Damnation
10 Chatper Nine: The Diary of John P. Langley
O garotinho via do seu quarto sua mãe ser colocada num saco preto e sendo posta na ambulância. Não entendia o que acontecia. Estaria sua mãe dormindo? Porque a colocaram em um saco preto? Porque a colocaram dentro da ambulância se ela era apenas para pessoas doentes? Estaria sua mãe doente? Mas ela tinha posto o garotinho pra dormir na noite anterior...
- Bill, eu disse pra você não olhar – disse a voz da governanta da casa.
Ela entrou em seu quarto e fechou as cortinas da janela.
- Mas eu queria ver o que estavam fazendo com a mamãe.
A governanta suspirou, se abaixou na altura dos olhos do menino e disse:
- Eles estão levando-a para um lugar especial. Um lugar que todos são felizes e que você pode ficar pra sempre lá.
- Eu posso ir com ela?
- Não, não pode Bill. Mas você irá um dia.
- Mas... ela não vai voltar?
- Não – disse uma voz masculina na porta do quarto. Era o pai de Bill.
- Dolores – disse a governanta – Vá fazer seus afazeres.
Ela o olhou com ressentimento nos olhos. Então deu um beijo na face do garoto e saiu do quarto.
- E você, moleque – continuou seu pai, agora falando com Bill – preste bem atenção: Sua mãe foi embora e nunca mais vai voltar.
- Mas é culpa minha? – perguntou Bill, com lágrimas nos olhos.
- Não sei, ninguém sabe.
As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto do garoto.
- Engula esse choro, moleque – disse seu pai, ríspido – Homem não chora. – e fechou a porta com força.
Bill abriu os olhos. Estava deitado em uma superfície úmida. Não sentia mais tantas dores. Levantou-se e olhou ao seu redor. Estava numa área que não reconhecia. Do lado esquerdo dela havia uma floresta. Do lado esquerdo, havia uma parede de um prédio.
”Como eu cheguei aqui?”
Procurou por sua mochila. Avistou-a encostada na parede. Foi até ela, pegou-a e viu se o seu conteúdo estava intacto. Ainda tinha uma garrafa d’água, uma lanterna e o sinalizador. Colocou a mochila em suas costas e percebeu que havia algo escrito na parede. A letra era a mesma que Bill havia lido na parede da prefeitura.
“Deus me abandonou. Deus abandonou todos nós. Somos apenas carneiros esperando nos levarem ao matadouro. Deus está morto”
”Será que foi a mesma pessoa que escreveu isso aqui e na parede da prefeitura? Será que, assim como eu, estava perdido nessa cidade?”
O garoto começou a andar pela lateral do prédio. Sua cabeça começara a raciocinar.
”Alguém deve ter me trazido até aqui, não me lembro de vir andando. Terá sido aquele tal de Vincent? Provavelmente. E o que era aquele lugar cheio de ferrugem, sangue e escuridão? Seria um mundo alternativo? Não pense bobagens Bill, você deve ter imaginado aquilo, não existe essa coisa de mundo alternativo, se bem que... Aquelas criaturas... nada disso faz sentido. E David, aonde está? Deve ter sido levado. E Dominique? Droga, tenho que ir buscá-la, ela é tudo que tenho... mas nem sei aonde estou... eu preciso de ajuda...”
Ele tinha chegado na rua. Estava deserta, nada se movia, ele não escutava nenhum barulho. Olhou ao seu redor procurando algum tipo de ponto de referência, mas com a névoa densa, tudo que conseguiu ver foi uma placa. Nela informava: Lutheran Church.
”Uma igreja? Bom, ao mesmo tempo conveniente e um tanto quanto irônico.”
Sem ter para onde ir e sem saber o que fazer, Bill começou a andar em direção a entrada da igreja. Esperava encontrar as portas trancadas, mas para sua surpresa, quando ele girou a maçaneta, a porta se abriu.
A igreja não era muito grande, tendo apenas 3 bancos em cada uma das duas fileiras. O seu altar era simples, apenas com uma mesinha. Em cima dela, um pequeno cálice estava caído. Atrás da mesinha havia uma cruz enorme com a imagem de Jesus.
”Acho que sua área de milagres não cobre Silent Hill, Messias”
Bill não tinha muitas crenças. Achava religião uma idiotice desnecessária, que só servia para gerar mais conflito entre as pessoas. E sobre Deus, desde a morte de sua mãe, o garoto parou de acreditar nele.
Haviam quatro janelas na igreja, duas de cada lado. Como de costume, imagens de santos adornavam o vidro. Bill não sabia o nome de nenhum deles, e nem queria saber, tudo que procurava na igreja era algum tipo de informação.
- Olá? – tentou Bill – Tem alguém aí?
Nada.
- Que surpresa – ironizou o garoto.
Ele olhou mais uma vez a redor em busca de algo que lhe fosse útil. Havia um pequeno confessionário no canto esquerdo.
”Não custa nada tentar”
Entrou no pequeno confessionário. Um pequeno banco quebrado estava caído. A habitual janelinha que separava a pessoa do padre estava fechada.
- Perdoe padre, porque eu pequei – falou Bill, sarcástico.
A janelinha se abriu repentinamente, assustando Bill. Se recuperando do susto, ele olhou por ela. Não havia nada do outro lado, apenas uma réplica da salinha do confessando, porém o garoto percebeu que havia uma espécie de agenda, pequena. Bill encostou a mão na janelinha. Era feita de um vidro frágil, julgou ele pelo toque.
Curioso, o garoto pegou a lanterna em sua mochila e, com o cabo, golpeou a janelinha. Foi preciso apenas um golpe para o vidro se despedaçar em mil pedaços. Esticou o braço pela janelinha e alcançou o pequeno livro. Era de couro e tinha a cor preta. Não havia nada escrito na frente, porém atrás havia um nome no canto inferior direito.
- John P. Langley. – leu Bill.
”Será um diário?”
Quando abriu, um pequeno bilhete caiu dele. Bill pegou do chão e o examinou. Era de forma retangular e mal conseguia ver o que estava escrito. Guardou novamente na agenda e começou a folhear as páginas. Definitivamente era um diário. Haviam anotações como “Aniversário do Mike” e “Dentistas as 3:30PM”... enfim, o cotidiano de uma pessoa normal.
Porém, uma coisa lhe chamou atenção na página do dia 25 de junho de 2005. Em letras tremidas, estava escrito:
“Nessa madrugada acordei assustado, suando frio. Sonhei com uma cidade, Silent Hill. Nunca tinha ouvido falar dessa cidade antes, nem sei se é real, mas foi aterrorizante. Havia um homem que nada mais era do que um maníaco, que me perseguia por todos os lados falando “Pague os seus pecados.” Por mais que eu corria e me escondia, ele sempre me encontrava. Foi horrível, mas acho que é apenas o meu subconsciente me pregando uma peça pelo o que aconteceu...”
O registro acabava abruptamente. Bill passou para a próxima página.
“Mais uma vez sonhei com Silent Hill. Dessa vez eu não fui perseguido. Eu estava atado a uma cadeira em uma sala coberta de sangue. Um homem então adentrou. Ele usava um avental de couro preto, iguais aos homens que trabalham em um matadouro. Tinha uma espécie de pequena foice em uma das mãos. Seu rosto era coberto por uma sombra negro, fazendo com que eu só pudesse ver sua boca. Ele me disse: “Parece que minha próxima vítima já está pronta” e então começava a perfurar o meu corpo com sua foice. Acordei mais uma vez suando frio. Tenho medo de pesquisar sobre essa cidade e descobrir que ela realmente exista”
No dia 27/06 nada havia, Bill passou para o dia 28.
O homem tinha escrito com uma letra extremamente garranchosa. O garoto teve dificuldade para entender:
“EU PESQUISEI... ELA EXISTE, ELA REALMENTE EXISTE....”
Dia 29/06
“Não estou mais agüentando esses sonhos, já estou ficando louco. Hoje gritei com a secretária do meu chefe e juro que, voltando do trabalho, via o homem de avental negro me observando de becos. Será que tenho que ir até essa cidade pra acabar com isso tudo? Não é muito longe daqui...”
Dia 30/06
“Está decidido, vou a Silent Hill amanhã”
Dia 01/07 – 14:39
“Cheguei em Silent Hill. Ela parece deserta. A névoa é constante e densa, nunca vi nada parecido com isso. Rodei um pouco de carro pela cidade, mas com medo de bater em algo por causa da névoa, vou continuar minha jornada a pé. Não sei o que realmente procuro... penso que... respostas... mas quais? Não gosto daqui e quero sair o mais rápido possível”
Antes de o garoto passar para a próxima página, um imenso barulho veio do altar da igreja. Bill deu um salto de susto.
”Que merda foi essa?”
Ele guardou o diário na mochila e saiu do confessionário.
- Oh Meu Deus – disse o garoto, arregalando os olhos.
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