Da Janela.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Vamos ver se vocês gostam.
De seu apartamento, em uma sexta feira tediosa e fria, Brendon encarou a janela do prédio vizinho, tão próximo que inúmeras vezes o rapaz se perguntara se era possível deslocar-se de um prédio ao outro pelas janelas. Sorriu quando mais uma vez o pensamento sem nexo algum invadiu sua mente. E aproximou-se da parede, cruzando os braços sobre a janela, encaixando o queixo nos mesmos em seguida. Seu sorriso transformou-se em um rasgo amargurado em sua face, enquanto encarava a persiana do prédio agora em sua frente, sempre fechada.
Fechou os olhos, lembrando-se do tempo o qual parecia ter sido há uma eternidade atrás, em que conseguia espiar os passos do vizinho, tendo saudade do que mais representava essa época para ele. Era realmente uma pena aquela persiana fechada. Imaginou o que estava acontecendo do outro lado, e torceu a boca em uma careta insatisfeita ao perceber que já não era mais um assunto de sua conta. Permaneceu com os olhos fechados, sentindo a brisa gélida tocar-lhe a face, de forma que provocava ardência.Em sua mente veio a imagem de um rapaz magricelo e comprido correndo para longe dele, ficando cada vez mais mole, pelas risadas. Até que caiu desajeitado no chão, ainda rindo. E Brendon o alcançou, jogando-se ao seu lado, quando envolveu um de seus braços pelo ombro do outro, ao mesmo tempo em que sentiu a cabeça deste no seu. O sorriso agora tomava seu rosto todo, enquanto curtia a boa lembrança. Já fazia um tempo, e Brendon tinha saudade.Ouviu um barulho quase imperceptível ao fundo de seus pensamentos, tão baixo que era capaz de afirmar ser sua imaginação. Resolveu conferir, olhou para a janela vizinha a tempo de ver um par de olhos castanhos surgir por uma fresta maior que as outras, aberta por dedos compridos. Permaneceram os dois paralisados por alguns segundos. Os pensamentos pararam, o coração parou, o sorriso sumiu.Os três segundos seguintes pareceram durar uma eternidade. Um olhando o outro até que, novamente aquele barulho quase inaudível, e a persiana tornou a fechar-se, inteiramente. Suspirou vencido, esperando pelos próximos minutos encontrar novamente os olhos castanhos do rapaz. Nada. Pensou eu sair dali, pensou em várias coisas. Percebeu que estava com fome, e talvez fosse bom deixar o passado para trás, de fato. Mas algo agarrava os tornozelos de Brendon, e o prendiam fortemente, de modo que ele tinha alguma certeza, bem lá no fundo, de que o rapaz voltaria. E ele tinha que estar ali quando isso acontecesse. Sabia o quanto havia esperado por qualquer sinal e... Ryan tinha aparecido na janela para espiá-lo. Isso deveria significar algo. Antes que pudesse pensar em qualquer outra coisa mais, ouviu um barulho, agora considerável, e percebeu a persiana subindo, ao mesmo tempo em que o rapaz aparecia puxando a pequena corda, pelo vidro, também fechado. Ergueu-se de sua posição, e sentiu o coração acelerar em um ritmo rápido e nervoso. Mas que diabos significava aquilo?Ryan abriu sua janela, fazendo com que seus cabelos fossem movimentados levemente pelo vento frio que invadiu sua casa. Aspirou o máximo de ar que pôde, de uma só vez, se perguntando quando fora a última vez que esteve ali, naquela janela. Petrificou-se quando enfim se deu conta de que Brendon o encarava confuso e ansioso, mais perto do que ele se lembrava. Continuou encarando a face confusa deste, que apresentava os olhos mais esbugalhados que o normal, e a boca semi aberta, exibindo pouco de seus dentes. Fez o máximo de força que pôde para não rir, entretanto não conteve o sorriso tímido que escapou por seus lábios, e logo castigou-se por isso, levando as mãos ao rosto, e fechando os olhos.Era estranho estar ali, onde tudo havia começado. Era realmente desconfortável estar sendo vítima daquela lembrança... do sorriso cativante do vizinho recém descoberto, enquanto balançava a mão ligeiramente, em um cumprimento silencioso. E dele, completamente desconcertado, mas também involuntariamente envolvido, e indisposto a sair dali. Ryan sabia, tudo acontecera porque ele quis, porque ambos quiseram, mas... Não podia negar que era doloroso estar ali, e não podia negar que mesmo sendo doloroso, e mesmo que algo muito forte dentro de si o alertasse violentamente para não retornar à janela em hipótese alguma, a saudade era tanta, aquela vontade de reviver o passado, que chegou uma hora que simplesmente não dava mais para segurar os pés, nem as mãos, nem nada. Era apenas uma marionete do próprio corpo. E lá estava ele, com as mãos no rosto em frente à um Brendon cheio de perguntas.Deixou que suas mãos escorregassem da face, deparando-se agora com aquele olhar doce e irresistível que tanto conhecia, e tanto temia. Suspirou forte o bastante para que o dono daquele olhar pudesse ouvir e, após um breve sorriso, resolveu sair dali. O lugar do passado não era ali, isto é, era realmente inútil querer reviver algo já morto, Ryan sabia disso. E tinha cometido um erro estúpido, ao espiar pela persiana. Maldito Brendon Urie, pensou, repreendendo-se pelo \"maldito\". Porque tinha que estar ali? Porque tinha de estar sempre ali? Foi até seu quarto, fechando a porta. A sala não era segura.Brendon, por sua vez, permaneceu encarando a janela de Ryan. Este havia esquecido a mesma aberta. Tinha o deixado sozinho, mas a janela estava aberta. Seus dentes fisgaram seu lábio inferior, com a idéia que se passou em sua mente. Bem, alguma coisa queria dizer aquela janela aberta. Alguma coisa queria dizer Ryan Ross ter aparecido depois de tanto tempo...
E então, sua tediosa tarde de sexta passou a ter um propósito nobre, e Brendon não pode conter o sorriso bobo que formou-se em seu rosto enquanto sentiu uma onda de adrenalina invadir seu corpo, como acontecia no começo, toda vez que se encontravam pela janela, e trocavam sorrisos. -
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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