Da Penitência Ao Amor
17 Capítulo 16
Notas iniciais
Capítulo 16
Sam sabe que tem que avisar Dean sobre sua viajem interdimensional, ele também sabe que Dean muito provavelmente vai fazer um escândalo, que vai no mínimo querer ir junto, mas o Winchester mais alto tem que resolver isso, mesmo que o motivo não seja tão claro para ele. Reunindo a força de vontade necessária, ele respira fundo e entra na sala. Balthazar e Fenrir estão conversando nos degraus. Hel e Adam assistindo um filme. Dean e Michael quem diria estão conversando sobre como foi criar o irmão mais novo. — No caso de Michael irmãos- Bobby e Jor estavam avaliando os estoques de armas e mantimentos sobrenaturais. Lúcifer e Lizzie estão conversando amigavelmente em algum outro lugar longe da sala, sobre sabe lá Deus o que! Mas todos estão em paz e Sam ia acabar com isso por que ia entrar em uma discussão com Dean.
– Eu vou a Asgard com Gabriel! — Sam falou.
– Como é? Onde você pensa que vai? — Dean disse se levantando rapidamente e derramando a cerveja em si mesmo.
– Não é onde penso, estou te informando que vou para Asgard com Gabriel!
– Falou Sam com um pouco de firmeza.
– Dean, Thor chamou papai para uma conversa, creio que meu pai contou a Samuel e dada a ligação que seu irmão e meu pai possuem creio que isso seja normal. — Jor se pronunciou, ele gostou da atitude de Sam.
– Pensei que não sabia! — Gabe disse.
– Minha irmã me contou a pouco.
– Mas e se for uma armadilha? Você acredita que um deus pagão que descobriu a verdade não vai querer vingança? — Dean perguntou.
– Mas um motivo para eu ir, Gabe é meu amigo, me diga Dean você não faria isso pelo Cas? — Sam perguntou e segurou a mão de Gabe.
– Eu disse a ele que não precisa, mas...
– Ele tem razão, eu faria o mesmo pelo Cas, mas vocês precisam ter cuidado.
– Eu, Hella e Jor vamos estar com eles, nó nunca deixaríamos nada acontecer com Sam! — Fenrir fala sincero, por dentre muitas coisas ele é grato a Sam por fazer que seu pai tenha tempo para eles, por fazer ele se lembrar do que é ter uma família.
– Eu só não vou por que tenho que cuidar de Castiel e Amy, mas eu estou confiando Sam a vocês e se ele voltar com um fio de cabelo fora do lugar eu juro que vocês não vão querer me ver por perto. — Dean ameaçou.
– Ok! — Sam falou.
– Quando vão? — Bobby perguntou.
– Amanhã pela manhã! — Gabriel respondeu.
Naquela noite os filhos de Gabriel dormiram no Burke, na verdade Jor normalmente passava a noite lendo. Hel dividia o quarto com Amy, mesmo não havendo necessidade e geralmente Fenrir saia e só voltava pela manhã ( mas essa noite ele achou um quarto e ficou lá com Balthazar), mas o que era mais inusitado era o fato de que Gabriel estava no quarto de Sam, velando o sono do moreno, ele sabia — ou queria acreditar — Sam só estava atraído por seu corpo agora feminino e delicado, que assim que seu antigo navio lhe fosse devolvido, essas gentilezas iriam acabar, sabia que assim como tantas vezes na longa vida do Arcanjo mais alguém lhe viraria as costas, mas não havia motivos para reclamação pois ele mesmo já havia feito muito pior, na realidade não merecia o carinho que estava recebendo de todos...
– Gabe? — Sam perguntou, ele sentiu que devia acordar naquele momento, como se algo gritasse em seu cérebro exigindo o seu despertar.
– Hum? — Disse com sua voz de choro mal disfarçada.
– Por que estava chorando? — Perguntou Sam enquanto sentava na cama.
– Por que você quer ir comigo?
– Eu não sei, só sei que tenho que ir! — Falou com toda a sinceridade do seu coração.
– E eu só senti vontade de chorar! – Resmungou o arcanjo, enquanto tentava desdenhar de seu próprio sentimento em relação ao homem em sua frente, afinal Gabe sabia exatamente o que estava sentido e sabia que isso era errado.
– Então vamos tomar um café ou um chocolate quente e aí a gente pode conversar um pouco. – Sam disse e quando viu que Gabe iria estalar os dedos. — Eu faço questão de preparar para você um chocolate!
Eles seguiram até a cozinha e Sam começa a preparação do chocolate. A conversa que segue faz Sam perceber que sente algo além da amizade, além da atração física, algo muito mais profundo. Faz com que o Winchester perceba que a presença de Gabriel basta para fazê-lo feliz, que não tem nada a ver com o receptáculo mas sim com a essência do Arcanjo, e embora a descoberta o faça querer contar tudo, Samuel esperaria o momento certo para se declarar e definitivamente o momento não é agora.
– Isso aqui tá muito bom! — Gabriel falou ao dar a primeira golada no chocolate.
– Obrigado, sei que não sou como você ou como Dean, mas eu me viro na cozinha. — Sam se gaba.
Eles passam o resto da noite conversando e só se dão conta disso quando o resto da casa começam a despertar e tomar café.
Depois de mais uma pequena discussão com Dean, Sam finalmente foi e infelizmente para ele a ponte era bem diferente dos filmes, aquela era a verdadeira Bifrost, a ponte arco — íris, Asgard é sem sombra de dúvidas o lugar mais lindo que Sam já viu tão idílica e ao mesmo tempo rustica.
– Samuel pare de babar! — Fenrir brincou mas dava para ver a tensão que pairava sobre eles.
– Deixa ele viver o momento nerd dele! — Gabriel falou.
– Own que meigo! Quero ver a reação da mamãe quando souber disso! — Hel gargalhou quando viu Sam fazer uma careta. — Ela adoraria conhecer o novo namorado de meu pai! – A garota completou fazendo com que todos menos Sam e Gabriel rirem.
– Nós somos apenas amigos! — Gabriel falou.
– Sei amigos feito Fen e Balth? – Jörmundgander perguntou
– Não eu e o Balth estamos apenas nos conhecendo melhor... – Respondeu Fenrir debochadamente.
– Esse assunto me dá dor de cabeça! — Gabriel falou.
– Vamos logo – Disse Jörmundgander para dissipar a tensão.
– Espera vocês vão querer entrar? — Perguntou Gabe. – A última vez que estiveram aqui não foi fácil e se vocês não quiserem entrar, vou entender...
– Eu não vou perder! — Hel falou.
– Eu prometi para Dean que cuidaria de Sam e pretendo cumprir essa promessa. — Jor disse.
– Tá bom gente, então vamos, não vejo a hora disso acabar! — Fenrir falou, ele realmente estava incomodado em ter que ir ao palácio, suas lembranças daquele lugar não eram as melhores. Hella era muito jovem para se lembrar, mas ele e seu irmão tinham lembranças vividas demais dali, no entanto os três irmãos prometeram que estariam ali unidos pela sua família.
Fenrir percebeu que passou muito tempo pensando por que sentiu a mão de Jörmundgander em seu ombro, como se dissesse "estamos juntos"
Eles entraram num enorme salão coberto de ouro, no centro do mesmo sentado em um trono estava um enorme homem loiro, ele tinha feições duras de quem já viu muitas guerras e ainda assim mantinha um olhar gentil.
– Loki, não imagina minha alegria quando Hella me informou que estavas vivo! — Disse ele andando em direção aos seus visitantes.
– É mesmo? — Gabriel perguntou sarcástico. — E por favor creio que saiba minha verdadeira origem, me chame pelo meu nome! — Gabriel falou de uma maneira ríspida fazendo Thor suspirar.
– Como queira, agora diga-me quem é o mortal que trouxeste? — Ele falou em uma tentativa de mudar de assunto, a verdade é que Thor se sentia culpado por grande parte do que estava acontecendo com Loki ou Gabriel, ou de qualquer maneira que ele/ela queira ser chamado.
– Eu sou Samuel Winchester, amigo de Gabriel. — Sam disse estendendo a mão que ficou no ar fazendo todos os presentes sentirem-se tensos e desconfortáveis.
Samuel queria sair dali, Thor estava sim querendo fazer as pazes com o Gabriel, mas a presença do Winchester parecia estar piorando as coisas o que na verdade era bem possível já que para a maioria dos deuses pagãos, os humanos não passavam de alimentos ou sacrifícios.
Gabriel rangeu os dentes devido a reação do idiota loiro e embora sua vontade fosse castigar o pagão estúpido, ele achou melhor não ataca-lo tão agressivamente.
– Interessante como o castelo e a Bifrost permanecem bem mesmo quando os humanos deixaram o politeísmo, uma pena a cidade não ter tido a mesma sorte. – Disse Gabe com uma pontada de deboche em sua expressão.
– Tivemos que pensar nas prioridades! – Respondeu Thor!
– É claro que o maldito castelo seria salvo – Jörmundgander disse venenosamente. O que fez Thor olha-lo com certo interesse.
Quando todos os presentes achavam que nada poderia piorar a situação na sala, eis que a porta do salão é aberta por uma mulher alta e estupidamente ruiva, ela parecia deslizar pelo chão e tinha uma beleza quase etérea. Gabriel pareceu perder a cor ao vê-la mas a mesma olhava para eles com um misto de deboche, escárnio, superioridade e ódio. Samuel já imaginava sua identidade no entanto quando um par de gêmeos surgiu atrás dela, o Winchester teve certeza que esta deusa em sua frente tratava-se de Sigyn.
– Gabriel, quando soube que estavas encarcerado no corpo de uma mulher, eu não coloquei crédito nessa informação, mas vendo você assim, acho que esse corpo combina com você, é uma bela meretriz. — Ela disse venenosa.
– Bem melhor ser uma meretriz do que uma mulher amarga e frígida, sabe a vida de uma meretriz é muito agitada! — Disse Gabriel, mas se arrependeu de ter entrado no joguinho de Sigyn ao olhar para a expressão decepcionada que seus gêmeos lhe deram.
– Amarga por que aceitei casar-me com você, mesmo quando não o conhecia? Amarga por que te defendi quando todos os deuses desconfiaram de sua presença em nosso reino? Frigida por ter sido tua mulher por trezentos anos? Ou por não ter aceitado que mesmo depois de ter lhe dado filhos você preferiu me trair. – A Deusa parecia transtornada. — É mais fácil ofender a mulher que você deveria honrar e respeitar do que assumir seu erro ao me enganar com aquela... para viver com aquela...
– Não pense nem por um momento em falar algo de nossa mãe! — Fenrir rosnou.
– O que mais eu poderia esperar de um anim...
– Mãe chega! — Narfi pediu. — Por favor, paremos com isso.
– Acho que é hora de irmos ao banquete! — Lady Sif que havia entrado no salão enquanto Sigyn esperneava tentou amenizar os problemas, mesmo que ela detestasse o arcanjo pelo caso mal resolvido de seus belos cabelos, como mãe que era não permitiria que as crianças fossem afetadas por essa bagunça.
– Acho uma ótima ideia minha querida! — Falou Thor tentando desesperadamente fugir das brigas.
Os convidados foram levados para uma grande sala de jantar onde a refeição foi servida. Thor e sua esposa faziam leves perguntas e ambos pareciam tentar ignorar a presença do Winchester. Embora Sigyn tivesse outros planos.
– Minha querida Sif, gostaria de elogiar suas magnificas habilidades tanto na cozinha como quanto anfitriã mas há algo que não posso compreender – Sigyn disse de forma dissimulada.
– Se estiver dentro de meu alcance, faço questão de ajuda-la. – Sif sabia que nada de bom viria mas ela infelizmente não poderia evitar as injurias da outra deusa.
– Gostaria de saber o que este ser inferior e estas criaturas monstruosas fazem em sua mesa de jantar. – Sigyn perguntou com todo veneno que sua voz poderia lançar.
– As crianças são nossas convidadas assim como Samuel Winchester amigo de Loki, então eu peço Lady Sigyn, não fale dessa forma. — Sif pediu.
– Vocês têm ideia de quão falso soa tudo isso, não entendo o propósito desse teatro! — Jörmundgander falou, quando ninguém disse nada ele prosseguiu. — Por que para vocês não passamos de assassinos, que merecem ser punidos antes mesmo de fazer alguma coisa, então eu realmente não consigo entender o motivo deste circo.
– Eu só quero dizer que, depois da morte de meu pai, Sif me fez enxergar, que seus filhos não são um risco, o que eu quero dizer é que vocês são bem vindos a minha morada. — Disse Thor.
– Isso é um ultraje! — Sigyn se levantou da mesa. — Eu nunca vou aceitar isso! Esse imundo e suas crias não merecem viver — Ela se virou e saiu. Quando seus filhos levantaram para segui-la Gabriel os chamou.
– Gabriel espero que entenda que não estamos assumindo um lado! — Narfi falou.
– Mas nós não o conhecemos e nossa mãe é tudo que temos! – Vali continuou.
–Foi bom enfim conhece-lo. – Os gêmeos falaram em perfeita sincronia.
Não houve mais clima para nada depois daquela cena por isso os visitantes partiram imediatamente. Ao chegar ao Burke cansados e tristes, os filhos de Loki procuraram seus passatempos e deixaram seu pai e Sam sozinhos para se resolverem com os demais. Depois de uma breve conversa com Dean, Sam resolve ir dormir, mas em seu quarto estava Gabriel.
– Eu não quero ser interrompido! – Gabe avisou assim que Samuel abriu a boca. — O que você fez por mim hoje, foi mais do que qualquer um já fez, você não tinha a mínima obrigação, mas mesmo assim fez e eu quero te agradecer.
– Não me agradeça, fiz isso por que gosto de você! – Sam falou.
– Eu também gosto de você Sammy-boy! — Falou o Arcanjo.
– Gabriel eu gosto de verdade de você! – Samuel disse e Gabe olhou para cima seus olhos se encontraram, eles estavam tão próximos, mas Gabriel desviou.
– Eu preciso ir. – Falando isso o arcanjo sumiu.
Gabriel reapareceu em umas das salas subterrâneas do Bunker, sentia que não podia fazer isso com Sam, ele não podia arrastar o garoto para a bagunça que era sua vida.
No quarto Sam estava frustrado, ele havia sido um idiota precipitado que agora pode ter posto tudo a perder.
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