Da amizade ao amor
7 "Bring me to life..."
Notas iniciais
Karina POV
Eu não acredito! Eu não acredito! Eu não poderia ter beijado o Cobra. Saí do QG ainda tonta com o beijo e dei uma olhada rápida, vendo Cobra com um sorriso besta na cara e bagunçando os cabelos. Então você gostou né Cobra?! Pensei e cheguei em casa com um sorriso bobo.
– Que cara feliz é essa Karina? – Perguntou Bianca, desconfiada.
– Me deixa Bianca! – Falei passando por ela. Tentei fazer minha cara de brava, mas no fundo eu estava extremamente confusa, mas de certa forma, feliz.
Acordei mais cedo que o normal e fui tomar banho. Fiquei cantarolando Bring me to life, do Evanescence, até que saí do banho e vi todos me olhando.
– Filha, viu o passarinho verde? – Perguntou meu pai. Ergui uma sobrancelha, confusa. – É que você estava cantando no banho. – Ele disse, enquanto eu me sentava.
– É Karina, você chegou ontem toda feliz, parecia sei lá... apaixonada, talvez? – Bianca disse, e meu pai engasgou. Dandara levantou e ficou ajudando – o, até que ele melhorou.
– Apaixonada? Lógico que não Bianca! Não sei de onde você tira essas coisas, garota! – Eu disse. Eu realmente não estava apaixonada. Ou estava? Não, eu não podia me apaixonar pelo Cobra. Vi João me encarando. – Que foi garoto? – Falei ameaçadoramente.
– Você parou, pensou e sorriu. Me deu medo. – Disse ele. Eu sorri pensando no Cobra? Eu não to bem! Levantei da mesa.
– Gente, vamos deixar a Karina né! – Disse Dandara, que me sorriu cúmplice. Ela era a mãe que eu não tinha.
Vi meu pai e Bianca saírem para o trabalho e João ir para o QG jogar.
– Karina, você está mesmo mais animada, aconteceu alguma coisa? Prometo não contar pro seu pai. – Disse ela, sussurrando a última parte e sorrindo.
– Ah Dandara é complicado. – Estava tentada a contar pra ela. Eu nunca tive uma mãe para contar sobre a minha vida e pedir conselhos.
– Então tem alguém é? Eu sei que o Pedrinho te fez sofrer, que bom que você não se fechou pro amor. – Disse ela. Amor?
– Não é amor não... é só... amizade. – Eu disse. Decidi não falar mais nada. Fui me arrumar para ir à escola.
Saí de casa mais cedo, queria ver Cobra de longe. Eu nunca ia admitir para ninguém que aquele marrento, chato, metido, mexia comigo. Fui andando e vi Jade parada do outro lado, perto da casa dela, olhando para o QG, com a cara de que ia matar um. Olhei para a direção que ela olhava e vi Cobra, conversando com uma menina morena, de cabelo escuro e longo. Não gostei nada disso.
Cobra POV
Decidi passar a noite em claro. Sabia que não ia prestar dormir. Ainda mais depois do beijo. O que eu ia sonhar agora? Depois que Karina saiu, eu demorei uns minutos para mudar minha roupa e ir jogar no computador. Fui ver o que o João viciadinho tanto gosta nesses jogos. Achei tudo uma porcaria, mas foi bom para me manter em pé. Não digo que fiquei de olho aberto todo o tempo, mas cada vez que vinha o rosto de Karina na minha mente, eu abria os olhos e logo arranjava alguma coisa pra fazer. Tirei e coloquei os suplementos, assisti filme, comecei a ver série e ouvi todos os meus CDs de rock.
Abri o QG cedo e atendi dois rapazes. Depois fui treinar e Thawik ficou no meu lugar. Voltei mais cedo que o normal, e ele saiu. Vi uma moça, de cabelos longos, pretos, e a pele morena como a minha. Ela carregava duas malas gigantes, mas era quase impossível ela carrega – las sozinhas. Eu, como cavalheiro que sou me aproximei.
– Oi, quer ajuda? – Perguntei. A menina desviou o olhar do chão, e olhou pra mim, me medindo o corpo todo.
– Ai, muito obrigada! – Disse ela. Peguei as duas malas, e coloquei na calçada. – Você trabalha aqui né? – Assenti. – Posso tomar um copo d’água? – Pediu ela. Abri a porta do QG e ela entrou atrás de mim. Peguei a garrafa na geladeira e lhe entreguei o copo. A servi. – Obrigada. – Disse ela depois de terminar e sorriu.
– Vai ficar onde? Quer ajuda? – Eu disse. Eu iria levar as malas até o lugar onde ela iria se instalar. Fiquei a observando. Era bonita, mas não era a Karina. Droga! Karina de novo tava na minha cabeça.
– Vou passar uns tempos na casa da minha tia Lucrécia. – Ela era prima da Jade? Nem se pareciam. – Qual seu nome? – Perguntou, curiosa.
– Cobra. – Ela riu. – E o seu? – Perguntei.
– Victória, mas pode me chamar de Vick. – Ela disse. – Cobra é apelido né? – Ela perguntou.
– É... – respondi. Não gostava muito de falar o por que desse apelido. Vi Jade andando na direção do QG. Ela entrou como um furacão.
– Vick, priminha querida! – Disse ela, sorrindo falsamente. – Vamos? – Perguntou. Victória sorriu e eu peguei suas malas. As segui até a casa de Jade e deixei a mala la dentro. – Vagabundo, depois quero falar com você! – Jade disse baixo. – Assenti e saí da casa dela. Quando me virei, vi Karina com seu rosto lindo, mas furioso. Queria rir da reação dela, mas apenas me aproximei.
– Por que essa cara? – Eu disse, ficando do seu lado, como quem não quer nada.
– Tá pegando a família toda Cobra? Às vezes é por isso que a dona Lucrécia não gosta de você, já ficou com ela também? – Gargalhei. Aquilo era ciúme?
– Ciúme novinha? Pra que isso? – Eu disse. Ela me olhou como se eu fosse louco. – Tem pra todas. – Falei para irrita – la.
– Ah Cobra, fala sério. Vou pra escola que eu ganho mais. – Disse ela. Segurei sua mão e cruzei meus dedos com os seus.
– Passa mais tarde no QG. – Pedi, me aproximando um pouco dela e sussurrando. Ela soltou nossas mãos e foi para a escola, sem me responder.
Duca POV
Parecia que eu estava traindo o Alan tendo um relacionamento com a Nat. Estava bom antes, quando eu achava que ele tava morto, mas descobrir que na verdade ele está vivo, bem vivo, me fez pensar se valia a pena continuar com ela.
Enquanto eu me perdia em meus pensamentos meu celular tocou. Vi que era o número de Scorpio e atendi.
– Fala irmão! – Eu disse. Eu ficava emocionado e empolgado todas às vezes que falava com Alan. Eu estava indo para a academia do Gael.
– Duca, olha, essa semana eu preciso voltar. Tem que ser agora. – Disse Alan, misterioso.
– Tá bom! Eu sei onde a gente pode se ver. Vai ter um espetáculo do pessoal da Ribalta. Com certeza o Lobão não vai estar lá. – Eu disse. Decidi não contar nada para Nat, para garantir. Ainda tinha medo dela ter revelado tudo ao Lobão e ter nos deixado nessa situação. E ela andava esquisita.
– Combinado então. Saudades de você irmão! No dia me passa uma mensagem com local e horário. – Ele disse e eu concordei. Desliguei o telefone. Eu tinha parado na praça e quando me virei vi Karina e Cobra próximos. Pensei que ele pudesse estar fazendo algo com ela, mas vi as suas mãos entrelaçadas. Estavam escondidas, mas dava para ver. Será?
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