Da amizade ao amor

5 "Don't get too close, it's dark inside! It's where my demons hide..."


Notas iniciais
Confesso que me emocionei escrevendo esse capítulo! Espero que vocês gostem!

Karina POV

O que foi aquilo na academia? Aquilo não podia ter acontecido. Eu e o Cobra? Puff, nada a ver!

Eu tentava me convencer disso há uma semana, mas a única coisa que eu conseguia era pensar mais naquele marrento cuidando de mim. Foi bom me sentir querida por alguém, mesmo que ele estivesse fazendo aquilo por medo do meu pai. Naquele dia, assim que cheguei em casa vi meu pai cochilando com Dandara no sofá. Entrei no quarto e vi Bianca mexendo no computador. Tentei passar despercebida.

– Isso é hora de chegar Karina? – Tentei não virar pra ela. – Karina, o que é isso no seu rosto? – Falou e se levantou, se aproximando de mim.

– Eu estava na academia Bianca! Estava tentando extravasar a vontade que eu tenho de dar nessa sua cara de sonsa! – Disse. Entrei no banheiro e liguei o chuveiro. Meu lábio ainda latejava de dor. Lembrei do toque de Cobra, e em como seus dedos, com tudo, eram macios. Coloquei meus dedos sobre meu lábio, tentando sentir novamente aquilo que senti com ele. Saí do banho e fui dormir, torcendo para os machucados estarem menor no dia seguinte.

Por sorte, restou apenas dois cortes, um na sobrancelha e outro na boca, que eu escondi com a base de Bianca. Depois de uma semana, nada mais aparecia. Eu e meu pai conversávamos o trivial, não tocando mais no assunto “Bianca”. Já ela, falava comigo apenas bom dia, e eu não respondia.

Eu saí para a escola cedo, e quando passei pelo QG vi Cobra sozinho, sentado. Ele, ao me ver, se aproximou da porta, mas eu desviei meu olhar, ainda não queria encarar ele, muito menos encarar aquilo que estava dentro de mim, e pulsava sem que eu quisesse.

Cobra POV

A Karina me ignorou? É isso? Soco a mesa com força, enquanto travo a minha mandíbula! Jade entra pelo QG nervosa.

– Cobra! O que ta acontecendo? – Pergunta ela preocupada. – Cobra me responde! – Insiste ela, enquanto eu tento respirar.

– Nada Karina é que... – Percebo que a chamei de Karina e vejo as lágrimas se formarem nos olhos dela. – Jade, calma! — Digo e tento encostar nela, mas ela não deixa.

– Eu não acredito que você me chamou pelo nome da machinho! – Ela fala manhosa. Eu não devia ter feito isso, é da Jade que eu gosto né? Foi ela que eu prometi proteger e ajudar, ela é a minha namorada.

– Jade, desculpa, é que a Karina tinha vindo aqui... – penso em uma desculpa rápida. – comprar um suplemento e eu acabei ficando com o nome dela na cabeça. – Digo, mas eu sei que Jade não acredita em mim, ela me olha desconfiada.

– Conta outra Cobra, a Karina comprando suplemento? – Diz ela, passando do choro para o riso de deboche.

– Não quer acreditar em mim, não acredita! – Viro de costas e ela puxa meu braço. – Minha dama, é você que eu quero. – A beijo com intensidade e enquanto tento tirar o aborrecimento por Karina ter me desprezado.

Depois de um tempo aos beijos com Jade no QG, ela se vira pra mim e diz:

– Cobra, eu to sozinha em casa sabia? Minha mãe vai ficar na Ribalta até tarde, para escolher com o Ed e a Dandara alguns números para um espetáculo que terá na próxima semana. – Ela diz sugestivamente, me olhando com malícia. Eu não queria que nosso relacionamento fosse assim, escondido. No fundo, acabo me sentindo realmente um vagabundo. Mas topo ir com ela.

Na casa de Jade, me sinto ainda mais diminuído. Toda vez que eu vou lá, parece que realmente não pertencemos ao mesmo mundo, que ela vai encontrar um cara rico e me dar um pontapé. Fico pensando no quanto eu e Jade temos em comum e percebo que é menos do que eu acreditava ser. A Karina tem muito mais a ver comigo... Eu não posso pensar na K assim!

Eu e Jade namoramos um pouco na sala, até que a porta começa a fazer barulho e nós ouvimos uma voz.

– É minha mãe! Se esconde Cobra! – Manda Jade. Eu corro para seu quarto e fico encostado na parede. – Mãe, já chegou? – Pergunta Jade, tentando esconder o nervosismo.

– Não filha, é que eu esqueci um papel importante. – Diz Lucrécia. – Você está bem Jade? Parece pálida. – Diz ela. Que horas essa madame vai embora hein?

– Não mãe, to bem. Acho melhor à senhora ir né, não se atrasar. – Fala Jade, com um tom mais preocupado.

– Está bem filha, mas fica bem ta. – Ouço Jade fechar a porta e saio do quarto me preparando para ir embora.

– O que você está fazendo vagabundo? – Diz Jade e eu a ignoro. – Cobra! – Reclama.

– Jade, eu vou embora ta! – Digo e ela me olha confusa.

– Mas agora a casa ta livre! – Diz ela e eu a olho aborrecido.

– Só quando a casa está livre que eu posso vir aqui né? A sua mãe nunca vai aceitar isso aqui! – Digo, apontando de mim pra ela. – A gente sabe que isso é um casinho que vai terminar daqui a pouco, quando você cansar do vagabundo aqui e arranjar um mauricinho que te banque! – Digo, arrasado por dentro.

– Cobra, não fala assim. – Pede ela, tentando se aproximar de mim. Seguro seu pulso, impedindo a proximidade e saio, sem olhar pra trás.

Karina POV

Eu estava cansada de ficar sozinha. Uma semana sem lutar com o Duca, que só vivia em função da Nat, uma semana sem falar direito com meu pai, uma semana sem total contato com o Pedro, uma semana ignorando a Bianca e agora, uma semana desprezando o Cobra. Eu não sabia que de todos, o que eu mais fosse sentir falta fosse o Cobra! Ele me entendia tão bem, não me julgava. Passei pelo QG assim que voltei da escola e o vi sentado, como sempre. Porém, seus olhos não estavam em mim, estavam perdidos, e de longe, pareciam vermelhos. Decidi ir ver o que estava acontecendo.

Cobra POV

Aquela discussão com a Jade tinha me destruído. Não era só porque eu estava discutindo com ela, era porque eu percebi que eu nunca vou ter valor nenhum. Não adianta, eu nunca vou merecer o amor de ninguém. Vi Karina entrar no QG e senti meu coração palpitar. Ela ainda se preocupava comigo. Mas eu não merecia que ela se preocupasse.

– Cobra, você ta com a cara péssima. Quer conversar? – Perguntou ela, se aproximando. Me levantei. Era isso, aquilo ia terminar ali, sem volta, sem sentimento, sem erro. A Karina nunca mais ia querer me ver.

– Me desprezou hoje né Karina! – Disse, me aproximando dela, colocando minha pior máscara. Ela me encarou. – Acho que a gatinha tem que ser punida. – Vi Karina retesar seu corpo, nervosa.

– Não adianta me ameaçar Cobra! Você já fez isso uma vez lembra? – Disse ela, mas seu rosto transparecia um certo medo.

– Então Karina, eu estou prometendo há muito tempo! — Eu disse, e escorreguei minha mão por sua cintura. Senti ela tensa. – Você se enganou comigo Karina, eu não presto! Nunca vou prestar. – Me aproximei dela. – E agora vou te mostrar quem eu sou de verdade! Acho até que você vai gostar. – Aquilo estava surtindo efeito. Ela tinha lágrimas nos olhos, como da primeira vez, mas pra mim tava doendo mais em mim do que nela, afasta – la daquele jeito tão brutal, mas era necessário!

– Cobra, para, por favor! – Ela pediu com a voz embargada. – Você não é assim! – Dizia ela, tentando se convencer daquilo. – A gente já andou tanto, e agora você retrocede tudo de novo? Cobra, volta, não coloca essa mascara não! – Pedia ela. Senti algumas lágrimas escorrerem do meu rosto. Uma lágrima pingou do meu olho e caiu no ombro de Karina. – Cobra. – Ela me olhou. Tentei virar. – Cobra, você está chorando? – Disse ela. Me afastei.

– Anda Karina, vai! – Eu disse. Minha voz estava um pouco rouca e embargada. Karina ainda ficou alguns minutos me olhando. – Vai, essa é sua última chance. – Ela saiu de perto de mim, e foi até a porta, andando com passos vacilantes. Ouvi seu choro baixo e me senti pior do que antes. – Karina. – Falei, quando ela estava com a mão na maçaneta. – me perdoa! – Falei e não escondi minha voz embargada dessa vez. Ela se virou pra mim, e nossos olhos vermelhos se cruzaram. Ela se aproximou novamente, um pouco temerosa.

– Por que você faz isso em Cobra? Por que você estraga tudo? Me tira de perto de você? Por que você me quer longe? Eu quero estar aqui Cobra, do seu lado! – Disse ela e eu me senti bem com suas palavras. Ela queria estar ali.

– Karina... eu... eu sou assim! Eu tiro de perto de mim tudo que eu possa machucar. Eu to bem agora, mas depois eu vou cagar com tudo, e de uma forma ou de outra alguém vai sair machucado. Eu prefiro que você se afaste agora. Eu sempre magoo o que é importante pra mim. – Disse de uma só vez e Karina ficou me encarando, atônita.

Notas finais
https://www.youtube.com/watch?v=mWRsgZuwf_8 Música: Demons - Imagine Dragons Comentem!! Beijos *-*