Da Riqueza à Pobreza - Chloe Bourgeois
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Se passou horas e horas e nada do motorista chegar.Sento em um banco e começo a tirar conclusões até que um jornaleiro passa e espirra lama em mim com sua bicicleta
—Eiii,quem você pensa que é para espirrar água em mim?Você sabe quem meu pai é?O Prefeito Bourgeois-digo emburrada
—Não mais-Disse passando com tanta velocidade,que deixa cair um jornal.
Mas o que ele quis dizer com "Não mais"?
Em um impulso pego o jornal e começo a ler
"Nessa terça feira,dia 26 de fevereiro,as buscas de André Bourgeois foram encerradas. Devido ao ocorrido,haverá votação para o próximo Prefeito de Paris"
O que está acontecendo?Meu pai não estava viajando?Eles mentiram para mim
Em uma fração de segundos,lágrimas insistem a escorrer pelo meu rosto,de ódio e sofrimento,minha respiração acelerou e comecei a soluçar alto.
Pode até não parecer,mas meu pai é tudo para mim,mesmo não dando tanta atenção para a própria filha ele é o único que ficou aqui em Paris,diferente da minha mãe,Audrey Bourgeois que foi para Nova York e deixou sua filha com seu ursinho de pelúcia de presente.
Já sabendo da situação,pego algumas moedas e espero o próximo ônibus passar.Quem diria,eu pegando ônibus?
Começo a lembrar de cada momento da minha vida.Todos pareciam gostar tanto de mim,e agora no momento que mais preciso,ninguém veio me ajudar.
O ônibus chega e quando entro,ouço pessoas falando mal de mim como"olha,se não é a filha do prefeito,ou melhor ex-prefeito!".
Outras dizendo"minha nossa,coitadinha!"
E quanto mais chorava, mais ouvia.Não aguentava mais isso,nesse momento gostaria de ser irreconhecivel.Quando finalmente cheguei em casa corri para o meu quarto e chorei mais ainda,chorei pelo meu pai e chorei pelas pessoas.E a menina mais forte e determinada parecia que tinha fugido.
—Toc Toc-ouço batidas na porta e abro a mesma dando de cara com meu mordomo
—Aqui estão suas malas senhorita,infelizmente terá que se mudar para a casa da sua avó-diz nervoso
—A velha chata?-Digo tentando manter minha reputação
—Senhorita,tente entender que...-Antes de terminar aquela maldita frase,fechei a porta em sua cara e me deitei em minha cama,ou melhor ex-cama
Parecia que tudo estava dando certo,e agora isso?Parece até obra do destino.Eu só queria voltar a ter minha vida.Queria ter uma mãe presente e reencontrar meu pai,será que é pedir demais?Minha vida definitivamente iria mudar a partir de hoje.
Decidida,peguei minhas malas e desci as escadas.No caminho ouvi vozes e segui elas.Davam direto para a cozinha,onde estavam todos os empregados reunidos.Decido escutar atrás da porta.Estava muito baixo,mas dava para ouvir algo
—Nos livramos dela,aquela mimadinha.Acredita que ela pedia todos os dias...-ela terminaria aquela frase,mas antes que fizesse tal ato,abri a porta rapidamente
—me desculpe atrapalhar minha querida,mas preciso saber para onde devo ir!-disse ironicamente
—Te levo até lá -disse o mordomo antes que a mesma me respondesse.
Ele pegou minhas malas e levou até o carro,e essa seria a última vez que iria frequenta-lo.
A paisagem passava devagar pela janela,era uma vista linda.Pássaros voando,flores iluminadas pela luz do Sol e várias outras coisas.
Nem vi o tempo passar quando cheguei em uma casa rosa aos pedaços.Avistei um gato cinza todo sujo por restos de comida que mais parecia lixo do que um ser vivo,aí que nojo!O gato veio para cima de mim e começou a me lamber enquando gritava por ajuda.Mania de animal.Me livrei do gato e quando estava prestes a entrar,a velha me recebeu com um abraço,logo me distanciei para não ser considerada fraca e tive uma visão melhor dela.
Ela era baixa com todos os fios de cabelo esbranquicados,a última vez que a vi foi quando tinha sete anos e ouvi horrores de minha mãe,como"essa velha não presta".Definitivamente esse é o pior dia da minha vida.
Ela olhou o meu estado e logo pegou uma toalha indicando para eu ir tomar um banho.Entrei no banheiro e abri o chuveiro,a água gelada escorreu nos meus fios dourados.
Sim,a água era gelada,mas com o tempo fui me acostumando.
Casa de pobre!
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