O príncipe e as princesas entraram no salão e logo a atmosfera mudou. O ar ficou pesado. A princesa Mia, tão pequena, caminhava totalmente alheia ao que acontecia com um belo sorriso no rosto. O príncipe George parecia com raiva, encarou todos os homens da corte de seu pai e quando chegou ao trono Lucy pensou que ele tivesse estremecido, mas ainda assim se sentou no trono do pai com confiança e atitude.

— Boa noite a todos. Como sabem, meu pai, Sua Majestade o Rei André III sofreu um atentado nos últimos dias que quase lhe custou a vida. Estamos aqui para tranquiliza-los, ele está bem. Se recupera e conta com os cuidados dos melhores médicos da colônia. Entretanto, o país não pode parar. Juntos, nós daremos continuidade ao governo de nosso pai – disse a princesa Angelina.

— Assumo como Príncipe Regente de acordo com os critérios de sucessão do trono – afirmou George – minhas irmãs me auxiliaram em qualquer decisão que eu tome.

— Incluindo a pequena Mia? Ela é uma criança – perguntou o Marquês Carlos.

— Incluindo a Princesa Mia. Não se esqueça de que ela está a sua frente na linha de sucessão real, mesmo sendo uma criança.

— Não quis ofender alteza.

— Não ofendeu. – disse Mia, com seus 7 anos de idade e muita atitude – Alguns homens não conseguem lidar com mulheres mais poderosas que eles. – alguns membros da corte riram pela audácia da princesa, mas a família real permaneceu encarando o Marquês, que depois de alguns olhares abaixou a cabeça. Anthony observou atento e se lembrou que George suspeitava que ele tivesse algo haver com o atentado do rei.

— Minhas irmãs irão se ausentar para cuidar de nossa mãe, que como vocês sabe, também está em um delicado estado de saúde. – Mia pegou a mão de Angelina e a puxou, mas a princesa se manteve no mesmo lugar encarando cada membro da corte.

— Gostaria de avisar-lhes que a família real é muito mais forte do que parece. – sua voz vacilou – seja quem for que esteja por trás do atentado de meu pai, vai pagar. E mesmo que ele caia, nós ainda estaremos aqui.

— Está acusando alguém princesa? – perguntou Carlos novamente.

— Você está marquês? É só um aviso. A todos vocês ou a ninguém em especial – ela sorriu – Só saibam que não pouparemos esforços, se preciso for declararemos guerras, mas a verdade vai aparecer. E quando ela aparecer, eu não gostaria de estar na pele do culpado. Tenham uma excelente noite. – então ela se retirou com a irmã mais nova.

— Queiram perdoar os ânimos exaltados de minha irmã. Na atual conjuntura não confiamos em ninguém e o culpado pode estar entre nós. — disse George

— Isso é um absurdo. Nós somos conselheiros do rei, de confiança. – disse Nathan. – Desconfiar da corte é um insulto a seu pai.

— Ainda tenho muito que aprender conde. Conquistaram a confiança de meu pai, mas eu não os conheço. Queiram me desculpar... Prefiro ser julgado pela cautela. E é por isso que decidi montar o meu próprio conselho. Darei novos títulos a homens de minha confiança. Não se preocupem... Os veteranos continuarão na corte conforme a vontade de meu pai. – o príncipe se levantou e desembainhou sua espada. – Quero apresentar-lhes meu primeiro conselheiro. Lorde St. Clair, por favor.

Então era isso, Lucy pensou. Ela observou, com orgulho, Anthony sair de sua posição e se posicionar frente ao príncipe que ergueu a espada.

— Senhor... – ele se ajoelhou. — Eu nomeio Anthony Philippe St. Clair como meu conselheiro durante o período regencial e quando eu for nomeado rei. – a espada tocou o lado direito do ombro de Anthony que tinha a cabeça baixa. – Como membro da corte, você passa a ser Anthony St. Clair, Duque de Manchester.

Anthony ergueu a cabeça, por essa ele não esperava. George não havia mencionado um título na conversa que tiveram. Um burburinho começou. Alguns membros da corte estavam irados. Outros não expressavam qualquer reação. Manchester era uma cidade muito importante, ser o Duque de Manchester significava que Anthony estava abaixo do príncipe George na hierarquia. Está é a maior honraria que um homem poderia receber. O restante da noite passou despercebido por Lucy e Anthony, ambos tentavam assimilar tudo o que acontecera. A família de Anthony estava preocupada ao passo que a de Lucy estava muito feliz.

— Você vai ser uma duquesa – disse a mãe de Lucy. – Minha filha amada uma duquesa. Terá toda a sociedade a seus pés minha cara.

— Uma duquesa não é uma rainha.

— Mas é quase isso. Vamos apresentá-la a sociedade no baile que faremos.

— O que?

— Já estávamos planejando isso. O conde St. Clair conversou com seu pai e nós concordamos que está na hora de anunciar o casamento.

— Mas mamãe...

— Sem “mas”. Anthony agora é um duque. Ele precisa de uma esposa. Não há solteiros na corte. Ele precisa ganhar o respeito dos outros. Nada como uma família bem estruturada e feliz para isso. Todos admiram homens de família.

Não tinha como discutir. Depois do jantar, Lucy viu Anthony sozinho tomando um drink, parecia preocupado. Ela ficou olhando para ele por incontáveis minutos. O maxilar trincado, o cenho franzido, o cabelo perfeitamente arrumado... Ah, o que ela não daria para tocar naquele cabelo.

— Devia ir até lá. – disse a princesa Angelina atrás de Lucy.

— Majestade.

— Na verdade, é alteza – ela corrigiu.

— Perdão.

— Tudo bem. Anthony é um bom homem, meu irmão fez bem ao nomeá-lo como Duque.

— É muita responsabilidade.

— Anthony dá conta, não tenho dúvidas disso. Ele gosta da senhorita.

— Crescemos juntos praticamente.

— Não me referia a um sentimento fraternal. Vi como olha para ele, e vi como ele olha pra você. São perfeitos juntos.

— Olho para ele como olho pra qualquer outro.

— Vai ter a ousadia de mentir para a princesa? – Angelina riu – Eu vivi a minha vida inteira rodeada de homens. Vi os mentirosos, os cruéis, os justos, os honestos, os íntegros e os ardilosos. Sei o que digo. Aquele homem nutre sentimentos verdadeiros pela senhorita. É uma tola se não enxergar..

O primeiro ministro se aproximou da princesa a Lucy aproveitou a oportunidade para escapar. Mas não conseguiu tirar as palavras da princesa da cabeça. Primeiro teve o quase beijo e agora a princesa lhe dá esperanças. Sem pensar ela se aproximou de Anthony, que não percebeu que ela se aproximava.

— Creio que não fui apresentada ao novo Duque – Anthony se virou e sorriu para ela

— Muito prazer milorde, sou Lucy Kress.

— Ah, o prazer é todo meu milady. Me daria a honra de uma dança?

— Se tiver música, quem sabe? – Anthony riu constrangido, como ele não percebeu que não tinha música tocando? Onde estava com a cabeça? Foi quando Lucy riu e ele soube... Era nela.

— Um duque... É um grande título.

— Ainda sou apenas eu.

— Me leva pra dar uma volta. Nunca estive no palácio.

— Gosta de jardins? – ela assentiu – venha comigo.