Daddy's Little Girl

12 Natal Vermelho


Notas iniciais
Olha quem ainda vive, eu mesma! Hehehe Gente, desculpa MEEEEEEEEESMO esse sumiço, eu ando com tantas coisas pra fazer, estudos pro ENEM, emprego, tudo isso me deixava exausta e eu fiquei mega desanimada pra escrever qualquer palavrinha que fosse!! Mas é natal, ano novo chegando, família reunida, eu claramente trancada no quarto pra fugir desse povo, veio a inspiração. Veio também umas ideias pruns dois capítulos também, mas isso aí vamos ver... E agora, com a maior cara de pau do mundo, vamos ao capítulo:

— Como não amar o natal? É tudo tão brilhante, alegre, vermelho – ela comentou, colocando a estrela no topo da árvore e sinalizando ao pai para ligar as luzes – só falta a mamãe e o Itachi. Que horas eles voltam da tia Ino?

— Eles já deviam ter voltado…

Já era natal e tudo estava às avessas pela casa. Sasuke tinha chegado recentemente de mais uma de suas longas missões, Sakura estava ocupada com pacientes, com Itachi e Sarada se recusava a montar a árvore da família sem todos os membros presentes. Todos acordaram cedo e começaram os preparativos, mas no meio da tarde Ino chegara dizendo que precisava contar coisas urgentes e que não, não poderia esperar, então a matriarca da família foi logo correndo, com o filho a tiracolo, deixando os dois entalados de decorações.

— A árvore já tá pronta, vamos esperar os dois pelo menos para a troca de presentes – pulou no sofá jogando pro alto todas as almofadas que encontrava no caminho para ter espaço de se esticar – vamos assistir alguma coisa na TV!

Sasuke sentia falta de passar tempo com a família. Quando não estava em alguma missão, estava ajudando Boruto a treinar e até mesmo Sakura se ocupava vez ou outra, arrumando a casa, ou no hospital, ou discutindo coisas com Shizune, ou fofocando com Ino. Sarada estudava e treinava, então sobrava Itachi, mas suas conversas não tinham muitas palavras inteligíveis. Os Uchiha quase nunca estavam 100% reunidos num dia só, e ele esperava que pelo menos no natal isso mudasse. Exausto desses pensamentos, resolveu parar de reclamar mentalmente e aproveitar o tempo que tinha com a filha, mesmo que fosse pouco, arrumando um espaço no sofá e colocando as pernas dela, que estava deitada, em seu colo.

Estava tudo correndo bem, alguns programas idiotas especiais de natal passando, mas que no contexto da situação ficavam até engraçados depois, Sarada começou a se mexer no sofá, inquieta com sua posição. Suas mãos estavam sobre sua barriga e ela parecia pálida.

— Aconteceu alguma coisa?

— Eu não sei, – ela parecia relutante em responder, sentando no sofá e colocando a televisão no mudo – tem como você esquentar água e colocar numa bolsa? Eu preciso checar uma coisa antes, mas isso pode aliviar…

O coração do Uchiha quase parou por um segundo. Mas já? Aquilo? Sarada tinha nascido praticamente ontem! Seria aquela a primeira vez? Caso contrário, Sakura teria dito antes. Ou será que não? Esse tipo de coisa é para ser escondida do pai? Ele deveria estar preparado?

Ele sabia o que era, tinha visto em filmes. Tinha passado por meses terríveis em que Sakura estava indecifrável, ora sensível e perigosa como um campo minado, prestes a desidratar de chorar, ora a personificação de uma bomba atômica e, em dias como aqueles, ele preferia manter distância. Sarada já era suficientemente difícil de lidar sem essa praga mensal chegar, não queria imaginar a partir dali.

Mas ela já deve saber o que fazer, pensou enquanto se dirigia à cozinha. A mãe com certeza lhe ensinou muitas coisas e, por mais que aquela fosse – ou não – a primeira vez, Sarada deveria ter alguma ideia de como proceder.

Ou era o que ele pensava, até ouvir um berro desesperado vindo do banheiro.

— É tão vermelho! Que nojo!

Segurando-se para não rir, foi até o cômodo e bateu na porta.

— Você está bem aí?

— Papai, por algum motivo você saberia onde a mamãe guarda… — a voz abafada não indicava muito as emoções que passavam pela cabeça dela, mas a garota estava hesitante – sabe… aquelas coisas?

Sasuke sabia do que ela estava falando, mas nem mesmo a pontada de pena por ver sua filha naquele estado, à beira de um ataque de nervos, o impediu de provocar um pouco.

— O que? Eu não sei…

— Você sabe! Mulheres precisam todos os meses… ah… absorventes, papai, por favor!

Mas então, o pânico subiu pela espinha dele. Ele não sabia onde Sakura colocava esse tipo de coisa. Ela nunca pedira para ele comprar remédios, absorventes, chocolates. Ela, como médica, estava sempre pronta para esse tipo de coisa, mas, por algum motivo, tudo estava escondido em algum buraco negro pela casa.

Decidiu procurar em todos os cômodos, deveria estar em algum armário. Não estava pelo quarto, em nenhuma gaveta, não estava com os remédios e ele já não sabia o que fazer.

— Papai, achou? — ouviu do banheiro – Eu prometo que limpo tudo depois, mas preciso disso agora!

Sasuke não queria saber em que condições a filha se encontrava porque não estava preparado pra isso. Sakura devia estar ali, não ele. Sakura não ensinou nada pra ele. Ele praticamente nunca ficava em casa e quando encontrava um momento pra família, passava por uma situação enervante daquelas…

Ou será que não tinha mais absorventes? Sakura tinha mencionado que andava tão ocupada que mal tinha tempo de fazer compras, será que ela estava se referindo àquilo? Logo hoje?

Será que as fraldas de Itachi cabem em Sarada?

Resolveu que era melhor ligar pra ela. Não importa qual fofoca Ino tivesse pra contar, ela precisaria respirar e, então, Sakura teria tempo de atender o telefone.

Ao passar pela sala para pegar o celular, encontrou Sarada, sã e salva, sem nenhum sangue aparente, arrancando algumas decorações da árvore. Tinha um olhar furioso em seu rosto.

— Eu coloquei papel higiênico, não vai durar muito. Obrigada por nada.

Tinha puxado a mãe, afinal de contas. Sasuke passaria por meses estressantes. Mas uma coisa ainda batucava em sua cabeça, coisa essa que Sarada esclareceu antes que pudesse perguntar.

— Esse natal não vai ter mais nada vermelho. Não nessa casa. Não enquanto eu estiver assim. Se eu li certo nas minhas pesquisas e se meu ciclo for realmente regular, como espero que seja, ano que vem ele deve chegar nessa mesma época e, até lá, vou continuar odiando vermelho. Eu deveria mudar de família também. Alguma que não tenha vermelho no símbolo do clã. Que tal?

Ele não sabia o que dizer. Sarada estava sendo extremamente passivo agressiva, ainda pior que Sakura. Sua esposa ainda tinha uma fina linha entre bomba relógio e lágrimas incessáveis, enquanto a filha parecia ser imprevisível.

— Desculpem a demora – Sakura entrou apressada pela porta, tentando encaixar o carrinho de Itachi pelo espaço – Ino não parava de falar e Inojin queria desenhar Itachi, mas ele e Sai começaram a discutir sobre que sombreamento usar melhor e eu não aguentava mais… — pausou ao ver o rosto assustado do marido e as lágrimas se formando nos olhos de Sarada, com várias decorações no chão – que furacão passou por aqui?

O furacão seguinte foi Sarada, que passou correndo na sua frente para abraçar a mãe.

— É tão horrível, é tão vermelho, dói tanto, pinga tanto, eu não quero passar por isso todos os meses!

— Minha menina virou uma mocinha? — exclamou Sakura, envolvendo a filha em seus braços e sinalizando com a cabeça para Sasuke pegar Itachi – você tá bem? Seu pai cuidou de você? Te explicou tudo? A Ino não vai acreditar…

— Não conta pra tia Ino, ela vai contar pro tio Sai e o Inojin vai ficar sabendo e vai contar pro Boruto e ele vai rir da minha cara.

— Não, Sarada, o Inojin não é assim. Nem a Ino… Não, talvez a Ino seja.

A cena em sua frente parecia a de um filme e ele era apenas um espectador. Nunca poderia imaginar sua filha tão sensível. Nem ao menos entrava na cabeça dele que ela já tinha idade pra passar por isso, sendo que ele nem tinha se acostumado ainda com os infernos mensais de Sakura.

— Onde você guarda seus absorventes, afinal? Eu procurei que nem louco – perguntou, querendo entrar nessa cena onde ele tinha sido cruelmente excluído.

Foi ali que Sakura pareceu ter caído em si, procurando alguma coisa em sua bolsa.

— Eu não comprei mais, nem tive tempo, anda tudo uma correria… — entregou o cartão ao marido e voltou a abraçar a filha – tem como você comprar alguma coisa? As lojas estão fechadas por ser natal, mas se você for no hospital eles podem arranjar alguma coisa.

Mais tempo longe da família, ele pensou. Mas considerando a cena acima e o humor de Sarada, talvez fosse até melhor. Poderia ver a situação até mesmo como um treino, já que nunca precisou comprar esse tipo de coisa pra Sakura.

— Que marca eu compro? — perguntou, tentando esconder o entusiasmo enquanto passava pela porta.

— Ah, não precisa se preocupar com marca. É só procurar algum que tenha abas e uma cobertura suave, acho que assim fica bom.

Aquilo era, com toda a certeza, a missão mais difícil de sua vida.

Notas finais
Feliz natal!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.