Damn The Solar System!
1 Damn The Solar System!
Notas iniciais
O detetive abriu a porta do quarto devagar, evitando o habitual rangido que a porta sempre fazia. John estava na cama, ressonando. O quarto era a mesma bagunça de sempre, roupas jogadas no chão como se o médico ainda fosse um maldito adolescente , livros fora do lugar, anotações espalhadas e canecas de chá nos lugares mais improváveis — uma vez, Sherlock havia encontrado uma caneca dentro da banheira.
Não percebeu que estava prendendo a respiração até que fechou a porta, tomando cuidado onde pisava para não acordar o médico. Sherlock nunca iria admitir, mas estava começando a se interessar pelo sistema solar. Iria começar hoje o capítulo sobre supernovas.¹
Assim que chegou à sala de estar, localizou os livros que deixava escondidos debaixo do sofá e logo encontrou o que queria no meio de tantos e abriu no capítulo desejado, espalhando os outros pelo chão da sala. A rotina do detetive vinha sendo assim já há algum tempo, desde a sua pequena discussão com John a respeito de a terra girar em torno do sol, da lua ou de um ursinho de pelúcia tanto faz.
Voltavam para a Baker Street — John do consultório, Sherlock da Scotland Yard, depois de resolver casos abandonados pela equipe de Lestrade e, às vezes, depois de um caso com a ajuda de John. O médico preparava duas xícaras de chá, deixava uma perto do detetive, que se encontrava deitado no sofá, subia para seu quarto e onde não descia mais. Algumas horas depois, Sherlock subia para checar se John já estava dormindo. Feito isso, descia e ia estudar o universo.
Estreitou os olhos quando chegou a uma parte interessante. A supernova mais brilhante já vista apareceu em 1006, com magnitude de -7,5. Certo. Estava localizada na constelação de Lupus e... Oh, havia outra! Uma do ano 185, com magnitude de -8, apesar de que alguns astrônomos assumiam que era apenas um cometa que foi localizado na constelação de Centaurus, nada demais... E assim, as horas foram se arrastando e o sol começou a marcar presença no horizonte. O detetive passava as folhas vagarosamente, os olhos já pesando. Há quanto tempo não dormia mesmo? Quatro dias?
Passou a mão nos olhos, tentando espantar o sono e piscou rapidamente para evitar o embaçado, bocejando logo em seguida. Mal percebeu quando deitou por cima do livro, esquecendo-se completamente da leitura e dormiu; quase como uma criança teimosa que ficava acordada até mais tarde lendo, mesmo depois de os pais terem reclamado para que fosse dormir.
***
John acordou. Já eram sete horas. Ele deveria estar no consultório às oito, estava atrasado. Tomou um banho rápido, se vestiu e desceu as escadas correndo para se deparar com um Sherlock aparentemente cansado, dormindo por cima de um livro, no sofá da sala. Não era lá o lugar certo para se dormir, mas, pelo menos, ele estava dormindo. Aproximou-se, espiando os livros que o detetive vinha estudando com tanto interesse a ponto de dormir lendo um deles.
O Sistema Solar e Suas Estrelas, O Segredo do Universo, Guia dos Corpos Celestes e mais uma dúzia de livros com títulos tão gastos que John mal conseguiu lê-los. Levantou o olhar para Sherlock e sorriu, inclinando-se e afagando os cachos escuros do detetive, que gemeu e franziu o cenho. O médico suspirou, contendo outro sorriso maior ainda. O detetive podia ser um pouco infantil, às vezes, até mesmo previsível; Mas sempre encontrava uma forma de surpreender John.
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