Meu pai me acorda, parece que se passaram um dia inteiro dentro do avião, mas no total foram 17hs de viagem com uma parada, ou seja, hoje é sexta-feira, após descermos do avião e pegarmos nossas malas, meu pai me guia até um carro, um Audi 4x4 SUV preto com um motorista, deve ter alguém com dinheiro por aqui! Até que meu pai interrompe meus pensamentos.

— Entra filha – No começo não entendi nada, até que meu pai entrega nossas malas ao tal motorista, ué desde quando meu pai tem motorista? Sabia que ele tinha boa condição, mas não há esse ponto – Em casa te explico melhor, agora vamos? – Entro no carro e observo a minha nova cidade, me parece bem luxuosa eu ousaria dizer.

Após algumas horas de viagem em silêncio, o carro entra em um condomínio bem equipado e com belas casas, o carro para em frente a uma casa. Pera, casa não, uma mansão! Tipo aquelas que se vê em filmes ou revistas de fofocas de famosos, então é a essa casa, a casa é grande, com um minijardim na entrada muito bem cuidado com um caminho em pedras esculpidas até a porta, que era muito grande, deve dar um trabalho para arrumar essa casa! Tem dois andares, mas tem uma extensão enorme, deve ter quantos cômodos? Só percebo que o motorista já tinha aberto a porta quando meu pai me chama lá fora, saio do carro e corro para alcançá-lo.

— James, depois leva as malas de Suzanne para o quarto de hóspedes – Diz meu pai em tom automático.

— Sim Senhor! – Responde o motorista sumindo com o carro para algum lugar.

Da onde meu pai tirou tanto dinheiro pra bancar essa casa? Mamãe me dizia que ele era totalmente pobre e que não tinha onde cai morto, pelo visto as coisas mudaram e mamãe está completamente enganada. Quando eu penso que não poderia ficar mais entranho olho para a porta, que por sinal não tem lugar para uma chave comum, e sim um escâner digital, o que é esquisito. E me vem à pergunta, pra que isso? É, não sei.

— Filha vem aqui – Vou até o seu lado – Querida nossa porta é digitalizada, ou seja, um escâner, ele está sendo configurado para receber a sua digital para que possa abrir a porta – Concordo com a cabeça — Coloque sua mão aqui – Faço o que ele me pediu.

— Mas pra que um escâner? – Essa pergunta não sai da minha cabeça

— É por segurança, e além do mais é mais fácil do carregar chave pra cima e pra baixo, sem contar no risco de perdê-la. – Nessa da chave até concordo – Agora abra você mesma a porta de SUA nova casa.

O escâner faz cócegas na palma da mão, mas de imediato a porta se abre, cara isso é muito top! Parece até filme, será que estou sonhando? Assim que entro fico totalmente deslumbrada com a beleza e luxúria da casa, não, não pode ser, eu moro aqui agora?

A sala é bem clara e arejada, de pé direito alto, mas o que chama atenção é um piano de cauda branco enorme no canto da sala e o sofá branco com várias almofadas coloridas, deve dar para umas oito pessoas facilmente, uma mini mesa de centro de vidro, tem um minibar muito bem equipado, uma TV enorme, várias pinturas! Aquilo não podia ser real... E uma escada enorme.

— Filha! – Meu pai me chama me tirando dos meus pensamentos.

— Oi – Digo ainda deslumbrada.

—Você ficará no quarto de hóspedes até seu quarto ficar pronto pode ser?

— Pra mim está ótimo – Fala sério! Nem tinha meu próprio quarto, vou ter um agora a felicidade é mil né, pelo visto a vida aqui vai ser completamente diferente de lá.

— Na verdade seu quarto está pronto, apenas está vazio, chamei uma decoradora muito boa para te ajudar.

— A pai, não precisa, uma cama é um guarda roupa está ótimo! – Realmente estava ótimo, decoradora é pra gente rica, famosa, é coisa de revista.

— Não senhora! – Meu pai me leva até o sofá onde sentamos, ele pega em minha mão – Querida sei que não estive presente nesses 16 anos de sua vida, mas não por opção, um dia te contarei essa história, mas agora que eu posso estar ao seu lado quero te dar tudo o que não pude, te conhecer melhor, te dar carinho, amor e atenção, te mimar até não poder mais, fazer tudo o que fui proibido de fazer durante esses anos, então não me negue isso, se estou te dando algo é porque eu realmente posso – Sinto que ele realmente está sendo sincero.

— Não irei pai, te prometo – Ele me abraça, um abraço singelo mais que passa segurança como um abraço de pai deve ser, mesmo só o conhecendo apenas em dois meses, já me sinto confortável ao lado dele, ele não me passa medo como minha mãe me passava.

— Obrigado filha, agora venha, quero que conheça algumas pessoas – Não entendo muito, será que ele tem outra família? Tenho outros irmãos? Pergunto-me silenciosamente.

Fui parar em uma cozinha onde havia um grupo de pessoas, todas uniformizadas com exceção de uma.

— Filha esses são nossos empregados – Meu pai declara em alto e bom som, uau agora tenho empregados, sonhava em ter um depois da faculdade quem sabe, mas era um sonho distante, que me parece se tornar real agora, no total era cinco homens e três mulheres, que exagero, está casa é grande, mas aja dinheiro pra bancar esse povo todo – Esses daqui são – Então meu pai começa da esquerda direita – James o motorista, Richard o jardineiro, Taylor, Sawyer e Ryan são os seguranças – Pra que isso tudo de segurança tem algum tesouro de El Dourado aqui? – Janaina a cozinheira, Cintia a faxineira e Rosana nossa governanta, qualquer coisa que precisar e eu não estivermos por perto é só pedir a ela.

— Bem-Vinda Srta. Suzanne – Todos falam juntos como se houvesse ensaiado para isso, que estranho.

— Obrigado – Respondo meio sem graça.

— Rosana, por favor, leve Suzanne para o quarto de hóspedes e ajude-a a se acomodar? – Meu pai pede a tal governanta.

— Sim Senhor – Ela responde toda formal, ela me parece elegante e muito nova para ser governanta, ela é loira de cabelo comprido e liso, branquinha, olhos verdes e magra, me parecia mais uma modelo do que governanta.

— Filha irei ao meu quarto trocar minhas vestimentas e já desço para o almoço – Meu pai beija minha testa e sai.

Fico sem graça na frente desse povo estranho para mim, mas que terei de me acostumar com essa vida, mas meu lar está onde minha mente está, então terei de me adaptar, se Deus quiser é claro.

— Vocês estão dispensados – Rosana falou e logo todos me pediram licença e partiram de volta as suas tarefas – Por aqui senhorita.

A governanta me leva escada acima até uma porta alta de madeira clara.

— Aqui está o quarto Srta. Suzanne – Ela abre a porta e me deixa entrar primeiro e ela me segue logo atrás.

Olho em volta do quarto me parece meio chique casual, que possa tanto ser feminino quanto masculino, no quarto tem tudo é mais um pouco, TV, notebook, escrivaninha, uma cama de casal pra lá de enorme com duas cabeceiras uma de cada lado e as duas tinha um mini abajur, havia mais três portas duplas que estavam me deixando com curiosidade.

— Que portas são essas?

— A primeira o closet, a segunda o banheiro e a terceira é a varanda. – Ela me responde numa voz tão serena, me parece bastante amigável.

— Ohh... – Um closet nunca tive um, nem uma suíte, isso tudo é muito, pelo menos pra mim, será que estou sonhando.

— Pode abri-las se quiser – Rosana sorri me encorajando.

Vou ao closet primeiro, que por sinal é muito grande com muitos lugares para roupas, as minha não vão ocupar nem em um terço disso tudo, tem um espelho pra lá de grande do chão ao teto, as mobílias em branco e preto, vou até a varanda que é muito fofa tem um lugar para se tomar chá e olhar o jardim ou o céu, ao olhar para baixo enxergo um lindo jardim muito bem cuidado e um pouco mais depois tem uma piscina enorme. E olhar aquilo me dá pânico, não gosto de piscinas.

— Rosana essa piscina é nossa? – Sei que sim, mas uma parte de mim espera que não.

— É sim Srta. Suzanne – Que beleza só que não.

— Há legal – Digo totalmente sarcástica

— Gosta de nadar Srta.? – Ela me pergunta curiosa

— Não muito! – Na verdade odeio!

Sigo para a última porta, o banheiro, que é grande espaçoso, com banheira redonda gigante deve caber umas três pessoas facilmente, estava localizada bem no meio do banheiro e no canto o chuveiro em cascata, dois lavabos modernos, com alguns detalhes e uma prateleira lotada de cosméticos, pelo visto dos bem caros. Ao voltar para o quarto me sinto perdida novamente, o que irei fazer?

— Quer que eu lhe prepare um banho Srta.? – Parece que ela leu meus pensamentos, realmente precisava de um banho.

— Por favor – Digo.

Enquanto Rosana preparava meu banho decidir arrumar minhas roupas no closet, tenho uma mala pequena que deixo separada, pois não há necessidade de guardar agora, e o resto guardo e como eu tinha pensado não usei um terço desse closet, assim que acabo de guarda minhas roupas Rosana está de volta.

— Seu banho está pronto Srta. – Ela faz uma cara feia ao olhar o que eu tinha feito — A Srta. não deveria ter feito meu trabalho, seu pai não ficará nada contente.

— Vai nada, não vou morrer porque guardei minhas roupas, nem irei morrer por faxinar uma casa, nem como essa, a vida é mais dura que isso – Falo demais às vezes e sem pensar.

— Entendo perfeitamente Srta. O seu banho está pronto, tem toalhas aquecidas e limpas no balcão.

— Obrigado Rosana – Digo.

— De nada Srta. Seu pai te esperará para o almoço, te darei privacidade, a Srta. precisa de mais alguma coisa? – Srta. Para lá, Srta. pra cá. O troço irritante.

— Quero sim.... Que você pare de me chamar de Srta. Pode me chamar de Suzi.

— Mas Srta. É respeito aos patrões.

— Seu patrão é meu pai, então vamos fazer assim você me chama de Suzi e eu chamo você de Rosa. Pode ser? – Tomara que sim é muito chato esse treco de Srta. pareço até velha.

— Está bem, concordo – Ela diz meio relutante

— Ótimo! Irei tomar banho e já desço.

— Avisarei ao seu pai se me der licença.

— É claro – Digo e ela se sai me deixando sozinha.

Sigo para meu banho, a banheira está cheia com um ótimo aroma de rosas, para ser sincera nunca tomei banho de banheira, pelo visto irei experimentar muitas novas experiências aqui. Deixo-me relaxar no banho, mas pensar nos últimos acontecimentos me leva a uma pergunta '' Onde meu pai trabalha?'', tem que ser um emprego muito bom para manter essa casa e os empregados, para que três seguranças, ele é tão importante assim? Ou alguém perigoso, como a máfia ou tráfico de alguma coisa, eu mal o conheço, será que meu relacionamento com ele vai dar certo? Tem que dá certo, não tenho mais pra onde ir, farei dá certo!

Com esses pensamentos saio do banho, as toalhas são fofas e quentinhas, após estar enrolada em um roupão fico parada no meio do closet pensando, será que meu pai é fresquinho em questão a vestimenta? Por via das dúvidas é melhor está apresentável, escolho por um vestido florido de alças na altura do joelho com uma rasteirinha branca. Vou usar essas roupas enquanto ainda dá, pelo menos aqui é primavera e depois o verão, dá tempo de comprar roupas para o inverno. Faço um penteado no meu cabelo, uma trança de lado, assim que acabo alguém bate na porta.

— Entra! – Digo alto o suficiente para que me ouçam, era Rosana.

— Só vim avisar que o almoço está pronto e seu pai está a sua espera.

— Ok, já vou descer. – Rosa se vai, me deixando sozinha novamente, me olho no espelho e vejo como eu mudei, como as coisas mudaram em tão pouco tempo.

Resolvi descer para almoçar, a viagem me deixou faminta, mas no corredor fico meio admirada, havia muitos quadros de formas e tipos diferentes e muitas portas claras iguais a do quarto em que eu estou, era tudo muito deslumbrante e tudo em tons claros com exceção de uma porta que era um marrom escuro e a fechadura não era comum como as dos outros quartos, era a entrada para um cartão, tipo aquelas de hotel só que um pouco mais sofisticada, o que será que tem ali dentro? Quem tem acesso aquele quarto? Tem alguma coisa a ver com o suposto trabalho do meu pai? Acho melhor procurar não me meter não quero problemas pra mim, ao longo do corredor tem uma porta meio aberta parece que alguém conversa lá dentro, me parece à voz do meu pai, como uma boa investigadora que sou, chego mais perto para ver se consigo ouvir um pouco.

'' Não... Eu sei que é perigoso... Agora já é tarde... Não vou fazer isso... Sim eu te garanto... Não, ela estará à salva... Não, não sabe... Vou reforça a segurança... Não só o primeiro... Sei, ok... Pode deixar, ficara tudo sobre controle... Tenho que ir, ok, obrigado... Tchau''

Tem caroço nesse angu, para que mais segurança, o que é tão perigoso assim? Com quem será que meu pai estava falando, tem a ver com seu trabalho?

Realmente nada sei sobre ele, tenho que mudar isso urgentemente, principalmente a questão do trabalho, vai que ele é cafetão, da máfia, traficante de órgãos, ou sei lá psicopata, é eu sei só penso no pior, sabe por que é melhor pensar no pior e me surpreender depois do que pensar na melhor das hipóteses e rachar a cara, é melhor eu sair logo daqui antes que me peguem espionando a conversa alheia.

Logo que estou na sala e o raque me chama atenção, além de ter um designer diferente há várias portas retratos, chego mais perto para ver as fotos, algumas são do meu pai com um bebê no colo e outras são um casal junto com meu pai e um garotinho que com o passar dos anos ia crescendo, por mais incrível que pareça eles me pareciam familiar.

— Não sabe se reconhecer em uma foto não?

— Não, acho que não – Levo um susto quando meu pai aparece atrás de mim, mas o pior que não mesmo, não sei me reconhecer, até que a bebê se parecia um pouco comigo – Minha mãe não tinha fotos da minha infância – Afirmo.

— Como assim não? Essa é você quando bebê.

— Mamãe não tirava fotos nossas.

— Oh – Ele parecia meio chateado com esse fato – Bom mais eu tenho.

— Em falar nisso como o Senhor as tem? – Isso está me intrigando.

— Bem, digamos que convivi com você durante seus primeiros seis meses – Meu pai fez uma careta como se isso fosse ruim.

— Me parecem lembranças ruins.

— Não, não é querida, são ótimas lembranças, amei ser pai, a única lembrança ruim que tenho foi quando sua mãe fugiu com você, e a dor da perda – Meu pai pareceu ser bem sincero.

— Pode me contar a história de vocês?

— Um dia querida, mas não agora, agora vamos almoçar – Sigo meu pai até a cozinha de onde vinha um cheiro divino.

Sento bem em frente ao meu pai, que parece estar bastante relaxado depois de tudo isso, depois de tanta confusão e revelações em duas semanas, minha cabeça ainda está girando é muito a absorver, me sinto perdida no espaço tempo. Logo Janaina surge com nossos pratos e nos serve, isso é muita mordomia pra quem não está acostumada.

— Filha não sabia o tipo de paladar que você aprecia, então pedi para preparar macarrão ao molho branco e camarão, está tudo bem pra você?

— Claro que está.

Começo a comer assim que posso, e para ser sincera é a primeira vez que como camarão e vou dizer, estou amando é muito bom, a comida está divina, a Janaina cozinha bem.

— Filha você é alérgica a alguma comida, remédio, bicho ou alguma coisa assim?

— Não que eu saiba – Realmente não sei se tenho alergia a alguma coisa.

Comemos em silêncio, até que eu não aguento mais e pergunto.

— Pai, o senhor faz o que para manter essa casa?

— Eu sou dono de uma grande empresa de telecomunicações, fusões e aquisições – Menos mal, agora sei que ele não é um assassino em série.

— Isso significa que o senhor é famoso? – Já ouvi falar de gente assim em revistas.

— Digamos que isso foi uma consequência, mas sim sou – Oh meu Deus é muita informação pra mim, é como novela.

— Então você sai em revistas, jornais e tem paparazzi atrás de você?

— Sim saio em revistas e jornais, os paparazzi às vezes, mas com a notícia de que eu tenho uma filha eles virão atrás de informação e logo virão atrás de você também – Não isso não é real eu devo estar sonhando, e pior, é o sonho da Grace, nunca pensei em ser famosa nem nada do tipo, isso deve ser privação total de uma vida social, eu sei que nunca tive uma muito movimentada, porém aqui espero que isso mude, não quero ninguém na minha cola.

Janaina volta para recolher nossos pratos e nos pergunta se queremos sobremesa.

— Os senhores irão querer à sobremesa? – Amo doce.

— O que seria? – Pergunto.

— Pudim – Ela me responde carinhosamente, ela era mais idosa, era igual aquelas velhinhas fofas, que cozinham, tipo uma avó! Está aí uma coisa que nunca tive, quer dizer tive, porém não conheci, não sei o que é receber amor de vó, deve ser algo bom.

— Vou querer sim Janaina – Logo depois ela está de volta com minha sobremesa, divino é pouco, eu amo pudim.

— Filha – Meu pai me tira dos meus devaneios com o pudim – Você faz aniversário 17 de janeiro, não é?

— Sim, como o senhor sabe? – Que esquisito.

— Nunca esqueci o dia em que você veio ao mundo, jamais! Até porque me tornei pai nesse dia também – Me parece bem fofo ou sei lá que tipo de sentimento é esse, que mesmo depois de 16 anos meu pai não tenha se esquecido do meu aniversário.

— Entendo – Foi à única coisa que eu consegui responder, meu pai percebe o clima tenso e troca de assunto.

— Qual é seu estilo musical? – Que pergunta mais avoada do assunto anterior.

— A pai depende muito do emocional, de onde estou, enfim, depende, mas curto todas eu acho.

— A sim – Ele sorri – Tem tanta coisa que quero saber sobre você, tudo que eu perdi quero pôr em dia, não quero que se sinta estranha perto de mim, nem nada do tipo, quero que se sinta confortável, isso é um sonho se realizando depois de muitos anos de luta.

— Igualmente pai – Preciso quebrar esse clima, eu até entendo meu pai, mas em relação ao sentimento não sou muito comunicativa, mas isso não quer dizer que eu não falo pra caramba rsrs – Janaina me traz mais pudim por favor? – Ótimo jeito de quebrar o clima, comendo rsrs.

— Você gosta de comer? – Meu pai pergunta rindo.

— Quem não gosta! – Realmente quem não gosta de comer deve ter vindo de Marte.

— É verdade! Mas que tipo chama mais sua atenção?

— Massas e doces.

Assim que acabamos de comer Janaina recolhe os pratos e tudo mais e meu pai me chama pra um passeio na casa, que obviamente eu topo, e vou te dizer, essa casa é maior do que eu pensava, tem mais quatro quartos de hóspedes, o quarto do meu pai, o meu suposto quarto, um escritório, sala de jogos, biblioteca, uma sala de DVDs, e mais um monte de coisa que me falham a mente agora, sei que levou mais de uma hora para que eu possa ver a casa, mas aquela porta esquisita meu pai não me mostrou, ainda me pergunto o que tem atrás dela, por fim acabamos no jardim onde se toma chá.

Conversamos sobre muitas coisas bobas, mas pra quem queria se conhecer e recuperar o tempo perdido eram grandes coisas, era quase seis horas quando Rosana aparece com uma bandeja grande com café, chá e biscoitos. Comi é claro, e logo depois me confortei na cadeira e comecei a observar as estrelas que começavam a aparecer no céu.

— Filha isso é um sonho, nem acredito que isso seja verdade, tenho medo que seja um sonho e quando eu acordar eu tenha perdido minha filha de novo, nunca desisti de te procurar, mas o mundo é grande, mas enfim te encontrei, porque sua mãe depois de tanto tempo quis me passar sua guarda? – Não queria comentar sobre isso, mas para meu relacionamento com meu pai dar certo tem que ter sinceridade total.

— Ela foi obrigada a fazer isso! – Respondo objetivamente.

— Como assim obrigada? – Isso eu não respondo, não agora.

— Quando o senhor me contar a história sua e da mamãe te contarei a minha, pode ser?

— Nada como uma troca justa! É claro que pode querida – Assim que o silêncio volta, eu volto a observar o céu.

E aos poucos fui caindo no sono eu acho, e não é muito bom:

'' — Você não manda em você, isso inclui seu corpo.... Vá agora, eu quero esse dinheiro...

— Não... – Paft, ela bateu na minha cara.

— Agora! – Ela grita, e eu grito junto ''