Da tua Retina

18 O início do fim


Notas iniciais
Olá pessoas!! E lá vem Ayzu em outra publicação a jato. Eu tentei, mas quando desembesto para o final, os capítulos saem assim mesmo, sem tempo para respirar! Nem mesmo respondi os comentários ainda, tenho que fazer ainda! E esse capítulo é como chegamos ao prólogo de Naru acordando no hospital. Espero que gostem! Qualquer erro, culpem minha ansiedade para postar. Sou assim mesmo, mas acho que compensei esses cinco meses na última semana. Beijos Aguardando comentários com ansiedade!

"Apenas sei, que nada vai estar igual. Algumas pessoas, já sei que não estarão lá."

L.Krsna

—Você está ficando cada vez melhor.

A voz do meu avô me incentivou quando consegui interceptar outro golpe dele, me afastando em um salto logo depois. Estávamos no galpão. O mesmo da minha infância, mas desta vez eu não estava consertando um avião ou ajudando meu avô nisso.

Eu havia contado a ele sobre Obito. Com o julgamento chegando, eu precisava falar com alguém sobre isso. Eu teria que falar tudo em juízo em duas semanas, então eu preferia que minha família ouvisse primeiro. Eu não contara tudo, ainda não conseguia, mas pelo pouco que foi dito meu avô decidiu me ensinar a lutar. Não apenas para que eu pudesse me defender e impedir que alguém me machucasse de novo, mas também para ajudar em meus novos sentidos que se desenvolveram em compensação com a falta de visão.

E também para controlar toda a frustração que por vezes, apesar de tudo, queria aflorar em mim. Eu precisava pensar em algo além do julgamento, e do grande nada que vinha pela minha frente.

Concentrei minha audição e senti o deslocamento de ar, me abaixando e armando meu punho. Ouvi um xingamento baixo e uma risada.

—Vovô?

—Está tudo bem Naru, você pegou seu velho de jeito!

—Desculpe.

Senti um carinho em minha cabeça e tensionei um pouco, até relaxar. Minha família já estava acostumada com isso, a não se aproximar de mim tão bruscamente. Ele bagunçou meu cabelo com força, me fazendo relaxar e rir. Eu estava deixando o cabelo crescer, desde que saíra do hospital. Agora ele já passava da linha dos meus olhos.

Ouvimos então um barulho de carro vindo. Devia ser a minha mãe, na nossa nova rotina ela trabalhava durante o dia enquanto eu ficava com meus avôs. Era como voltar a ser criança.

—Vamos descansar um pouco. Ver o que sua mãe trouxe para o lanche.

Assenti e segurei seu braço enquanto ele me guiava para fora. Podia sentir o calor do sol na minha pele, mas havia um vento frio, que era bem-vindo no meu corpo suado. Podia ouvir mais vozes, o que não era tão estranho. Itachi havia retornado para o fim de semana, e Kakashi havia aparecido de surpresa de visita na casa dele, apenas para ter uma chance de flertar com minha mãe no restaurante.

Sinceramente.

—Naruto! Tem uma visita para você.

Levantei a cabeça em direção a voz dela, como se pudesse enxergar. Velhos hábitos. Não imaginava quem me visitaria. Neji já havia vindo tantas vezes naquelas semanas que minha mãe nem considerava ele visita. Era bom conversar com Neji, eu nunca imaginaria isso. Depois de anos com Hinata, ele sabia exatamente como agir para me ajudar sem deixar tudo estranho. Ele estava me ensinando braile, que havia aprendido ainda criança por conta de Hinata. Por vezes eu me sentia frustrado, até ao ponto de jogar os livros na parede, mas ele não me deixava desistir, nem Senhor Hiashi, me ligando duas vezes pela semana para perguntar coisas sobre os livros.

Eles estavam me fazendo bem. Apesar de eu saber que Neji estava projetando Hinata em mim, eu me sentia bem. Ele dissera que Hanabi havia voltado para os Estados Unidos logo depois do funeral, que ela precisava do tempo dela para assimilar o que acontecera, e que tudo estava sendo mais complicado para ela, por isso eles não tinham nada mais importante para fazer. Esse jeito Hyuuga de dizer que se importava comigo era mesmo muito estranho.

—Está precisando de um corte de cabelo Dobe!

Parei, confuso ao ouvir aquela voz. Sasuke devia estar em Brisbane. Ainda era meio de semestre lá, e o recesso de natal seria apenas daqui há algumas semanas.

—O que está fazendo aqui Teme?

—Que jeito de dar as boas vindas seu imbecil. – Ele resmungou e senti uma batida na minha testa.

— Infeliz! Já disse que isso dói!

—Esse amor de vocês é incompreensível. – Meu avô riu ao meu lado, soltando meu braço e senti as mãos frias de Sasuke no lugar dele.

—Você devia estar em Brisbane, houve algum feriado?

Perguntei ainda confuso enquanto era guiado a me sentar na traseira do carro aberta, e uma xícara quente era passada para as minhas mãos. Ouvia a risada da minha mãe enquanto distribuía a comida entre as pessoas, e ouvi a voz de Itachi, e infelizmente de Kakashi também, mas não a da Sakura, o que era estranho. Se Sasuke estivesse de folga ela também deveria estar.

—Não. Eu tranquei o semestre. Não acho mais engenharia interessante.

Quase cuspi o chá ali mesmo, e eu devia estar o encarando com a face de idiota porque ele riu baixo. Havia a conversa de fundo dos outros, mas agora eu estava totalmente concentrado nele.

—Você não fez isso.

—Claro que eu fiz ,idiota. Tenho que encontrar algo mais interessante agora. Não era um desafio para um Uchiha.

"Você não está mais lá. Não tem mais graça nenhuma." Ficou não dito.

—Sasuke... você não...

—Nem vem Dobe! Não foi por sua causa.

"Claro que foi. Se você vai ter que recomeçar, eu também vou. Não vou deixar você passar por isso sozinho."

—Abra a matricula de novo! Nem pense em...

—Ah dobe, calado você! Já fiz, está feito e ponto final. Já perguntei a Tia Kushina se meu quarto ainda estava disponível na casa de vocês e ela quase me enforcou por ter se quer perguntado. Então minhas malas estão no quarto perto da escada, e não vai ser você que vai colocar conversa nisso. Então, cala a boca e aceite que dói menos.

Selei meus lábios por alguns instantes, ainda confuso com essa virada de acontecimentos. Eu devia ter previsto isso. Sasuke era fiel demais aos amigos e completamente capaz de fazer algo assim. E eu sabia que nada que dissesse ia fazer esse cabeça dura mudar de ideia. Ficamos em silêncio por algum tempo, eu tomando meu chá, ainda sem saber o que dizer.Havia um maldito caroço na minha garganta.

—Sakura mandou um abraço, ela vem para o natal. – Ele falou ao cabo de instantes. E então começou a falar como ela estava indo bem na residência, e contar histórias sobre os casos que ela estava pegando com aquela voz de orgulho dele. Comecei a relaxar novamente. A conversa foi ficando mais animada ao nosso redor. Senti uma manta ao meu redor quando esfriou mais, devia ser quase hora de ir para casa.

—Tia Kushina me falou sobre o braile. Você não tinha me contado que você e o Hyuuga era tão amigos, da última vez que me lembro, ele queria arrancar sua cabeça.

Ri do tom ciumento dele. Sasuke podia ser um territorialista quando era com Itachi, Sakura e eu. Eu pressentia que as coisas iriam ficar bem agitadas agora lá em casa.

—Sim, mas acho que sou burro demais para aprender braile. – falei baixo e recebi outro tapa na minha testa. – Caralho Sasuke! Para com isso porra!

—Olha a língua Naruto Uzumaki! – minha mãe gritou de longe e pedi desculpas rapidamente. Sasuke estava rindo. Maldito.

—Vou aprender também então. E aposto que aprendo antes de você. – ele falou me provocando.

—Nem fodendo!

—Naruto Uzumaki! Eu já disse...

—Desculpa mãe!

Como se ela não tivesse a boca de bueiro.

Enfim.

—Pois então é melhor começar a aprender rápido Dobe.

Mostrei a língua para ele, mas senti um calor bom por dentro. Algo se renovando. Sasuke me conhecia bem. Ele sabia que nossa rivalidade me fazia trabalhar cinco vezes a mais que o normal. Sempre havia sido assim com nós dois, e sempre seria.

Era bom ter ele por perto agora.

..............................................

Há um limite para quantas vezes você pode ser quebrado. Algumas vezes, depois de tantas trincas, tantos estilhaços se perdem que restam buracos grandes demais.

Eu estava chegando perto do meu limite. Quando Obito parecera cair no sono, horas depois, eu me arrastara para o banheiro, ligara o chuveiro e ficara caído no azulejo debaixo do jato forte de água gelada. Eu estava machucado demais para ficar de pé, ou mesmo seguir para o vaso para vomitar, fazendo isso ali mesmo. Fiquei olhando, vidrado para a água escorrendo pelo ralo, junto com meu sangue e toda a raiva que estava sentindo. Toda a vergonha.

Comecei a esfregar minha pele com força, finalmente chorando, mas sem barulho. Eu não daria esse gosto a ele. Por mais que eu quisesse chorar até derreter e desaparecer naquele ralo também.

Eu havia lembrado de tudo. De Hinata, do hospital, de como eu fugira. Eu havia lembrado de tudo, do rosto dela, das palavras dela, e justo enquanto estava sendo violentado por aquele desgraçado. Minha tristeza não cabia em mim, por ela, e minha raiva parecia transbordar, por tudo. Por tudo que sempre tinha que dar errado. Tudo.

Agarrei meus cabelos e encostei minha testa no azulejo frio. Eu queria morrer, era isso. Eu queria morrer. Horas atrás eu iria lutar por minha vida, e agora eu queria acabar com ela.

—Damian...

A voz vinha da porta, e nem me dignei a olhar para a direção dele, minha voz saindo sufocada.

—Meu nome é Naruto! NARUTO!

Meu grito devia tê-lo impressionado. Ele não replicou. Virei meu rosto, e ele estava parado ainda na porta, a mão erguida, o rosto uma máscara de tristeza.

—Naruto...me desculpe...eu... estava com raiva demais, eu apenas...

—SAI DAQUI! SAI DE PERTO DE MIM!

Eu não conseguia nem me levantar direito. Se ele entrasse ali, ele podia acabar comigo, mas eu estava pouco ligando.

—Seu desgraçado. – cuspi entredentes. – Se chegar perto de mim, vou arrancar seus olhos.

Eu não acreditava que depois do que ele havia feito minha raiva realmente estava o impressionando e ele vinha com aquela cara de arrependimento. Ele era mesmo um desgraçado.

— ME DEIXA SOZINHO!

Ele suspirou, limpando o rosto.

—Tudo bem. Vou deixar você se acalmar.

Procurei qualquer coisa ao alcance das minhas mãos para jogar nele. Eu queria machucá-lo. Por Deus, que nunca antes eu quisera matar alguém, mas esse era o momento. Se ele se aproximasse de mim naquele momento, eu o mataria ou morreria tentando.

Mas a porta se fechou antes e voltei meus olhos para o chão, deitado no azulejo, sentindo a água batendo em meu corpo quebrado. Eu queria que ela lavasse tudo. Minha sentença, a morte de Hinata, o que aquele desgraçado havia feito comigo, minha fraqueza, o fato de que se eu não saísse dali logo, devido ao tempo, eu iria logo morrer.

Eu estava morrendo.

E agora, eu não tinha certeza se queria evitar isso.

.............

Apesar da minha vontade de sangrar até a morte, meu instinto de sobrevivência foi mais forte e cuidei do ferimento na minha perna. Obito havia arrancado o caco de vidro de qualquer jeito na outra noite, mais para me machucar do que qualquer coisa. Não era tão profundo. Eu nem mesmo sabia se precisava de pontos, e fiz o que consegui com o kit no banheiro. Depois me arrastei para o quarto. As janelas estavam com pregos novamente, e provavelmente a porta estava trancada.

Os lençóis haviam sido trocados, mas ainda haviam pedaços das minhas roupas no chão, e os ignorei. Procurei qualquer coisa para vesti, e depois sentei, tentando pensar no que fazer. Pelo visto os pais do garoto não haviam acreditado nele, ou ele não contou. Era minha única chance no momento.

Voltei e tentei abrir as portas. Gritei por ajuda, mesmo sabendo que seria em vão. Quebrei uma cadeira contra a porta, e para não bastar, mesmo que fosse em vão, comecei a quebrar todas as coisas na casa.

Se ele queria me manter, iria fazer da vida dele um inferno.

.................

Ele aparecera horas depois. Estava escuro. Eu não havia me movido, deitado encolhido na cama. Podia sentir sua aproximação, e quando ele tocou meu ombro ergui meu punho, armado com um caco de vidro dos destroços que havia criado na casa. Mas foi um gesto tão fraco, que ele o segurou com facilidade, não parecendo surpreso.

Logo ele havia deitado na minha cintura, tentando me imobilizar.

Tentei chutá-lo, e senti uma fisgada dolorosa em meu pescoço, arregalei os olhos na escuridão fitando seu rosto no meu, e tudo começou a desaparecer. O desgraçado havia me drogado de novo. Eu sabia que devia ter me mantido acordado. Se ele estava fazendo isso, era por que ele iria me levar dali, e tudo estaria perdido de vez.

A luta foi em vão e eu resvalei para a escuridão segundos depois.

............................................

Quando acordei novamente, eu estava em um carro. Tudo era um borrão. De certeza eu estava deitado no banco de trás de um carro. Reconheci Obito na direção e tentei me erguer, apenas para ser detido por minhas mãos algemadas na porta. Esperneei, meu coração apertado. Ele havia me tirado da cabana.

Não iriam me encontrar!

—Se tentar fazer alguma coisa. – a voz dele saiu fria – Vou te colocar no porta-malas.

Minha respiração estava acelerada. Da minha posição, eu não conseguia nem mesmo ver onde estávamos indo.

— Vou deixar as coisas claras. Sua brincadeira rendeu problemas. Tem retratos seus agora espalhados por ai, e meus também, por que invadiram minha casa, ou o que sobrou depois que você destruiu ela. Estou contando isso, porque você não vai poder fazer mais nada disso. Se tentar, vou manter você apagado todo o tempo. Não vou ser mais gentil e pedir para você tomar nada. Vou enfiar essa agulha em você e final de história.

Eu queria gritar com ele para me soltar, mas meu instinto de sobrevivência me mandava ficar calado. Avaliar a situação. Ele me encarou pelo espelho do carro, e seus olhos pareciam vermelhos de raiva. Insanos. Eu me lembrava exatamente do que ele havia feito comigo. Do que ele poderia fazer se perdesse o controle novamente.

—Me senti mal pelo o que fiz com você ontem. De verdade. – ele continuou falando, calmo, os olhos voltando a estrada. – Agora nem tanto. Vou ser sincero, já que estou abrindo meu coração. Eu vou fazer aquilo sempre que eu quiser, e você não pode fazer nada sobre isso. Pode se considerar minha puta pessoal, já que se comportou como a desgraçada da Rin e tentou me apunhalar pelas costas. Você gostando ou não, vai depender de como se comportar daqui para frente. Você me magoou muito Naruto, e por isso vou machucar você de volta, até você entender que sua família sou eu e que não pode fazer nada sobre isso.

Veremos.

Me mantive calado, e voltei a deitar. Se era assim que ele jogaria, eu o faria também. Eu não daria motivos para ele me machucar mais, mas se ele pensava que iria desistir, estava muito enganado.

........................

Eu não havia falado ou feito nada nos últimos três dias. Estava completamente obediente. No fim ele soltou minhas algemas enquanto estava na estrada, voltando a me amarrar quando parava em algum lugar para comprar suprimentos. Se eu ia no banheiro, ele ia junto, no caso de eu tentar deixar algum recado para alguém. Eu estava sempre com um capuz cobrindo meus cabelos, e no fim desses dias, não fazia ideia de em que parte do Japão eu estava, nem como ele conseguia evitar a policia nas estradas. Eu tinha certeza, no entanto, que o cerco iria se fechar, e eu não tinha ideia do que ele faria quando estivesse acuado.

Pelo o que ele sempre falava sobre essa tal de Rin, e esse Damian, devia ser a namorada dele e o melhor amigo que apunhalaram ele, que ele havia me contado no dia dos fogos no cais. Por vezes, ele falava deles como se os amasse profundamente e com devoção. Por outras, como se os odiasse com a alma. E foi com toda a leveza do mundo que ele falara que havia os matado. Eu não sabia se era verdade, mas não duvidava. Ou que ele pudesse me matar também a qualquer momento.

Eu ficava aliviado sabendo que estavam me procurando, e que agora sabiam quem estava comigo. E por essa esperança, menor que fosse, eu estava esperando pelo momento certo.

Que eu vi quando paramos em um bar, a noite, e eu vi uma cabine telefônica. O lugar era deserto do lado de fora, por isso ele me deixou ficar no carro, algemando minhas mãos como sempre na porta, mas dessa vez, não trancando a do motorista. Devia ser algo rápido. Eu tinha que dar meu jeito, e depois de dias forçando sempre que ele saia, estava quase conseguindo quebrar o trinco. Eu tinha que aproveitar que estava consciente para fazer isso.

Foram cinco puxões fortes, que machucaram meus pulsos, mas eu havia conseguido. Pulei para o banco da frente e sai por lá, correndo para a cabine.

Eu podia ter ligado para a policia, pedido ajuda, mas meus dedos trabalharam sozinho, e quando percebi, havia ligado o número de casa. Minha voz estava trêmula quando a telefonista passou a ligação, e todo tempo eu olhava ao redor, procurando qualquer pessoa para pedir ajuda.

E quando finalmente veio a voz do outro lado, não foi minha mãe que atendeu, mas ainda assim meus olhos se encheram de lágrimas e minha garganta apertou.

—Alô.

Eu respirei duas vezes, forte, sem acreditar. Ele repetiu e eu finalmente acordei.

—Sasuke.

Houve um silêncio do outro lado, e então a voz urgente.

—Naruto! Onde você está? Pela amor de Deus, me fala! Aonde esse desgraçado te levou?Ele machucou você?

—Sasuke... – repeti — E.eu não sei. Estou ligando de uma cabine. Ele parou em um bar. O nome...O nome do bar é Karuta, mas eu não sei onde eu estou. Eu não sei...

Ouvi a voz dele urgente do outro lado falando com alguém, até ele voltar.

—Naruto, a policia está aqui. Vão rastrear essa ligação e avisar a viatura mais próxima. Há um número na cabine, me diga qual é. Vai ser mais rápido.

Procurei o número, e havia terminado de falar quando senti uma mão forte no meu ombro e minha cabeça foi de forma dolorosa contra o vidro da cabine. O telefone caiu da minha mão e ouvi o grito de Sasuke.

—O que pensa que está fazendo! ?

O rosto furioso tomou minha visão e recebi um chute em meu estômago que me fez ofegar. Minhas mãos ainda estavam algemadas uma na outra, não conseguia me defender. Senti um puxão no meu cabelo e gritei por ajuda, a qualquer um que pudesse ouvir do bar, mas o som estava alto demais lá dentro, e as pessoas do lado de fora não pareciam sóbrias o bastante para perceber o que acontecia.

—Eu vou matar você Naruto! E ninguém vai poder fazer nada para te ajudar, mas antes vou fazer você sofrer! Vou deixar você quebrado o bastante para ninguém te reconhecer, seu desgraçado traidor!– Ele me puxou para fora da cabine e tentei me segurar em qualquer coisa. O telefone continuava pendurado, e não sabia se Sasuke estava ouvindo tudo aquilo.

—Não! Nã..

A mão dele cobriu minha boca, e ele continuou me arrastando para o carro. Eu não podia deixar. Aquela era minha última chance, a policia ia chegar. Se eu entrasse naquele carro estaria morto! Consegui me desvencilhar por um instante, correndo o máximo que podia em meu estado em direção ao bar. Se eu conseguisse entrar, gritasse lá dentro, fizesse um escândalo, qualquer coisa, teria uma chance. Precisava ganhar tempo para a policia chegar. Eu tinha que rezar para eles terem conseguido encontrar uma viatura muito próxima.

Obito me alcançou antes que pudesse chegar a porta. Havia algumas pessoas saindo quando ele me agarrou por trás, tapando minha boca. Virei e consegui bater meu cotovelo com força na barriga dele, mas ele não me soltou. Uma deles gritou quando fui jogado contra um carro, com força, minha cabeça batendo no vidro me fazendo ver estrelas. Talvez eles pensassem que fosse apenas uma briga, tão comum ali. Ainda assim ouvi passos correndo na nossa direção, no momento em que cai tonto no chão. Então ele me jogou dentro do carro, travando as portas. Eu fiquei aéreo por instantes, sem conseguir me mover. Alguém estava batendo no vidro quando ele arrancou, quase passando por cima das pessoas.

Ouvi o barulho de sirenes.

E assim, ele já estava na estrada. Havia sangue em meu nariz, e saindo do meu ouvido. Uma concussão. A nossa respiração estava rápida, e os carros logo atrás de nós. Ele estava gritando algo comigo. Dizendo que iria me matar, mas a única coisa em que me focava era no barulho da sirene. Era o som que me levaria para casa.

Ou o som que eu ouviria na minha morte. Eu não iria ficar mais um instante se quer com ele.

Eu não pensei direito, no desespero. Ou pensei, eu não sei. Apenas me joguei contra ele, lutando pela direção. Ele xingou alto, meu cotovelo foi contra o nariz dele. Foi uma bagunça, e quando minhas mãos algemadas foram na direção, a girei em um solavanco. Uma luz de faróis estava na nossa frente, mas não houve tempo para desviar. O painel estilhaçou em uma chuva de vidro sobre nós, e o mundo virou de cabeça para baixo quando o carro foi guinado pela batida, capotando. Eu estava sem cinto, e fui cuspido, batendo com força contra algo duro em uma dor absurda que verberou por todo o meu corpo.

E então, apenas escuridão.

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Morrer, era como estar se afogando. Apenas o nada, apenas nadar até o fundo de um lago, sentindo uma paz estranha.

A vida era que era mais complicada.

Notas finais
E assim chegamos ao prólogo! No próximo, como ficará o futuro de nosso Naruto!