Da Infância à Adolescência

20 Capítulo XX. Exame Físico


Notas iniciais
Olá minha gente! Demorei, mas cheguei de novo kk Eu continuo escrevendo as fanfics no meu tempo livre, mas dá para notar como não tem lógica nenhuma quando vou postar né? Enfim. Esse capítulo tem muitas mensagens, muitas mensagenssss! Eu adorei escrever de verdade e fiquei muito satisfeita! Espero que vocês gostem s2

“O que estou fazendo é errado?”.

Ver o cabelo ruivo esvoaçando e as costas que se afastavam doeu muito mais do que qualquer rejeição que havia recebido na vida – e que não foram tantas, aliás.

Ele piscou, a vendo desaparecer entre as pessoas.

“Eu estou mesmo sendo um incômodo?”

Ele não entendia direito o que se passava em seu coração. Esse sentimento era totalmente novo para ele. E mesmo depois do que tinha ouvido ele não conseguia ficar parado. Ele queria ir atrás dela e dizer que ela tinha entendido errado, que ele apenas queria chegar ao culpado de toda a história, assim como ela.

Sieghart sentiu uma dor em seu estômago e isso o fez se mover para frente, tentando se afastar das pessoas que ainda o olhavam e cochichavam. Nunca havia sentido tal constrangimento. Ele, quem era sempre o dono da razão e sempre tinha uma resposta para tudo.

“Elesis...”

Em sua mente, ele nunca havia dito o nome dela. Antes ele via a face avermelhada da menina e só conseguia sentir uma estranha irritação. Mas agora era totalmente diferente. Ele estava louco em pensar que ela era extremamente fofa?

Ele se lembrava exatamente do momento em que zangada ela o socou naquela piscina. Ele não se esqueceu daquela expressão em nenhum momento.

Também não se esqueceu de como ela o enfrentou e lutou sem medo, sem julgá-lo, e manteve seu orgulho mesmo quando ele a fez passar por ridícula.

E de quando ela se defendeu bravamente de Allen, negando sua ajuda. E também de quando ela lutou com o fã-clube tríplice com uma expressão e uma força que ninguém nunca viu antes... E quando estavam a sós, a face triste que ela nunca tinha mostrado para ninguém.

Ele conseguia visualizar perfeitamente as inúmeras vezes que discutiram.

Seus amigos diziam que ele estava apaixonado. Seus amigos que nunca brincavam com ele sobre esse assunto, sabendo de seu passado.

E as pessoas os viam e achavam que eram um casal.

Ele tinha fresco na memória o olhar de repreensão dela quando atacou Zero.

As últimas palavras de Elesis doeram, como se ele estivesse negando a verdade aquele tempo todo e só agora finalmente tivesse compreendido: ela não o queria perto.

Ainda assim, Sieghart não queria isso. Ele tinha que fazê-la entender seus sentimentos. O porquê ele não sabia, mas ele não queria nada além de fazê-la parar de odiá-lo.

Foi por isso que ele subiu as escadas e parou em frente à enfermaria levantando a mão para anunciar sua entrada.

“Eu deveria mesmo estar fazendo isso?” ele suava. Ele tinha ouvido muito bem que era exatamente esse tipo de atitude que a zangava. Ele não gostava da rejeição, mas e daí? Ela queria ter o próprio espaço. Ela não queria ver ele agora.

“Eu não sou digna de confiança ao ponto de você ficar vindo ver como eu estou a cada dois segundos?!” Elesis tinha dito.

— Você só quer que as pessoas te respeitem. — Sieghart murmurou, abaixando a mão.

“Eu preciso deixar ela sozinha.”

Ele respirou fundo, dando as costas e sentindo o peito doendo.

“A verdade é que eu não posso fazer nada para mudar a imagem que ela tem de mim nesse momento. Então o que me resta é fazer o que posso agora... que é ajudar os meus amigos.”

XXX

— Essa gente só pode estar louca. — ela resmungou após fechar a porta, revirando os olhos.

Há alguns minutos ela tinha chegado na enfermaria sabendo que Sieghart estava atrás dela, então ela ficou esperando ele entrar e fazer seu showzinho de sempre. Se ele tivesse a audácia de entrar, ele ia receber a surra que nunca tinha tido antes. Só que Sieghart pareceu ter desistido depois de uns segundos.

“Melhor para ele.”

Tamille, a enfermeira do colégio que carregava uma descrição no peito com seu nome, apareceu detrás de uma cortina e a cumprimentou. A moça ainda demorou um tempo para conferir os documentos e explicar o que fariam, embora fosse tudo mero procedimento. Só então Tamille a liberou para entrar numa sala à parte para por a roupa de ginástica.

“Ainda bem que estou sozinha. Assim vai mais rápido.” Ela pensou, suspirando.

Nos últimos dias tudo estava ficando cada vez mais caótico, sem falar em estressante. Como ela imaginaria que ela seria alvo de tantos problemas?

Primeiro sendo alvo de bullying. Até aí tudo bem, não tudo bem realmente, mas ela conhecia essa realidade com a palma da mão e sabia como reagir a situações como essa. Mas as declarações? Elas eram uma coisa completamente nova em seu universo. Isso porque em um segundo ela era a “metida chata e machona” e depois tinha uma dezena de caras correndo atrás. E nossa! Isso deixa qualquer um confuso. A deixava zangada.

Elesis já tinha um grande histórico de agir impulsivamente sob ação da raiva, mas nunca nada poderia ser pior do que ver a injustiça de todo um cenário. Ver as pessoas sendo julgadas e atormentadas só para depois se tornar heróis segundo algum movimento da mídia. E aqueles agressores, que estavam falando mal pelas suas costas, apareciam e fingiam interesse.

“Mesmo que esses caras que se declararam tivessem interesse em mim de verdade, eles não tentaram nada antes quando eu estava sendo a chacota. Eles só tentaram agora, quando todo mundo finalmente me aceitou”.

Elesis suspirava para si mesma, observando-se no espelho à sua disposição.

Pelo menos Ronan era diferente. Sempre tinha sido gentil com ela. A tratado como uma mulher.

“Mulher huh...” Elesis mordeu o lábio. Sua mente divagando outra vez para a face ruborizada de Sieghart. O pedido desculpas. Ele a chamando pelo nome e vindo atrás de si.

Como ele a defendeu na discussão com Wendy Pole.

Ela só é uma garota normal. E ela deve ser respeitada como todo mundo deve ser.”

Não era um elogio ou coisa assim, mas para ela foi especial. Era nisso que ela sempre acreditou, nisso que ela pensava quando estava lutando frente às adversidades. Ouvir isso de alguém como Sieghart? Ela teve que admitir, mas os dois tinham visões parecidas. Então talvez os dois pudessem se dar bem em algum nível.

E tinha sim... atração. Era só irritante admitir.

— Senhorita Elsteiner, tudo bem aí? — a voz de Tamille interrompeu seus pensamentos.

— Sim, tudo bem.

Elesis terminou de se trocar e prender o cabelo, encarando sua imagem. Ela precisava se animar. Logo mais eles estariam pegando o responsável por toda essa brincadeira e ela poderia finalmente ter uma vida colegial normal.

CLICK.

Elesis ficou com os ombros tensos. Assim como quando levamos um susto, ela se virou, o arrepio percorrendo sua espinha.

Ela ouviu aquele som e respondeu a ele imediatamente. Naquela sala, em algum lugar, alguém estava escondido. E essa pessoa tinha acabado de cometer um erro idiota e deixado o som da câmera ligado.

— Pode ir saindo quem estiver aí. Eu não sou idiota.

Elesis franzia a testa, as mãos cerradas em punhos. A resposta foi só o silêncio.

— Se não sair agora, vou chamar a enfermeira e podemos resolver isso na diretoria, o que acha? — Elesis mantinha a voz passiva, analisando com calma o ambiente.

Havia um conjunto de armários para equipamento de educação física ali e também uma porta que provavelmente servia de almoxarifado. A janela estava fechada e bloqueada pelas cortinas.

— Eu estou com a chave da porta. — Elesis anunciou, levantando o objeto nos dedos. — Você não foi tão esperto e acabou se revelando, agora não tem mais saída. Você só vai me fazer gastar tempo te procurando aqui, então me faça o favor.

­A ruiva esperou alguns segundos e então a porta do último armário finalmente abriu.

— Vai. Sai logo, eu tenho um exame pra fazer.

Elesis cruzou os braços, uma parte sua curiosa, outra profundamente irritada. Esse cara estava tão convencido de que gostava dela e que eram perfeitos juntos que sim, dava um pouco de medo. Ele a estava stalkeando pela escola, entrando nos banheiros, seguindo-a até os armários só para deixar cartas, até tinha conseguido seu número e as fotos do fã-clube! Era necessário rejeitá-lo cara a cara e se preciso dar uma surra bem dada também.

—... O-Okay! E-Estou saindo.

Sua expressão de choque e confusão apareceu antes que ela pudesse verbalizar qualquer coisa. Na sua frente, uns cinco centímetros mais baixa, olhos azuis turquesa, cabelo rosa claro selvagem e face redonda, uma menina que parecia ter saído da 8ª série ontem.

— P-Por favor, deixa eu explicar! — a menina balançou as mãos, o rosto ficando vermelho. Sua voz era suave, os olhos puxados e o nariz meio arrebitado. Ela era completamente diferente da imagem que Elesis tinha criado para seu stalker.

Elesis apontou ainda boquiaberta:

— Eu te conheço, não é?

— S-SIM! Meu nome é Luna Kittic!

— Ah...

Foi como se todo o medo e raiva anteriores evaporassem no ar. A menina era definitivamente uma estudante e a cor da gravata borboleta mostrava frequentar o 1º ano. O rosto era reconhecível, mas Elesis nunca tinha realmente falado com ela.

Elesis se sentou num dos longos bancos e passou os dedos por sua franja. Se ela notasse bem, a menina tinha um penteado bem parecido com o seu.

— E então? Você estava tirando fotos de mim, Luna?

A menina encolheu os ombros.

— S-Sim...

A ruiva trincou os dentes, fazendo uma cara mais agressiva. Precisava colocar pressão na menina e fazê-la falar.

— Você é meu admirador secreto não é? Desembucha logo. Eu não gosto de ficar dando voltas num assunto e não chegar a lugar nenhum.

—Ah, sim, claro. — ela olhou para os lados ainda, hesitando. — F-Fui eu que mandei as cartas sim, Srta. Elesis.

— “Senhorita”?

— É porque você é minha veterana! Eu te admiro muito, Srta. Elesis! Eu não sei se você lembra, mas eu sou do time de tênis e nos víamos depois dos treinos algumas vezes. Quer dizer, você estava sempre lá. Eu nunca falei nada, mas minhas amigas conversavam com você.

Elesis podia se lembrar facilmente. O grupo de amigas sempre vinham falar com ela. Eram mais novas e tinham um ar de fundamental, sempre animadas com o colégio novo. Elesis tinha dado algumas dicas sobre o esporte e falado um pouco sobre o que fazia no kendô. Nada demais.

— Você está “apaixonada” por mim?

O rosto de Luna fumegava. Elesis quase riu, mas não por deboche e sim porque a menina era tão fofa! Ela já conseguia entender que o que estava rolando ali era um amor puro e inocente. Aquela menina a tinha idealizado demais. Podia ver em seus olhos.

Luna juntou as mãos e a fitou com convicção:

— E-Eu estou muito séria! Eu realmente acho que temos muitos gostos parecidos e que poderíamos nos dar muito bem! Eu g-g-gosto de você, Senhorita Elesis!

Elesis suspirou, se levantando.

— Olha... Eu entendi como você conseguiu deixar as cartas nos vestiários, mas não sei ainda como você conseguiu as fotos. Acho que eu tenho o direito de saber.

— Eu... Antes, eu fazia parte do fã-clube junto com Wendy, Elyzabeth e Queen. Eu ainda tinha acesso às coisas delas e vi o que elas estavam fazendo. Mas eu já tinha deixado o clube faz tempo. Foi depois daquele dia no refeitório. Eu também te vi discutindo com o Sr. Sieghart.

— Oh. Você também era uma fã fanática dele?

— Eu gostava dele! Mas naquele dia... Eu gostava tanto dele, mas ele falou coisas ruins para você. Eu fiquei pensando em como eu me sentiria se estivesse no seu lugar.

— Sério? Isso é... — Elesis sentiu sua face esquentando. Essa era uma notícia interessante saber que alguém torcia para ela.

— Eu era muito tímida para tentar me aproximar de você. As meninas do fã-clube queriam que eu entrasse para o beisebol e falaram que eu deveria ser “mais forte” e “me dedicar somente ao Sieghart”. Eu notei que não conseguiria fazer isso. Eu sentia uma pressão enorme. O tempo inteiro. Mas ao te ver, eu quis ser como você.

Elesis mal conseguia encarar aqueles olhos azuis. Ela tinha orgulho de quem era, estava feliz por ter “ajudado” essa menina e a inspirado, mas ainda assim, tinha várias coisas erradas no meio disso.

Como isso poderia ser amor?

— E eu passei a te observar. Eu estou com medo até agora, na verdade... — a menina balbuciava, os olhos começando a encher. — Eu bolei esse plano para te obrigar... Eu pensei que você ia me rejeitar de cara. Nós não conhecemos e você estava rejeitando todo mundo. Eu pensei “claro, como eu vou ter chance? Como eu posso provar que realmente gosto dela?”.

— Então você optou por chantagem? Você pensou que isso ia dar certo?

— Eu não sei! — Luna balançou a cabeça. A menina realmente tinha começado a chorar. — Eu estava me preparando para me declarar, mas a coragem sumia! Eu só tinha coragem de deixar a carta e te mandar mensagens. Só que em algum momento você poderia me bloquear e você já estava jogando as cartas fora sem ler. Eu fiquei desesperada!

— Luna, eu fico feliz que tenha sentimentos por mim, mas...

— E-Eu gosto de você Elesis! Eu queria ter me declarado numa hora melhor, mas se você me der uma chance-,

— Não.

Os olhos arregalaram avermelhados.

— Esse “sentimento” que você tem por mim, eu não posso rotular. Eu não posso dizer se é amor ou não. Mas sinceramente, esse não é um tipo de amor que eu desejo, nem para você e nem para mim. Mesmo se for, eu não posso aceitar um amor em que as minhas fraquezas são usadas contra mim, onde meu parceiro se sente no direito de me perseguir e de me enganar. Eu quero um amor onde o meu verdadeiro eu esteja em foco. Eu não estou rejeitando as pessoas porque eu não me interesso por elas, mas é porque eu sei que essas expectativas que estão colocando em mim eu não vão cumprir. Eu sou eu mesma. Eu quero ser livre. Eu quero ser a minha pessoa quando estiver com alguém.

Luna soluçou e chorou.

Elesis não passou a mão na cabeça dela, sabendo como um pouco de dor pode ensinar algumas coisas. A hora tinha chegado para essa menina e Elesis tinha forças para quebrar o coração dela. Nunca era agradável, mas ela precisava ser honesta consigo mesma.

Você tem que ser honesto.

XXX

Luna não era a responsável pela montagem do jornal.

Elesis perguntou várias coisas sobre as fotos, sobre as intenções dela em causar um escândalo no colégio.

Mas não faria sentido não é mesmo? Luna queria ficar com Elesis, então por que ela criaria uma fake news sobre Elesis ser lésbica e estar com Amy? Não tinha motivação nenhuma ali. Só a chantagem com as fotos já era uma grande ameaça.

No final, a menina confirmou que não tinha nada a ver com a reportagem, mas que ver a matéria a motivou a ser mais insistente na perseguição. Isso indicaria que talvez Luna tivesse uma chance com a ruiva.

Elesis terminou o exame e voltou para o pátio. Pela demora que ela tinha tido, provavelmente seus amigos já tinham ido ao laboratório investigar sozinhos.

Lass estava sentado em uma das mesas cercado por suas amigas e por Jin, acompanhado de Sieghart.

— Elesis! — Lass se levantou com um sorriso, tímido do jeito dele.

Ela queria ter sorrido de volta, mas tudo o que Elesis conseguiu focar foi o modo que os olhos prata de Sieghart encontraram com os seus e desviaram. Ele visivelmente envergonhado. Ela também.

— U-Uhm. — ela balbuciou, se aproximando e sendo cumprimentada pelas amigas com euforia.

Jin obviamente não estava feliz.

— Pegamos ele! — Arme revelou, segurando seus ombros.

Elesis arregalou os olhos.

— Era tão óbvio que dá até vergonha. — disse Lass, coçando a nuca e suspirando. — Acho que eu tô ficando enferrujado.

— Ou muito distraído. — Sieghart pronunciou finalmente, com veneno na voz. Lass franziu para ele. Faíscas voando.

— Não importa, gente. Vamos atrás dele. — Rey apertou o punho, ela também com uma face de puro desdém. — Vamos atrás do Alsburg.

XXX

Jordi Alsburg não teve como revidar.

Jin, Sieghart e Lass o cercaram numa sala afastada após as aulas. Lass acusou-o do crime e deu uma chance para o cara se entregar. Como esperado, Alsburg manteve o nariz empinado e fingiu que não sabia de nada.

— Temos todas as provas que precisamos. Você sabe bem quem eu sou, Alsburg. E você sabe que eu só encaro o adversário quando tenho todas as cartas.

— Você não me assusta, Isolet. Eu não fiz nada.

— Então você não estava no laboratório às 20h23? No micro 12? O arquivo que você criou foi deletado, mas você não sabia que todos os trabalhos são duplicados na memória, não é? — Lass sorriu. E temos os vídeos da câmera.

— O-O quê?! Não pode ser!

— Você foi esperto, mas devia ter usado um computador fora do colégio. — Jin rangeu os dentes. Segurando o rapaz pelo outro ombro. Seus olhos dourados vibravam com energia negativa. — Agora, você vai gravar sua confissão.

— M-Merda! — Jordi abaixou a cabeça. — Vocês não vão contar isso pros meus pais, vão?!

— Vamos ver. Primeiro a confissão.

Depois de tudo feito, Lass garantiu que não teria piedade do rapaz caso ele voltasse a se envolver com qualquer pessoa daquele grupo ou cometesse ações parecidas naquele colégio outra vez.

O aviso estava dado, a confissão estava feita e mais coisas esperavam ainda por ele.

Elesis o encarava com ódio, mas Amy era pior. Ela parou em frente ao rapaz, apontando-lhe um leque. Seu rosto sério, os olhos vazios de emoção. A aura negra.

— Você me causou vários problemas, Alsburg. Por todo o mal que me causou, você vai ver receber uma visita do meu advogado hoje. Se prepare.

— Algo a dizer, Elesis? — Lass indagou.

— Não. Eu já disse o que tinha pra dizer bem antes. — Elesis fitou para o rapaz, quem a olhava com mágoa. Ela tinha rejeitado ele. Por isso ele fez toda aquela cena, tentando causar problemas para ela.

Tch. — Jordi estalou a língua.

Enquanto as meninas saíam da sala, satisfeitas, Amy parou ainda na porta, encarando os rapazes.

— Jin?

O ruivo a fitou. Era óbvio que ele ainda tinha sentimentos por ela. O modo como ele tentou endurecer e não demonstrar o quanto sentia empolgação ao falar diretamente com ela revelava tudo. Jin nunca foi de mentir bem.

— Uhm... Obrigada por ajudar.

Ele ficou em silêncio. O rosto contido e os sentimentos aflorados. Dos dois.

O rosto de Amy levemente ruborizado, o coração secretamente pulsando de abstinência do rapaz.

— Eu fiz isso por mim mesmo. Não precisa me agradecer de nada.

A rosada abaixou o olhar rapidamente e saiu do local. Não tinha o que dizer. Não sabia mais o que dizer.

Ao ficaram a sós, Sieghart encarou o culpado.

— Você é uma vergonha. Planejar uma vingança tão fajuta por causa de uma rejeição? — Sieghart debochou. Ele precisava descontar sua insatisfação em alguém hoje.

Jordi o encarou de volta, ousado.

— Ela é uma zé ninguém! Mesmo assim teve coragem de me humilhar desse jeito. E foi por isso que eu decidi dar uma lição nela. Porque eu posso. Mas você? Você é patético. Você já foi chutado e continua lambendo o pé que te chutou.

Sieghart se levantou, segurando-o pela gola da camisa. Jin e Lass tentaram parar o moreno, mas foi tarde.

Jordi cuspiu. Um filete de sangue de sua boca e uma risada.

— Você se esqueceu quem você é, Sieghart. Não... Você abandonou quem você é de verdade. Você deixou o seu nome e o seu orgulho. Você JAMAIS vai voltar a ser o rei desse colégio. Muito menos dessa cidade.

Sieghart rangeu os dentes. Algo dentro de si acordando e pronta para atacar. As palavras o atingindo. O gatilho sendo puxado sem dó.

Jin teve que usar todas as forças para segurar o moreno. Mas no mundo de Sieghart tudo era em câmera lenta e as vozes de seus amigos não chegavam. A única coisa que chegou até ele foi a de Jordi.

— Você não tem mais nada.

XXX

Elesis levou um susto quando a porta da sala bateu com força e um Sieghart furioso saiu de lá. Os olhos estavam mortos. Ela podia jurar.

— Sieghart?

O moreno pareceu não ouvi-la enquanto continuava a andar pelo corredor, a cabeça meio baixa, as mãos nos bolsos.

Ela o alcançou, mas teve que puxá-lo pela manga pela camisa. No ato, ela percebeu o quão forte o moreno era. Duro, tenso, violento.

— Sieghart! — chamou novamente, conseguindo fazê-lo acordar de seja lá qual fosse aquele transe.

— O quê?

O coração de Elesis deu uma retrocedida com aquele tom de voz rígido e dizendo claramente que não estava a fim de conversar.

Mas ela precisava. Ela esteve pensando. Depois do sermão que deu em Luna ela devia fazer alguma coisa sobre sua atitude. Se ela queria tanto mudar ela precisava mudar com Sieghart primeiro e parar de ser tão rude. Hipocrisia não existia em seu dicionário.

— Você não precisava ter vindo ajudar, sabe? — ela iniciou, soltando-o lentamente. Sieghart permaneceu fitando-a, com aquele olhar distante, com aquela barreira dolorosa entre eles. Elesis viu que havia algo sobre ele que não seria fácil compreender e isso dava medo.

— Eu vim ajudar o Jin.

Ela encolheu os ombros, sem graça.

— Eu sei. Hoje mais cedo você só estava preocupado comigo e eu fui grossa com você. De novo. Eu não deveria ter falado naquele tom. Eu poderia ter conversado igual a uma pessoa normal. Eu também estava pensando várias coisas e acabei descontando em você.

O moreno suspirou demoradamente, não parecendo nada convencido. Ele olhou para o teto parecendo pensar e depois a fitou, com um peso no olhar.

— Eu já entendi. Eu me intrometi onde não devia. Eu não vou mais me meter nos seus assuntos, Elesis. É estranho admitir, mas eu comecei a achar que nós dois estávamos nos tornando amigos, mas eu tirei conclusões precipitadas. Isso não vai acontecer de novo.

Ele se virou e continuou seu caminho, deixando Elesis perplexa.

Ela definitivamente não queria ter passado esse tipo de imagem para ele. Na verdade ela estava ainda mais chocada por ele desistir dela assim, depois de tanta insistência, tantos embates e tanta provocação. Era tudo brincadeira, não era? Por que ele estava tão sério sobre isso?

“Onde está aquele sorriso brincalhão?” Elesis perguntou, sentindo um aperto ainda maior. Ela sentiu uma saudade imensa, mas também, uma nova emoção ao ver esse lado de Sieghart, em que ele estava machucado e era incapaz de sorrir. Ele também tinha seus medos. Ele era humano.

— Sieghart! — ela correu atrás dele.

O moreno não teve tempo de virar. Ela o abraçava muito forte pelas costas.

— Mesmo depois do jeito que eu falei com você, você me escutou. Eu fiquei... Feliz. Não é que eu não quero você por perto. Eu só quero ser ouvida. Eu tenho esse direito não tenho? — sua voz era um fio. Elesis estava desesperada. Não podia deixar ele ir assim. Era idiota, mas não queria perder o que tinha com ele.

—... Sim.

A voz dele parecia menos rouca agora. Seu corpo estava travado, mas não parecia estar rejeitando aquele afeto.

Elesis nunca tinha estado tão perto assim de alguém. As costas dele era largas e aconchegantes. Ela sentia o calor tomando todo o seu corpo. Ela podia ser amiga dele! Era tão fácil!

— F-Fala alguma coisa, por favor! Pode até dizer que me odeia... Mas não me deixa falando sozinha.

Talvez foi a emoção que brotou em sua voz, mas Sieghart segurou suas mãos e a fez abrir os braços, soltando-o. Ele sorriu para ela, ainda de um jeito estranho, uma tentativa de deboche, mas ainda ferido.

— Eu não te odeio, ruivinha. — ele os separou e deu um peteleco na testa da mais baixa.

— Ai. — Elesis tocou a testa, olhando-o com um leve franzido.

— Eu só... Muitas vezes eu faço idiotices. Apesar de não parecer, ás vezes eu penso idiotices.

Elesis levantou a sobrancelha, confusa com o sorriso melancólico do moreno. O silêncio dela permitindo-o continuar.

— É por fazer e pensar em coisas idiotas que tenho os meus amigos. Eles me fortalecem. Amigos para mim significam tudo. E também é porque são meus amigos que eu faço essas coisas idiotas, como o que fiz para você. Mas você é uma garota e eu não tenho obrigação de cuidar da sua vida. Além disso, você tem sua história e o seu próprio jeito de lidar com as coisas. E eu passei por cima de tudo isso.

Elesis olhou para suas mãos. Sieghart as segurava com carinho até.

— Me desculpe, Elesis.

Mais do que nunca ela sentiu o rosto quente. Parecia que seu corpo estava derretendo.

— M-Me desculpe, S-Sieg.

Ele arregalou os olhos. Dessa vez seu sorriso foi grande e solar, uma risada divertida limpando todo o ambiente e fazendo suas pernas amolecerem um pouco.

— Vamos fazer as pazes, ruivinha?

Ela balançou a cabeça positivamente várias vezes enquanto se soltavam.

— Sim. Pazes.

— Finalmente! — ele riu de novo, coçando a cabeça e levando uma leve cotovelada.

Elesis tomou o lado dele, caminhando em direção à cantina onde provavelmente seus amigos os esperavam.

— Mas eu ainda gostaria de termos aquele duelo. — ela disse em meio ao silêncio confortável, sorrindo brevemente.

Ele a fitou e deu de ombros.

— Eu vou limpar o chão com a sua cara, ruivinha.

— Hah?!

Continua

Notas finais
Yo! Então gente, essa foi a 1ª metade do 2º Arco. O que quer dizer que agora vamos entrar no que interessa: RELACIONAMENTOSSS! Era tudo o que eu queria. Agora vai ter muita treta interna e desenvolvimento de alguns personagens, principalmente Jin e Amy e Elesis e Sieghart. Finalmente S2 Espero que tenham curtido o capítulo, leitores lindos~ Um abraço, deixem seus comentários e até mais ver!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.