Da alteridade

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Esse é um texto bem curto que eu escrevi há algum. Não sabia em qual categoria postar, pois apesar de ser em prosa a linguagem é poética. Enfim, o último venceu. Espero que gostem!

P.S: é a primeira coisa que consigo postar aqui, então qualquer comentário seria tão encorajador!

Seriam os outros inconciliáveis? Observo, observo, observo. E me parece incrível que a imensidão de seres fundamentalmente distintos caiba nesse mesmo território delimitado pela amizade. Somos todos frutos de experimentos. E como resultados de afetos, desejos, paixões tão singulares podem combinar-se? Como existências já erodidas pelas ventanias da vida podem ainda encaixar-se?

Já ouvi que amor é desencontro. Então direi que amizade é encontro. É a ligação dos pontos de interseção que encontramos um no outro. É quando reconhecemo-nos no que era desconhecido. Talvez por isso me soe assustador, quase invasivo. É preciso compartilhar com alguém fragmentos de mim... Será que arranca pedaço?

Tenho pudor da amizade. Pudor, porque é preciso desnudar-se por dentro. É preciso mostrar-se por completo e segredar ao outro esta essência que nem sequer por inteiro conhecemos. E isto é para mim um contato por demais profundo. Amizade é uma das formas que achamos de fazer a alma tangível. E a minha, a minha é sensível ao toque.

(Amizade é outrem habitando nesta ilha que somos)

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!