Dama Assassina
3 Preparação da Viagem à Bordeaux
Notas iniciais
Atualmente.
Ainda eram seis da manhã, mas Anthony já estava de pé, ele iria a uma festa e precisava pegar o Trem que o levaria ao seu destino. Um jovem rapaz de 29 anos, cabelos negros, um tom de pele clara. Olhos castanhos escuros, uma altura mediana. Bem sedutor. Esse é Anthony Hernandez. Vive em Paris. Sempre tem a companhia de Heitor em suas viagens, um senhor que sempre cuidou dele. Mora sozinho em seu apartamento.
–Vamos de TGV?
–É claro, senhor. O "Train à Grande Vitesse" é a maneira mais rápida de viajar.
–Estão te pagando pra fazer propaganda?
–Como senhor?
–Nada.
–Eu pesquiso sobre tudo, para poder ter a plena certeza da qualidade.
–Isso é excelente! Já que eu não o faço.
–Eu sei, por isso não deixo isso em suas mãos.
–Engraçadinho hoje, hein. Muito tempo de viagem? Não quero chegar lá cansado. – Disse Anthony colocando uma jaqueta Fatigue, com dois bolsos na altura do peito, de cor marrom que ao brilho do sol ficava deslumbrante.
–Creio que o senhor deva levar mais casacos.
–Já peguei três.
–De couro?
–Sim.
–Esse sol de primavera engana muito.
–É... Ainda mais em Bordeaux. – o rapaz parou um pouco – Odeio quando você faz isso.
–E o que eu fiz, senhor?
–De velho só tem o rosto, porque essa mentalidade é mais esperta que a minha.
Heitor deu um leve sorriso de canto.
–E então? Não vai me dizer se vai demorar?
–Ah, sim. Peço perdão por ter mudado de assunto ao fazer a pergunta.
–Não peça perdão, me responda.
–Não. O horário previsto é de – o senhor olhou para o relógio em seu pulso – três horas. Se sairmos no devido horário marcado, chegaremos por volta das 10hs e 30 min da manhã e o senhor poderá aproveitar o tempo restante.
–Já disse que adoro quando você explica tudinho? E que amo essa sua voz rouca que me lembra meu pai?
–Hoje não, senhor.
–Hoje não... – Anthony sorriu.
–Posso pedir que subam para pegar as malas?
–Sim, caro Heitor.
–Não me chame desse jeito.
–Por que não, Heitor? – Anthony enfatizou quando disse o nome.
–O senhor sabe que, acima de tudo, sou seu mordomo e empregado.
–E você sabe que, acima de tudo, te considero um segundo pai.
–O senhor consegue convencer de tal forma. Por isso está neste cargo tão privilegiado.
–Ser um grande empresário, realmente, não é pra qualquer um.
–Não é para qualquer jovem, como o senhor.
–Não sou tão jovem assim, caro Heitor.
–Claro que não é. Não tão jovem quanto eu. – o senhor saiu dali sorrindo e se dirigiu ao telefone. – Peço que subam?
–Sim, por favor.
Depois de um tempo dois rapazes bateram na porta, eles que levariam as malas até a portaria. Heitor indicou onde estavam e os dois foram, em silêncio, até as mesmas.
–Merci. – disse Anthony colocando seu relógio, um Orient dourado, com o analógico elegante.
–Só isso? – perguntou um dos rapazes.
–Sim, e, se não for incomodo, peço que coloque-as no carro.
–Sim, senhor. – disse o outro rapaz, se retirando com as malas.
Uma mulher, com longos cabelos negros parou um dos rapazes.
–Você descobriu? Fez o que mandei?
–Sim. – respondeu o rapaz com um pouco de medo.
–Ele vai mesmo à Bordeaux?
–Sim. Já está de saída, irá embarcar no trem às 07:30, se eu não me engano.
–É bom não se enganar. Não terei piedade ao enfiar minha amiguinha em você. – a mulher sorriu e pegou uma faca, no bolso do seu sobretudo.
–N-não precisa me ameaçar, não falarei nada.
–Acho bom, será como se nunca houvesse me visto. – ela aproximou a faca até o peito do rapaz e começou a cortá-lo – Está entendo?
–S-sim...
O rapaz se afastou um pouco dela e olhou para trás ao ouvir seu nome.
–Bruno! – chamou o outro porteiro, parado na porta do elevador.
O rapaz olhou para frente e a mulher não estava mais lá, havia sumido e apenas uma sacola estava a sua frente. Bruno pegou com um pouco de receio e abriu. Tinha um bilhete dentro.
“Está tudo em dólar, acho que assim é melhor... É bom você ficar caladinho, não contar a ninguém, assim como sumi sem perceber, posso aparecer e acabar com a sua vida... Att. Dama Assassina... Ah! Antes que me esqueça... O meu “A” está marcado em seu peito... Uma pequena lembrancinha, preciso deixar minha marca.”
Bruno soltou a sacola e olhou para seu peito, realmente tinha um “A” com sangue, pois eram cortes formando a letra, ele rapidamente limpou o sangue que escorria, ficou com tanto medo que nem sentiu a dor, ele pegou a sacola, não contou o dinheiro, mas viu que era uma grande quantia, a colocou na frente do seu ferimento para que o outro porteiro não visse.
–Pensei que teria que puxá-lo para vir logo! – disse o rapaz irritado.
–Desculpa, eu estava... Estava com dificuldade de puxar a mala.
–Bruno... Bruno... Você é muito fresco. Vamos logo.
Os dois entraram no elevador, e antes da porta fechar, Bruno viu uma mulher com longos cabelos negros passar. Ele sentiu um arrepio tomar seu corpo e ficou pálido.
–Tá tudo bem, cara?
–Tá sim Fernand, não se preocupe.
Bruno apertou a sacola contra seu peito e respirou fundo.
Enquanto isso, no apartamento, Anthony parou a frente de Heitor.
–E então? Estou bonito como sempre?
–Está bonito sim, mas não como sempre. Você nem sempre é bonito. – Heitor saiu dali e foi buscar seu casaco.
–Já disse que adoro a sua sinceridade? – perguntou o rapaz num tom irônico.
–Gostei da combinação do dourado com marrom. Deveria fazer isso mais vezes. – disse Heitor, mudando de assunto. Como ele tinha facilidade de fazer isso.
–Irei conquistar algumas garotas assim?
–Não. Mas irá jogar um charme.
–Você tem um senso de humor incrível, caro Heitor.
–Eu sei disso. – o senhor o olhou sério, mas logo abriu um sorriso – Vamos? Já são sete horas.
–Vamos.
Os dois começaram a andar em direção ao elevador. Anthony apertou o botão, não demorou muito e um logo abriu as portas. Era magnifico cada detalhe de um simples elevador, com um tom vermelho e texturas douradas. Nas três extremidades havia espelhos, era um elevador bem elegante. O prédio inteiro era. Tudo impecável.
–Heitor, está parecendo uma senhora segurando o casaco dessa forma.
–É um jeito simples de leva-lo.
–No braço? – Anthony riu — Parece uma senhora.
–Pelo menos sou uma senhora bonita? – Heitor o olhou sério e Anthony caiu na gargalhada.
–Vejo que minha viagem não será tediosa.
–Fico feliz em agradar o senhor. Mesmo não sabendo como, pois não sou de fazer piadas.
–E nem precisa, caro Heitor.
O elevador parou na recepção e os dois saíram, se dirigiram a portaria, onde um taxi os esperava.
–As malas já foram postas no carro. – disse o porteiro.
–Merci, Bernard.
–Bon voyage. – o porteiro se despediu dos dois.
O rapaz apenas acenou e entrou no carro, com um sorriso gentil no rosto, seguido por Heitor.
–Você puxou isso de seu pai.
–O que? – perguntou Anthony, se ajeitando no banco de trás do carro.
–Ter esse diálogo com todo mundo. Trata a todos com muita gentileza.
–É verdade... Meu pai sempre foi assim.
–Isso é exemplo de humildade, meu jovem.
–Para onde? – perguntou o taxista.
–Para a estação. – respondeu Heitor.
–Desculpe a indelicadeza, mas irão viajar naquele trem de luxo? – indagou o taxista saindo do encostamento e seguindo para rua, parando no sinal.
–Sim. Uma viagem longa. – disse Anthony desanimado.
–Não tão longa assim, senhor. Apenas três horas de viagem.
–E para onde vão?
–Bordeaux. – respondeu Anthony.
–Uma cidade linda. Assim como aqui, Paris. Soube que é margeada pelo Rio Garonne, o porto mais antigo da França.
–Estou surpreso. – disse Heitor.
–Meu filho já foi para lá, trouxe fotos incríveis. Une belle ville.
–Oui, oui. Muito bela mesmo. Tão bela quanto Paris, como o senhor mesmo disse.
O taxista não demorou muito e chegou à estação. Ajudou a pegar as malas e depois foi embora.
–É bom conversar com as pessoas durante uma viagem. Passa tão rápido.
–É verdade, senhor. E a hora passa tão rápida, que faltam apenas cinco minutos para o trem partir.
–Então devemos correr?
–Eu creio que sim.
–Está disposto a correr?
–Olha bem pra mim e vê se eu tenho cara de maratonista? Corra você e peça para esperar um jovem senhor.
–Um jovem senhor... Claro.
–Está me chamando de velho? – Heitor o encarou.
–Eu? Non!
–Então leve nossas malas até o trem e me aguarde.
–Sua autoridade não está passando dos limites não, caro Heitor?
–Não. Sou mais velho. – o senhor riu ao olhar a cara que o rapaz fazia.
Anthony chamou uns meninos para que o ajudasse a carregar as malas. Chegaram ao expresso na hora exata.
As malas foram direcionadas para um local reservado a elas. Heitor e Anthony embarcaram e sentaram-se em uma confortável poltrona, tão macia e aconchegante, num tom avermelhado de couro. Era um trem surpreendente tanto na parte de fora quanto a parte interior. Tudo incrivelmente luxuoso. Seria uma viagem tranquila. Seria se eventualidades não acontecessem naquele dia. Acontecimentos que mudariam muita coisa.
Notas finais
>Merci - obrigado
>Oui - sim
>Une belle ville - uma bela cidade
>Non - não.
Haverão outras no decorrer da história, achamos legal por assim, além de ser muito sofisticado u_u kkk. É só isso.
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