Dama Da Noite

9 Breve Brincadeira de Perseguição


Notas iniciais
Alguém aí lembra da delirante ideia de Avery sobre fadinhas azuis? Pois é...

Com toda certeza, ela os havia surpreendido. Nick a congratulava sem parar, mesmo tendo seu soldado morto no chão. Mas Sebastian só estava parado ao lado do trono com uma expressão estranha. Ela iria exibir seu olhar orgulhoso por um tempo, até se cansar.

–Irmão, você tem uma humana muito hábil.

“Epa, o que foi que ele disse?”

–Sim. Vamos embora agora, ainda há outros lugares em que precisamos passar.

Agora era Avery quem devia estar com a expressão estranha. Ela estava processando a informação. E decidiu esperar para brigar com Sebastian quando saíssem dali.

–Não, não, espere mais um pouco. –Nick pediu.

–Sinto muito, não podemos. Como já disse, temos de passar em outros lugares.

–Ah, eu só quero...

Não ouviu o resto, porque estava sendo empurrada para fora do palácio. Ela notou muitos animais, mas aparentemente eles pensaram “Se saíram vivos, não devemos devorá-los, não é?” porque abriram passagem.

Logo que os dois saíram do vilarejo e ela voltou a ver névoa, parou de caminhar e olhou séria para Sebastian. Disse apenas uma palavra:

–Irmão?

Ele suspirou pesadamente.

–Já está na hora de te contar tudo? Não quer esperar mais um pouco?

–Não.

–Está bem. Vamos nos sentar e lhe digo a verdade.

–Acho melhor não. Vamos andando, não quero ficar aqui.

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Depois de ter explicado toda a hierarquia do lugar, Sebastian continuava falando. Dessa vez sobre os Cônsules.

–...eles controlam tudo. São a lei. E as almas dos humanos vão para lá, onde são julgadas.

–Lá onde?

–Não sei, nenhum de meus irmãos nunca foi e nem eu. Os Cônsules só aparecem de vez em quando, para nos mandar avisos.

Era uma conversa quase entediante, Avery queria se divertir um pouco. Mas algumas partes eram interessantes, como saber sobre os irmãos de Sebastian.

Além dele e de Nick, haviam outros três, Jay, Will e Mitchell. Ele disse que precisavam buscar cinco pedras, cada uma representando um poder, e assim ela poderia voltar para o seu mundo sem os Guardiões saberem.

O mais divertido era tentar adivinhar que poderes os outros tinham. Mas Sebastian não lhe dava nenhuma pista, ele não gostava dos irmãos, talvez por ser o mais novo.

–Não sou o mais novo. Todos temos alguns segundos de diferença. –Ele não gostava muito de falar sobre isso. –E por ser o último, fiquei com toda a herança.

–E o último reino.

–O meu é melhor. Eles todos são inúteis.

Por enquanto, ela se divertia com o ponto fraco de Sebastian.

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Ele já estava acostumado a falar sobre aquilo, por isso sua voz saia monótona. Aquela humana insistia em falar nos seus irmãos e afirmar constantemente que ele era o mais novo. Teve vontade de fazê-la em pedaços e não entendeu porque não o fez. Continuaram andando.

Grandes e altos muros de pedras e muitas árvores. O reino de Jay.

–Chegamos. — Anunciou, parando.

Um grupo de gnomos saem das árvores, a humana arfa de surpresa.

–Meu Deus, fadinhas azuis! Eu tinha razão!

–Não somos fadas, somos gnomos. –O mais velho e feio diz, se pronunciando.

–Ah, tá. E eu sou Xena, a Princesa Guerreira. –Ela diz, com um sarcasmo totalmente inesperado. –Onde estão suas asas? Pensei que fadas voassem.

A expressão do gnomo muda para uma profunda irritação, e a cor dele muda para o roxo.

–Não somos fadas. E vamos mata-la por esse insulto. Peguem a humana!

–Epa, irritei as fadas. –Ela faz questão de dar muita ênfase na última palavra. –Hora de correr, Drake, venha!

Naqueles segundos, se seguiu uma sequencia de fatos estranhos, até para ele:

1º A humana estava rindo histericamente dos gnomos

2º Ela o chamara por seu segundo nome

3º Ela agarrara sua mão e agora os dois estavam correndo, e ele gostara do contato.

O último fato era muito anormal, definitivamente aquilo nunca tinha acontecido com ele:

Estavam sendo perseguidos por gnomos azuis que mal chegavam aos seus joelhos, eles tinham uma boca incrivelmente suja e agitavam suas faquinhas furiosas no ar.

–Ficou maluca? Vão te matar.

–São só fadas irritadas, não seja idiota. Só estou brincando com elas.

–Espere até suas “fadas” chamarem seus priminhos trolls. Pare agora e peça desculpa enquanto temos tempo!

–Tarde demais. –Ela disse, olhando para trás. –Aqueles ali são os trolls?

–Porque está fazendo isso? Um minuto atrás você estava normal.

–Ah, a viagem estava muito chata. E, além disso, sempre quis ver gnomos de perto. Pensei que seriam mais bonitinhos, que decepção.

Com certeza a parte sobre os gnomos era mentira, mas a viagem estava ruim mesmo. “Ela só pode ter enlouquecido, gnomos se irritam muito fácil” Sebastian pensou, notando que ela o estava levando para o palácio no meio da floresta, seguidos por uma legião de monstros que queriam seu orgulho de volta. “A floresta faz isso”, concluiu, olhando momentaneamente para a mão dela, quente e macia, segurando a sua.

Ele não estava entendendo muito. Só queria saber o que aconteceria quando Jay visse a confusão que a humana tinha arrumado. Deu de ombros e correu.