Damnation
13 Chapter Twelve: Unwanted Child
Eles estavam parados na frente de um grande portão. Brookhaven Hospital podia ser lido em cima dele.
- É aqui. — disse Garcia.
- Parece abandonado — falou Dominique.
- Como tudo nessa cidade. — ele abriu o portão — Vamos.
Os dois entraram e passaram pelo pátio até chegar na porta do Hospital. Garcia tentou abri-la, estava trancada.
- Para trás — disse ele. Dominique se afastou.
Ele começou a chutar a porta até que ela cedeu e se abriu. Os dois entraram no hospital.
A recepção era comum. Havia um banco para as pessoas esperarem e um local aonde a enfermeira ficava chamando os nomes.
- Parece que não há ninguém aqui — falou a garota.
- Sim, mas pode haver alguém nos outros andares.
Dominique achava muito improvável, mas Garcia procurava por sua família e ela não poderia tirar sua esperança de encontrá-los.
- Fique aqui — falou ele para a garota.
- Eu não posso ir com você? — perguntou a garota. Não conseguiu esconder o medo em sua voz.
- Pode haver alguma coisa nesse hospital e nos encurralar. Se você ouvir alguma coisa ou ver alguma criatura fuja, entendeu?
- Mas... — Garcia a olhou autoritariamente — Tudo bem.
- Ótimo. — falou ele — Não sai daqui.
Ele começou a andar em direção de um corredor pela direita.
- Garcia — chamou a garota, o homem se virou para ela — Tome cuidado.
Ele sorriu para ela e balançou positivamente a cabeça.
Alguns minutos haviam se passado desde que Garcia havia lhe deixado na recepção. A garota estava sentada no banco destinado aos pacientes. Olhava para fora do hospital. Pensava no seu namorado. Ele sempre esteve do seu lado, nos piores e melhores momentos. Ela sabia que tinha sorte de ter ele e o mero pensamento dele estar morto...
A garota começou a ficar inquieta e se levantou do banco. Olhou ao redor. Havia um quadro de avisos com alguns papéis colados ali, Dominique leu alguns.
"Ordem de Restrição
Apenas parentes próximos (Pais, filhos e maridos/esposas) estão autorizados de verem os pacientes aqui internados.
Dir. Geral Adrian Gallengher."
"ATENÇÂO FUNCIONÁRIOS!
Leiam alguns cuidados que devem ser tomados para a epidemia que atingiu grande parte dos nossos pacientes não se espalhar ainda mais:
- Sempre Lave as mãos com álcool em gel antes e depois de entrarem na sala com um paciente infectado.
- Use sempre máscaras.
- Troque de roupa imediatamente quando chegar no Hospital. Antes de sair, deixe as roupas usadas na lavanderia do hospital. NÃO AS LEVE PRA CASA.
..."
O aviso era cortado pela metade.
"Uma epidemia? Do que terá sido? Espero que Garcia e eu não corramos risco aqui dentro."
A maioria dos avisos era sobre cuidados extras sobre a epidemia. Dominique apenas passou os olhos por ele, porém, um pequeno aviso chamou sua atenção. Ele parecia muito mais velho que os outros papéis e parecia ter sido posto ali às pressas.
"Segurança Reforçada.
Por causa dos acontecimentos do dia 15/08, a segurança será reforçada em todas as saídas do hospital. Não podemos deixar outro paciente escapar.
Dir. Geral Jason Keller
17/08/1969"
A garota se surpreendeu.
"Meu deus, o que um aviso de mais de 40 anos está fazendo aqui?"
Ela tirou o papel do quadro de avisos. Pelo tato, o papel era muito fino.
Um barulho em suas costas fez ela se virar. Atrás da pequena bancada aonde a enfermeira ficava chamando os nomes, um livro havia caído de uma prateleira. Curiosa, a grota pulou a bancada e pegou o livro no chão.
- Registro de Nascimentos — leu ela em voz alta a capa do livro.
O livro também era velho e bastante empoeirado. Ela tossiu quando folheou entre as páginas. Haviam vários nomes no livro, geralmente era o nome do bebe seguido pelos pais.
Nenhum dos nomes lhe era familiar, e a garota já não esperava que fosse. Ela percebeu que havia data em cada folha.
- Sete de março de mil novecentos e sessenta e nove — leu a garota, na página em que estava.
"1969? É o ano do aviso."
A garota estranhou a coincidência. Ela passou as páginas até chegar nos registros de agosto, mês do aviso. Não havia nada de anormal até o dia 13. Havia um único registro, sem o nome do bebê e do pai. Apenas o campo com o nome da mãe estava preenchido: Anna Halfax.
Ela sentiu um frio na barriga. Anna Halfax era o nome da senhora que os policiais haviam encontrado viva ali naquela cidade. Dominique não sabia que ela tinha um filho, ninguém nunca a tinha visto com uma criança.
Havia uma folha dobrada na página do nascimento do filho de Anna. Estava tão velha quanto o aviso. Dominique abriu a folha e leu o documento escrito a mão:
"Relatório da Enfermeira Megan Howard.
A paciente apareceu por volta das 11pm do dia 12 de agosto no hospital. Ela não aparentava ter mais de 16 anos. Estava desesperada e disse que precisavam fazer o parto de seu bebê. Levei-a até o quarto e disse que o médico já estava se aprontando para a cirurgia. Ela parecia assustada com tudo aquilo quando toquei em seu ombro para acalmá-la ela soltou um grito e tentou se afastar.
O parto durou 3 horas e as 2:27am a criança nasceu. Era um garoto. Tinha 58 centímetros e pesava 3000 gramas. Quando o levei até a mãe, ela recusou a pega-lo, dizendo que a única coisa que queria era ele longe dela. Ficamos surpresos com a reação e levamos o garoto para o berçário.
O estado de saúde da paciente não estava nada bem, então a deixamos internada alguns dias. Todas as tentativas de levar o filho até ela foram sem sucesso.
Durante a noite passada, a paciente pediu para ser levada até o banheiro. Levei-a, mas, chegando lá, ela me atacou na cabeça e desacordei. Quando acordei, estava deitada na cama, com um ferimento na cabeça. A paciente fugiu do hospital.
O bebê deixado no hospital será levado para o orfanato Wish House..."
Quando a garota leu o nome do orfanato, uma dor horrível atingiu sua cabeça. Uma cena se formou diante dos seus olhos.
Estava em algum lugar abandonado. Livros, cadeiras e berços estavam caídos no chão. Um homem entrou no lugar por uma porta. A garota não conseguia ver o seu rosto. Ele suspirou e disse:
- Minha casa. Minha primeira casa. Foi aqui que nasci e é aqui que me tornarei eterno.
O homem foi até um berço que estava caído e o levantou.
- Tenho trabalho a fazer.
A cena desapareceu, assim como a dor de cabeça. A voz do homem era a mesma daquele que ela tinha alucinado a algumas horas antes. Ela sentia medo do que estava acontecendo. Aquelas lembranças, a história de Anna, aquela cidade... Tudo parecia arquitetado para ela estar ali.
Ela ouviu passos se aproximando e uma voz lhe chamou.
- Dominique? — era Garcia.
Ela saiu de trás da bancada.
- Você demorou — disse a garota, com a voz fraca.
- O que você está fazendo aí? — perguntou ele.
- Estava... lendo. — disse ela, olhando para o livro de nascimentos no chão.
- Lendo o que?
A garota pulou a bancada.
- Nada de importante — respondeu ela. — Encontrou alguém? — questinou desviando do assunto.
- Não — disse ele, cansado, e se sentou no banco — Eu já estou perdendo as esperanças. Acho que tenho que aceitar o fato que nunca mais irei encontrar minha família.
A garota se sentou ao seu lado e colocou a mão no ombro gelado de Garcia.
- Hey, não pense assim. Você não pode perder a esperança. Você vai encontrá-los... nós vamos.
Garcia a olhou e sorriu.
- Obrigado, Dominique. — e então se levantou.
A garota se levantou também.
- Não adianta de nada ficarmos aqui parados. Estou com fome, você não?
- Não muita — falou ela — Mas acho que preciso comer algo, me sinto um pouco fraca.
- Okay, vamos procurar algum lugar que tenha algo que possamos comer.
Os dois saíram para o pátio do hospital.
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