Da Penitência Ao Amor
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Capítulo 8
A semana passou em um piscar de olhos, e o dia da vinda dos Arcanjos e Adam estava chegando por isso Dean ia conversar com Amy, explicar a ela as coisas sobre os três.
– Amy você tem outro tio, eu...
– Eu ouvi você falando com Tio Sam e o Gabe ontem, eu sei o que vai rolar, mas nós somos uma família e enquanto eu estiver, com você, Tio Sam, Bobby e Gabe ficarei bem. — Ela disse- Pai não importa que o Diabo seja nosso colega de quarto, o mais importante é estarmos juntos. — Amy era muito parecida com Dean no que se referia a família.
– Por isso você é minha garota número um! — Dean disse dando uma piscadinha para filha, que retribuiu fazendo a mesma coisa.
O Winchester mais velho se perguntou como sua vida tinha mudado tanto, era estranho para um cara que viveu a vida para seu irmão mais novo e a caça, perceber que agora tinha uma família maior, tinha responsabilidades com duas crianças mesmo que uma fosse um anjo e a outra uma garota de treze anos, pois para Dean sua Amy seria sempre a garotinha que ele não pôde carregar no colo. Lembrar disso o fazia extremamente irritado com Cassie, afinal ela escondeu Amy dele e ainda por cima na última vez em que se falaram, negou mudar o sobrenome da menina, no entanto Dean não era de aceitar desmandos de ninguém, por isso já havia entrado em contato com Charlie para que ela pudesse de algum jeito alterar a certidão de nascimento de Amy.
Enquanto isso na sala do Burke, Sam estava no sofá lendo quando batidas na entrada o tiraram de seu entretenimento, depois de verificar quem era e encontrar a pequena Hell acompanhada de um homem desconhecido, o Winchester se viu mais uma vez envolvido nos problemas do Trickster.
– Olá Samuel, este é meu irmão Fenrir. – Hell apresentou o jovem alto com cabelos castanhos tão compridos como Sam, a pequena falou com seu costumeiro tom polido que mesmo Sam achava exagerado para sua forma tão infantil. – Gostaríamos de entrar e esperar Gabriel.
– Hum claro – Respondeu sem jeito. – Podem sentar.
– Minha irmã você estava certa – Disse Fenrir com um sorriso que Sam considerou predatório — Para um mortal o Winchester é bem suculento.
Sam ficou entre surpreso e amedrontado, tudo bem que ele sabia que os filhos de Gabe não os prejudicariam mas ouvir o grande Lobo Fenrir o tratar como um pedaço de carne era no mínimo bizarro.
– Pensei que Angie os tinha educado melhor – A voz de Gabe fez a tensão da sala sumir e os irmãos caírem na gargalhada.
– Nossa mãe com certeza nos educou bem – Disse um desconhecido alto e extremamente branco que pelo que o jovem Winchester pôde perceber chegou junto com Gabe. – O problema é que meus irmãos não usam o que aprendem. A proposito sou Jörmundgandr, ou apenas Jor se assim preferir.
– Fala sério Jor, ninguém é tão perfeito como você quer que sejamos. – Disse Fenrir. – Fora que se fossemos todos iguais a você seriamos completamente escrotos.
– E se fossemos iguais a você e sua falta de decência estaríamos perdidos. – Rebateu o do meio.
– Garotos por favor – Pediu Gabe.
– É meninos obedeçam o nosso querido papaizinho – Hel se intrometeu com seu tom de sarcasmo usado especialmente para o pai. – Afinal ele tem todo o direito de nos repreender.
A temperatura na sala pareceu baixar quando Jörmundgandr se aproximou de sua irmãzinha, Sam pôde ver a garota se encolher minimamente enquanto olhava para ele.
– Chega Jor, eu não quero estas discursões. – Gabe pediu tristemente e Samuel teve a súbita vontade de abraça-la.
– Não pai, já chega da Hella lhe tratando assim – O filho do meio retrucou. – Já chega dessa infantilidade, cansei de minha irmã fazendo manha com essa aparência e dessa mania de querer lhe fazer sentir culpado. – Jörmundgandr estava enraivecido o que fez com que seus olhos mudassem de um tom de azul para amarelo ouro com formato reptiliano. – Fenrir e eu já perdoamos, nossa mãe também mas Hel continua com essa vingança idiota e eu já estou no limite.
– Relaxa cara. – Fenrir nem parecia estar numa discursão. — E você Hel volte logo para sua forma, pois já estou cheio dessas chatices de vocês.
– E quem morreu e te fez Deus? – Hel perguntou de forma petulante – Por que até onde lembro eu não preciso de ninguém me comandando.
Sam estava extremamente desconfortável no meio da confusão mas pior estava Gabe que parecia ficar mais pálida a cada frase de seus filhos, e isso fez com que o Winchester tomasse a decisão.
– Vem comigo. – Sam pegou a mão de Gabe e sorrateiramente a puxou para a biblioteca não que fosse preciso pois os irmãos estavam tão engajados no desentendimento que nem perceberam.
Quando o casal chegou no novo cômodo, Gabe fez duas barras de chocolate se materializar e depois de entregar uma para Sam, ela sentou-se na mesa e encarou o vazio.
– Errei muito com eles Sam. – Gabe começou seu relato – Quando fugi e me escondi em meio aos pagãos, eu precisava me enturmar e não havia melhor opção do que um casamento, então contrai matrimonio com Sigyn a deusa da Fidelidade, depois de alguns anos conheci Angrboda e me apaixonei – Gabe parecia perdido no tempo e Sam não conseguia entender por que essas lembranças o faziam sentir mal. – Ela era incrível e eu fiz tudo ao meu alcance para conquista-la, nós éramos felizes, quando tivemos filhos, cada uma das crianças recebeu minha promessa de nunca as abandonar e sempre estar com elas. – o Arcanjo parecia miserável. — Fui hipócrita, acreditei que tinha tudo sobre controle, não percebi que Sigyn podia até aceitar minha falta de amor mas como deusa da Fidelidade ela nunca aceitaria a traição.
Samuel começou a lembrar sobre as histórias dos filhos de Loki, ele já imaginava o que estava por vir mas sinceramente preferia que não fosse isso.
– Os meninos eram grandinhos mas Hella mal tinha cinco anos de vida quando Sigyn me denunciou para os demais deuses, depois disso foi questão de dias para capturarem Angie e as crianças, quando tentei busca-los fui apanhado, sei que poderia escapar e libertar minha família, mas se eu usasse tanto do meu poder, seria facilmente detectado por meus irmãos. – Sam não queria ouvir o resto ele já sabia o que houve, sabia da tragédia de Loki, mas Gabe estava desabafando e ele não iria tirar isso dele. – Quando Odin começou o julgamento, só tive tempo de pedir para Angie negar qualquer sentimento por mim e pelas crianças, ela já sabia minha verdadeira origem por isso atendeu meu pedido sendo libertada por “ter sido enganada”. Depois que ela partiu pensei que iria conseguir libertar as crianças, eu contava com a ajuda de Thor para isso, no entanto meu plano não deu certo, Thor se acovardou ao ser lembrado da antiga profecia que descrevia o Ragnorak, ele não confiou em Jor pois diz a profecia que a serpente iria mata-lo com seu veneno, e por mais um dos meus erros minhas crianças foram exiladas e Angie nunca me perdoou por isso. – Sam sentiu de novo aquele característico desconforto. — Droga até mesmo Narfi e Vali, meus filhos com Sigyn foram punidos por meu descaso. Nem sei por que Fenrir e Jörmundgandr puderam me perdoar se nem eu mesmo me perdoo.
Sam se aproximou de Gabe e a abraçou, no primeiro instante Trickster pareceu tenso mas logo se deixou envolver pelo conforto do mais alto.
– Às vezes esqueço que você é uma menina Sammy.
– E eu que você é um imbecil. – Disse o Winchester enquanto soltava Gabe.
Fale com o autor