Dame Jolie

36 Segredos de Família


Notas iniciais
Olá vocês! Demoray mas chegay! Um Feliz 2018 pra vocês tudo! Gostaria de agradecer pelo lindo apoio dado a esta fic em seu segundo ano de vida, e aqui vamos nós ao seu terceiro ano... obrigada principalmente pelos maravilhosos reviews, o melhor combustível para o andamento da história ^^ Alguns fatos mencionados neste capítulo apareceram no capítulo 13. Se houver muita dúvida a respeito e tiverem paciência, só dar uma olhada lá. (A história de Henri e Teobald II, e sobre Sophie ter um amante por anos) Não consegui achar a autoria da linda capa nem procurando pelo Saucenao, se por acaso alguém descobrir, por favor, avise-me para que eu possa dar os devidos créditos. Tenham uma boa leitura :x

Camus tentava se convencer de que havia entendido errado. A sogra falara tão baixo, a voz tão embargada... teria sido aquilo mesmo? Que conhecia “o segredo”, o SEU segredo?

Mas Henri jamais dissera nada sobre a matriarca dos Auvergne conhecê-lo, tampouco o seu pai, o Duque de Borgonha! Não poderia precisar se estava assustado ou surpreso.

Obviamente... as duas coisas!

— Não é necessário que fiques abalado desse jeito, por Deus! Sou eu quem está morrendo e és tu quem se assemelha a um fantasma... ficaste mais branco que estes lençóis! – Riu a dama, tossindo um pouco em seguida.

— Como... como sabeis? Segundo meu padrinho, apenas ele, Milo e meus pais sabiam… – murmurou, tentando não parecer tão impressionado. Falhava, outrossim.

— É conforme falei-te... – Deu um longo suspiro, mirando o teto. – Era um fardo demasiadamente pesado para a pobre Maude.

— Nunca soube que éreis tão amigas.

— Não éramos.

— Não...? Mas...

Sophie fitou o jovem com profunda compaixão. Via tanto de Maude nele, notadamente o que fizera a falecida duquesa a compartilhar consigo o segredo.

— Claro que mantínhamos boas relações, porém, não éramos particularmente próximas... o que sempre me fez deduzir o grau de solidão e desamparo em que vivia tua mãe. Via-se atormentada por toda a situação com que foi obrigada a compactuar. De certa forma, naquele fatídico 28 de setembro de 1179, Maude perdeu os dois filhos em um só dia... os dois primeiros frutos de seu ventre... pois Camille se foi e Camus não mais poderia existir.

O ruivo mordeu o lábio inferior, tocado por aquela declaração. De fato, sempre creditara o abatimento e deste o advindo fenecimento da mãe à perda prematura e trágica da filha, e ao fato de que o filho fora condenado a não ser um varão. No entanto, nunca havia pensado sob aquela ótica.

Maude perdera os dois filhos em um só dia. E sequer lhe fora permitido vivenciar o luto adequadamente. Sequer pudera externar sua dor legitimamente.

Camus crispou as mãos sobre os joelhos cobertos pela longa saia de veludo. Sua mãe absorvera as duas perdas de modo tão intenso que talvez jamais tivesse amado-o realmente.

Lembranças amargas que ele sempre sufocara agora emergiam, insidiosas...

Maude evitava-o.

Ensinara-o a ler, a escrever, a compor... porque era o básico.

Dispensara-lhe lições de pintura, música, bordado.

Certa vez, Camus retornara dos treinamentos no bosque com o pai e viu a mãe ensinando a Hilda e a Marin como gravar os nomes em finos lenços de seda.

E em outra ocasião ocorreu fato similar...

... não, Maude... sua mãe...

Evitava-o.

Era-lhe doloroso olhar para o filho, arremedo de uma existência perdida.

De DUAS existências perdidas.

Um Camus falso.

Uma falsa Camille.

Nenhum dos filhos que gerou em meio a tanta dor.

Maude banhava-o sem nada dizer. Vestia-o com as peças de baixo, os lindos vestidinhos, mas logo chamava uma criada para penteá-lo, para pôr-lhes as fitas e atavios, as joias...

Aonde haviam ido todas aquelas lembranças?

A lugar nenhum.

Ele apenas não as revisitava. Não era adequado. Não era justo. Fora o causador do sofrimento da mãe, não tinha direito de...

Não.

Havia sido amado pela mãe SIM.

Mas então por que ela havia se entregado à melancolia que a tragara para a morte?

Neste caso, estava sendo mais injusto ainda, pois não apenas ele havia ficado órfão de mãe, mas Hilda, Marin e a pobre Seika, ainda um bebê...

Enxotou tais pensamentos e voltou a se concentrar na sogra, que ao perceber o retorno da atenção continuou:

— Maude, de temperamento naturalmente hermético, fechou-se ainda mais em seu mundo quebrantado. Por que repartiu seu segredo comigo? Ela nunca o disse, contudo, tenho algumas hipóteses. Penso que como estava a par de que a ideia havia partido de Henri, deve ter acreditado que também eu sabia de tudo. Ou talvez precisasse tanto desabafar que escolheu fazê-lo com a consorte daquele que sugeriu o plano a Teobald, pois que esta, supostamente, jamais incorreria em qualquer indiscrição.

Aturdido, Camus não conseguia proferir nenhuma frase. Evitava encarar Sophie, sentindo-se um mentiroso pego em flagrante. Tinha ganas de se levantar e correr, correr até onde estavam os cavalos, montar em um e cavalgar para bem longe. Sentiu a mão da sogra sobre as suas, que permaneciam contraídas sobre as pernas.

— Por que não dizes nada?

— Não sei o que dizer, senhora. – Admitiu, esforçando-se por manter uma expressão neutra. – Não foi escolha minha ser o que sou.

— Sei disso.

— Se pudesse escolher – Fitou-a enfim, as rubras íris cintilando febrilmente. – estejais certa de que eu teria escolhido morrer no lugar de minha mãe. Ou antes... no de Camille.

— Não digas isso. Acaso pode-se ir contra os desígnios de Deus? Tu ouviste algum lamento revoltado de minha parte, eu, que pouco a pouco pereço neste leito?

Enrubescendo, o jovem fez que “não” com um lento menear da cabeça. Ostentando uma feição branda, a dama enunciou:

— Nada no mundo acontece sem que seja da vontade do Senhor Nosso Deus. Maldizer nosso destino é maldizer o presente que Dele recebemos, a vida, a única vida que temos. Claro que podemos nos entristecer mediante dissabores e provações, é normal. Contudo, não é conveniente que reneguemos o que somos e o que nos ocorre. De mais a mais, hoje és bem afortunado, pois encontraste o amor. Meu filho e tu... vós vos amais com um amor resplandecente.

Camus mirou-a surpreso, os olhos arregalados como ele nem sentia que estavam;

— Não... não vos incomodais tal fato?...

Sophie riu com real condescendência. Dir-se-ia que ouvia estultices de uma criança.

— De que forma poderia incomodar-me a felicidade de meu filho amado? No momento em que Milo pôs os pés neste quarto, vi um brilho inédito em seus olhos, em sua face, em seu sorriso. Mesmo quando se ressente de minha enfermidade, sinto-o pleno. Sabes... quando ele ia ou voltava da guerra, ou de algum festim com os amigos, eu distinguia-lhe até alguma euforia. Felicidade, plenitude... jamais.

— A senhora... e-eu... – O ruivo engoliu em seco e abaixou o olhar. – É inútil negar, estou deveras constrangido.

— Tenho ciência disso, o rubor de tua face denuncia-o... tem a cor de seus lindos cabelos!

Àquele gracejo, Camus sorriu, entre divertido e aliviado.

— Além do mais, Camus, confidenciar-te-ei: não és o primeiro homem de tua família a amar um varão.

O sorriso do jovem foi se esvanecendo, até que ele retorquiu:

— Perdoai-me, senhora... não compreendo vossas palavras...

— Teu pai... – Sussurrou, sondando as reações do rapaz ao prosseguir: – Teobald e Henri... mantiveram um breve relacionamento nos tempos de juventude.

A perplexidade apossou-se de tal forma de Camus que ele perdeu totalmente a fala. Boquiaberto, só conseguia esperar que a sogra esclarecesse a impactante revelação:

— Breve... porém intenso... que deixou, ao menos em Henri, marcas indeléveis.

— Não pode ser – Pasmado, o jovem balançou a cabeça em uma incrédula negativa. – A senhora tem certeza disso?!?

— Sim, meu querido... e... ah... dá-me água, peço-te. E bebe um pouco, tu também, vê-se que estás a precisar.

Em um salto, ele ergueu-se e apanhou a jarra de água que repousava sobre a mesa de carvalho polido. Serviu dois copos de cristal sírio, entregando um deles à dama, e o outro virou de uma só vez, bebendo com sofreguidão.

— Agradeço-te. Devo continuar?

—Por favor. – A resposta de Camus veio como um sopro.

— Bem... eles eram jovens... mais jovens do que sois tu e Milo... ambos prometidos, Teobald a Maude desde os oito anos, Henri prometido a mim, desde os dez. Nada incomum na sociedade em que vivemos. Ocorre que, malgrado as grandes invasões tivessem cessado, povos haviam que nunca deixaram de tentar conquistar áreas de nossa França. E assim foi em Vourmont, província próxima a Saint-Doulchard. Henri e Teobald foram para lá defender a região, comandaram milhares de homens em uma batalha sangrenta quanto as dos tempos dos avós de nossos avós. O conflito teve seu fim; saímos vitoriosos. Não obstante, suspeitas de uma possível nova tentativa de invasão vinda de Saorge, na divisa com Itália, pairavam, de modo que Henri e Teobald permaneceram no castelo de Saint-Doulchard, mesmo local onde ficaram com seu exército. Alguns guerreiros foram mandados de volta para Auvergne, Turenne e demais lugares de origem. Uma parte continuou lá, assim como os dois. Foi neste período que tudo se deu. (* capítulo 13)

— No castelo de Saint-Doulchard? Não posso acreditar...

— Espero que tal conhecimento não venha a despertar em ti qualquer desconforto em relação ao teu lar. – Sophie saboreava o estupor do pobre ruivo.

Camus serviu-se de mais água.

Na verdade, precisava era de vinho. E bastante.

— O padrinho contou-vos essa história?

— Ele me contou, quando descobri sobre seus sentimentos para com teu pai.

— Então fostes vós que descobristes, e não ele que a revelou?

— Sim. Queres saber?

—Agora necessito.

A matriarca dos Auvergne deu uma risadinha, mais pela resposta do jovem do que pela recordação que resgatava.

— Seguindo a tradição, Henri e eu casamo-nos mediante um acordo entre nossas famílias. Em suma, não existia amor a princípio, contudo, a exemplo do que ocorre em outros matrimônios, esse sentimento poderia nascer da convivência. Não foi o que se deu conosco. Sempre senti que existia ALGUÉM ali, no coração de Henri, o que extinguia em mim o simples desejo de tentar. Henri sequer se importava quando nos bailes eu era cortejada por algum cavalheiro mais ousado, ou se eu era alvo de flertes nos diversos eventos da corte aos quais atendemos. Sendo primo de terceiro grau do pai do rei de França, sempre éramos convidados para os bailes, caçadas, festas religiosas, solenidades realizadas pela família real e pela nobreza que em torno dela orbitava. Em inúmeras desses eventos, Teobald lá estava, por ser o mais influente nobre de França. Eu percebia o apreço entre os dois, que invariavelmente desapareciam do lugar, retornando muito tempo depois. Contudo, na minha mente infante, tratavam-se de laços de amizade, fortemente estreitados quando das batalhas que juntos travaram pela nossa terra. De minha parte, comprazia-me com a liberdade que gozava, conquanto fosse fruto do desprezo de um consorte...

Notando o olhar consternado de Camus, a dama apressou-se em salientar:

— Oh, não me refiro a “desprezo” em um mau sentido. Melhor seria dizer “desinteresse amoroso”. Henri e eu mantínhamos relações cordiais, chegamos mesmo a constituir uma amizade, fortalecida após o nascimento de nossos filhos. Por isso, ele não se furtou a me revelar tudo à época em que o confrontei; já éramos amigos o suficiente para isso.

— Entendo. E... como... quando aconteceu...?

— Quando teus pais se casaram.

— Oh. – Foi tudo o que o jovem proferiu, incerto sobre o que falar.

— O casamento de Teobald e Maude suplantou até o do rei... nunca se viu nada tão deslumbrante, tanto a cerimônia quanto as festividades que celebraram a união do homem mais poderoso de França com a filha do duque da Bretanha. Em um dos quartos do castelo de Turenne repousava eu da primeira festa, quando notei a silhueta de Henri à janela... o luar claro banhava seu corpo convulso. Espantada, levantei-me e fui até ele, julgando-o sob algum mal estar. Qual não foi minha surpresa quando vi que, na verdade, estava a chorar compulsivamente... jamais havia visto-o prantear daquela forma. Assemelhava-se a um choro de quem experimenta o luto. No entanto, ninguém havia perecido. Foi então que me dei conta do que minhas desconfianças sussurraram-me ao entendimento muitas e muitas vezes... foi então que desvendei, efetivamente, quem habitava o coração de Henri.

— Em nenhum momento considerastes que poderia ter sido por minha mãe, e não por meu pai?

— Não. De qualquer forma, quando inquiri, Henri não se importou em escondê-lo de mim, uma vez que eu já havia entendido o que se passava. Não havia amor entre nós, mas nossa amizade estava estabelecida, e ele precisava muito de um ouvido amigo.

— O padrinho... confirmou?

Sophie assentiu.

—E… e contou de quando...

— Sim, foi naquela noite que ele me contou como tudo começou... como tudo ocorreu... e como tudo terminou. Teobald não possuía intenção de declinar de seu compromisso, tampouco manter clandestina uma relação condenada pelas leis de Deus e dos homens. Separaram-se, preservando, não obstante, a amizade de longos anos, sob a promessa de enterrarem aquela história para toda eternidade.

— É... é incrível... absolutamente inacreditável…

— Não acreditas no que te relatei?

— Não é a isso que me refiro... eu... é uma maneira de falar... acredito na senhora. Eu só não imaginaria que meu pai tivesse sido capaz de entregar-se a tais aventuras... jamais imaginaria...

— Conheces pouco o mundo, Camus. Tal “monstruosidade” faz-se assaz comum em nossa sociedade, e em alguns círculos é mesmo tolerada...

— Não por isso. – O rapaz sacudiu a cabeça. Corou ao explicar. – É que sempre se mostrou tão intransigente quanto a essa modalidade de... de amor...

A dama ergueu uma sobrancelha, lançando-lhe uma expressão interrogativa. O ruivo elucidou, atrapalhado:

—Digamos que ele não foi um exemplo de paciência e tolerância quando deixei transparecer sinais de que eu não necessariamente... bem... pudesse ser afeito às mulheres...

Sophie deixou escapar um riso irônico.

— Como se tal atitude do excelentíssimo Duque de Borgonha pudesse me surpreender! Teobald sempre foi um hipócrita, arraigado aos costumes e tradições que pregavam rigorosamente o contrário do que ele era na realidade.

— E... quanto a mim? O meu padrinho sabe que vós estais a par de meu segredo?

— Isso não. Não achei necessário que soubesse.

— Partilhastes com ele seu maior segredo e não quisestes lhe contar que...

— Trata-se de outra questão, Camus. Henri já tem muito com que se preocupar, muito para administrar. Considerei dispensável esta que poderia ser uma nova preocupação em sua vida. Quanto menos pessoas souberem de tão perigoso segredo, melhor.

Camus desviou o olhar, sombrio.

— É deveras perigoso, com efeito.

— Não apenas tu e Milo seriam severamente punidos, quanto os mentores desse plano. E tal infortúnio significaria a queda das duas famílias. – Considerou a matriarca, em tom ainda mais baixo do que o mantido durante toda aquela conversa.

— Não acontecerá. Com a graça de Deus, NUNCA acontecerá. – Disse o ruivo, decidido. Aparentava uma força da qual somente naquele instante dava-se conta a mãe de seu amado. Esta lhe sorriu com suavidade, e elevando a voz, pediu:

— Por favor, Camille. Volta a executar o teu saltério, sim? És tão talentosa, peço-te...

— Então... não condenais que Milo e eu...

Sophie respondeu através do sorriso que em breve iluminaria o céu.

Com os olhos marejados, o ruivo assentiu e tomou do instrumento.

Em uma prece silenciosa, rogou a Deus que lhe concedesse, ao menos por aqueles minutos, a capacidade de tocar o saltério de forma realmente magistral...

*************

Milo caminhava em círculos sobre a relva, resmungando nervosamente para o pai, que sentara em uma grande pedra a fim de descansar sob o fraco sol outonal.

— Não entendo como tiveste coragem de confessar-me algo tão... tão...! Confessar que te relacionaste de forma íntima com um... um varão!

— Foi como ouviste.

— E o reforças assim, tão tranquilamente!...

— Tu também me confessaste que te relacionas com um varão... embora tua confissão não tenha sido feita de maneira tão tranquila...

— É DIFERENTE! Não ouses comparar-me a ti! É BEM DIFERENTE!

— Oh, sim?

— Sim! Completamente diferente!

— Bem – Henri levantou-se, tirando o pó da rocha das roupas com batidas de mãos – espero que possas elucidar-me acerca dessa “diferença”...

Malgrado estivessem sós, e bem afastados de qualquer pessoa, no coração do bosque onde haviam treinado esgrima minutos antes, o jovem cuidou para não deixar que sua indignação elevasse sua voz:

— Eu nunca fui um invertido. Jamais passou-me pela cabeça que viria a me apaixonar por um homem...

— Até aí não desvendo diferença alguma. Tampouco eu nutria interesses dessa natureza por varões antes de conviver com Teobald.

Revirando os olhos dramaticamente, Milo bufou:

— Cristo! É BIZARRO ouvir-te falar o nome de MEU SOGRO como se rememorasses um grande amor de juventude!

Henri deu de ombros, retrucando com simplicidade:

— Pois é exatamente isso que ele é.

— Deus!...

— Milo, tanto se me dá se a ideia te parece repulsiva ou não. O que quis com minha revelação foi mostrar a ti que de modo algum eu poderia condenar-te por amares um homem.

— Tua história não se nivela à minha. No meu caso, fui levado por circunstâncias alheias à minha vontade. Tu e teu... – disse o nome do sogro com uma careta – Teobald me enganaram; me entregaram “Camille” como “noiva” sem que tivessem me advertido de que tudo era uma farsa.

— Expliquei-te a razão à época...

— Apaixonei-me pela figura a mim apresentada, à primeira vista. – Interrompeu o pai, encarando-o com severidade. – Quando a verdade me foi revelada, eu quis odiar Camus. Acreditei que o odiava. Tentei prová-lo... a ele e a mim mesmo. Eu o fiz sofrer. Não imaginas como... eu... até o machuquei.

Suspirou, pesaroso com lembranças que emergiam. Henri respeitou-lhe o silêncio, mirando-o com compaixão e um pouco de culpa.

— ... eu queria com todas as forças odiá-lo. No entanto... ele me atraía com uma força inexplicável... irresistível... durante uma viagem à Andaluzia, dei-me conta de que o amava. Nunca entendi como fui levado àquilo. Foi necessário muito sofrimento... e até mesmo uma tragédia... para que nós... – Semicerrou as pálpebras trêmulas, abrindo-as em seguida e deixando visível o fulgor de suas íris celestes. – Não. Em nada eu e Camus nos assemelhamos a vós.

Henri descruzou os braços e gesticulou ao enunciar, calmo:

— Chamas teu casamento arranjado de “circunstâncias alheias à tua vontade”. E o que seria para ti uma guerra por territórios de França, na qual tivemos que combater eu e Teobald, com menos de vinte anos? Que seria para ti passar quase dois anos longe do lar, em acampamentos precários, convivendo com o frio, a fadiga, a dor, o medo, a morte? Este foi o cenário em que eu e Teobald vivemos, tendo praticamente um ao outro como esteio e amparo.

Desta vez foi Milo quem cruzou os braços, ouvindo o pai com atenção.

— Nossa amizade remontava aos tempos de treinamento, mas foi nas guerras que ela se fortaleceu. E eis que um acaso do destino determina que fiquemos por oito meses isolados no Castelo de Saint-Doulchard, sem tropas, sem mais pelo que lutar... apenas vigiando. Apenas esperando. Praticamente um ano, distantes de tudo e de todos, a solidão e o marasmo nos aproximando cada vez mais... até que...

— Está bem, basta. É onde moro. Eu dispenso os pormenores dessa história.

Henri deu uma sonora gargalhada. Milo coçou a cabeça, desviando o olhar, ainda constrangido.

— A mãe sabe disso...?

— Sabes que Sophie e eu não temos segredos um para com o outro.

— Santo Deus, sois o casal mais insólito que existe, por certo...

— Não posso discordar. Tive minhas aventuras... ela teve as delas... não nos amamos como marido e mulher, porém nos amamos de um jeito que eu não consideraria inferior ao amor conjugal.

O jovem considerou-o, perguntando-se se algum dia entenderia realmente o que foi a relação dos pais. Ele, que encontrara o amor no matrimônio, não poderia compreender... entretanto, aliviava-o que eles mesmos não se ressentissem daquela peculiar sociedade. Aproximou-se do pai, e comentou, subitamente amargo:

—Tampouco eu teria direito de condenar-te. Apenas foi-me assaz impensável. O que acho curioso é que Teobald tenha sido tão rigoroso para com Camus quando ele próprio tivera aventuras amorosas com um macho... agrediu-o por um mero beijo, o pobre Camus, que era tão inocente... ao passo que ele... oh, é imperdoável! Creio que agora eu verdadeiramente o odeie.

— Não o odeies. Teobald foi rígido com Camus simplesmente porque é um homem rígido consigo mesmo. – O Conde D’Auvergne fez-se sério. – Ele abdicou de todos os anseios de seu coração em prol do sangue... do dever... de sua linhagem. Ele considerou que não poderíamos levar adiante aquele sentimento que se moldou com anos de convívio. Havia um ducado para assumir. Uma família para formar. Não caberia em sua vida um amor mais que proibido... condenado.

— E em tua vida, meu pai... caberia?

Henri sorriu com melancolia ao responder com a franqueza que sempre lhe foi característica:

— Conforme podes concluir, o sepultamento desse amor foi escolha dele, não minha. E respeitá-la foi minha prova de amor. Incrivelmente, Teobald veio a amar Maude de verdade.

— O velho hipócrita deve achar que eu fui mesmo arrumar uma concubina, não?

— Agora que tocaste no assunto... acredito que sim. Teobald possivelmente acredita que tu constituíste a tal família clandestina, enquanto Camus vive pacatamente em meio aos seus livros no Castelo de Saint-Doulchard.

— Daqui a poucos meses será o casamento de Aiolia e Marin. Reunir-mos-emos outra vez. Que devo eu fazer? Contar-lhe a verdade? Não quero que ele se indisponha novamente com Camus. A bem dizer, não hei de tolerar qualquer incivilidade de sua parte. Se ele ousar levantar a mão contra Camus, desta vez não vou apenas apontar minha espada contra ele.

— Não te atormentes por antecipação. Nada disso acontecerá. Eu... oferecer-me-ia para avisá-lo por carta, mas não é o tipo de missiva que se mande a alguém. Nunca sabemos se alguém poderia interceptar, uma vez que seria uma correspondência destinada ao homem mais poderoso de França.

— Não tem problema, eu protegerei Camus não importa quem ele seja. – Sentenciou, com obstinação feroz.

Henri lançou um olhar admirativo ao filho, tanto pela galhardia quanto pela lealdade a quem amava. Chegara a julgar que seu primogênito jamais seria daquele jeito, ele, que fora tão hedonista e altaneiro no passado. Considerou que aquela era a deixa para sanar uma determinada dúvida:

— Milo, e quanto à questão do herdeiro? Já a discutiste com Camus?

Surpreso com a súbita abordagem do tema, o loiro não se furtou à verdade:

— Não. Desde que nos casamos, não houve ocasião que propiciasse tal discussão. Enfrentamos problemas... passamos por situações dramáticas... e finalmente encontramos juntos a felicidade. E desde então só a ela temos nos entregado, claro, cumprindo outros deveres, mas...

— Filho. Sabes que também a questão da descendência é um dever.

Um tanto impaciente, Milo admitiu:

— No momento tal preocupação não é uma prioridade. Camus sofreu por toda sua vida, e tudo em que almejo empregar meu empenho é a manutenção de sua felicidade.

— Tua atitude é louvável. Contudo, algum dia terás que planejar como obter um filho varão.

Milo desviou o olhar, engolindo em seco. Incomodava-o aquelas palavras que pareciam toldar seu céu claro de harmonia.

— Há muitos nobres que demoram anos para gerarem um rebento. Assim serão os condes de Saint-Doulchard. Que grande escândalo seria esse?

—Demoram… mas TÊM, Milo. Que seja ano que vem. Que seja daqui a dois anos. Que seja daqui a dez anos. Como PRETENDE ter esse filho, se desistiu da concubina?

— Pai. Enfrentarei o mundo. Enfrentarei as leis da sociedade. Mas jamais hei de me deitar novamente com alguém que não seja Camus. Não o trairei...

— ... nem para resguardar-vos?

— Não.

— E quanto a Camus?

Milo olhou-o, com estranheza.

— Não compreendo. Como assim, “quanto a Camus”?

— Mediante certos estratagemas, poderia ser ele a copular com uma mulher. Talvez no estrangeiro, bem longe daqui, onde ninguém conhecesse a corte francesa...

— Só podes estar delirando! Fazes ideia do risco que ele correria, mesmo que concordasse com tamanho disparate?!?

— Destarte, cabe realmente a ti. Que seja para já, ou que demore um tanto; tu terás que arrumar esse rebento, Milo.

Balançando a cabeça, o cavaleiro afastou-se um pouco do pai, tentando não se aborrecer com aquela insistência.

Ele não queria cumprir protocolos. Não queria deixar herdeiros. Não queria seguir a tradição. Não queria obedecer aos desígnios da sociedade. Ele só queria fazer Camus feliz. Camus já havia sofrido tanto na vida! Não lhe infligiria uma traição, nem mesmo em prol da manutenção de sua genealogia.

— Um casal de nobres sem filhos sempre despertará estranheza, Milo. E da estranheza pode advir a desconfiança. Lembra-te de que desconfiança não é nada bem vinda à situação em que vós viveis. Apenas pensa nisso.

— Bem... neste caso... poderíamos adotar um menino. – O jovem virou-se para o pai, estalando os dedos como que subitamente empolgado pela ideia repentina – Partiríamos em uma longa viagem... iríamos às terras altas da Europa... onde há mais pessoas com os cabelos de fogo como os de Camus. Havemos de encontrar um enjeitado... ou ainda... alguma pobre moça que queira nos vender um menino que tenha acabado de parir... substituir mais uma boca faminta pela garantia vitalícia de víveres para uma prole já existente parece assaz vantajoso, não?

Henri coçou a barba prateada, refletindo no que ouvia. Não era de todo absurdo, e vários aristocratas àquelas táticas vinham recorrendo através dos tempos. Milo e Camus não seriam os primeiros, e certamente ser-lhes-ia bem mais perdoável tal expediente...

— Bem, são possibilidades. Pensemos meticulosamente sobre cada uma delas. – Anuiu o velho conde, sentindo-se satisfeito pelo fato de que o filho ao menos estava pensando sobre o assunto que vinha até então evitado.

— Ao voltarmos com o bebê nos braços, diremos que quando partimos, “Camille” já estava “grávida” – Milo continuava planejando, sorrindo. – Calcularemos o tempo e ninguém há de estranhar que retornemos com um filhinho embrulhado...

— Muito que bem, tempo há para traçar um plano de ação. Não ajas com afobação, ouviste? Primeiro, o casamento de teu irmão. Depois... a caça ao seu ruivinho.

— Sabes que falando assim, até que me deu uma certa vontade?

— Acautela-te, não é de um brinquedo que estás a falar. E deves entrar em acordo com Camus, antes de mais nada. – Admoestou-o o pai, grave.

Milo assentiu. Ambos recolheram suas armas e pertences e voltaram para os cavalos. Era hora de retornar ao castelo. O céu escurecera e o vento trazia promessas de tormenta.

*************

Chovia torrencialmente quando Milo e Camus recolheram-se aos seus aposentos.

Ambos estavam silenciosos, e ambos percebiam aquela estranheza no ar.

Após haverem trocado as vestes e se preparado para o repouso, decidiram enfim romper o silêncio.

— Meu pai disse-me coisas assombrosas que desejo partilhar contigo. Só não sei por onde começar.

— Do mesmo modo procedeu tua mãe para comigo...

— Ofendeu-te?

— Não! Ao contrário... e teu pai?

— Tampouco. – Suspirou, unindo forças para contar. – Eu prefiro ser direto, é menos dificultoso para mim. Sei que parecer-te-á um disparate, mas... teu pai e o meu... eles... não, não sei como dizer!

— Oh. Será possível... que seja o mesmo que tua mãe me contou? – O ruivo uniu as mãos à frente dos lábios.

— Que te disse?!?

— É algo forçoso de sair pelos meus lábios... não que eu os recrimine, apenas... apenas foi... foi...

— Inesperado.

— Impensável.

Os dois, sentados à cama encararam-se longamente.

— Eu proponho que tenhamos esta conversa tomando um vinho. – Disse o loiro, sorrindo sem graça.

— Tua proposta soa-me assaz pertinente, senhor meu marido.

*************

A Idade Média foi um período tão extenso que arriscado é afirmar algo sobre ela. Características tidas como próprias do período medievo podem fazer alusão a hábitos verificados mais em uma ou outra determinada região da Europa, ou a eras seccionadas atualmente, como a Baixa Idade Média ou a Alta Idade Média. Entretanto, dificilmente encontrará dissonâncias a afirmação de que a morte nesse período era um evento público.

Três eram os grandes eventos da vida de um homem, celebrados publicamente: seu batismo, seu casamento e sua morte. Esta última não celebrada da forma alegre dos dois anteriores, mas como um preparo para a vida eterna, fruída na presença do Criador, na glória celestial. As maneiras mais desejadas de morrer eram bem antagônicas: como um guerreiro, bravamente em alguma batalha, e como um santo, em meio a um fenecimento constante e pacífico.

Sophie experimentaria a segunda maneira.

O quarto do doente virava uma espécie de centro de peregrinação; amigos, parentes, religiosos, por ali passavam, não perdendo a oportunidade de se despedir e pôr em ação a caridade requestada pela Santa Madre Igreja Católica. Constituía, acima de tudo, um momento de reflexão, de contemplação do próprio destino, em uma época em que morrer era tão fácil. Um sacerdote tomava as confissões do moribundo, regularmente, evitando o risco do falecimento antes da extrema-unção. Assim foi a rotina dos seis dias que precederam a partida da matriarca dos Auvergne.

Em uma manhã cinzenta de outono, Sophie D’Auvergne exalou seu último suspiro, assistida por sua família, por alguns nobres piedosos, criados e pelo bispo de Auvergne. Jamais foi plenamente desvendada a moléstia que consumiu-lhe a vida aos 39 anos de idade. Entretanto, seu marido e melhor amigo conhecia a semente da fatal enfermidade: a dor de haver perdido o amante, dois anos antes, um leal e garboso vassalo, vitimado pela “peste branca” aos 31 anos de idade. (1) Pelo companheirismo por ela oferecido, o conde pediu em silenciosa oração, que eles se encontrassem na outra vida. Um choro alto e sentido vinha das camareiras, sempre bem tratadas pela senhora. Aiolia chorava agarrado aos pés da mãe, envoltos no lençol alvo. Uns nobres que visitavam-nos pranteavam sentidamente. Camus contemplava o semblante da sogra, tranquilo como jamais deixara de ser, lívido e belo como um lírio fresco no romper da aurora. Lamentava ter tido tão pouco tempo com Sophie... tanto pela pessoa agradável que mostrara ser quanto pelo que ela simbolizava: um elo com um passado renegado. Uma forte e doce presença feminina que por breves átimos chegou mesmo a delinear algo de maternal. Olhou para o marido; sentiu-se consternado ao vê-lo verter lágrimas lentas, em um pranto silencioso, contido. Milo pôs a mão sobre a fronte da mãe, admirando-lhe a força de ter caminhado para aquele fim com graça, leveza e espírito.

— Descansa em paz com Nosso Pai e Criador, minha querida mãe. – Murmurou, comovido.

— Mãe, minha mãe!!! – Chorava Aiolia, em cujos ombros pousaram as mãos de Camus, compungido com o sofrimento nada comedido do cunhado. O irmão mais velho aproximou-se dele, abraçando-o. Era uma tocante visão, os dois jovens chorando um nos braços do outro...

O cortejo fúnebre seguiu para a Catedral de Auvergne. Apesar de os membros da família serem enterrados no cemitério atrás da capela do castelo, Henri preferiu dar à estimada Sophie a companhia eterna do Barão de LeGrand, sepultado na suntuosa e antiga igreja. Seus filhos não contestaram-lhe a decisão, e sequer inquiriram o motivo. Sabiam que os pais possuíam uma ligação raríssima entre cônjuges àquela época, logo, a escolha de Henri fazia-se absoluta.

No dia seguinte, Milo e Camus retornavam a Saint-Doulchard. Despediram-se de Henri e de Aiolia, fazendo votos de Bom Ano Novo, e combinando de se reencontrarem no enlace matrimonial do caçula dos Auvergne e da graciosa Marin de Turenne.

Camus acariciava o dorso da mão do amado, quieto e desfeito pela noite insone. Com a mão livre, alisava os cachos dourados que emolduravam-lhe a bela face abatida pelo luto.

— Tua mãe foi uma mulher indômita. Não a vi proferir uma só sentença queixosa, malgrado caminhasse para o fim...

— Sim. Tenho muito o que aprender com ela.

— Não és particularmente murmurador. Tens ânimo e boa vontade em tudo que fazes. Ela tinha orgulho de ti, e o verbalizou amiúde.

Milo sorriu tristemente e beijou-lhe com delicadeza os lábios róseos, em um mudo agradecimento.

— Minha madrinha não tinha segredos para com teu pai. Achas que foi-lhe ímprobo manter sigilo quanto à ciência de “Camille”?

— Imagino que tenha sido menos dificultoso do que teria sido deixar meu pai preocupado. Não que ela achasse que meu pai poderia não confiar nela. Mas...

— Talvez o tivesse feito também por minha mãe.

— Sim, é uma possibilidade. Saber que Maude estava a contar o segredo para outras pessoas poderia deixar nossos pais inquietos, no mínimo.

— Preocupa-me que minha mãe possa ter dividido esse segredo com outras pessoas. – Inconscientemente, o ruivo achegou-se mais ao esposo. – Não sei. Pelo que a condessa me disse, ela estava tão atormentada... penso que tornou-se instável quanto a algumas convicções.

O cavaleiro abraçou o marido, tentando transmitir-lhe conforto:

— Estás impressionado com esse acontecimento. Debalde preocupas-te. Maude somente prestaria tal confidência a alguém que igualmente de todo plano estivesse a par.

— Mas a madrinha não estava a par.

Milo deu de ombros.

— Tua mãe inferiu que, sendo minha mãe a esposa de quem tramou tudo, o óbvio seria que soubesse de tudo.

— Sim, faz sentido... perdoa-me, importuno-te com meus temores tolos, tu, que acabaste de perder um ente querido.

O loiro amparou o rosto do amado com as palmas cálidas:

— Tu nunca me importunas, Camus. Ademais... eu compreendo teus temores. Apenas asseguro-te que são infundados. Ninguém há de descobrir sobre ti... sobre nós... jamais. Basta que sigamos com cautela, conforme reforçou meu pai.

— E conforme pontuou ele... um herdeiro ajudaria nisso, não?

— Sim, contudo não se trata de uma medida imediata. Havemos de traçar uma estratégia, e então... penso que deveríamos esperar Afrodite retornar de Paris.

— Eu concordo.

— Não pareces animado.

— Eu não sei como me sentir em relação a isso, Milo – Confessou, inexpressivo.

— Como disse, temos tempo... um dia de cada vez. Sigamos o exemplo de minha mãe, que não permitiu a ansiedade lhe dominar nem nos instantes mais críticos de sua vida.

Suspirando, Camus beijou-lhe a face, terno.

— Verdade. É assim que devemos ser. – Ataviou, ciente, porém, de que mais fácil era falar do que fazer...

***********

Notas finais
(1) Um pouco dessa história também foi contada no capítulo 13. Em uma época de casamentos arranjados, de matrimônios como meros acordos entre famílias e até entre reinos, muitas vezes o adultério continha a única maneira de se conhecer o amor romântico. Não por acaso, o amor cantado no Trovadorismo frequentemente advém de relações extraconjugais, mais ou menos toleradas de acordo com o contexto social e com a época. Inclusive a "família clandestina", que seria a forma de Milo obter sua descendência era um expediente ao qual os nobres recorriam bastante, fosse para esse fim, fosse para encontrar "o real sentimento" em um relacionamento estável e duradouro. ************* Havia uma sequência final, entre Dite e Shura, em Saint-Doulchard, mas decidi deixá-la para o próximo capítulo. Ela não estava concluída. ainda havia muito o que ser trabalhado, e eu fiquei terrivelmente gripada esta semana. O ânimo zerou aqui... contudo, quis que a atualização não demorasse mais - já fez um mês desde a última... assim que melhorar, devo conseguir terminar de compô-la. Obrigada por prestigiar, até o próximo capítulo! o/ Link do tema do capítulo https://www.youtube.com/watch?v=RMP1RX8z5Ew&index=6&list=PL920946A78A62832A