Da minha cura veio a sua dor

1 ATO I - A maldição dos demônios


Notas iniciais
Eu voltei! (ainda não definitivamente, mas cá estou eu haha) Nossa, faz uns 2 meses desde a última vez que eu publiquei um capítulo nesta e nas outras plataformas... é uma longa história, mas para resumir: mês que vem algo grande está para acontecer na minha vida e quando falo "grande", quero dizer algo que está vindo para mudar tudo na minha vida. Sim, estou falando sobre obter a minha tão sonhada estabilidade financeira e profissional (se ainda estiver curioso após essa pequena explicação, explicarei sobre isso mais detalhadamente nas notas ao final). Mas enquanto eu não escrevia e estava "morta" por aqui, vez ou outra eu conseguia um tempinho para entrar e ler algumas das histórias e/ou capítulos novos que vocês andam publicando. Não consegui comentar nada apesar disso, pois em meio a todos os meus esforços para me preparar para o que está por vir no mês que vem, tive várias crises de estresse e ansiedade que me deixavam tão cansada e desmotivada a ponto de eu sequer conseguir formular uma frase minimamente coerente. Porém, agora que me sinto um bocado melhor pretendo colocar todos esses comentários em dia nas suas fics. Por isso mesmo, peço desculpas de antemão pelo sumiço monstruoso até o presente momento. E por fim, mas não menos importante, essa fic nasceu de uma ideia que me veio em mente já há um tempinho depois de eu ter visto uma comic envolvendo o Finn como freira e o Carpaccio como demônio. Esse conceito parecia combinar tão bem com eles que eu me peguei pensando "Ei, por quê não explorar isso mais a fundo?" - especialmente considerando que, curiosamente, ninguém pensou em escrever uma fic envolvendo o Finn como freira até agora... Então, sem mais delongas, boa leitura a todos!

No começo havia apenas o vazio. Não se sabe exatamente como ou quando, mas é inegável que a Magia, enquanto força vital e motriz do universo foi a responsável pela concepção do nosso mundo tal qual o conhecemos hoje e foi graças à essa força que as primeiras entidades mágicas vieram a existir e a unir seus esforços em prol de um objetivo em comum: criar vida e moldar as condições necessárias para a manutenção dela.

Estamos falando de uma Era primordial da nossa história, onde todo o cuidado ainda seria pouco no manuseio dessa força vital, pois nem mesmo a mais pura das criaturas estaria imune à corrupção de sua alma devido ao excesso de Poder advindo dela. Dessa forma, esses espíritos anciãos foram pouco a pouco desenvolvendo as técnicas de autocontrole e concentração necessárias à solidificação de uma força interior inabalável para não ceder ao pecado.

E assim, os primeiros milênios fluíram em paz e harmonia. Novas entidades derivadas das divindades ancestrais surgiram e não tardaram em contribuir com a nobre causa universal. Nesse ritmo pacífico e harmônico, o mundo ideal estava quase pronto para receber seus primeiros habitantes. Sim, tudo ia perfeitamente bem e conforme o planejado...até o fatídico incidente que marcaria para todo o sempre a história da Magia.

~*~

Não era segredo que as borboletas ocupavam a posição mais elevada na hierarquia espiritual. Possuindo o dom da cura, o qual absolutamente nenhuma outra entidade seria capaz de reproduzir, elas eram capazes de regenerar qualquer ferimento não importando o quão profundos e graves eles o eram.

Em outras palavras, ser capaz de curar era uma dádiva ilimitada concedida a poucos. Portanto, ter ao seu lado um desses seres magníficos, era algo tão sensato quanto perspicaz. Não era de se espantar que várias propostas de matrimônio não eram incomuns. Algumas das quais chegavam a se concretizar formando linhagens conhecidas no futuro, enquanto diversas outras fracassavam miseravelmente.

No entanto, esse mesmo potencial que despertava a admiração de muitos, incitou a inveja e a ganância em outros que desejavam tomá-lo para si e depois de incontáveis tentativas meticulosamente arquitetadas, alguém logrou sucesso, mas a um alto preço em contrapartida.

[...]

— Shui, o que foi? De uns tempos para cá, você anda mais retraído do que o comum – Indagou uma doce voz feminina ao seu amado, visivelmente preocupada com sua inquietação embaixo dos lençóis, onde ambos repousavam após uma ardente noite de consumação.

O homem das madeixas azuladas suspira pesadamente em derrota. A intuição de sua mulher era algo que ele sentia que jamais iria compreender, por mais que tentasse. Sim, algo o estava incomodando desde o dia em que se casaram secretamente, sem o conhecimento dos demais membros de ambas as famílias.

— Rose, o que viu em mim? – O marido a questionou em um quase imperceptível tom de resignação.

— O que quer dizer? – Perguntou a mulher em resposta, temendo pelo que viria a seguir.

— Que eu não mereço o amor de um ser tão benevolente e puro como você...quanta presunção minha ao achar que eu, uma criatura vil que inflige a dor nos outros poderia um dia ter chegado a pensar que poderíamos ter um futuro juntos, que poríamos fim à essa rivalidade ridícula das nossas famílias...que teríamos filhos e- – De súbito, teve sua fala interrompida pelo selar dos lábios de sua esposa aos seus em um convite silencioso a um beijo inebriante.

Sem fornecer qualquer resistência, Shui calmamente cerrou seus olhos e cedeu à tentação, não tardando em intensificar, o que outrora era um casto e calmo ósculo. Pouco a pouco, seu corpo foi pendendo acima do da bela mulher dos longos e sedosos cabelos escuros, com uma mecha amarelada mais reluzente do que a própria luz do Sol que os anciãos um dia criaram. Infelizmente, após alguns minutos, o ar se fez necessário e o casal então, muito à contragosto, teve de cessar o contato entre seus lábios.

O homem agora encontrava-se em cima de Rose, que o encarava com ternura enquanto estava deitada sobre a cama do casal. Suas mãos foram de encontro à face do marido, depositando gentis carícias sobre suas bochechas. Naquele exato momento, tal qual um verdadeiro milagre, o acalentador toque das suaves e delicadas mãos de sua esposa foi mais do que o suficiente para espantar todos os fantasmas assombrando a mente de seu marido.

Sim, palavras não eram necessárias. Sua amada estava lá com ele e juntos eles permaneceriam não importa o que acontecesse e só isso já era mais do que suficiente. Involuntariamente, um sorriso surgiu no rosto de Shui. Não um sorriso qualquer, mas sim o mais radiante que Rose já presenciara em toda a sua vida e, conhecendo a natureza mais inexpressiva do marido, aquilo significava muito para si. Sem que ela se desse conta, também começou a sorrir junto ao seu amado, enquanto lágrimas de felicidade caíam de seus olhos amarelos reluzentes. Era mais emoção do que ela poderia segurar e ao aperceber-se disso, o homem segurou gentilmente uma das mãos da amada, depositando um beijo em sua palma da mão em seguida.

— Eu te amo, Rosalyn Ames...Ames...mes...es...

~*~

— Ames! Ames! – O grito furioso do padre fez com que o referido estudante acordasse completamente assustado.

— P-presente, senhor! – Exclamou o referido aluno em desespero, ganhando cochichos e zombarias dos seus colegas.

— Não me admira que você quase sempre fracasse nos seus testes. Como o senhor espera se tornar uma freira exemplar com essa conduta? – Questionou o padre com um semblante cansado. Já era a terceira vez essa semana que Finn fora flagrado dormindo durante os sermões. Se porventura isso continuasse, medidas mais drásticas deveriam ser tomadas.

— Não vai acontecer novamente, senhor! E-Eu prometo! – Respondeu o rapaz levantando-se de seu assento e curvando-se logo em seguida em sinal de respeito.

Depois de testemunhar esse gesto, o sacerdote suspirou fortemente em sinal de concordância e tornou a pregar seu sermão novamente.

"Mais uma vez ela apareceu em um sonho para mim... minha antepassada que foi brutalmente assassinada ainda muito jovem..." – Refletia o rapaz dos belos olhos amarelos enquanto voltava a se sentar em seu assento na sala de aula do monastério. Essa, que foi considerada a primeira e maior tragédia do mundo mágico, constituiu, por conseguinte, o marco principal para o surgimento da malícia no mundo ideal e recém-criado pelos espíritos anciãos.

Não era como se Finn pudesse se considerar como alguém com uma profunda conexão espiritual com Rosalyn, a filha mais nova da primeira linhagem da família Ames, um dos únicos dois clãs descendentes diretos dos espíritos das borboletas. Apesar disso, ainda que não tivesse sido concebido em uma era tão primitiva do universo, ele, assim como qualquer outro estudante daquele monastério já sabia de cor e salteado todos os detalhes mais perturbadores daquela história, especialmente em se tratando do fato de que Rosalyn havia sido prometida para um nobre e belo príncipe de uma das linhagens mais famosas da época.

No dia da tão aguardada cerimônia de casamento, contudo, o caos se instalou em todos os cantos do mundo após a recepção da notícia de que a mais nova herdeira dos Ames havia sido sequestrada pelo herdeiro dos Luo-Yangs, cuja característica mais notável era a persistente e irracional rivalidade para com a família Ames.

Tomando como base que os Ames eram os únicos capazes de curar de forma ilimitada e que os Luo-Yangs eram os únicos que poderiam infligir a dor indefinidamente, pode-se inferir que numa tentativa de conseguir se aproximar do Poder Supremo, eles teriam arquitetado um plano para obter a vantagem a longo termo e superá-los na hierarquia espiritual.

Curar e matar são duas faces da mesma moeda e quem quer que detivesse o controle sobre ambos os tipos de magia, poderia escolher entre quem vive e quem morre em um estalar de dedos. Em mãos erradas, isso significaria assinar a sentença de extermínio em massa de toda a vida no novo mundo. Seria imprudente, portanto, permitir que algo assim estivesse facilmente ao alcance de qualquer um. Para tanto, os anciãos decidiram por segregar o dom da vida na forma dessas duas forças antagônicas, distribuindo-as posteriormente entre os membros de ambos os clãs, cada qual individualmente para evitar que o pior cenário possível viesse a ocorrer algum dia. Em outras palavras, era terminantemente proibido que algum ente familiar de ambas as linhagens possuísse ambos os dons ao mesmo tempo e por extensão, a união em matrimônio entre membros de ambas as famílias também estava fora de questão.

Mesmo assim, isso não chegou nem perto de evitar que o pior ocorresse. Após dias, semanas, meses de busca incessante pelo paradeiro de Rosalyn, ela havia sido encontrada morta com uma adaga cravada profundamente em seu tórax dentro de um modesto casebre no meio de uma floresta silenciosa e distante.

Ainda, segundo relatos das testemunhas, Shui Luo-Yang, seu sequestrador, a segurava em seus braços em prantos quando fora flagrado pelo seu crime no interior da habitação. Embora não se saiba ao certo os motivos para tal explosão emocional atípica, podemos supor que o perpetrador acabou enlouquecendo junto de sua vítima após tê-la torturado dia após dia pelo que apontavam as diversas cicatrizes encontradas sobre a pele da jovem mulher.

Com o único intuito de forçá-la a se entregar e desistir de sua magia inata, ele havia logrado êxito. Porém, as consequências que se seguiram de tais atos traiçoeiros e desprezíveis fizeram ruir todos os esforços da família rival na tentativa de ascender na hierarquia. Os anciãos, enfurecidos pela ganância dos Luo-Yangs, baniram toda a sua linhagem ao submundo, amaldiçoando-os com uma aparência repulsiva e o selar de seus corações tornando-os, portanto, incapazes de amar e serem amados. Daquele dia em diante, os demônios passaram a existir constituindo uma força destrutiva e caótica, a qual deveria ser combatida a todo custo por eles, os últimos bastiões da esperança enquanto forças da luz.

Por isso mesmo ele estava no monastério agora junto aos seus colegas, para poder auxiliar na restauração da paz e da harmonia outrora abaladas. Entretanto, por alguma estranha razão Finn sempre achou que algo estivesse errado sobre essa história tão antiga quanto o próprio mundo, como se a própria história tivesse sido distorcida no meio do caminho. Mas por quem? E por quê?

Não sabia dizer ao certo o porquê, mas algo em seu interior parecia gritar que Shui não era o verdadeiro responsável pelo assassinato de Rosalyn e o sonho (ou teria sido uma visão?) que acabara de ter apenas reforçava essa intuição.

“O que isso tudo significa?...”

Notas finais
Se chegou até aqui, primeiramente, muito obrigada por ter dedicado um pouco do seu tempo a este modesto texto. Pretendo continuá-lo assim que puder. ❤❤❤ Então, basicamente, no início do mês que vem eu irei realizar esse mega exame para um cargo específico, um concurso público para ser mais exata e, no intuito de lograr êxito, eu decidi conseguir mais tempo para estudar deixando um pouco de lado as fics, os animes, os jogos e tudo o mais por um tempo. Pelo menos até que eu tivesse visto a maior parte dos conteúdos a serem cobrados (o que eu consegui, felizmente ). P.S. Ainda vou continuar a minha outra fic PaccioxFinn também, então não se preocupem quanto a isso. Se eu coloquei no papel, escreverei até o final, isso eu posso garantir. E agora, uma pergunta ainda mais importante: Quem será que matou Rosalyn Ames?