Notas iniciais
HOY! FELIZ ANO NOVO, ESTOU ATRASADA, DESCULPEM, MINHA MÃE VAI ME MATAR SE EU NÃO FOR ME ARRUMAR AGORA E ESPERO QUE GOSTEM! . . Já são 04:55 e eu voltei aqui no site porquê esqueci de colocar o desenho da cena que vocês mais queriam. Até, minna! Quando chegar no trecho "Silêncio. Amu abriu e fechou a boca..." Vocês vejam esse desenho: http://universo-das-otomes.blogspot.com.br/2013/12/blog-post.html

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– Onde encontramos patins? –Amu despertara-me de meus pensamentos.

– Ah, vem comigo. –Puxei-a.

Evitei tocar em sua pele, para que ela não percebesse o quanto minhas mãos estavam geladas.

Fomos até uma loja próxima, onde não havia ninguém dentro.

Encolhi os ombros ao abrir a porta e ouvir o sininho.

– Oh, quem será? –Ouvi a voz de um senhor.

Engoli a saliva e respirei fundo.

Um casal de idosos aparecera, sorrindo gentilmente.

– São jovens! –A senhora exclamara visivelmente feliz. –Como vão crianças? –Ajeitara seu óculos no rosto enquanto se aproximavam.

– Muito bem. E os senhores? –Sorri educadamente.

O homem parara e me analisara e depois fizera o mesmo com Amu.

Ah vida.

Mas ele apenas se virara para mim novamente, sorrindo.

– Fiquem à vontade. Vieram ver patins? –Perguntara já sabendo a resposta.

Amu sorriu.

– Sim, por favor.

– Então venha, querida. Irei te mostrar uns ótimos. –A senhora chamara Amu mais para o interior da loja.

O velho homem virara-se para mim e ajeitara seus olhos no rosto cheio de rugas.

– Por que não nos sentamos? –Ele apontara para algumas poltronas rodeadas por discos e livros antigos.

Assenti em confirmação e observei-o caminhar até uma confortável. Ajudei-o a se sentar.

Pela idade, torci para que ele não me reconhecesse.

Acomodei-me na poltrona da frente, olhando-o.

– Os anos não te mudaram tanto, jovem. –Ele comentara.

Engoli seco e sorri amarelo.

– O senhor lembra-se de mim? Mesmo? –Perguntei.

– Oh, claro que lembro. Há clientes inesquecíveis. –Dera um meio sorriso. –Principalmente um garotinho de cabelos laranja e olhos azuis. –Rira.

Encolhi-me na poltrona.

– O senhor lembra. –Afirmei um tanto constrangido.

– Faz bastante tempo desde a última vez que viera por essas bandas, menino. –Ele dissera. –É mesmo um traquina. –Sua voz era num tom divertido.

– Sim, desculpe. –Suspirei. –E então Satoshi-san... Como vão as coisas?

– Oh, estão ótimas. Apesar de que o fato de tão poucos jovens virem por essas bandas nos últimos anos ter nos entristecido. –Torcera os lábios. –E você?

Fiquei desanimado.

– Aquela mocinha não é sua namorada e você não gosta dela dessa forma, eu sei. –Satoshi-san me avisou

– Exato. –Suspirei.

Mesmo com o passar dos anos, esse homem ainda era sábio e entendia as entrelinhas sem precisar de muita coisa.

– Sinto que arranjou bons amigos. –Ele sorrira.

Dei um sorriso sincero.

– Sim. –Afirmei. –Aliás, hoje é aniversário dela.

– Oh, sério? Planejaram algo? –Ele perguntou-me curioso.

– Um baile. –Sussurrei.

Ele sorriu.

– Obviamente deve ser uma surpresa. –Riu.

Assenti e também ri.

– Você está bem? –Perguntou-me.

Meus olhos rolaram para o chão de madeira e eu reprimi um suspiro, encolhendo os ombros.

– Não sei. –Murmurei.

– Olhe Taku, agora você não está mais sozinho. –Satoshi-san me dissera. –Aquela menina... Eu sinto algo bom vindo dela.

– Eu também. –Afirmei certo. –Amu é uma das melhores pessoas que conheci.

O velho homem sorriu.

Os anos o fez envelhecer muito mais.

– Você se envolveu com pessoas erradas, não?

Baguncei meus cabelos e suspirei pesadamente.

– É.

– E agora que achou seu lugar e pessoas com quem pode contar, não quer envolvê-las. –Satoshi-san afirmava.

Era impressionante como esse homem era perspicaz. Impressionante.

Ele sorriu acolhedor para mim, dando-me uns tapinhas no ombro.

– Tenho certeza de que eles não o abandonariam.

Assenti curvando os lábios num sorriso pequeno.

Eu e Satoshi-san caminhamos mais para os fundos da loja e encontramos Amu colocando patins para o gelo.

– Ah, Taku! –Ela me exclamara. –Eu estava mesmo dizendo que não sou muito habilidosa com o gelo.

– E então? –Continuei.

Ela revirou os olhos, rindo.

– Ume-san disse que você sabe patinar. Então me ajude, oras. –Sua voz soara óbvia.

Sorri e coloquei minhas mãos nos bolsos da jaqueta. Elas estavam geladas.

– Tudo bem. Tem algum para mim, Ume-san? –Perguntei.

– Claro! –A velha senhora exclamara e saíra para procurar.

– Nee, onde você aprendeu a patinar no gelo? –Amu perguntara-me enquanto tirava os patins desajeitadamente.

– Quando pequeno. –Disse pensativo e lembranças percorreram minha mente novamente. Reprimi outro suspiro. –Mas isso não é legal. E então, gostou destes?

– São ótimos e confortáveis. –A rosada afirmara, voltando a calçar seu all star.

– Voltei! –Ume-san trazia uma caixa nas mãos.

Assim que ela abrira, meu coração falhou uma batida.

– Faz bastante tempo desde que você os deixou aqui. –Satoshi-san sorria gentilmente. –Já que você os confiou a nós, nada mais justo que adaptá-los para quando você pudesse usá-los novamente, certo?

Minha boca estava seca.

– Mas... Como? –Perguntei espantado.

– Apostei em meus instintos, jovem. –O velho senhor rira.

Peguei os patins e senti uma nostalgia percorrer meu corpo.

Eu sentia falta disso.

Um sorriso involuntário brotou em meus lábios.

– Certo... Amu, por que não vai indo na frente? –Perguntei.

– Tá bom. Ah sim, quanto é?

– Não precisa se preocupar com isso. –Disse e dei uns tapinhas em suas costas. –Me espere lá fora.

Amu me olhara intrigada, mas assentira.

– Obrigada Ume-san, Satoshi-san. Sempre que puder virei visitá-los. –Ela sorria.

– Nós é que agradecemos menina. –Satoshi-san sorrira.

– Volte mesmo, querida. –Ume-san também sorrira.

A rosada acenou e saiu da loja. Virei-me para os idosos.

– Obrigado por isso. –Agradeci.

– Não há de que, Taku-kun. –A velha mulher sorria para mim.

– Você sempre será como um neto para nós. –Satoshi-san me dera um tapinha nos ombros.

– Aqui. –Tirei dinheiro da minha carteira. –Pelos patins da Amu e pelos meus.

– Não precisa. –Ume-san argumentou. –Temos uma vida garantida, Taku-kun.

– Eu insisto. –Ri levemente. –Levem em consideração os juros de todos esses anos. –Pisquei divertido.

Satoshi-san riu.

– Querem recordar os velhos tempos? Bailes de máscaras? –Perguntei.

– Por que diz isso? –A senhora Ume perguntara-me.

– Hoje é aniversário da Amu e organizamos um baile para ela. Por favor, apareçam. –Sorri e dei as costas. –Foi muito bom vê-los novamente, Satoshi-san, Ume-san.

– Iremos. –O homem concordara. –Mas você terá que nos visitar. –Riu e me entregou algumas coisas para hóquei.

Ri também e fui para a porta da loja.

– Eu prometo que irei visitá-los. –Disse. –Até mais. –Acenei.

Passei pela porta, fechando-a.

Amu me esperava ao lado de uma máquina de refrigerantes.

Ela segurava duas latinhas de Coca-cola.

– Aqui. –Me ofereceu uma. –Vamos?

– Vamos. –Assenti.

Caminhamos até o ringue vazio.

Tomamos os refrigerantes rapidamente e colocamos os patins.

Deslizei pelo gelo com nostalgia. Voltei-me para ela.

– Vem. –Estendi minha mão.

– Se eu cair, não ria. –Ela me avisou rindo.

– Não prometo nada. –Gargalhei.

Ajudei-a se equilibrar sobre o gelo.

Amu não tremia.

Não parecia com medo de cair.

– Você sabia que a maioria das garotas estariam tremendo e quase caindo nesse momento, não é? –Perguntei rindo.

– Sei lá. Nunca fui muito como as outras garotas. –Amu também riu.

Kukai havia realmente encontrado o melhor tipo de garota. O tipo de garota em que ele daria realmente certo.

– Bom, agora que você já consegue se equilibrar... –Soltei-a e deslizei para longe, de costas.

– Taku! –a rosada exclamou incrédula.

Ri e deslizei por todo o gelo, de costas. Era uma boa sensação.

Sentir o vento gelado e deslizar facilmente me fazia bem.

– Achei que você ia me dar diversão hoje, seu infeliz! –Ela exclamava, não sabendo se ria ou se ficava brava por eu tê-la deixado sozinha.

Parei no centro do ringue, após ter girado.

– Se você me alcançar numa corrida, eu te conto um segredo. –Pisquei sorrindo divertido.

Só não vá contar da festa! A voz de Kurai se fizera presente em minha mente

Ri comigo mesmo.

Claro que não, Kurai!

Vi Amu analisar a “proposta” e sorrir divertidamente.

Nos segundos seguintes ela já havia começado a deslizar pelo gelo com destreza.

Oh, certo.

Essa garota é assustadoramente impressionante.

Um vento um tanto gelado tomou conta do ringue, fazendo com que eu fechasse os olhos enquanto patinava.

Aquilo me fazia tão bem...

Me lembrava aquele tempo.

Um tempo inesquecível, que ainda me causava sentimentos.

Antes que eu mergulhasse outra vez em memórias, dei um sorriso de canto e desviei de uma garota de cabelos róseos.

– HEY! –Ouvi-a exclamar indignada.

Gargalhei e abri os olhos, vendo Amu parada um pouco mais à minha frente, equilibrando-se nos patins de braços cruzados, fitando-me com as sobrancelhas franzidas.

– Como soube que eu estava vindo mesmo de olhos fechados? –Perguntou.

– É fácil. –Dei de ombros. –É só prestar atenção ao seu redor. Não preciso ver para saber quando alguém está vindo, eu posso ouvir. –Ri.

Ela também riu.

Girei os patins nos pés e deslizei pra trás. Peguei meu celular no bolso para olhar a hora e então recebi uma mensagem.

Sou vidente. Só que não.

“Está tudo dando certo por aqui, não se preocupe. Divirtam-se, mas não abuse dela seu Phoenix.” –Kukai.

Soltei um leve riso e rapidamente respondi.

“Não se preocupe com isso, Beater. Vou cuidar muito bem da sua garota.” –Taku.

Saí das mensagens e olhei novamente a hora, Amu aparecera ao meu lado e me fitou surpresa por um tempo.

– Você tem um Iphone 5? –Ela arregalara os olhos.

Hm?

Guardei o celular de volta no bolso da blusa e dei um sorriso sem graça.

– Coisa do meu pai.

Amu me fitou e semicerrou os olhos, mas não disse nada.

– Como aprendeu a patinar? –Perguntou, mudando de assunto.

Reprimi um suspiro.

– Eu e minha família costumávamos passear bastante, então meu pai quis nos trazer aqui. –Eu disse enquanto deslizava para as muretas. Ela me seguiu e eu me escorei ali. –Quando fiquei de pé sobre os patins, não achei muito difícil. Consegui patinar bem, mesmo sendo minha primeira vez. –Dei um pequeno sorriso.

– E seus pais?

Dessa vez eu não pude evitar suspirar.

– Meu pai ficou animado e então começou a me ensinar um monte de coisas. Já a minha irmã levou um tombo e minha mãe não quis mais que ela patinasse. –Dei de ombros.

Fora Amu quem suspirara dessa vez.

– Fazia quanto tempo que você não via sua irmã? –Perguntou fitando a neve.

– Nove anos.

Ficamos em silêncio por alguns segundos.

– Problemas? –Ela indagou sem me olhar.

– Vários. –Murmurei fechando os olhos.

– Quer conversar sobre isso? –Amu segurou minha mão.

Olhei-a e ela sorria. Seus olhos pareciam tentar me entender.

– Vou tentar. –Respondi dando um sorriso fraco.

Patinamos para fora do ringue e tiramos os patins, calçando de volta nossos pares de all star.

– Procura um banco pra gente que eu vou buscar refrigerante ali na máquina. –Disse a ela.

– Ok. –Sorriu e deu-me as costas.

Observei-a se distanciar e caminhei até a máquina de refrigerantes. Coloquei o dinheiro e apertei os botões.

Quatro latinhas de Coca-Cola caíram e eu peguei uma sacola plástica e as coloquei ali.

Kurai se aproximara de mim.

– Mais Coca-Cola? –perguntou-me zombeteiro.

Dei de ombros e ri.

– As meninas vieram, não é? Onde estão? –Perguntei me referindo às charas de Amu.

– Brincando nas folhas que caíram das árvores. –Respondeu dando de ombros.

Olhei-o melhor e vi que havia alguns galhos em suas roupas.

– Se você ficar com frio, me chame. –Avisei.

– Hai, hai, papai. –Ele riu e se distanciou novamente.

Comecei a andar, procurando por Amu.

Parei quando vi algo que definitivamente não me agradou. Nem um pouco.

Três caras, altos e que certamente se achavam os incríveis estavam “intimidando” ela.

Trinquei o maxilar e caminhei até o banco em que ela estava sentada, com uma sobrancelha arqueada.

– Estou acompanhada. –Ouvi-a dizer.

– Ora essa, docinho. Não precisa mentir. –Um deles zombara.

– E quem disse que ela está mentindo? –Eu disse num tom ligeiramente alto, atraindo atenção dos quatro.

– Taku. –Ela sorriu a me ver. –Trouxe minha coca-cola?

– Opa. –Entreguei-lhe uma latinha.

– Ei, seu moleque. Quem você pensa que é para nos atrapalhar? –O que parecia o mais velho deles tocou meu ombro.

Coloquei a sacola com as outras três latas sobre o banco e segurei a mão do cara que me tocara.

– Eu? Hm, o pessoal da sua laia costuma me chamar por Phoenix, já ouviu falar? –Perguntei olhando-o friamente.

Os outros dois tremeram e com ele não fora diferente.

– Essas roupas. –Um deles dissera num tom baixo.

– E o cabelo... –O outro disse surpreso. –Take, esse daí é o Phoenix!

– Esse moleque? O Phoenix? –O tal de Take rira debochado. –Ele está apenas tentando enganar essa vadiazinha.

– Oh, isso me irritou, colega. –Apertei sua mão e virei-me para ele, torcendo seu braço. –Pode me chamar do que for, mas não envolve os outros nisso, fechou? –Sorri sarcástico e dei-lhe uma joelhada no estômago, fazendo-o cair de joelhos. –E vocês dois, já sabem quem eu sou. Levem esse daqui embora e nunca mais nos incomodem. –minha voz saiu fria e autoritária.

Eles assentiram com medo e puxaram o mais velho para longe, onde começaram a correr.

Suspirei e me sentei no banco.

– Desculpe-me por isso. –Dei um sorriso sem graça.

– Baka. –Ela riu e abriu sua latinha. –Eu posso não ser muito boa, mas sei uns golpes bons.

– Eu prefiro não duvidar. –Peguei uma latinha pra mim e também a abri, tomando um belo gole em seguida.

Ficamos em silêncio e eu fitei as árvores.

Mais um mês e entraríamos no inverno.

– Ontem foi o equinócio de outono. –Comentei.

– Ah, verdade. –Ouvi-a dizer num tom baixo e em seguida ela tomara mais coca.

Hoje era dia 24 de setembro. Um dia após o equinócio. Suspirei.

Eu tinha tantas memórias dessa época do ano... Memórias tão... Dolorosas.

Fechei os olhos desejando esquecê-las por enquanto. Mas não funcionou.

Senti uma mão quente tocar na minha gelada e abri meus olhos no mesmo instante, deparando-me com os orbes dourados de Amu me fitando ternamente.

– Parecia que você ia se afogar num mar de memórias. –Ela comentou num tom leve, dando um sorriso cauteloso.

Dei um sorriso torto e suspirei.

– Eu me afogo nele há tempos. –Murmurei.

Amu segurou minha mão mais firmemente e me puxou, fazendo com que eu tombasse com a cabeça em seu colo.

Fitei-a confuso.

– Let’s go, Taku. –A rosada dera um sorriso terno. –Pode falar o quanto quiser, eu estarei ouvindo.

Minha garganta secou.

– Só não fique folgado. –Brincou. –Meu colo já tem dono. –Corara.

Soltei um riso leve. Já era bem óbvio para mim quem era o dono.

Respirei fundo e coloquei meu braço em cima dos meus olhos, escondendo-os.

– Meu pai está sempre viajando e minha mãe parece me odiar. –Murmurei.

Senti Amu ficar tensa.

– Te odiar? –Sussurrou espantada.

Dei um sorriso torto.

– Ao que parece, ela nunca gostou realmente de mim. Por minha culpa, ela quase perdeu Hana duas vezes. –Disse num tom distante. –Nunca soube o motivo pra ela me tratar tão mal.

– Ah, Taku... –A voz de Amu soava triste.

– Sabe... Eu fui uma criança diferente das outras. –Levantei um pouco a voz. –Tanto como aparência como mentalidade. Mesmo quando eu era pequeno, eu já sabia de muito mais coisas que as outras crianças. Mas nunca quis atenção, então eu era visto como uma criança comum... Meu pai era muito apegado a mim, ele me ensinou muitas coisas e bom... Hana era a princesinha da minha mãe e continua sendo.

– Por que você e sua irmã não se viam há nove anos? –Perguntou.

– Quando tínhamos sete anos, sofremos um acidente. Hana não se machucou muito, mas eu fiquei em estado grave. –Murmurei... –Enquanto eu me recuperava ainda no hospital, perguntei ao meu pai onde estava minha irmã e se ela estava bem. Ele disse que minha mãe tinha mandado a Hana para um colégio interno na França.

– É o quê? –Agora a voz dela soava irritada. –Sua mãe... Ela foi capaz disso?!

– Foi. –Sussurrei. –Quando eu já estava melhor e em casa, meu pai disse que precisaria viajar. Minha mãe comprou um apartamento pra ela, bem longe da minha casa. E eu viajei algumas vezes com meu pai, até que preferi morar sozinho.

– Sozinho? –Sussurrou assustada.

– Era melhor.. –Murmurei.

Amu suspirou e eu tirei meu braço de cima do rosto, enxergando-a.

– Sua mãe não te liga? –Perguntou.

Neguei com um sorriso torto e me levantei de seu colo. No mesmo instante fui abraçado.

– É o seguinte, quando eu ver sua mãe, deixe-me conversar sério com ela.

Olhei-a desconfiado. Amu tinha um sorriso vingativo nos lábios e sua cara me fez rir alto.

– Veja lá o que irá aprontar, Hinamori Amu.

Ela gargalhou e pulou do banco.

– Eu? Aprontar algo? Como? Sou tão inocente. –Fez uma cara perversa e eu gargalhei.

– Claro, muito inocente. –Eu concordei falsamente.

Rimos um para o outro e voltamos a andar.

Eu levei Amu em vários lugares. Desde o lago, à uma loja de música. Kurai no meio do caminho havia se enfiado novamente em meu bolso. As charas de Amu voavam enquanto brincavam. Santa energia Shugo Chara.

Entramos na loja e sem perceber, abri um sorriso.

Mas uma sensação dolorosa se apossava de mim e aquilo me fazia me sentir mal.

– Quem dera eu soubesse tocar guitarra. –Amu comentou admirada fitando uma Gibson Les Paul.

Eu tive vontade de dizer “Se quiser, eu te ensino.”. Mas minha voz não saiu.

Kurai se remexeu em meu bolso e eu reprimi um suspiro.

– Por que não vamos comer algo? –Perguntou-me.

– Ah, claro.

Saímos da loja de música e fomos para um Maid Café. Enfiei minhas mãos nos bolsos da blusa ao perceber que era o mesmo do dia interior.

Assim que escolhemos uma mesa, uma moça com roupas de empregada apareceu sorrindo.

– Olá, bem vindos. O que gostariam? –Perguntou gentil.

– Bolo de morango e cappuccino.. –Eu disse.

Ela nos fitou com um pouco de... Receio.

Dei de ombros comigo mesmo e vi Amu estreitar os olhos levemente.

– Eu quero uma torta de limão, e um cappuccino. –Sua voz fora séria.

– Já trago. –A moça saíra.

Suspirei e Amu me fitou.

– Também é assim com você? –Perguntou dando um sorriso de canto.

– Sempre. –Ri. –Parece que somos alliens.

– Pois é. –Riu.

Outra garota vestida de maid se aproximou com uma bandeja e deixou nossos pedidos na mesa. Ela nos fitou por uns segundos mais.

– Por todos os deuses, seus cabelos são magníficos! –Exclamou admirada.

Olhei para Amu e sorri.

– Obrigado. –Agradeci sorrindo.

Vi-a corar e mexi no cabelo, desconfortável. Amu riu da minha situação.

– Obrigada.

A garota sorriu envergonhada e se afastou, indo atender outros clientes.

– Taku arrasando corações, hein? –a rosada brincou comigo.

Dei um sorriso sem graça.

– E então, quando é seu aniversário? –Ela me perguntou.

– Dia 31 de dezembro. –Respondi e peguei um pedaço do meu bolo de morango.

Cara, eu amo bolo de morango. É um vício.

Amu engasgou.

– Tipo, sério? –Perguntou me fitando de olhos arregalados.

– Uhum. –Ri.

– Então... Esse vai ser a primeira vez depois de tanto tempo, que você passa o aniversário com sua irmã? –Ela ficou animada.

– Talvez. Minha mãe provavelmente irá ficar o dia inteiro com minha irmã, então.. –Comi mais bolo.

Amu fez uma careta.

– Ah não. Não irá ficar. –Sua voz soara um tanto fria. –Esse vai ser o momento de vocês, eu prometo.

Sorri-lhe.

Eu não estava duvidando da rosada.

É só que...

Isso parece impossível pra mim.

Aika nunca permitiria que Hana passasse seu aniversário comigo.

– Bom... Aonde você quer ir? –Perguntei mudando o assunto.

– Uma prima minha que é modelo me chamou pra ir nuns ensaios com ela. Tá a fim? –Perguntou risonha.

– Se eu não virar um manequim de testes, tá beleza. –Ri.

– Let’s go! –Ela exclamou e se levantou, começando a me puxar.

Pode-se dizer que é a primeira vez que eu vou num ensaio fotográfico de alguém.

Amu me levou até o estúdio que não ficava muito longe, e então entramos.

Uma menina meio loira apareceu sorrindo.

– Amu-chan! Que bom que você veio! –Ela exclamou, se aproximando de nós.

– Fumi-chan, você está linda. –A rosada a abraçara.

– Oh, quem é esse com você? Seu namorado? –A garota chamada Fumi, ou apelido, sei lá, olhou pra mim.

– Ele é um grande amigo, ou melhor, um dos meus melhores amigos. –Amu riu levemente. –Vamos, seus ensaios não vão começar?

– Ah, sim. Vou começar um novo book, hoje. Pena que os dois modelos que apareceriam comigo ficaram doentes. –A loira suspirou. –Ah sim. Eu sou Mebuchi Fumiko. Qual o seu nome?

Pensei por alguns segundos.

Quase suspirei.

– Yutaka Taku. –me apresentei.

Esperava que ela não reconhecesse meu sobrenome, isso seria ÓTIMO.

– É ótimo conhece-lo, Taku-kun. Então...

Antes que Fumiko continuasse, alguém a gritou.

– Fumi-chan! Está na hora de se arrumar! –Era uma moça.

– Hai, Maddy-san! –A loira suspirou após responder e então nos olhou.

Ela pareceu ter uma ideia e imediatamente e fiquei desconfortável.

– Já que estão aqui... Poderiam me fazer um imenso favor? –Perguntou adoravelmente.

Olhei Amu e ela me olhou de volta.

Ambos sabíamos o que ela queria.

– Ah, por favor! Eu não posso aparecer sozinha! –A menina exclamava nervosa. –Tirem fotos comigo, por favor!

– Eu não sou muito fotogênico. –Dei um sorriso torto.

Amu riu nervosamente, como se concordasse comigo.

– Estou implorando! –A loira se ajoelhou e discretamente piscou pra mim.

Em seguida meu celular vibrou no bolso da blusa.

Num flash, tudo clareou minha mente.

Agora eu entendi.

– Ok, ok. Tudo bem. –Rendi-me. –Tudo bem pra você, Amu?

– Ah, ok. Vamos a isso. –Ela riu em resposta.

– Yoooshi! C’mon! –Fumiko começou a nos puxar para o camarim.

Discretamente eu peguei meu celular e vi de relance a mensagem.

Era de Nagihiko.

“Tivemos um problema, Kukai quase quebrou o braço. Mas já está bem. Estamos voltando a organizar tudo.” Nagihiko.

Reprimi um suspiro.

Esse Souma...

Nem um pouco descuidado, não?

Agora, eu virarei um modelo fotográfico.

Irônico para mim.

Cômico, se não fosse trágico.

Suspirei ao passar pela porta do camarim, tendo um único pensamento:

“Kukai, nunca diga que eu não te ajudei.”

Ri comigo mesmo desse pensamento ridículo e a porta atrás de mim foi fechada.

É, boa sorte pra mim mesmo.

Vou precisar.

T.A.K.U ~~~ END

* * *

Algum tempo antes...

– Já pegou as mesas? –Hikaru, melhor amigo de Mifuyu, perguntou para... Tadase.

– Ah? As mesas? Não era o Fujisaki-kun? –O loiro perguntou confuso, carregando duas caixas pesadas de uma vez só.

– Ah, desculpa. –O garoto voltou-se para o roxeado. –Nagihikooo, as mesas?!

– Isso é com Ikuto-kun! –O Fujisaki gritou de volta.

Pessoas apressadas andavam e corriam pelo salão desarrumado.

Céus!

Que confusão.

Mesas, cadeiras, arranjos, decorações. Tudo um verdadeiro caos!

Kukai estava exausto. Suas olheiras podiam provar isso.

Estava desde cedo arrumando aquele enorme salão e nada parecia chegar à um resultado.

– Souma-san! Como ficará a playlist?! –Um cara, que parecia ser o DJ ou seja lá o que fosse, perguntou-lhe de longe.

– Ahn... –O castanho mal pôde responder.

– Kuuukai! Quando Amu chega?! –Utau gritou-lhe.

– Hm... –Ele foi interrompido novamente.

– Hey, Jack! Venha ver o jardim! –Rima gritou-lhe.

– Eu já... –Kukai mal podia falar.

– Kuuukai! –Yaya exclamou animada. –Veja, olhe os arranjos!

POR TODOS OS DEUSES!

A mente do jovem Souma começou a girar sem parar, como se ele estivesse num carrossel. Sua face ficou pálida e ele quase desmaiou.

Respirou fundo e vestiu sua mentalidade de responsável –algo que ele mal usava.

– CHEGA! –Ele gritou, fazendo todos se calarem o olharem para ele, surpresos. -Hikaru, vá atrás do preguiçoso do Ikuto. Diga que se ele não aparecer com a droga das mesas em 15 minutos, NO MÁXIMO, ele vai ver o que sobra de “gato’. –Sua voz soou séria. –Tadase, você pode deixar essas caixas ali com os primos da Amu, depois vá ver com Utau a respeito de como ‘capturar’ a Hinamori. –Disse seriamente. –Nagihiko, você e Rima cuidam do jardim e tiram fotos pra mim. Não posso me multiplicar. Yaya, arraste o Kairi pra te ajudar na decoração. AGORA! –Gritou.

Não teve um único adolescente que ficou parado. Imediatamente todos saíram correndo para fazer o que deviam.

Kukai nunca era daquele jeito, e se agora estava...

Quem não obedecesse, não iria ganhar coisa boa.

O castanho suspirou pesadamente e voltou-se para o palco, indo ajudar o DJ que o encarava um tanto assustado.

– Hm, desculpe por isso. –Ele deu um sorriso torto. –Bom, as músicas estão nesse pendrive. –Kukai tirou do bolso um pequeno objeto.

– E na hora da valsa? –O DJ perguntou.

– Ah, é a quarta música. –O castanho sorriu.

– Kukai-kun! Pode me ajudar? –Hinamori Tsumugu o chamara ao longe.

O pai de Amu tentava segurar uma escada para colocar o lustre com holofotes e luzes no centro do salão. Mas aquilo não estava dando muito certo.

– HAAAI!

E com isso Kukai foi ajuda-lo.

Subiu a escada e começou a prender as coisas lá em cima.

Quando conseguiu, minutos mais tarde, deu um sorriso satisfeito.

– Finalmente. –Murmurou animado.

De repente, as luzes do lustre acenderam num flash. Foi tão intenso e tão veloz, que Kukai ficou cego.

Um ligeiro curto-circuito e o castanho caiu pra frente da escada.

Rapidamente ele se virou de lado e fechou os olhos, apertando-os. Segundos depois sentiu uma dor no corpo e fez uma careta.

Soltou um gemido de dor e com esforço se colocou sentado.

Estava zonzo e não enxergava nada.

Murmurou alguma coisa e suspirou.

Ouviu gritos, pessoas lhe chamando e correndo em sua direção.

– Kami-sama! –Ouviu o pai de Amu exclamar. –Vamos ao hospital.

– Não, não precisa... –O castanho suspirou enquanto tentava enxergar.

– Seu braço pode ter quebrado, Jack. –Ouviu Rima dizer.

– Se tivesse quebrado eu estaria gritando, não acha? –o Souma brincou.

– Está mesmo bem? –Sentiu uma mão em seu ombro esquerdo. Era Tadase.

– Sim. –Afirmou convicto.

Não iria sair dali só por causa de uma mera queda.

Não mesmo.

– Vamos lá, temos só mais algumas horas para terminar tudo isso.

– Ok. –Responderam e suspiraram.

Kukai era mais teimoso que uma porta.

* * *

Taku e Amu caminhavam sem destino, pelo menos para a rosada. Já estava tudo organizado e já era noite.

O ensaio de fotos havia lhe tomado um bom tempo, e ainda por cima eles tiveram que trocar e trocar de roupas muitas e muitas vezes.

– Nee, Taku. Desculpe pela minha prima. –A rosada sorrira constrangida.

– Ah, ok. Eu não me importo muito. É só que eu não sei aparecer em fotos. –O ruivo riu.

Silêncio.

– Hm, aonde vamos? –Ela perguntou.

– Ah, eu sei de um ótimo lugar. –Taku sorriu divertido e pegou-a pelo pulso, começando a correr.

– N-Nani?! –Amu exclamou surpresa.

Correram e correram. Amu perguntava a todo instante, mas não era respondida.

Até que o ruivo parou em frente a algum lugar e tapou os olhos da garota.

– Aonde estamos indo? –Perguntou.

– Você já vai saber. –Ele riu.

Caminharam por alguns minutos e subiram escadas. Amu era guiada por Taku e ela estava claramente curiosa.

Uma porta foi aberta e ouviu risadas.

– Agora é com vocês, já fiz a minha parte. –Ele a empurrou delicadamente antes de fechar a porta.

Amu olhou ao redor e deparou-se com suas amigas, sorrindo-lhe marotas.

– Hein? –Fez cara de confusa.

As garotas riram e a puxaram para o banheiro.

– Ande logo, Amu! Tome um banho rápido e venha aqui! –Jogaram-na no banheiro.

A rosada não estava entendendo absolutamente nada.

Sabia que não sairia daquele banheiro antes que tomasse um banho então se apressou.

.

.

– É O QUÊ? –Ela gritou. –UTAAAU! Eu não gosto de maquiagem! –Gritou.

– AH, mas vai passar sim! –A loira revidou. –Rima, Lulu, segurem-na! –Ordenou.

Seus braços foram segurados.

– Feche os olhos. –Utau disse.

– Não. –Amu se emburrou.

– FECHE.OS.OLHOS! –A cantora berrou.

Imediatamente a Hinamori fez o que a outra ordenava. Não era louca ao ponto de discutir com Utau. Não enquanto ela estivesse nervosa.

Mais uns bons minutos sendo feita de manequim.

Minutos que mais pareciam horas.

Enquanto isso, seu cabelo era feito e ela nem se dava conta do motivo.

– Pronto. Agora é só colocar o vestido e o sapato! –Lulu exclamou animada.

– Fique de olhos fechados, Amu-chi. –Yaya avisou.

– E eu tenho escolha? –A rosada murmurou.

– NÃO! –Berraram todas juntas.

“Eu mereço”. Suspirou consigo mesma.

Sentiu que colocavam algo em seu corpo, e após passar a mão pelo tecido, notou que era um vestido. Franziu o cenho enquanto fechavam o zíper nas costas.

Levantaram uma de suas pernas, fazendo-a se apoiar em alguma bancada.

– Hey. –Murmurou.

– Gomen. –Mifuyu riu.

Quando voltou a ficar de pé, imediatamente sentiu-se mais alta.

– Ah não. Vocês não estão me fazendo usar salto! –Ela exclamou abrindo os olhos.

– Sim, estamos. E não reclame! –Rima bufou.

– Agora, olhe-se no espelho e não reclame do resultado. –Lulu ordenou.

A rosada suspirou e olhou-se no espelho atrás de si.

Assim que viu seu reflexo, abriu a boca num perfeito ‘O’.

– Mas... Mas... –Não sabia o que dizer.

Estava linda.

– Ok, está maravilhosa. Agora, vamos, vamos! –Rima começou a puxá-la.

Só agora que tivera chance é que vira que suas amigas também estavam arrumadas.

Todas vestiam longos vestidos, cada uma numa cor.

O dela era negro, o que fazia com que sues cabelos ficassem em perfeito contraste com o tecido escuro.

Foi puxada até as escadas.

– Espere aqui em cima, quando as luzes lá embaixo acenderam, você desce. –Utau disse séria e desceu apressada.

Amu mal teve tempo para retrucar e suas amigas já haviam sumido de sua vista.

Então esperou.

Dois minutos e ouviu algumas conversas paralelas.

O que diabos estava acontecendo, afinal de contas?!

Foi quando um holofote brilhou em cima de si, fazendo-a ficar nervosa. E aos pés da escada, surgiu certo garoto de cabelos castanhos trajando um terno debaixo de um holofote.

Ela arregalou os olhos.

E todos exclamaram.

– FELIZ ANIVERSÁRIO!

Amu quis chorar.

Ou então se esconder.

Deuses!

Ela havia se esquecido do próprio aniversário!

Então era por isso que Taku havia ficado o dia todo com ela? Para ajudar na surpresa?

Mas não havia tempo para pensar.

Seu corpo moveu-se sozinho, descendo as escadas. E antes que percebesse, já estava frente à frente com Kukai.

– Oi. Está linda. –Ele disse meio corado. –Aliás, feliz aniversário. Gostou da surpresa? –Perguntou sorrindo divertido.

– Ora, essa! Vocês armaram tudo em segredo! –Ela bufou, mas riu em seguida. –Obrigada. –Agradeceu tímida.

– Hora da valsa, querida. –Seu pai sorrira-lhe ao longe.

A garota arregalou os olhos.

Dançar?! Valsa?!

Com Kukai?!

Mas antes que tivesse tempo para abrir a boca...

O castanho descera sua mão esquerda para a cintura da rosada segurando o ponto delicadamente, mas ao mesmo tempo firmemente.

Amu sentira suas maçãs do rosto esquentando fervorosamente.

A mão direita do rapaz se entrelaçara à sua esquerda, aproximando os corpos ainda mais.

A rosada sentira seu coração acelerar e suas mãos tremerem.

– Shii, eu prometo que não vou pisar nos seus pés. –Ele sorrira confiante e gentilmente.

E por alguns segundos, ela apenas se perdera na imensidão daqueles orbes esmeraldas que tanto brilhavam e faziam seu coração disparar.

Kukai sorrira ao ver que ao menos conseguira fazer a garota se encantar.

E de fato, o castanho estava definitivamente atraente, galante, charmoso.

“Perfeito”. Ela pensara encantada.

– Eu não sei dançar. –A garota admitira num tom baixo, quase como um sussurro.

O rapaz sorrira ainda mais gentilmente, quase abraçando-a.

– Eu te seguro. –Sussurrara próximo de seu ouvido.

Então, antes que ela pudesse dizer algo a mais, uma melodia começara a ser ouvida pelo salão repleto de pessoas.

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Uma melodia bela que logo no início fizera Kukai girara gentilmente, puxando-a para si em seguida e iniciando uma valsa delicada.

Ela tentara lembrar-se das aulas de valsa para um casamento que fora quando menor.

Dois pra cá,dois pra lá...” Repetia em sua mente.

Mas ao ver de relance o rosto de Kukai, seu coração falhara uma batida.

O sorriso do garoto transmitia confiança. Ele tinha uma aura que a fazia se sentir segura.

Então ela se deixou levar pelo ritmo calmo e melódico da música instrumental.

E sorriu ao constatar que era ele quem havia a escolhido.

– Foi você, não foi? –Ela perguntara em meio aos passos suaves.

– Demorei algum tempo, mas encontrei essa música. –Ele sorrira, girando-a delicadamente em seguida. –Foi a que tocou em Harry Potter e Cálice de Fogo, no Baile de Inverno. Você já tinha me dito o quanto gostava dela.

A menina soltara um riso enquanto seus olhos marejavam e eles dançavam em perfeita sincronia.

O mundo ao redor deles parecia ter parado.

Nada mais importava.

Não havia problemas, não havia vilões ou dores.

Nada além deles.

O casal deslizava suavemente pelo salão, numa dança harmoniosa.

Suas respirações sincronizadas e olhos fixos um ao outro.

Ouro e esmeralda.

Ele a girou delicadamente, feito uma bailarina.

Ah céus.

Como Hinamori Amu estava perfeita.

Em meio aos passos de dança e à bela melodia que ecoava harmoniosamente por todo o salão, ele torcia para que seu plano desse certo.

Torcia para que suas palavras fossem precisas.

Torcia para que não desistisse no último momento.

Mas isso ele não faria nem morto!

Desistir dela?!

Desistir de conquistar sua melhor amiga?!

Ela sorrira e seu mundo se perdera diante um gesto tão simples.

Seu coração acelerou, ficando descompassado.

Sentiu as maças do rosto esquentando e abaixou a cabeça, envergonhado.

A mão na fina cintura da jovem tremulara levemente, e ele praguejara em seus pensamentos.

“IDIOTA! NÃO TREMA, IMBECIL! ELA VAI ACHAR QUE VOCÊ NÃO GOSTA DELA!” Seu subconsciente gritara.

Ele fechou os olhos por alguns instantes e puxou ar.

Os momentos finais da música chegavam.

Os passos iam ficando mais delicados, rápidos, em sincronia e no ritmo.

De relance ele pudera perceber seus amigos em casais, dançando centrados em seus pares.

Agradeceu a Deus ou a quem fosse por eles terem seus próprios romances. Assim todas as atenções não eram voltadas para ele e ela.

Num último giro, a melodia se encerrara.

Palmas foram ouvidas e a valsa terminara.

Os jovens e adultos se misturaram, muitos indo tomar refrescos, outros descansarem e no caso de Amu e Kukai...

Bom, o castanho segurara em sua mão direita e começara a conduzi-la por meio às pessoas.

Passaram despercebidos. Um fato que aliviou o rapaz.

– Nee, aonde vamos? –A menina perguntara confusa.

Ele não respondera nada, porém, quando já estavam saindo dos limites do salão, passando pelo jardim...

– Feche os olhos. –Ele pedira.

– Por quê? –Amu não entendera.

– Por favor. –Kukai sorrira.

A rosada fechara os olhos e pouco depois mãos cobriram-lhe a face, com cuidado.

– Venha, eu vou te guiar. –A voz dele transmitia confiança.

Por dois minutos, ela não dissera nada. Apenas se deixara caminhar a cegas, com ele a guiando apenas.

Ela sentiu seu sapato afundando levemente, mas pisara em algo sólido instantes depois.

– Mas... O que? –A rosada sussurrara confusa.

Kukai tirava suas mãos do rosto da garota com delicadeza, e ficara ao seu lado.

Amu abrira os olhos, deparando-se com uma visão maravilhosa.

O mar que brilhava por conta da luz da lua que refletia na água. Brisas adoráveis brincavam por ali e o cheiro de maresia era maravilhoso.

Seus olhos dourados brilharam e ela sorriu maravilhada.

– É lindo... –Sussurrou admirada.

E, de fato, era uma visão mais que divina.

– Mas... Por que me trouxe aqui? –Perguntou, virando-se para o mais alto.

Kukai tremeu involuntariamente e respirou fundo.

Um milhão de coisas passaram por sua mente, deixando-o mais nervoso.

Então, ouviu a voz de seu melhor amigo na mente.

“Não pense. Sinta.” Foi o que Taku lhe falara algum tempo atrás.

O castanho sorriu. O ruivo, apesar de estranho e maluco, era um ótimo melhor amigo. Era um irmão para ele.

Virou-se para a garota e lhe estendeu a mão.

– Por que não andamos perto da maré? –Perguntou.

Oh céus!

Kukai estava ainda mais lindo naquele momento.

A luz da lua refletia em seus orbes esmeraldas, fazendo-os brilhar como nunca e ficarem num tom esplêndido.

E o sorriso do garoto?

Perfeito ainda era pouco para descrever tamanha beleza.

Seu coração palpitou e ela sentiu seu rosto esquentar levemente.

Estava corando.

Aceitou de bom grado a mão do castanho e o acompanhou quando o mesmo começou a caminhar pela areia.

Nenhum dos dois falou uma palavra durante poucos minutos. Apenas caminhavam na areia fofa.

Até que chegaram bem perto da água salgada que vinha em pequenas ondas que quebravam e faziam um som confortável.

– Nee... A verdade é que... –O jovem Souma quebrara o silêncio para dizer o que tanto queria.

Suas mãos permaneciam juntas.

Amu fitara suas costas. E, por todos os deuses, que costas largas e belas. Mesmo o rapaz trajando um terno negro era possível perceber seus músculos.

Kukai virou seu rosto par vê-la, permitindo que a garota visse-o sorrir mais uma vez e ter seu coração disparando.

Ele era definitivamente lindo.

O vento colaborara com o momento e fizera com que pétalas de flores fossem levadas até os jovens, passando ao redor de Kukai e Amu como se dançassem suavemente.

– Eu gosto de você. –Ele admitiu corando.

Os saltos que estavam nos pés de Amu afundaram na areia molhada, fazendo-a perder o equilíbrio e tropeçar pra frente.

Rapidamente Kukai passara seus braços ao redor do pequeno corpo da rosada, assumindo a queda para si e fazendo com que ela caísse em seu peito.

Ambos foram de encontro ao chão e ali ficaram por alguns segundos.

Então, Amu ouvira novamente o que ele dissera instantes atrás, deessa vez em sua mente.

“Eu gosto de você.”

Estava ouvindo coisas?

Só podia.

– G-Gomen. –Ela se desculpara vermelha.

Então, foi como se uma onda de choque percorresse seus corpos no mesmo instante.

Esmeraldas confrontaram o ouro. Ambos os orbes preciosos brilhavam com a luz do luar.

Kukai respirou fundo e antes que Amu pudesse se levantar, ele segurou-a delicadamente pelo pulso, fazendo-a o fitar confusa e corada.

– Eh? –Sussurrou sem entender.

– Eu... –Lembrou-se de Taku e criou coragem. –Eu gosto de você, Amu.

Silêncio.

Amu abriu e fechou a boca várias vezes. Seus olhos dourados estavam arregalados, tremendo. Eles marejaram instantaneamente.

– Eu realmente sou perdidamente apaixonado por você. Eu te amo. –Ele dissera num tom baixo.

O castanho parecia calmo, mas por dentro ele tremia feito uma vara verde.

Ela não conseguiu dizer nada, então o Souma encolheu os ombros, abaixando a cabeça. Claro... Por que ela iria querer algo com um bobão como ele?

O garoto fez menção de se levantar, mas dessa vez, ele fora impedido.

Antes que pudesse falar algo, sentira seu rosto molhado por lágrimas. Ele estava chorando?

Levou sua mão direita à face e comprovou. Não. Não era ele quem chorava.

Olhou para cima e viu o rosto de Amu, vermelho e suas lágrimas pingando. Os olhos dourados tremiam por conta do choro.

– B-Baka. Eu também gosto de você. –Ela sussurrou trêmula. –Eu também te amo, Kukai. –Abraçou-o, escondendo sua cabeça no peito do rapaz.

O jovem Souma podia ouvir os soluços vindos da garota, mas não tinha reação.

Seu peito era preenchido com uma chama reconfortante. Era uma sensação... Maravilhosa.

Um sorriso tomou conta de seus lábios e seus orbes esmeraldas também marejaram. A abraçou, enlaçando seus braços na fina e delicada cintura.

– Isso... Isso é tão bom. –Sussurrou aliviado. –Eu fiquei... Com tanto medo. –Riu querendo chorar.

A menina soluçara mais e rira.

Amu, num movimento de tentar olhá-lo melhor, acabou por fazer com que ambos girassem pela areia, rodando até a maré.

As ondas entraram em contato com suas roupas e pele.

A água era fria, mas não os incomodava nem um pouco.

Kukai riu e pegou a menina pelos braços, levantando-se em seguida.

– Hm? –Ela o olhara, limpando o rosto com as costas das mãos.

O Souma tirara-lhe o sapato de salto e seu par de all star em seguida. Respirou fundo e riu, começando a entrar no mar.

Em poucos segundos, a água fria iluminada pelo luar batia um tanto acima da cintura do rapaz, fazendo Amu fitá-lo curiosa.

Seu vestido negro estava molhado e um tanto sujo de areia. Seus saltos haviam ficado jogados na areia.

Utau realmente iria matá-la depois.

Riu levemente pensando na amiga loira.

– Nee. –O castanho a chamara. –Daisuki anata, Hinamori Amu. –Ele sussurrara sorrindo e se aproximando do rosto da menina.

As maçãs do rosto do garoto estavam rosadas. A garota também corara mais e entrelaçara seus braços no pescoço do menino.

– Daisuki anata mo, Souma Kukai. –Sussurrou.

Ambos fecharam os olhos e entregaram-se ao momento.

As ondas calmas batiam suavemente e suas peles, causando-lhes arrepios. A lua os iluminava feito um holofote, fazendo a água ao redor deles brilhar.

Um contato.

Um suave roçar de lábios.

E, por todos os deuses, aquilo era maravilhoso.

Kukai sorriu e aprofundou o beijo aos poucos.

Mesmo tendo o nervosismo por ser a primeira vez que ambos faziam algo como aquilo, dera certo.

As línguas se encontraram, tímidas. Os primeiros momentos eram os de conhecimento.

Mas poucos segundos depois, já haviam se acostumado e elas dançavam suavemente uma com a outra.

Poucos minutos depois, os jovens se separaram calmamente.

Kukai encostara seus lábios mais uma vez nos da garota, selando-os num suave selinho.

Ambos abriram os olhos e se contemplaram.

Riram ao notar suas faces vermelhas e se abraçaram. Amu recostara sua cabeça no peito do garoto e o mesmo continuava a segurá-la.

– Nee... –Ela o chamara, num tom suave.

– Hai? –Perguntara sorrindo e fitando a lua no céu.

– Me diz que isso aqui não é um sonho. –Ela pedira de olhos fechados.

– Se for, eu não quero acordar nunca. –Ele riu depositando um beijo na testa da rosada.

– Eu também não. –Ela também rira levemente, abraçando-o.

Se aquilo era um sonho ou não, eles não sabiam.

Pois nem em seus mais perfeitos sonhos, seus corpos vibravam tanto de emoção como naquele momento.

Então, não era um sonho.

Era melhor um sonho. Infinitamente melhor.

* * *

Notas finais
LOGO POSTO A SEGUNDA TEMPORADA, TCHAU, HAPPY NEW YEAR! ... Eu realmente consegui postar no último dia de 2013, mas preferi voltar em 2014, (aheuah), e colocar a música e o desenho. Muito obrigada a todos que acompanharam a fanfic até o fim e agradeço imensamente os comentários e as recomendações que recebi! ^^ Em breve sairá a segunda temporada, minna!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!