Daisuki Anata!

32 Capítulo 32 - Past and troubles.


Notas iniciais
Sim, eu demorei. e-e'
Perdões.
Bem, para quem leu o capítulo aviso anterior, eu disse algumas coisas importantes.
Duas notícias:
1º- A fanfic Daisuki Anata irá acabar no próximo capítulo. Ou seja, o Capítulo 33 é o último capítulo.

2º-Depois de pensar(e muito), resolvi fazer uma segunda temporada.

Yeap, haverá uma segunda temporada. E para quem quiser acompanhar, eu gostaria de dizer que, bem, não vai ser o clichê como essa temporada. Será algo diferente, mas claro, com o bom e velho romance.

Apenas peço paciência, por que postarei quando tiver algo já sólido para postar, para que vocês não fiquem querendo me trucidar com as idiotas demoras.

Eu sei que irrita, me desculpem.

Não sei se irão gostar desse capítulo, mas é a terceira vez que reescrevo. (Sim, a terceira vez que eu REESCREVO, para vocês terem uma ideia das merd*s que aconteceram).

Estive pensando e desde que eu criei o Taku logo nos dois primeiros capítulos de Daisuki, eu nunca falei muito dele. E isso realmente não é algo legal, visto que ele foi meu primeiro personagem original.
Então, para quem queria saber um pouco mais da história dele... Aqui está =P.

É meio tarde, mas espero que tenham tido um ótimo dia dos pais. =)

AH! E acho que vocês vão entender o motivo pelo qual ele não gosta do nome inteiro. Pelo menos eu acho...

Bom, fiquem com o penúltimo capítulo.

\"\"


~se você não leu as notas lá em cima, peço que volte e leia, obrigada.~~



“ –Okaa-san! Olha o que eu fiz para a senhora, Okaa-san! – Um garotinho de cabelos laranjas segurava um papel nas mãos.


Eu me lembrava desse dia.


Foi o dia em que eu vi.


A mulher loira pegara a folha, e eu pude ver o único sorriso que ela dera para mim.


Mesmo que fosse apenas um curvar de lábios, foi o primeiro e único sorriso que eu vi nos lábios da minha mãe, que fossem para mim.


Mas ela continuava com aquele maldito olhar indiferente enquanto dava as costas sem dizer uma palavra.


Essa era minha mãe.


Ela era incapaz de me dar um sorriso sequer ou alguma palavra de incentivo.


Seu orgulho sempre falava mais alto quando era para mim, seu filho.


Minha mãe, Yutaka Aika, loira de olhos verdes e dona de uma agência de modelos.


Meu pai, Yutaka Kaito, olhos azuis. Viaja pelo mundo inteiro, mas seus países preferidos são Inglaterra, França e Brasil –um país que ele falou muito bem por sinal.


Minha irmã gêmea, Yutaka Hana, cabelos cor de mel e olhos verde água. Minha mãe quer transformá-la numa modelo fotográfica pois é baixinha. É a princesa de Aika, a querida pela qual minha mãe faz tudo com o maior prazer. Mas eu sinto o dever de protegê-la com a minha vida.


E eu, Takuto Yutaka. Cabelos laranjas e olhos azuis.


Um delinquente.


Um desastre ambulante.


Nunca fiz nada de certo ou que pudesse dar o mínimo de orgulho aos meus pais.


Sempre fui marrento e cabeça dura.


Brigava com quem quer que fosse e não me importava se achassem que eu fosse um demônio. Por que eu realmente era.


Nunca tive amigos.


Claro. Quem iria querer ser amigo de um delinquente? Para ficar mal falado?


Mas um idiota se aproximou de mim.


Um idiota chamado Souma Kukai.


O único que quis realmente se aproximar de alguém como eu.


Na época eu não o queria por perto nem que me pagassem. Eu achava que ele não ficaria comigo por muito tempo.


Mas aquele garoto continuou conversando comigo.



Ele parecia um cara legal –depois que resolvi conviver melhor com ele, e popular.


E eu estava certo.


Kukai havia comentado que fazia parte dos “Guardiões do Colégio Seiyo”. Eu fiquei incrédulo. Como um cara popular como ele, andava com alguém de má influência como eu?


Por onde passávamos, ele era elogiado e eu... Ignorado ou então desprezado.


Não que eu me importasse.


Já havia me acostumado a viver sozinho enquanto era desprezado por todos à minha volta.


Mas o mais surpreendente é que nem por ouvir comentários ruins sobre mim, e sabendo que as chances de ficar mal falado eram grandes... Kukai continuava conversando comigo.


E eu ficava com raiva da presença dele.


Como um cara tão legal ficava perdendo tempo comigo?


Eu me odiava, mas ninguém precisava saber disso. Eu sabia que era um desastre ambulante.


Sempre me senti como uma piada ruim.


E por isso mesmo, Kukai e eu brigamos.


Trocamos socos, chutes sem poupar força em cada um deles. Discutíamos enraivecidos enquanto brigávamos.


Até que caímos deitados na grama ao lado do lago, exaustos.


Sangue saía por nossos narizes e boca, assim como nos punhos por conta da força que usamos.


Eu me lembro perfeitamente do que aquele grande idiota disse àquele dia.


“E daí se você é um delinquente?! Eu não me importo com isso! Nós somos amigos e do que depender de mim, eu ainda vou te irritar muito. Não pense que vai se livrar de mim tão fácil, cara. Ou você para de ter esses pensamentos ou então eu vou te socar com tudo o que tenho, Yutaka Takuto!”


Fingi parar de pensar aquele tipo de coisa. Só fingi.


Eu nunca pararia de pensar. É impossível.


Sempre vou ter marcas para me lembrar do quão desastroso eu sou.


Tenho memórias.


Quando eu e Hana tínhamos sete anos, sofremos um acidente por culpa minha. Eu a protegi e por isso tenho uma cicatriz mediana no peito.


Mas não me arrependo. Eu protegeria minha irmãzinha quantas vezes precisasse.


Eu lembro do que minha mãe fez. Me culpou por causa do que aconteceu e por isso decidiu afastar Hana de mim, mandando-a para um colégio interno na França.


Era realmente melhor que minha irmã se afastasse de mim.


Todos devem ficar longe de mim se não quiserem sair feridos.


Principalmente Kukai e Amu. Aqueles dois são difíceis, mas é melhor afastá-los antes que...


– Taku, pare. –Ouvi a voz séria de Kurai e levantei da cama juntamente com ele. –Não os afaste.


Encarei o chara seriamente.


– Não quero envolver os primeiros que se tornaram meus amigos, em meus problemas. Vou afastá-los o quanto puder, Kurai.


– E a Utau? Vai afastá-la também? –Perguntou irônico.


– Vou. Eu gosto da Utau, mas ela não merece ficar com um lixo como eu. –Fui frio. –Nunca poderei ficar com alguém, principalmente com a Utau.


Ficamos em silêncio enquanto nos encarávamos. Não fugimos o olhar.


– Eu só não quero ver meus amigos se ferindo por minha causa, Kurai... –Comentei suspirando. –Você sabe que eu sou teimoso e que não vou parar enquanto não afastá-los de um desastre como eu.


– Você tem que parar de querer afastá-los, Takuto. Kukai e Amu são mais teimosos que você e eles vão se envolver de qualquer maneira. –Kurai dissera a verdade, mas eu não recuaria.


– Eu nunca vou me perdoar se acontecer algo a aqueles dois por minha culpa e meus problemas, Kurai. Vou me odiar ainda mais se eu vê-los feridos por algo que eu fiz de errado lá atrás. –Comecei a caminhar até o banheiro enquanto meu chara me seguia.


Liguei o chuveiro e comecei a me despir sem pressa alguma. Kurai fez o mesmo e enfim entramos debaixo da água.


Meus músculos relaxaram quando a água quente entrou em contato com a minha pele, soltei um gemido de alívio e satisfação.


Enquanto encarava os azulejos do banheiro, comecei a pensar sobre a fama que eu e Kukai havíamos recebido.


“The Phoenix” e “The Beater”. Nicks ao menos, bons.


Então me lembrei do nick da Amu. “Cool and Spyce.”


– Hey, Taku. Quem deu o nick de “Cool and Spyce” para a Hinamori Amu? –Kurai perguntou-me zombeteiro.


– Algum besta, claro. –Ri.


– Por que justo essa “coisa” como nick? Não tinha algo melhor? –Kurai também riu.


– Bem, Kukai me contou que era por que a Amu se vestia bem diferente do que se espera de uma menina. Ela usava a saia do uniforme um tanto curta, meias polainas da cor da saia, a blusa para fora da saia e o blazer masculino. Além da expressão fria e uma mala personalizada. –Vi meu chara dar um sorriso de canto. –Mas ela só queria ser uma garota normal e agia daquela maneira por influência da mãe e, além de que a Amu era tímida então acabava passando a imagem de garota rebelde ou fria.


Kurai riu.


– E você acha mesmo que era apenas aparência? –Ele me perguntou divertido. –Eu tenho a certeza que mesmo que seja lá no fundo, temos um projeto de delinquente na Hinamori Amu.


Encarei meu chara, assustado.


– Ficou louco? –Perguntei mexendo nos meus cabelos laranja.


– Um dia vocês vão ver. –Ele deixou uma... “Expectativa” no ar, o que me intrigou. –Mas, fala sério... “Cool and Spyce”? Cara, ela precisa urgentemente de um nick melhor.


– Então pensa em um, meu caro. –Pisquei enquanto sorria zombeteiro.


Rimos e eu desliguei o chuveiro, enrolando uma toalha em minha cintura enquanto passava pela porta do banheiro.


Se fosse ate algum tempo atrás eu só me secaria mais ou menos e me jogaria na cama, para dormir e tentar não acordar mais.


Mas, como eu sei que o Kukai e a Amu iriam até o inferno para salvarem o capeta de mim...


Eu passei a ao menos enrolar a toalha na cintura antes de sair do banheiro.


– Ô hábito. –Kurai resmungou.


Dei de ombros e fiz menção de me sentar na cama, mas meu querido chara me impediu.


– Nope. Você saiu mais cedo daquele encontro com a Hinamori Amu e os outros dando a desculpa para eles de que iria comprar o presente dela. O aniversário da garota é amanhã, Takuto! Vamos logo comprar esse presente, preguiçoso. –O pequeno dissera enquanto voltava às suas típicas roupas, num instante.


– Hai, hai... –Comecei a me vestir.


– Você não vai mais tocar aquela guitarra, Taku? –Kurai me perguntou de repente, apontando para o instrumento na parede.


– Você sabe que não, Kurai... Eu não quero mais... –Encolhi os ombros.


– Um dia você vai voltar a tocar, você vai ver. –Ele sorriu.


Dei um sorriso torto para o chara.


Terminei de me vestir, peguei minha carteira e celular indo para a porta enquanto Kurai me seguia. Tranquei-a quando saí e fui até o portão.


Moro sozinho.


Meu pai viaja, minha mãe mandou Hana para aquele colégio interno quando tínhamos sete anos e mudou-se para o apartamento me ignorando completamente e sendo mais fria do que o possível. Essa é a Aika, minha mãe.


Quando passei pelo portão, dei de cara com Hana na calçada. Ela me viu e sorriu enquanto se aproximava. Devolvi o sorriso para minha irmã.


– Como foi o encontro de vocês com a Amu? –Perguntou-me curiosa.


– Os outros garotos e ela ainda devem estar passeando, voltei mais cedo para comprar o presente dela. –Expliquei olhando para o céu. –Seu dia foi muito corrido?


– Você nem imagina o quanto, onii-chan. –Ela rira.


– E então? Quando você e o Tadase vão sair? –Perguntei olhando-a.


Minha pequena irmã corou dos pés à cabeça. Parecia um tomate e eu podia ouvir seu coração batendo mais rápido.


Reviro os olhos sorrindo divertido.


– Isso já é bem óbvio pra mim, Hana. –Dei-lhe um peteleco na testa, ouvindo-a resmungar levemente. –Boa noite, pequena.


Sorri enquanto dava um beijo rápido no topo de sua cabeça e começava a lhe dar as costas.


Não esperei resposta por parte dela.


Sei que algum dia posso me arrepender do que faço, mas e daí?


Eu vou sofrer de qualquer merda, então dane-se.


Kurai estava sentado em meu ombro enquanto eu andava pelas ruas já movimentadas às 21:00hs.


– Você está muito quieto. –Ele comentou suspirando.


– Não ligo. –Dou de ombros.


– Garoto chato. –Meu chara resmunga e eu ignoro.


Enquanto caminhava, pude notar vários olhares de repreensão vindos dos adultos ao me verem. Não me importei, sempre foi assim.


Eles não gostam da maneira que eu me visto, dos meus olhos ou cabelo. Mas eu não ligo. A vida é minha, o corpo é meu e eles não conhecem a minha história.


Passei a olhar algumas lojas e acabei vendo em um dos vários telões dos prédios, a imagem da Utau cantando em algum clipe.


– Ah é... Ela é uma cantora profissional. –Sussurro.


Kurai confirma com a cabeça sem dizer nada de volta.


Continuamos a andar até que ele avista algo.


– Olha Taku, um café de maids! Elas estão precisando de alguém que se apresente para tocar guitarra e cantar, vamos lá? –Me pergunta animado.


Olhei para o café e por alguns milésimos tive a imensa vontade de dizer um sim e correr lá para dentro. Mas apenas neguei com a cabeça, sentindo Kurai desanimar-se em meu ombro.


Eu não gosto de vê-lo triste, ele é o meu ‘eu’ interior.


Só que...


Eu não quero mais me aproximar da música dessa maneira.


– Pare de ser covarde Taku. Você quer tocar, eu sinto. –Ele diz num tom baixo.


– Nem sempre podemos ter tudo o que queremos. –Sorri torto e tive uma ideia do que comprar para a Amu.


Algo bem diferente do que é óbvio para mim que o pessoal dará para ela amanhã.


Não deve ser tão ruim.


– Já sei o que comprar, vamos. –Digo e vou andando um pouco animado.


Voltei a caminhar, dessa vez para uma loja mais afastada. Ouvi comentários sobre mim e principalmente sobre meus cabelos.


“Olhe aquele garoto! É um delinquente!”


Não ligo.


Sempre fui um e não me importo.


É por isso que ninguém me merece. Eu não presto.


Comprei o presente da Amu. É pequeno, mas creio que ela vá gostar.


Guardei-o dentro do bolso da minha blusa e continuei a andar.


Não voltaria tão cedo para casa.


Sempre foi assim.


Senti que alguém me seguia e estreitei os olhos.


– Taku... São eles. –Kurai me sussurrou num tom sério.


– Ora, ora! Olha só quem eu encontro por aqui... –Ouvi uma voz conhecida e meus ombros se enrijeceram.


Permanecemos em silêncio. Sem dizer uma única palavra.


Eu já deveria saber que eles nunca me deixariam em paz.


– Sabia que é muito feio conversar com alguém sem olhá-lo nos olhos, Taka? –Ouvi outra voz conhecida, cínica.


Senti uma onda de raiva tomar conta de mim. Mas não poderia perder o controle, não aqui e não agora.


Amanhã é o aniversário da Amu. Não posso me envolver numa briga e sair machucado.


Respirei fundo e virei-me para vê-lo.


E lá estava aquele loiro com os olhos verdes. Sorrindo debochado, como sempre estivera. Com aquele mesmo maldito ar de ser superior a todos. O mesmo garoto irritante.


– Já disse para não me chamar assim, Rin. –O encarei friamente.


Rin Ryuzaki. Um antigo conhecido, que eu gostaria de nunca mais vê-lo na minha frente ou sequer ouvir falar desse maldito.


Mas seria impossível.


Pois onde quer que eu esteja...


Eles irão me encontrar.


– Relaxe, Taka. –Ele rira debochado. –Então quer dizer que você fez amigos, hein?


Meus punhos que já estavam cerrados, tremeram. Não de medo. Mas de raiva.


– Não os envolva nos meus problemas, Rin Ryuzaki. –Eu o encarava mortalmente.


– Soube até que uma amiga sua vai fazer aniversário amanhã... –Ele tinha um maldito sorriso debochado.


Desgraçado... Como ele descobriu sobre a Amu?!


Meu sangue ferveu e meus punhos tremeram.


Não consegui me controlar e acertei um soco no nariz do loiro.


– Fique longe dela. –Minha voz soou fria.


Rin levou uma mão ao seu nariz, de onde já saía sangue. O loiro me mandou um olhar assassino e soltou um riso debochado.


– Enquanto você não pagar suas contas pendentes, tudo o que podemos fazer é lhe avisar... –Sua voz me enojava.


A raiva me dominou e antes que me desse conta, estávamos num beco escuro, brigando.

Trocando socos e chutes tão fortes, que pareciam que poderiam quebrar troncos de árvores.

Me afastei de Rin, e olhei disfarçadamente para Kurai que estava nervoso de preocupação comigo.

“Por favor, se afaste.” Pedi em pensamento, sabendo que ele iria me escutar.

De jeito nenhum que eu queria que meu chara se ferisse por irresponsabilidade minha.


– Não se atreva a tocar nos meus amigos. –Eu disse num tom extremamente frio.


– Você é apenas um, sabe que nunca vai conseguir nos impedir sozinho. –A voz do loiro soou debochada.


Cerrei os punhos que já possuíam traços de sangue. Rangi os dentes.

Eu definitivamente não queria fazer isso.

Espero que eles me perdoem quando souberem.

Respirei fundo e fitei o único cara de pé dos que havia me atacado em bando.

Ryuzaki Rin.

– E quem lhe disse que estou sozinho? –Um sorriso de canto se formou em meus lábios, marotamente. –Somos três imbatíveis.


Rin me olhou desconfiado e irritado.

Eu estava alcançando o meu objetivo.


– E quem seria? –Perguntou-me.


Minha mente doeu por ter de dizer isso.


– Phoenix, Beater e mais alguém que ainda permanece no anonimato. –Meu sorriso aumentava. –Acho bom vocês tomarem cuidado, não apenas comigo. Todos sabem qual é a minha fama, Ryuzaki.

– Será, Taka? –Ele perguntara debochado. –Você é apenas mais um delinquente.


Caminhei até ele, colocando a mão esquerda dentro do bolso da minha blusa.

Eu parecia um caçador espreitando sua presa.

Meu sorriso e meu olhar pareciam como o de um lobo assassino.


Rin não tremeu, manteu-se firme. Mas eu sabia que por dentro ele estava assustado. Nem que fosse apenas um pouco.


– Apenas mais um delinquente, você disse? –Eu gargalhei, num tom assustador. Minha risada foi diminuindo, dando um ar pesado ao nosso redor. Parei em frente ao loiro que me fitava. –Tem certeza? Você, melhor do que qualquer outro... Deveria saber que eu não estou para brincadeiras, Ryuzaki. –Sorri-lhe maroto.

Ele ficou em silêncio, apenas me encarando.

Fitei-o estreitando os olhos, feito um lobo que iria atacar. Puxei-o pela gola da camisa, encarando o fundo de seus olhos.

Eu sempre fazia isso quando meu objetivo era que me deixassem em paz.

Eu confrontava seus olhos.

Ninguém pode mentir seu olhar.

E Rin não era diferente.

Os orbes cor de esmeralda tremeram levemente, demonstrando que até mesmo um dos mais temidos possuía medo.

Soltei um riso diabólico.

– Ousem machucar algum dos meus amigos que eu acabarei com a raça de vocês. –Minha voz saiu assustadora até mesmo para mim. –Ousem interferir na vida deles ou na festa de amanhã. Aliás, ousem até mesmo se aproximar deles.

Apertei mais a gola de sua camisa, amassando-a cada vez mais.

– Façam algo que eu não terei o mínimo de piedade em ir pessoalmente acabar com tudo da piro maneira possível para todos vocês. –Soltei-o com violência.

Não me contive apenas com isso.

E apenas como uma forma de aviso...

Dei um gancho de direita em sua boca, machucando-a. E em seguida, dei-lhe uma joelhada na boca de seu estômago, fazendo o loiro cuspir sangue.


– Isso não acaba aqui, Takuto. –Ele se levantou, limpando o sangue que escorria por seu rosto com raiva. –Você me pagará caro.

Sorri debochado.

– Mande a conta, Ryuzaki. E eu lhe pagarei com o maior prazer do mundo. –Encarei-o num instinto assassino.


O loiro e os outros delinquentes começaram a se afastar do beco, e antes de Rin desaparecer, vi seus orbes esmeraldas brilharem com ódio.


Esperei alguns segundos e finalmente caí de joelhos no chão, socando-o com raiva.

Eu estava com raiva.

Raiva das coisas que fiz no passado.

Raiva do que eu era.

Raiva deles.


Raiva de mim mesmo.


Eu não deveria ter envolvido Kukai e Amu nos meus problemas. Não aqueles dois.

Para ser realista, eu nunca deveria ter deixado eles se aproximarem de um lixo feito eu.

Eu, Yutaka Takuto não presto.


Kurai se aproximou de mim, preocupado.


– Taku... –Sussurrou ficando em silêncio após isso.

Minha respiração estava ofegante. Ainda saía um pouco de sangue do meu nariz, assim como o líquido carmim escapava pelo canto dos meus lábios.

Meus punhos também estavam traçados de sangue.

Soquei o chão uma última vez e senti meu peito arder.

– Merda. Eu não devia ter me envolvido numa briga. Merda. –Sussurrei furioso comigo mesmo. –Kukai e Amu não deviam ter sido envolvidos por minha culpa.


– Vá para casa, Taku. –Uma voz rouca e conhecida viera das sombras.


Uma pequena silhueta aparecia na medida em que a lua lhe alcançava.

Dark Angel me fitava com seus olhos dourados, numa expressão indecifrável.

Você acha mesmo que um dia Kukai e Amu não se envolveriam? –Ela se aproximou mais.

Sentei-me, sentindo meus músculos doerem.

– Eu não podia fazer isso. Não com aqueles dois. –Cerrei os punhos.

Você acha que eles não entrariam nisso por si próprios? Que eles não escolheriam ficar ao seu lado e ajudá-lo?

– Eu já disse isso a ele. –Kurai dissera rouco.

– Eles não podem, droga. Eles não podem se machucar por minha culpa! –Minha voz se alterou.

Dark Angel estreitou os olhos.

Por que você acha que eu nasci? –Perguntou-me de repente.

Franzi o cenho.

– O que quer dizer? –Arqueei uma sobrancelha, já imaginando o que pudesse ser.

– Eu não sou apenas uma chara da Amu. Eu não sou apenas o desejo de ser boa no esporte e no amor, em ser boa em desenhos e música, ser boa em cozinhar e gentilezas, ou então ser o desejo do brilho interior. –Sua voz era distante, embora ela estivesse perto.

Encarei-a, em silêncio.

Eu já imaginava o que era.

Na verdade, era uma certeza.

Você sabe que Shugo Charas são sua verdadeira essência, seus desejos do coração. E é mais do que lógico que eu também sou assim. –A rosada prosseguia me encarando enquanto alternava olhares para Kurai. –Nem mesmo Amu deve imaginar o motivo pelo qual eu nasci. Mas você sabe Yutaka Taku. –Ela não dissera meu nome inteiro, o que fez me sentir um pouco melhor.

– Sim, eu já sei o motivo. –Respondi firme. –Mas isso não quer dizer que Kukai ou Amu deveriam ter sido envolvidos em problemas que eu mesmo criei.

Ela revirou os olhos.

Uma hora aconteceria, era o inevitável. Agora, aconselho-lhe a ir para casa cuidar desses ferimentos, ou então amanhã todos irão questionar. –Sua voz soava calma.

Levantei-me com um pouco de dificuldade e Kurai sentou-se em meu ombro direito.

– Vou te ajudar a voltar pra casa. Você não pode ir assim. –Ele murmurou.

Fechei os olhos enquanto sentia meu corpo mudar.

Num instante minhas roupas foram trocadas e minhas dores pareciam ter desaparecido.

Mas eu sabia que isso era apenas pelo Chara Nari.

Eu sabia que quando voltasse para a minha forma...

Tudo voltaria pior.

Embora não pareça... O Chara Nari é prejudicial.

Causa um desgaste para o corpo, numa proporção inimaginável.

Eu os acompanharei. –Dark Angel começou a voar para o alto.

Respirei fundo e meu corpo se moveu sozinho.

Kurai iria cuidar disso por mim.

Tudo o que eu queria era me jogar na cama e dormir.

Começamos a saltar pelos edifícios, de um para o outro.


Até que avistamos uma figura conhecida, banhada pela escuridão da noite.

Ikuto me fitava em sua forma de Chara Change, do alto do prédio da frente.


– O que faz pelas ruas tão tarde? –Perguntou-me.

– Comprando o presente da Amu. –Respondi olhando em seus olhos.

Ele ficou em silêncio.

– Os outros já fizeram a sua parte? –Perguntei desviando o olhar para a lua.

– Há essas horas, Amu-koi já deve estar em casa. Creio que o Souma tenha a levado. –Respondeu sem parar de me olhar. –O que foi aquilo lá embaixo.

Tentei ficar calmo.

Posso afirmar que esse cara é um infortunado. –Dark Angel suspirara ao meu lado. –Aqueles delinquentes estavam procurando alguém para usar de saco de pancadas e o azarado da vez foi Taku. –Ela dera de ombros, revirando os olhos.

– E o que você faz longe da Amu-koi? –Ikuto fez a pergunta que eu deveria ter feito para ela logo no início.

Percebi um sorriso irônico nos pequenos lábios da rosada. Seus olhos dourados se estreitaram, dando um ar estranho ao seu redor.

Eu sou diferente das outras quatro. Durmo durante o dia para recuperar minhas energias. Eu sou da noite, Garoto neko. ­­–Ela sorriu divertida.

Era obvio que Dark Angel era o oposto de Ran, Miki, Suu, Dia ou até mesmo a própria Amu.

E embora eu tenha pesquisado...

Nunca ouvi falar de um chara tão estranho quanto ela.

Mas eu sabia o motivo por de trás de seu nascimento.

E acredito que ninguém mais saiba.

– Bom... –Num salto, Ikuto ficou ao meu lado. –É melhor que minha irmã não se machuque por sua culpa, rapaz... –Ele dissera ao pé do meu ouvido num tom sério.

– Não se preocupe. –Devolvi num tom sério. –Ela não vai se machucar.

– É bom mesmo, ruivo. –E ele se afastou.

Nos instantes seguintes, vi Ikuto se afastar saltando pelos prédios que eu já havia passado.

Quando constatei que ele estava longe, permiti que minhas mãos tremessem.


Voltamos a fazer o percurso pelo alto dos prédios, até minha casa.

Entrei pela janela, e Kurai desfez o Chara Nari.

Eu vou indo, cuide desses ferimentos, Taku. –A voz de Dark Angel parecia ser sussurrada.

– Eu irei. –Murmurei cansado e dolorido.

Notei ela mandar um olhar para Kurai como se dissesse algo do tipo “não o deixe fazer besteiras”, e ele assentir em confirmação.

Suspirei e em poucos segundos, a pequena figura rósea que trajava vestes negras já havia se misturado à escuridão e ao frio da noite.

Olhei para o céu nublado.

– Irá nevar em breve. –Murmurei após sentir uma brisa fria brincar com meus cabelos ruivos.

Guardei o presente de Amu dentro de uma gaveta.


Fechei a janela e com a ajuda de Kurai consegui cuidar dos machucados.

Vesti outra blusa mais leve e um calção qualquer.

Kurai pegou alguns comprimidos para mim, aqueles que eu sempre tomava quando não conseguia dormir.

O que era comum.

Tomei-os com um copo de água e fui para a cama.

– Venha Kurai... –O chamei suspirando.

Ele se aproximou de mim e o vi trocar de roupas num instante. Um pijama com uma blusa azul escura com pequenas guitarras laranjas, e um calção azul escuro.

Soltei um pequeno riso, fazendo-o inflar as bochechas.

– Você lembra a mim mesmo quando pequeno. –Murmurei fitando-o.

– Eu sou o que você queria ser, Taku. Não se esqueça disso nunca. –Ele respondeu deitando no travesseiro, logo ao lado da minha cabeça.

Nunca seria capaz disso... –Sussurrei praticamente inaudível.

Cobri a nós dois e fechei os olhos sentindo minha mente entorpecer por conta dos efeitos do remédio.

São poucas as vezes em que eu não penso nisso.

E hoje não é uma exceção, como as outras foram.


Eu só queria dormir e não acordar mais.

Talvez assim...

Ninguém mais precisasse se ferir por minha culpa.


Deixei meu corpo e mente se render ao entorpecimento e caí no sono.

Amanhã seria um dia memorável.

Sem sombra de dúvidas.


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Notas finais
Bem, novamente desculpem pela demora.
Obrigada a quem leu o aviso anterior e obrigada pelas palavras =).

Sinto muito, mas terei muitas provas importantes esse ano (não, não são as provas normais da escola). Simulados municipais, Prova Brasil, Saresp e um par de coisas.

Mas, como eu não sou lá de estudar pra esse tipo de coisa, já que só estudo para o que me interessa e essas provas não me interessam...

Whatever. U.U

O que importa para mim, é parar de demorar para postar e atualizar as fanfics para vocês. =)

~~Ah sim, postarei antes do meu aniversário que é mês que vem. xD! PROMETO!

DESSA VEZ É SÉRIO!

Okay, agora vou dormir, tenho aula amanhã. -q