensa em conhecer muitos lugares. Posso saber quais?
Pensei um pouco. Eram tantos.
— Posso te dizer os principais. Tenho muita vontade de conhecer Paris, Roma, Moscou, Londres e o Brasil – suspirei. Talvez não fosse impossível. Não agora que estava tão perto de ganhar um emprego melhor.
Damon levantou-se da cama em um salto.
— Aonde você vai? – perguntei confusa.
— Comprar nossas passagens – ele explicou, me deixando surpresa.
— Como?
— Ainda temos dois meses, Elena. Acho que dar para tirar um mês de férias da empresa e fazer essa viagem – ele explicou com mais calma.
— Damon, eu não tenho nem passaporte – avisei.
Bem no fundo, tinha esperanças de que funcionasse.
— Não tem problema. Tiramos seu passaporte amanhã – ele falou displicente.
— Para onde exatamente vamos? – perguntei, com a felicidade tomando conta.
— Para todos esses lugares que você quer ir.
*
— Você sabia que até 1991 a Rússia ainda vivia sob um governo socialista? – perguntei, balançando um folheto em minha mão assim que chegamos ao aeroporto de New York.
— Acho que todos que estudam história sabem disso, Elena – Damon debochou.
Resolvi não ligar. Estava tão feliz e ansiosa porque finalmente ia conhecer a Rússia.
— Está fazendo 18 ºC abaixo de zero lá – comentei animada.
Damon riu.
— Quero ver sua animação quando chegarmos lá.
Dei um empurrãozinho de leve nele.
— Você poderia fingir um pouco animação – pedi em tom de brincadeira, no entanto, estava sentindo um pouco de verdade nisso.
Ele vinha tentando cortar toda a minha empolgação desde que saímos de casa. Parecia que ele estava forçando essa viagem.
Damon me deu um beijo carinhoso na testa e deu uma piscadela para mim. Um alívio percorreu cada parte do meu corpo. Ele estava brincando.
Ouvimos o primeiro chamado do nosso voo. Eu fui correndo na frente, estava quase saltitante. Damon vinha atrás dando risada.
A hora de passar pela alfândega foi bem rápida e logo já estávamos no avião. E então um medo me atingiu.
Nunca tinha viajado de avião antes. Iriam ser horas no ar. E se algo desse errado? E se o motor parasse de funcionar de repente? E se faltasse gasolina?
Damon percebeu minha aflição e segurou a minha mão.
— Se você quiser me contar de que está com medo, fique à vontade – falou com carinho.
Respirei fundo.
— Do avião – murmurei entredentes.
— Quê?
— Estou com medo do avião – confessei.
Percebi que Damon fez força para segurar o riso. Tirei a minha mão da sua imediatamente.
— Não é engraçado! – exclamei, chateada.
Ele levantou as mãos em fingida rendição e falou com uma expressão brincalhona:
— Juro que não achei engraçado.
Dei um tapa nele.
— Para, Damon.
Ele riu.
Nessa hora, a voz do piloto tomou conta da nave. Ele avisava que já estava na hora de decolar.
Quando a voz dele desapareceu, o avião começou a fazer barulho e, sem pensar, me agarrei em Damon.
Ele riu, mas não falou nada. Eu também não me importei. Precisava dele agora.
O avião começou a levantar a voo e eu fechei meus olhos, me apertando contra o peito de Damon.
— Também tive medo na primeira vez que viajei de avião – ele sussurrou no meu ouvido.
— O que você fez? – perguntei ainda de olhos fechados.
— Me agarrei na cadeira e esperei essa sensação de passar – ele respondeu e senti um pouco de dor em sua voz.
Levantei a cabeça para olhá-lo.
— Não tinha ninguém com você?
Ele balançou a cabeça.
— Eu tinha seis anos. Um mês depois de minha mãe morrer. Minha tia me mandou em uma viagem para a Disney para tentar me animar. Stefan ia comigo, mas ele ficou doente no dia. Então, tive que ir sozinho.
Acariciei sua bochecha.
— Sinto muito.
Ele pegou a minha mão e olhou no fundo dos meus olhos.
— Não sinta.
O avião deu um solavanco e eu me agarrei nele de novo.
— É normal – avisou, acariciando meus cabelos. – Vai parecer que estamos em um ônibus ou em carro. Você vai ver.
— Obrigada – murmurei com a cabeça contra o seu peito.
— Pelo o quê?
— Por estar comigo agora, sendo paciente com o meu medo. Obrigada.
Damon sorriu.
— Sempre.
*
— Meu Deus! É tão lindo aqui! – exclamei assim que pus meus pés no lado de fora do aeroporto de Moscou.
Coloquei a minha língua para fora a fim se sentir a neve caindo. Damon riu.
— Também temos neve em New York, Elena.
Dei um pequeno empurrão nele.
— Cala a boca e tire uma foto.
— Aqui? Só tem o aeroporto. Ainda estamos a duas horas da cidade! Podemos fazer isso quando chegarmos lá – Damon reclamou.
— Quero aqui também, Damon! Vamos lá, tire uma foto minha! – pedi soando como uma exigência.
Com um suspiro, Damon tirou o celular do bolso do casaco e eu abri meus braços em frente ao grande aeroporto de Moscou.
— Pronto! – ele falou, abaixando o celular. – Satisfeita?
— Não. Quero uma com você também! – falei com um sorriso.
— Não. Sem chances – ele negou veemente, guardando o celular.
Puxei de seu bolso e abri rapidamente na câmera.
— Sorria! – tirei uma selfie de nós dois.
— Elena! – Damon reclamou.
— Vamos lá, Damon, sorria! – pedi mais uma vez.
— Não! – ele protestou.
— Damon, prometo que só preciso tirar essa foto aqui e então iremos para a cidade – falei.
— Por que eu preciso aparecer com você? – perguntou irritado.
— Porque eu quero! – respondi simplesmente.
Damon bufou, mas finalmente abriu um sorriso.
— Só uma, entendeu?
Assenti e tirei a selfie.
Com Damon sorrindo, a foto tinha ficado perfeita!
*
— Você não vai dormir? – Damon perguntou após sair do banheiro.
Já eram onze horas da noite e tínhamos marcado um tour pela cidade no dia seguinte bem cedo.
— Só alguns minutos – respondi, sem tirar os olhos do iPad.
— O que você está fazendo? – ele perguntou, direcionando-se para a minha cama.
— Pesquisando um pouco mais sobre a cidade – respondi de forma mecânica. Estava muito concentrada.
Damon tirou o iPad da minha mão e eu finalmente olhei para ele. Graças a Deus, ele estava com pijama.
— Elena, todo o propósito de fazermos um tour pela cidade é aprender mais sobre ela. Você não precisa ficar horas pesquisando na Internet o que iremos descobrir amanhã. Você deveria descansar – ele sugeriu de forma delicada.
Suspirei. Ele estava certo.
— Tudo bem.
Ele sorriu.
— Ótimo.
Ele colocou o iPad sobre a mesinha de cabeceira que havia entre as nossas camas. Damon havia tido o bom senso de pedir um quarto duplo, o que para mim foi um alívio. Não tínhamos que dividir a mesma cama.
Ele deitou-se na dele e sussurrou:
— Boa noite, Elena.
— Boa noite, Damon.
*
— Ok, Elena, chega. Já está ótimo de fotos em frente à Catedral de São Basílio – Damon falou, guardando o celular no bolso do casaco.
— Sério?
Ele assentiu.
— Vamos lá. Temos ainda que entrar no Mausoléu de Lênin e no Museu de História da Rússia.
Animei-me no mesmo instante. Apesar de ter sido ótimo visitar a catedral, tenho certeza de que as duas outras opções serão igualmente maravilhosas.
— A Praça Vermelha é linda – comentei caminhando para a grande fila do Mausoléu.
— É. Realmente – Damon concordou. – Nunca tinha vindo aqui antes. Tenho que admitir que é melhor do que eu pensava.
— Você conhece muitos lugares, Damon – comentei. – Mas me pergunto se alguma vez foi apenas por diversão.
Ele me olhou e respondeu:
— A minha vida era o trabalho. Sendo assim, não. Nunca viajei apenas por diversão.
Notei que ele empregou o verbo no passado. Será que vida dele tinha mudado de significado agora?
— Mas com certeza deve conhecer muitos bordéis – falei com voz irritada. Era melhor se eu tivesse ficado calada.
Ele riu.
— Sabe, um ou outro.
Dei um empurrãozinho nele.
Sem que percebêssemos, já tínhamos chegado ao Mausoléu de Lênin. Passamos por uma pequena alfândega e entramos. Dentro era tudo escuro. Completamente. Tive que me agarrar em Damon para não cair.
E então um pequeno feixe de luz vermelha se fez presente. E foi se expandindo gradativamente. E lá estava o corpo de Lênin. Embalsamado, dentro de um caixão de vidro, iluminado pela luz vermelha.
Queria muito poder tirar uma foto, mas era proibido. E a última coisa que eu queria era criar problemas com os russos.
Depois de alguns minutos observando o corpo do grande líder soviético, nós saímos.
— Uau! – exclamei quando chegamos ao lado de fora. – Foi...
— Assustador? – Damon completou.
— É – concordei. – Mas de uma forma positiva.
Damon riu.
— Acho que nunca vi isso – comentou. – Ei, você não está com fome? Passamos a manhã toda na rua, podemos dar uma parada agora, o que acha?
Concordei.
Nós então caminhamos para o shopping da Praça Vermelha e procuramos algum restaurante que parecesse ser bom.
— Como será que eles entendem isso? – brinquei, fingindo tentar ler os cartazes em russo.
— Elena Gilbert? Não acredito! – olhei na mesma hora quando ouvi essa voz.
— Katherine Pierce.
O que ela estava fazendo em Moscou?
— Me surpreende te ver aqui – Katherine falou com arrogância. Típico! – É algum concurso que ganhou ou...
— Vim com meu marido – cortei-a e apontei para Damon que estava um pouco distante olhando os cartazes dos restaurantes.
— Damon Salvatore? Conta outra, Elena – debochou.
— É verdade! – exclamei.
Ela riu maldosamente.
— Então você está recebendo um belo par de chifres, porque eu o vi em uma boate não tem um ano.
— É de se esperar. Nós vamos muito a boates – tentei contornar da melhor maneira que pude.
— Você não estava presente. Era só ele. Com mulheres ao redor. Gostosas, por sinal – Katherine destilou seu veneno mais uma vez esperando que eu caísse.
— Bem, é isso que acontece quando eu apenas dou uma passada no banheiro – retruquei.
Percebi que Katherine estava tentando procurar algum argumento para me ferir. Ela sempre foi assim.
— Ainda não acredito que você está com Damon Salvatore – ela falou arrogante.
— Katherine, há quanto tempo você está fora de New York? – perguntei. – O meu casamento com Damon foi reportado em todos os noticiários de fofoca.
Katherine empinou o nariz e jogou o cabelo para trás.
— Bem, você sabe como é a vida de modelo, sempre em um lugar novo, muitos fãs para atender e...
— Katherine! – interrompi-a. – Perguntei quanto tempo você está fora de New York. Não quero saber da sua vida badalada.
Sem perder a pose, Katherine respondeu:
— Cinco anos, talvez mais. Sabe, perco até a noção do tempo visitando tantos lugares lindos e...
— Olá – Damon cumprimentou chegando ao meu lado.
Katherine engoliu em seco e ajeitou o cabelo com a mão.
— Eu te conheço? – Damon perguntou.
— Ah, não. Ainda não. Eu sou Katherine Pierce, modelo e amiga de infância de Elena – apresentou-se com um grande sorriso.
Damon olhou para mim. Ele conseguiu perceber que a última frase era mentira.
— Estranho. Elena nunca mencionou você – meu marido comentou.
Ri internamente.
— Ficamos muito tempo afastadas, mas nossa amizade continua forte, não é mesmo, Lena? – Katherine falou olhando para mim com aquela famosa ameaça em seu olhar.
Lamento muito, Srta. Pierce, mas não tenho mais dez anos para cair nisso.
— Não. Nós nunca fomos amigas. Muito pelo contrário, na verdade. E foi um desprazer te encontrar hoje aqui – percebi que Katherine perdeu a postura depois disso. – Vamos, Damon. Acho que minha fome só aumentou.
Puxei Damon e deixei minha antiga inimiga parada e chocada para trás.
Quando estávamos a uma distância dela, Damon riu.
— O que exatamente ela era de você? – perguntou.
— Vamos dizer que não nos dávamos muitos bem nos tempos de escola – respondi, mas Damon não se deu por satisfeito.
— Só isso?
Suspirei.
— Ok. Katherine Pierce sempre foi a menina mais bonita da escola. E como você pôde notar, ela é muito parecida comigo. E por isso ela e suas amigas falsas pisavam em mim. "Elena, você é parecida com Katherine. Pena que não é tão bonita quanto ela.", "Oh, Elena, você já viu o novo namorado de Katherine? Você nunca conseguiria um desse, não é mesmo?" — suspirei com as lembranças. – O pior de tudo foi quando eu estava apaixonada por um garoto e Katherine descobriu. Foi a maior humilhação da minha vida!
Olhei para baixo. Lembrava dolorosamente desse dia. Damon levantou meu rosto.
— Quer me contar? – perguntou carinhoso.
Suspirei.
— Estávamos no segundo ano do Ensino Médio. O nome dele era Aaron. Ele fazia parte do time de futebol da escola. Eu era apaixonada por ele. Ia para todos os treinos, para todos os jogos. Aaron era muito popular, por isso eu nunca conseguia falar com ele. Eu tinha um diário nessa época e escrevia tudo que eu sentia. Foi no último jogo da temporada que algo "mágico" aconteceu. Aaron finalmente veio falar comigo.
“E nós continuamos a conversar nos dias seguintes. Estava me sentindo maravilhada. Aaron Whitmore tinha vindo falar comigo, gostava da minha companhia... Era perfeito! E então em um belo dia, vi fotos de Katherine e Aaron aos beijos espalhados por todo colégio. Não acreditei nelas. Mas quando fui falar com ele, ele estava com Katherine. E então descobri que era tudo armação.
“Katherine havia lido meu diário e combinado tudo com Aaron, que assumiu que era louco por ela. "Você acha que eu prestaria atenção em você se tinha Katherine”, foram exatamente essas as palavras dele.”
Olhei para baixo novamente. Relembrar aquilo ainda doía.
— Acho que esse cara é um idiota – Damon falou. – Você é muito mais bonita que ela.
Eu ri.
— Você mente tão mal – falei sentindo meu coração aquecido. Esperava que fosse verdade.
— Mas é sério, Elena. Você é mais bonita.
Ri novamente, mas dessa vez, acreditei nele.
— Sabe, eu realmente estou com fome – falei, enlaçando nossos braços.
Ele riu.
— Vamos lá. Não queremos perder mais tempo, não é mesmo?
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