Damon e Elena - Casamento de Mentirinha
30 Epílogo
Notas iniciais
ELENA
Andava nervosamente pelo quarto imaginando a reação de Damon quando contasse a novidade. Nossas vidas vêm sendo perfeitas desde o dia em que casamos de verdade. Tinha algumas brigas, é claro. Mas elas eram mínimas. Por isso, estava preocupadíssima qual seria a reação de Damon a essa surpresa.
A porta do quarto abriu e ele entrou sorridente.
— Boa noite, amor – ele cumprimentou, me dando um selinho. Por causa do nervosismo, eu não correspondi. Ele percebeu. – Algum problema?
— Damon, eu preciso te contar uma coisa – comecei, torcendo minhas mãos.
— O que é, Elena? É algo muito sério? – ele perguntou, preocupado.
— É. É uma coisa séria. Muito, na verdade – respondi, quase perdendo o ar.
A expressão de Damon passou para choque no mesmo instante.
— Por favor, Elena, não me diga que você está doente, que aquele acidente teve alguma consequência futura. Por favor, eu não posso aguentar – ele implorou, completamente consternado.
— Eu estou grávida, Damon – contei num fôlego só.
Não consegui identificar a expressão que se seguiu no rosto de Damon. Choque? Surpresa? Medo? Raiva? Todas juntas?
Ele passou a mão no rosto e começou a andar pelo quarto.
— Você tem certeza? Porque nós estávamos nos prevenindo, certo? Você estava tomando a pílula. Não é? – ele olhou para mim com expectativa. — Elena?
Mordi meus lábios, olhando para baixo com culpa.
— Talvez eu tenha deixado passar três ou quatro dias – confessei.
— Quê?! Você estava pretendo engravidar? Mesmo sabendo que eu não queria ter filhos?! – Damon exaltou-se.
— Não, Damon! Óbvio que não! Respeitei sua decisão! – contestei-o em choque. Ele realmente acreditava que eu faria isso? – Foi um lapso, Damon. Isso acontece. Não foi pensado.
— Então, não temos com o que nos preocupar! – Damon demonstrou alívio. – É só você tirar e nós...
— COMO?! – choquei-me com a sua sugestão. – DAMON! É o nosso bebê! Como você pode sequer sugerir uma coisa dessas?
— Eu não quero ser pai, Elena! – ele gritou, exaltado. – Eu nunca quis e deixei bem claro isso! Você engravidando agora... Eu não quero essa criança. A melhor solução seria se você abortasse. Se livrasse do problema.
Problema?
— Não acho que o meu filho seja um problema, Damon – disse, dura. – Nós não planejamos isso, mas aconteceu. Vamos ser pais, Damon. Você precisa aceitar isso, porque eu não vou tirar o meu filho. O nosso filho.
— NÃO! EU NÃO POSSO TER FILHOS! NÃO POSSO SER PAI! – Damon gritou, mais consternado do que nunca. – Você não poderia ter engravidado! Isso não deveria ter acontecido! Deveríamos ter sido mais cuidadosos!
— Damon, me escute – pedi, alarmada. Nunca tinha visto Damon nesse estado. Ele estava absolutamente desesperado. O que ele mais temia tinha acontecido. – Você não vai ser nada como o seu pai...
— Preciso ficar sozinho – ele parecia estar sufocando. – Preciso sair daqui.
Ele correu até a porta e saiu do quarto, veloz.
Eu desabei na cama, afagando minha barriga com carinho. Será que Damon aceitaria nosso filho?
*
DAMON
Caminhava quase que sem direção pelo Central Park, observando as famílias que ali estavam. Pais e filhos se divertiam nessa noite de verão. As crianças se divertiam ao lado de seus pais; aparentemente uma família perfeita.
Eu nunca tive isso. Meu pai nunca me trouxe ao Central Park numa noite de verão ou num lindo dia de sol. Minha mãe havia me trazido uma ou duas vezes, mas não me recordo muito bem. Tive pouquíssimo tempo com ela. E meu pai nunca fora um homem de programas com família.
Não. Para o meu pai a empresa era tudo. Seus dias, suas noites, tudo se resumia a ela. E seu único filho poderia ficar de escanteio. Ele me pusera em boas escolas, não me faltava nada material, com certeza. Apenas me faltava um pai.
Não posso dizer que não recebi atenção quando era a criança. Os pais de Stefan eram ótimos! Sempre me levavam para a casa deles, para festas, alguns programas familiares. E era sempre muito agradável. Mas não era de tios que eu precisava, eu queria, precisava do meu pai.
A pior fase da minha vida foi quando minha mãe morreu. Tinha pesadelos horríveis toda noite, chorava mais do que tudo, meu coração parecia estar sendo arrancado do peito. Eu sentia falta dela. E tive a ilusão infantil de que meu pai sentiria também. Porém, frio como sempre, Giuseppe não demonstrara uma só expressão pela perda da esposa e pelo sofrimento excruciante do filho.
Não sei se algum dia ele já amou minha mãe. Talvez sim. E talvez esse amor tenha sido transferido para a empresa. Teria sido por minha causa? Será que ele não suportava a ideia de ter um bebê em casa, chorando o dia todo e decidiu se afastar, não conseguindo mais encontrar o caminho de volta?
Se esse fosse o caso, não queria que acontecesse comigo. Eu amava muito Elena e não suportaria magoá-la de jeito nenhum! Depois de tudo que eu a havia feito passar...
Mas a partir de agora não seria só nós dois, teria uma criança no meio. E havia também uma grande possibilidade de eu arruinar tudo. Elena jamais me perdoaria se eu fosse um péssimo pai, se eu magoasse o nosso filho, se eu fizesse com ele a mesma coisa que Giuseppe fizera comigo.
E mais do que qualquer outra coisa, eu estava completamente aterrorizado com a possibilidade de perdê-la. Elena era tudo para mim. Não podia perdê-la!
Meu celular tocou e, sem vontade nenhum, atendi.
— Damon, você está bem? – Stefan perguntou do outro lado da linha. – Elena disse que tem mais de três horas que você saiu de casa desesperado. Fiquei preocupado com você, cara.
— Elena está grávida, Stefan – contei numa voz mecânica.
Fez-se silêncio por um momento. Imaginei se meu primo estaria pensando em algo apropriado para dizer. Mas não havia palavras suficientes para essa situação.
— Como você está? – Stefan tornou a perguntar, acabando com o silêncio.
— Perdido – respondi com sinceridade. – Não sei o que fazer, Stefan. Um filho... Jamais pensei nessa possibilidade. Estava muito bem só Elena e eu. Ela não deveria ter engravidado. Deveríamos ter sido mais cuidadosos.
— Damon, você está com medo – Stefan constatou. – E é normal ter medo. Nenhuma pessoa nasce sabendo como é ser pai. Isso simplesmente acontece.
— E quando a pessoa não tem um exemplo? – perguntei, aterrorizado. Não podia condenar Elena e essa criança ao destino que eu tive. E não podia nem sequer pensar na possibilidade de perder Elena por causa disso.
— Escute, Damon, por que ao invés de você ficar preocupado em repetir os passos de de Giuseppe, você não segue os passos do pai que você queria ter tido? – Stefan sugeriu. – Você pode ser o pai que nunca teve. Seja o pai que você queria que Giuseppe fosse. Garanto que seu filho será muito feliz.
Não consegui responder à sugestão de Stefan. De repente, tudo tinha mudado. Eu era o único que sabia o que tinha sofrido com Giuseppe. Minha mente de criança idealizou um pai completamente diferente. Um pai presente, amigo, companheiro e que risse comigo.
E se eu não estivesse idealizando Giuseppe? E se eu estivesse pensando em mim no futuro?
Desse modo, poderia dar certo.
*
ELENA
Minhas lágrimas já estavam secas, mas eu ainda fungava, completamente encolhida na cama. Apertava minha barriga com força, como se fosse uma forma de assegurar ao meu bebê que nós ficaríamos bem.
Já era 3h da manhã e Damon ainda não tinha chegado. Minha mente estava pensando no pior. E esse pior não era um acidente.
— Ainda está acordada? – sobressaltei-me ao ouvir sua voz.
Virei meu rosto lentamente e o vi ao lado da porta do quarto.
Ele suspirou e andou até a cama. Sentei-me e ele sentou-se ao meu lado.
— Onde você estava? – perguntei com voz fraca. Na verdade, não tinha muita certeza se queria ouvir essa resposta. – Por favor, não me diga que você voltou a ir para...
— Não! Claro que não! – ele interrompeu-me no mesmo momento. Sua voz trazia descrença. Acreditei nele. – Estava andando por aí. O Central Park, alguns lugares perto de casa. Precisava espairecer.
— Sei que a notícia deve ter te chocado muito – comentei, apertando minha barriga com força.
— Você não imagina – ele suspirou. Logo em seguida, olhou para mim. – Você já o ama, não é, Elena? O bebê?
— Claro que sim! – respondi como se fosse óbvio. – Ele é o meu filho.
— Nosso filho – Damon corrigiu e confesso que me surpreendi.
Olhei para ele e percebi seu olhar em minha barriga. Lentamente, sua mão tocou o meu ventre. Reparei que ela tremia. Pus a minha em cima da dele.
— Nosso filho – repeti com um sorriso.
Damon deu uma risada sem graça e olhou para mim.
— Acho que podemos fazer isso. Mas vou precisar de você – ele disse e pude perceber um tremor em sua voz. Seus medos ainda eram muito vivos.
Acariciei sua mão embaixo da minha.
— Estamos juntos nessa – garanti. – E eu também vou precisar de você.
*
SEIS ANOS DEPOIS
Folheava o álbum dos gêmeos, displicentemente. Este fora o mais recente. Em seus seis anos, Lyssa e Will já tinham mais de dez!
Isso porque Damon fazia questão de registrar cada risada deles. Cada momento, era importante para ser capturado. E fora as fotos dos aniversários!
Lyssa e Will tinham festas maravilhosas! A última festa de seis anos fora, com certeza, a melhor! Damon gostava de cuidar de tudo – ou pelo menos da maior parte, eu não gostava de ficar de fora.
Ele era um excelente pai! Desde o dia em que os gêmeos nasceram, ele vem sido atencioso e cuidadoso com eles.
Damon mudou toda sua carga horária. Trabalhava apenas em um turno na empresa para poder dedicar-se mais tempo às crianças.
Eu fiz o mesmo. Consegui negociar com Kol e eu trabalhava apenas pela manhã. Havia dias que eu tinha que trabalhar à tarde também, mas não eram comuns.
Damon e eu refizemos nossas vidas para girar em torno de nossos filhos. Lyssa e Will eram o que a gente tinha de mais importante. Eles eram o nosso mundo.
— Aí está você! – Damon apareceu na porta do quarto de Lyssa com um sorriso. – As crianças estão exigindo a presença da mãe.
— Já estou indo – avisei, fechando o álbum.
Damon estava de roupão, assim como eu. Depois que Lyssa e Will nasceram, passamos a usar bastante a piscina e era praticamente tradição passar as tardes de sábado lá. As crianças adoravam! E a gente também.
Meu marido me deu um beijo na bochecha e me acompanhou até o jardim. Lyssa e Will competiam por quem dava o maior pulo na piscina.
— Mamãe! Papai! – nossa filha nos chamou com alegria. – Venham!
— Estamos indo, querida – falei, já tirando o meu roupão. Porém, fui surpreendida quando Damon me segurou e me jogou na piscina com tudo. As crianças riram.
— Muito engraçado – caçoei, empurrando a cabeça de Damon na água. Lyssa e Will riram mais uma vez.
Uma guerra de água começou e se perdurou por um longo tempo. Quando as crianças se cansaram, elas subiram em nossas costas e apoiaram as cabeças em nossos ombros. Damon e eu achamos melhor sairmos da piscina.
Eu dei banho em Lyssa, enquanto Damon dava banho em Will. Colocamo-los para descansar em nossa cama e antes de fechar os olhos, Lyssa sussurrou:
— Eu te amo, mamãe. Eu te amo, papai.
— Eu também amo vocês – Will murmurou, com os olhos colados.
— Nós também amamos vocês, meus amores – falei com um sorriso maravilhado.
— Vocês não fazem ideia – Damon completou, tocando meu ombro. – Amamos muito vocês.
Os gêmeos dormiram, e Damon e eu os observávamos, abraçados.
Percebi que agora eu tinha tudo o que sempre quis. Um marido maravilhoso que me amava e que eu amava também. E dois lindos filhos que eram mais do que importantes para mim. Eu tinha uma família.
E não havia palavras suficientes no mundo para descrever o quão feliz eu era por tê-la.
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