Dam Bright e a Caixa de Alexandrita
3 CAPÍTULO 3- O Confronto de titãs
Notas iniciais
Monsenhor planejou todo o ataque e descobriu os próximos passos do caçador de bruxos Montfalcor, precisava de qualquer maneira da bruxa Olímpia, uma perigosa e traiçoeira mulher que deu muito trabalho para ser capturada, apesar de sua linda beleza e seus cabelos loiros longos até a cintura, sabia como ser perversa e como Monsenhor poderia se tornar incrivelmente forte.
Montfalcor vinha pela estrada montado em Bosco, um imenso leão negro tão brutal quanto seu dono, sem piedade e que ajudou ao longo de muitos anos a capturas vários seres, seus olhos e dentes eram também negros e não conseguia ser enfeitiçado por nenhum bruxo, apesar de tudo é uma criatura fascinante, única de toda sua geração já extinta por Tiranossauros Rex, ficando somente ele a mercê do desaparecimento de toda a espécie até Montfalcor o resgatá-lo na floresta ainda filhote e cuidar até que ele crescesse e se tornasse fiel para ajudá-lo nas capturas e extermínios. Entraram então na floresta negra atraídos por um sinal de vampiro naquela região, de fato estava ali na floresta um vampiro preso a uma corrente de prata em volta de uma imensa pedra, Montfalcor se aproximou com cuidado e muita desconfiança, estava achando aquilo fácil demais, um vampiro já preso e pronto para ser exterminado cheirava a uma armadilha, mas a sua sede de acabar logo com aquele ser aumentava cada vez mais, ele desceu de Bosco e da cintura retirou uma estaca de madeira maciça e vagamente caminhou até o vampiro e cravou a estava em seu peito o exterminando imediatamente, guardou então a estaca e sentiu uma sombra lhe cobrir, quando olhou para o alto da pedra estavam os cães baldulentos rosnando diretamente para ele, ao sacar uma de suas armas eles pularam em sua direção e Bosco corajosamente se atirou em sua frente jogando todos os quatro cães para os lados, salvando assim seu dono e começou a travar uma grande luta de Bosco com os cães enquanto outros surgiam e se atiravam em Montfalcor que os revidava com um enorme bastão de ferro, quebrando lhes os ossos e arrancando até os dentes a cada golpe dado, Bosco rolava pelo chão arrancando pedaços dos cães com suas mordidas, mas também estava se ferindo muito com o ataque que sofria. A luta continua terrivelmente e mais cães apareciam, Monsenhor conseguiu uma verdadeira tropa de cães baldulentos e Montfalcor junto com Bosco não se entregavam e continuavam lutando incansavelmente, sangues jorravam e as roupas de Montfalcor já estavam todas rasgadas assim como sua pele, coberta de sangue. Não agüentando mais a batalha Bosco caiu desacordado e muito ferido, ao ver seu animal naquela situação, Montfalcor golpeou e matou os últimos cães que o dominaram e assim caminhou em direção a Bosco, mas um dos cães feridos se levantou e atacou Montfalcor, cravando as garras em suas costas, ele então pegou o cão pela garganta e o atirou na pedra o matando de vez, mas como Montfalcor já estava bastante ferido ele não resistiu e se ajoelhou de tanta dor, não conseguia mais mover nenhum músculo e então surgiu Monsenhor Bravonni com mais cães prontos para atacar, acorrentou Montfalcor e o levou para uma gruta profunda bem perto dali ordenando também aos cães que levassem Bosco e o soltassem no Deserto da Perdição, o maior deserto de todos os tempos o qual sobreviver era impossível e simplesmente a morte esperava os que passassem por lá.
Enquanto Bosco era levado para o deserto da perdição, Montfalcor era severamente torturado por Monsenhor Bravonni para que libertasse a bruxa Olímpia e como já estava bastante debilitado pelo confronto que teve, seria questão de tempo para que Monsenhor alcançasse seu objetivo, apesar de que Montfalcor lutava consigo mesmo para não libertar um de seus prisioneiros e tentava o quanto podia, resistir as perversidades e o sofrimento que estava sentindo naquele instante, até que Monsenhor atingiu seu ponto principal:
–Então não quer libertar a bruxa Olímpia? Pois bem, se não o fizer jamais verá seu bichinho novamente, ou talvez eu permita que veja meus cães se alimentando de sua carne e lhe dê de presente os ossos para que você carregue a culpa pelo resto de sua vida – dizia Monsenhor.
Mas mesmo assim Montfalcor resistia à chantagem, porém mais fraco a cada instante, sabendo que mais cedo ou mais tarde teria que ceder para que seu fiel companheiro Bosco não fosse morto, mas ele não sabia que Bosco estava sendo levado ao deserto da perdição e Monsenhor mentia dizendo que por enquanto o Leão negro estava trancado em algum lugar da floresta, mas se mantendo vivo e sendo cuidado até que ele entregasse a bruxa. Monsenhor Bravonni se aproximou mais perto de Montfalcor e com um movimento de sua mão fez aparecer uma imagem diante de Montfalcor, porém uma imagem falsa para enganá-lo, Bosco estava acorrentado em uma árvore em algum ponto da floresta.
–Diga-me, prefere então ver seu bichinho morrer do que me entregar uma bruxa? Disse Monsenhor, mas Montfalcor nada respondeu.
–Então, que assim seja!
Naquele instante a falsa imagem mostrou os cães atacando sem piedade a Bosco que não lutava ou demonstrava qualquer sinal de reação.
–Eu entrego a bruxa, mas solte Bosco imediatamente e o traga até mim, somente quando ele estiver aqui te entregarei a bruxa. – Disse Montfalcor.
Prevendo que Montfalcor só concordaria em libertar Olímpia se Bosco estivesse diante de seus olhos, Monsenhor já havia preparado quase que perfeitamente um de seus cães para se parecer com Bosco até que Montfalcor notasse o erro e assim ele mandou os seus cães buscarem na floresta o falso Leão Negro, não demoraram muito e retornaram com o cão disfarçado e realmente estava muito parecido, difícil de ser descoberto.
–Bem, minha parte está pronta, eis aí o seu bichinho, agora me entregue à bruxa e te deixarei partir.
Monsenhor soltou uma das mãos de Montfalcor que estava acorrentado e este retirou de seu pescoço um colar cheio de mexas de cabelos e pedaços de unhas, escolheu uma mexa bem longa e loira e dizendo uma língua estranha jogou a mexa para o alto e imediatamente uma luz forte cobriu a mexa e dela surgiu a bruxa Olímpia que permanecia com as mãos e pés acorrentados até que Monsenhor Bravonni caminhou até ela, esticou o braço da bruxa e apertou firmemente o seu pulso quase a machucando, Olímpia gemeu um pouco, mas não podia fazer nada, Monsenhor Bravonni então lhe colocou uma pulseira e disse olhando firmemente nos olhos vermelhos da bruxa:
–Vou te libertar Olímpia, mas em troca você fará algo para mim e esta pulseira te impede de que fuja de mim ou me traía, pois se tentar algo, terá uma morte dolorosa e caso toque na pulseira com sentimento de tirá-la de seu pulso queimará sua mão e a dor será terrível- Assim disse Monsenhor, soltando a bruxa em seguida que imediatamente tentou retirar a pulseira, ignorando tudo que Monsenhor dissera. Aquilo foi um terrível erro e imediatamente a bruxa sentiu sua mão arder como se fossem chamas e foi possuindo o seu corpo o deixando como brasa até que implorasse para que Monsenhor parasse com a dor.
–Bruxa tola, eu te disse que se tentar tirar a pulseira vai morrer dolorosamente e não precisa ser assim, ficará em liberdade assim que eu conseguir o que quero e só você pode fazer, desta vez vou aliviar a dor, mas se tentar novamente verei com prazer seu corpo se acabar em chamas. – Concluiu Monsenhor.
–Solte-me agora miserável – disse Montfalcor.
–Eu cumpri e libertei a bruxa, agora solte a mim e a Bosco e nos deixe partir sem mais problemas.
–Ah, sim, claro. Você e seu bichinho já podem ir. – respondeu Monsenhor Bravonni.
–Deixem o ir junto de seu bichinho e o acompanhem até o fim da floresta para que não tente fazer nenhuma besteira – Monsenhor ordenou assim a seus cães para levar Montfalcor e o falso Bosco. Dezenas de seus cães então acompanharam floresta a dentro Montfalcor que ao se aproximar do falso Bosco notou imediatamente que não era seu leal companheiro e o ódio tomou conta de si e gritou de tanta raiva que mataria Monsenhor e usaria sua pele para limpar seus pés. Pulou sobre o falso Bosco e o matou com as próprias mãos, mas os outros cães revidaram e o lançaram sobre uma rocha e como ele já estava debilitado não resistiu e caiu desacordado ao chão e os cães retornaram para junto de Monsenhor que ainda vibrava com tudo que acontecia e com a bruxa Olímpia diante dos seus olhos.
Montfalcor permanecia desacordado e naquele instante o verdadeiro Bosco chegava e era abandonado no deserto da perdição pelos cães baldulentos, ali sobreviveria por pouco tempo, pois as dunas de areia eram imensas e o calor insuportável e para aumentar a dor dos que lá se perdiam não havia noite ou chuva, o sol castigava impiedosamente o tempo todo, tornando-se mais forte a medida que a noite caía nos outros lugares, matando de sede e enlouquecendo todos os que por lá passavam pelas terríveis miragens que o deserto causava. Bosco respirava com dificuldades sobre a areia que queimava aos poucos o seu corpo caído de tanta dor, esperava apenas a morte chegar, já que não tinha condições mais de lutar ou esboçar qualquer reação, nenhum movimento conseguia mais realizar e os olhos foram fechando vagarosamente, foi quando viu alguém caminhando em sua direção, mas não sabia se aquilo era uma miragem, apesar que pela sua debilitação não conseguia nem sentir nenhuma miragem lhe afetar, viu a pessoa diante dele e não conseguindo mais ter forças fechou seus olhos. Por sorte a pessoa que estava diante dele era Dan Bright, que conseguia resistir ao calor do deserto e sabia que algo estava errado, pois seguiu os cães baldulentos até soltarem Bosco e assim desbravou as dunas até chegar no Leão negro e imediatamente o jogou em suas costas e voltou pelo caminha que os cães fizeram, era incrível a cena de Dan carregando um animal cinco vezes maior que ele. Ao chegar à floresta levou Bosco para Soél Guingol cuidar e rapidamente o velho anão usou sua magia e suas plantas medicinais para começar a salvar o Leão, reconhecendo que aquele era Bosco e pertencia a Montfalcor, mas Guingol estranhava o por quê de Bosco ter sido encontrado no deserto da perdição e o que teria acontecido com Montfalcor.
–Muito bem Dan Bright, cuidarei do Leão, mas conheço o seu dono e se eles não estavam juntos é porque algo aconteceu, tente encontrar algum sinal de luta pela floresta e alguém machucado, se conseguir encontrar traga-o até mim, algo de errado está acontecendo e precisamos descobrir, isto não é um bom sinal, temo que o perigo está aumentando. – Disse Soél Guingol.
Porém Dan não conseguiu localizar ninguém machucado na floresta, somente sinais da luta entre os verdadeiros titãs Monsenhor Bravonni e Montfalcor, que já havia acordado e com muita dificuldade retornado para seu esconderijo para se recuperar e procurar por Bosco. Dan Bright voltou até o velho anão para lhe informar que encontrou somente sinais de uma briga. Monsenhor já havia ordenado que seus cães se alimentassem dos outros mortos no combate e assim eles o fizeram, não se importaram se eram da mesma espécie, mas se alimentaram até dos ossos sem deixar nada na floresta. Montfalcor só pensava em vingança e começava a planejar a captura de Monsenhor Bravonni e da bruxa Olímpia que em certa época lhe proporcionou grande trabalho e sofrimento, afinal ela foi a responsável pelo sumiço dos seus pais quando ele era ainda criança, tendo que ser criado nas montanhas por um desconhecido que o maltrata muito e que também morreu quando ele era jovem, mas aquela altura já sabia se virar e encontrou Bosco, criaram um lanço muito forte, pois era a única família de verdade que ele teve, treinou muito durante a vida até iniciar as primeiras capturas de bruxos e outros seres, mas era o seu maior objetivo capturar a bruxa Olímpia que enfeitiçou seus pais e os fizeram desaparecer naquela noite fria e triste, quando finalmente conseguiu capturar Olímpia depois de tê-la perseguido durante muitos anos e em vários lugares do mundo, teve que entregá-la para Monsenhor Bravonni num confronto covarde e sangrento, o qual ele se machucou muito e ainda perdeu seu fiel companheiro. Acreditando que Bosco estava morto decidiu partir para uma terra bem longe, onde a neve caía todo o tempo e o céu era sombrio, não havia muitas vidas naquele lugar, apenas alguns dinossauros que aos poucos morriam congelados e ele aproveitava para se alimentar da carne deles para sobreviver em meio ao frio, a solidão, a dor e a loucura, mas o ódio dentro de si contornava todos aqueles desafios e ele sabia que somente naquele lugar poderia novamente se reencontrar, recuperar sua energia e principalmente a concentração necessária para alcançar seu novo objetivo e ali ele ficaria o tempo que precisasse. Enquanto isto Bosco se recuperava surpreendentemente para quem esteve a beira da morte, o velho mestre fazia verdadeiros milagres para curar o único Leão negro que existia e sua preocupação aumentava pelo sumiço de Montfalcor. Bosco então se recuperou completamente e como não falava, demonstrou em gestos a sua gratidão ao velho mestre, apenas pelos gestos era fácil reconhecer seus sentimentos, resolveu então partir em busca de Montfalcor pela floresta e era também seu objetivo acabar com todos os cães baldulentos que encontrasse. Já era noite, o frio caía suavemente e todos procuravam se aquecer de alguma maneira enquanto na toca dos anões Bosco partia pela floresta escura adentro sem temer os seus perigos e enfrentando frio, fome, sede e qualquer outra ameaça que surgisse, mas não foi pela trilha principal da floresta e optou por ir entre os arbustos que ele conhecia tão bem e assim estaria ao mesmo tempo escondido caso encontrasse algum cão para poder atacá-lo de surpresa, realmente isto não demorou a acontecer e a poucos metros da toca dos anões encontrou um deles vagando na noite, parecia ter se perdido do bando que saía para caçar na escuridão, sedentos de sangue e carne fresca, tornando a floresta realmente um local perigoso e sombrio. Bosco pulou por sobre os arbustos direto no pescoço do cão e com um ataque o arremessou sobre as pedras, o cão deu seu último grito e morreu ali mesmo, mas tendo algum dos outros cães ouvido o grito, retornaram a fim de localizar aquele se desviou do bando e ao chegarem o encontraram morto, mas ninguém por perto, como eram quatro cães, combinaram de rastrear a área para localizar quem teria feito aquilo e ao avistarem um vulto atrás de uma rocha foram caminhando sorrateiramente pensando ser o que teria matado o cão e os quatro ao se aproximarem da rocha foram surpreendidos por Bosco que pulou de cima da rocha já golpeando fatalmente dois deles e os outros dois se atiraram por cima de Bosco mordendo seu dorso e perna, mas aquilo não era nada para ele e com uma patada arremessou mais um cão contra as rochas e ficando apenas um cão, este tentou fugir antes que fosse também morto, mas enquanto corria viu a sombra do Leão negro por cima dele e tentando voltar escorregou e esbarrou em Bosco que já estava à sua frente e o encarou com muito ódio fazendo com que o cão tremesse de tanto medo que sentia naquele instante e o leão com sua enorme pata prensou o corpo do cão ao chão e com bastante o mordeu no pescoço arrancando a sua cabeça inteira. Naquela noite Bosco matou cinco cães baldulentos, queria ter pego mais deles, porém não encontrou nenhum pelo caminho que continuou a seguir na floresta e os outros cães aquela altura já haviam retornado da caça e Bosco resolveu permanecer na floresta esperando que a próxima noite chegasse para tentar surpreender e matar mais alguns cães.
Fale com o autor