DRAMIONE - ENQUANTO O ANO NÃO ACABAR
7 Capítulo 7 - Quadribol
Notas iniciais
HERMIONE
Sábado, 26 de setembro de 1996
O outono finalmente se consolidara em Hogwarts, e aquela manhã em especial estava bastante fria na escola. As arvores já começavam a perder suas folhagens, e a paisagem já adquirira tons de amarelo e vermelho.
Hermione Granger apertou seu casaco com mais força contra si. Sentia seus ossos tremerem por debaixo das vestes. A garota não apreciava tanto o clima frio, sentindo-se mais atraída pelos dias ensolarados e quentes. Gostava de sentir a brisa morna soprando em suas bochechas, trazendo consigo o cheiro de verão e vida. Ela gostava das cores do outono e da paisagem de humor nostálgico que este trazia, mas não era muito fã da brisa gelada que o acompanhava.
O café da manhã se encerrara há uma hora, e seu estomago se encontrava forrado de comida. Havia planejado tirar o sábado para colocar as matérias em que estava atrasada em dia, e para isso precisava estar bem alimentada e desperta. Segundo seu cronograma já deveria estar na biblioteca imersa em seus livros, mas naquele sábado em especial começaria o preparatório do time de quadribol. A quadra de quadribol fora liberada para que os alunos que disputariam uma vaga no time pudessem treinar antes de realizarem o teste final, que ocorreria dali a uma semana. Harry havia se tornado o capitão do time da Grifinória naquele ano, e Rony iria tentar seu primeiro teste.
Os dois garotos tomaram seu desjejum rapidamente, seguindo logo cedo para a quadra para que pudessem passar mais tempo treinando. Hermione se permitiu comer seu café da manhã mais devagar, prometendo encontrar os amigos depois. Não havia pressa, o preparatório para a Grifinória duraria a manhã inteira. Grifinória e Sonserina estariam pela manhã dividindo o campo, e Lufa-Lufa e Corvinal pela tarde.
A garota usava suas roupas casuais, pois não haveria aulas. Estava trajada com um suéter liso, calça jeans folgada, um par de tênis brancos e por cima um casaco que resolvera pegar de última hora já prevendo o frio. Para finalizar levava em volta do pescoço seu cachecol vermelho e dourado preferido, pois ela nunca deixava de vestir algo que lembrasse a casa a que pertencia.
O caminho para a quadra de quadribol estava movimentado naquela manhã. Havia muitos alunos ansiosos para assistirem seus colegas se preparando para o teste, em especial os do primeiro ano que nem ao menos tentavam esconder sua excitação ante a novidade, mesmo que fosse apenas para observar os alunos mais velhos. Hermione seguia sozinha, como sempre, pois quando não estava com seus dois melhores amigos normalmente ficava só. Eram poucas as meninas com quem conversava, e no geral suas conversas duravam somente no dormitório. Gina, a pessoa mais próxima depois de Harry e Rony, sempre estava rodeada de várias pessoas por ser muito popular, coisa que Hermione não gostava muito, pois se sentia desconfortável no meio de multidões, preferindo conversar com a garota ruiva somente quando só estavam as duas. Mas a solidão não a incomodava, pelo menos não muito, gostava de sua própria companhia.
Ao chegar a quadra seguiu em direção as arquibancadas. Avistou Harry em terra dando instruções para alguns alunos e Rony suspenso em sua vassoura em frente a trave, treinando o bloqueio de alguns arremessos. Apesar da arquibancada cheia ela encontrou um assento sossegado, um pouco afastado dos demais. Haviam poucos espaços bons disponíveis pois vários alunos iam de um lado para o outro sorrindo e jogando conversa fora enquanto observavam seus colegas em ação.
Ela havia levado um livro de poções consigo, de modo que pudesse estudar um pouco enquanto observava os garotos entre uma página e outra. Ela sabia do livro do príncipe mestiço cheio de trapaças que Harry tinha em mãos, mas ainda assim se recusava a ser deixada injustamente para atrás. Ela iria mostrar para ele que era possível ir bem na matéria sem precisar trapacear.
Ali em cima fazia frio, graças a Merlin que ela tinha levado o casaco, senão não iria aguentar.
— Incrível como você nunca larga os livros — disse uma voz masculina.
Ela levantou os olhos da página e se deparou com um Draco Malfoy em pé, encostado no corrimão da arquibancada, logo em sua frente. O rapaz usava vestes completamente negras: um suéter liso acompanhado por calças sociais. Seu cabelo estava todo penteado para trás, dando-o um aspecto de seriedade. Ele não olhava para ela, e sim para os alunos da Sonserina que sobrevoavam o local.
Hermione se remexeu desconfortável no assento. Não esperava encontrar Draco Malfoy logo ali, ainda mais falando diretamente com ela. Ambos haviam combinado em não falar um com o outro fora dos horários de monitoria. Naquele momento estava muito cansada para ficar proferindo insultos gratuitos aquela hora da manhã, por isso preferiu ficar em silêncio.
Malfoy continuou contemplando o horizonte por alguns segundos, sem parecer notar muito a presença da menina ali. Hermione continuava desconfortável. O rapaz por fim suspirou parecendo lembrar onde de fato estava, e voltou sua atenção para Hermione, sério. Analisou-a por uns segundos antes de dizer:
— Aquela sua dica de ontem realmente funciona — dizendo isto ele voltou sua atenção para o campo, colocando suas mãos nos bolsos, como se quisesse disfarçar que estavam conversando.
Hermione olhou para o garoto confusa.
— Dica?
— Isso — ele respondeu sem tirar os olhos dos jogadores — dos duendes. Eu ainda consigo lembrar de todos os nomes.
Ela olhou pensativa para o rapaz e finalmente se lembrou que ontem o garoto passara uma hora encarando o livro de História da Magia com expressão de confusão. Ela curiosa resolvera arriscar oferecer ajuda e descobriu que Malfoy estava com dificuldade em decorar o nome dos duendes que haviam participado da Revolta dos Duendes, pois segundo ele os nomes eram todos iguais. Hermione vendo uma brecha para finalmente desempenhar seu papel de tutora ensinou-o um jogo de palavras que ela mesma havia inventado para que decorasse os nomes para as provas.
— Ah... De nada. Eu acho — ela disse, incerta a respeito daquela conversa repentina.
Fez-se silêncio.
Hermione não sabia o que dizer, já se passara um minuto. Estava desconfortável pelo silêncio incomodo, mas Draco não ia embora. Aquilo a estava deixando ansiosa. Até que se lembrou que nos últimos anos Malfoy fizera parte do time da Sonserina.
— Por que você está aqui na arquibancada e não ali no campo? — perguntou, tentando aliviar a tensão.
Ele não respondeu de imediato, apenas continuou encarando fixamente o mesmo lugar, mas Hermione percebeu os cantos de seus lábios repuxando-se levemente para baixo, como se lembrar disso fosse doloroso para ele.
— Esse ano não irei mais fazer parte do time, estou doente — a garota deu uma olhada nele, procurando qualquer sinal de machucados ou algo que indicasse o que o rapaz dizia, mas não encontrou — e também estou ocupado com algumas coisas. Não tenho mais tempo — ele desencostou seu corpo do corrimão e deu uma leve espreguiçada, puxando seu suéter para baixo para alinhá-lo.
Naquele momento Hermione Granger o observou bem e pela primeira vez desde que as aulas haviam começado percebeu o quanto Draco Malfoy havia crescido.
Ele estava começando a deixar as características infantis para trás, demonstrando um ar mais maduro. Tirando o cabelo louro quase branco e os olhos frios e cinzas, herdados do pai, o rapaz em sua aparência mostrava mais os traços da mãe. Havia fica alto e esguio, suas feições eram finas e marcadas como as de Narcisa, eram delicadas mas de uma maneira masculina. O garoto carregava um ar de elegância consigo, mesmo quando não se esforçava para tal.
— O que foi Granger que você não para de me admirar? — ele disse com provocação na voz, dessa vez a encarando — Eu sei que você vai sentir falta de me ver em ação nos jogos. Não consegue ficar longe de mim.
Hermione corou sabendo que fora pega o observando. Começando a sentir a vergonha, ela virou o rosto de lado, emburrada.
— Não enche... — ela bufou.
— Mas sabe... É meio estranho não estar em cima de uma vassoura hoje. Vou sentir saudade dos treinos e desse clima de competição. Mas principalmente de derrotar a Grifinória nos jogos.
A garota se permitiu rir.
— Fala sério Malfoy, você sabe que o Harry sempre te deu a maior surra nos jogos.
— Claro que não! Isso não é verdade. Você não sabe nada sobre quadribol — ele disse irritado.
— Posso não saber muito, mas sei o suficiente pra saber que você não é isso tudo que diz — Hermione riu se divertindo com a irritação do rapaz louro — acho que você esqueceu que eu assisti de perto todas as quedas de vassoura que você levou jogando contra a gente.
— Eu não sei do que você está falando — Draco franziu suas sobrancelhas em irritação, mas os cantos de seus lábios se curvavam um pouco para cima, como se tentasse esconder um sorriso — eu nunca cai da minha vassoura, e mesmo que caísse isso é só parte do espetáculo.
— Ah sim, tá certo — a garota ainda sorria — com certeza era.
— CUIDADO RON RON! — gritou uma vez feminina do outro lado da arquibancada.
Imediatamente todos os alunos se voltaram em busca da fonte do barulho, só para se depararem com Lilá Brown, da Grifinória, apoiada com todo seu corpo no corrimão gritando palavras de aviso para Rony Weasley. Aparentemente, como percebeu Hermione logo em seguida, o garoto havia se desequilibrado da vassoura e agora pendia com as pernas no ar, segurando-se apenas com os braços. Hermione se levantou, preocupada, mas o garoto ruivo conseguiu se recuperar do susto e se fixou novamente no objeto.
A bruxa respirou aliviada, mas Lilá Brown ainda fazia um show em seu lado da arquibancada. A garota gritava o nome de Rony a plenos pulmões e berrava para que o rapaz tomasse cuidado, suas amigas faziam uma barreira a sua volta, tentando acalmá-la. Hermione Granger não conseguiu evitar de revirar os olhos diante do espetáculo da garota. Fazia uma semana desde que Lilá passara a seguir Rony para cima e para baixo, tentando forçar intimidade com o rapaz. Passara até mesmo a chamá-lo de "Ron Ron". Hermione sentia ânsia só de pensar no apelido. Na realidade os dois juntos davam ânsia na garota. Por mais que ela não gostasse de admitir para si mesma, mas a aproximação dos dois a irritava, e diversas vezes ela precisava se policiar para não fazer uma careta sempre que Lilá aparecia repentinamente.
Hermione percebeu que Draco a observava de soslaio enquanto ela fuzilava a outra garota com o olhar. Constrangida e irritada, tentou disfarçar enquanto sentava novamente em sua cadeira.
— Interessante... — o menino louro disse — parece que o seu namoradinho tem uma namoradinha. Quem diria que logo o Weasley teria duas garotas brigando por ele. Realmente gosto é algo que não se entende.
— Ah não enche Malfoy! — a bruxa ficou vermelha, sentia a raiva começando a emanar de si — afinal o que você quer aqui hein? Eu estava aqui na minha com meu livro e você veio todo esse caminho até aqui só para puxar assunto e me perturbar. Pelo jeito você que não consegue ficar longe de mim.
Draco se remexeu constrangido, sem dizer mais nada. Desviou seu olhar de volta para o campo, com as bochechas coradas.
Hermione esperou por uma resposta do rapaz, e vendo que ele havia se calado, tentou retomar a leitura de seu livro, decidida a ignora-lo dali para frente. A bruxa respirou fundo buscando se acalmar.
— Eu só estava de passagem. Só vim dar uma olhada nos potenciais jogadores da Sonserina, não ia demorar muito — ele murmurou mais para si do que para ela — Eu te vi ai solitária e acabei vindo parar aqui. Dessa vez realmente não era minha intenção te provocar.
A menina ficou surpresa com a sinceridade nas palavras do garoto, e disse meio sem jeito:
— Eu não quis ser grossa, desculpa, mas... Hum... Porque você veio aqui? Você quer conversar sobre algo em especial?
— Não... — ele gaguejou um pouco, enquanto procurava palavras — Na... na realidade não sei, é meio estranho falar com você fora da biblioteca, não sei o que eu vim fazer aqui.
— Eu concordo que é meio estranho. Para falar a verdade eu fico preocupada das pessoas me verem falando com você. Mas se tiver algo te incomodando e você queira conversar, eu não me importo de ouvir — ela disse com sinceridade para Malfoy — Os seus amigos estão onde? Aposto que eles gostariam de ouvi-lo melhor que eu se algo estiver te incomodando.
Ele sorriu ante as palavras, um sorriso que demonstrava divertimento, mas seus olhos continuavam sérios.
— Meus amigos não são esses tipo de amigos, nós não somos que nem garotas que saem contando umas para as outras mesmo os detalhes mais inúteis de suas vidas. Não é assim que funciona a amizade masculina.
— Ei! — ela protestou — eu discordo disso. Nada a ver esse pensamento. Seja homem ou mulher a amizade serve tanto pra compartilhar coisas boas quanto coisas ruins. Se você não se abre com seus amigos vai se abrir pra quem? Isso não é amizade de verdade então.
— Ah Granger — ele bufou — você não entenderia. As coisas não são tão simples...
— E por que não são? A gente não escolhe família mas a gente escolhe amigos, e se você não pode se abrir com eles então não são seus amigos de verdade — para Hermione isso era o óbvio sobre qualquer amizade.
Ele pareceu pensativo. A menina o observava ansiosa, ainda não entendia o que o rapaz fora fazer ali, mas começava a notar o quão solitário ele parecia estar. Não era como o tipo de solidão dela, que gostava de ficar só pois apreciava sua própria companhia, mas que mesmo assim sabia que tinha amigos de verdade com quem contar e compartilhar momentos. Mas olhando Draco Malfoy ali na sua frente ele parecia realmente muito sozinho. Pela primeira vez em toda sua vida desde que conhecera o sonserino Hermione sentiu uma pontada de pena dele.
— Olha... Desculpa se eu pareci grossa, não era minha intenção tá? Vamos manter esse segredo apenas entre a gente, mas se por algum acaso... em algum dia... você quiser conversar coisas além de estudos você pode falar comigo. Eu vou ficar contente em ajudar, mesmo que seja só para ouvir — Hermione disse com sinceridade.
Malfoy gargalhou alto, chamando atenção de alguns alunos que estavam por perto para si. A menina se assustou diante da abrupta mudança de expressão. Ele recuperou o fôlego ainda com um sorriso nos lábios. Analisou a garota com divertimento e abriu a boca para dizer algo, mas se conteve. Recuperando a compostura, Draco alinhou as veste e fez menção de sair dali. Mas, hesitante, voltou-se para Hermione Granger antes.
— Quando você não está sendo irritante até que você é legal — ele murmurou de forma que somente a garota pudesse ouvir — hum... obrigado.
E sem mais uma palavra saiu apressado.
Hermione precisou de muito autocontrole para não escancarar a boca ante as palavras do menino. Obrigado? Que? Draco Malfoy passara a vida infernizando a garota, chamando-a de nomes terríveis, e agora de repente estava ali a agradecendo por "oferecer um ombro amigo", e ainda por cima havia dito que "até que ela era legal?". Aquilo tudo era confuso demais para ela. Se no passado alguém a dissesse que um dia o garoto diria obrigado a ela sem que tivesse sido forçado ela com certeza diria que essa pessoa estava ficando maluca. Mas ela ouvira bem e ainda por cima sentira que ele não havia dito aquelas palavras da boca para fora.
Ainda em choque Hermione Granger voltou sua atenção para o campo a sua frente, e encontrou um Harry Potter sério a observando.
***
— Eu já disse Harry. Foi só isso que ele conversou comigo — a bruxa fazia esforço para não gritar com o amigo. Já era a quarta vez que Harry Potter fazia as mesmas perguntas, ela já estava de saco cheio.
Hermione, Harry e Rony se encontravam no salão comunal da Grifinória. Os dois garotos ainda estavam com suas vestes que haviam usado no treino. Harry com o uniforme oficial de capitão do time e Rony com umas roupas antigas que haviam pertencido ao seu irmão mais velho Carlos Weasley, mas que já estavam um pouco curtas no menino.
— Não é possível Hermione. Você deve tá deixando algo passar, ele tá tramando algo certeza. Eu não consigo acreditar que ele foi até você só pra falar sobre amizade! — Harry começava a se exaltar.
Os três estavam sozinhos no salão comunal, pois o almoço já havia sido servido e o restante dos estudantes desfrutavam de uma boa refeição no salão principal. Mas Harry assim que o treino havia terminado arrastou seus dois amigos de volta para a torre da Grifinória com o intuito de interrogar Hermione. A bruxa contara tudo o que os dois haviam conversado na arquibancada, emitindo somente a parte em que disse que escutaria o garoto caso ele quisesse conversar com alguém e que ainda por cima a agradecera. Ela sabia que se os amigos soubessem que ela havia sido "legal" com o garoto não ficariam nem um pouco satisfeitos. Ela mesma após repassar em sua cabeça o encontro dos dois mais cedo se arrependera um pouco de ter oferecido ajuda, pois Malfoy sempre demonstrara sentir nojo da garota por sua linhagem sanguínea.
— Harry eu já disse tudo o que ele me falou. Ele veio até mim, parecia solitário, começou a puxar assunto e me disse as mesmas palavras que eu já te falei aqui várias vezes e foi embora. Ponto! — Hermione andava de um lado para o outro, esbaforida. Sua barriga roncava pedindo comida — Harry por favor, eu não sei mais o que você quer escutar. Eu tô com fome...
— Harry, deixa isso pra lá. A Hermione disse que já contou tudo — Rony interveio, dizendo algo pela primeira vez desde que haviam chegado ao salão. O garoto ficara quieto sentado no sofá durante toda a conversa sobre Draco Malfoy, não emitiu uma opinião sequer, mas a todo momento destinava à menina olhares de ressentimento.
— É só que... Hermione eu sei que ele tá armando algo. Malfoy passou quatro anos da vida dele me perturbando no quadribol. O pai dele sempre fez questão que ele fizesse parte do time para se gabar e agora do nada ele diz que tá ocupado demais para jogar. E essa desculpa meia boca de estar doente... — Harry se aproximou da garota, olhando-a nos olhos — eu sei que ele tá aprontando algo e que dessa vez é algo sério. Ele é um comensal...
— Harry você não tem certeza disso... — a garota disse, se sentindo cansada do assunto.
— Posso não ter as provas, mas eu tenho certeza. O pai dele sempre foi um. E ele até podia não ser um antes, mas dessa vez é diferente. Eu sei que ele virou um comensal.
— Harry deixa pra lá — Rony disse se levantando — vamos comer. Deixa a Hermione em paz. Se ela prefere confraternizar com o inimigo ao invés de ser sincera com a gente, o problema é dela.
— O que? — Hermione congelou diante das palavras do garoto ruivo. Estava em choque com o que ele insinuava. A raiva que se apossava dela era tanta que só conseguiu ficar parada boquiaberta olhando o rapaz.
— Sim Hermione. Você acha que eu não vi você sorrindo pra ele? Até me desequilibrei da vassoura só pelo choque da cena, eu realmente não esperava isso de você. Não sei o que tá acontecendo contigo esses tempos — Rony puxou a manga do amigo em direção a saída — Vamos Harry.
Sem conseguir mais se controlar Hermione foi em direção a Rony e o puxou para que a encarasse. Já sentia as lagrimas se acumulando nos olhos. Seu coração batia acelerado, e ela sentia uma fúria tomar conta de si. Ela odiava o quanto o bruxo conseguia desestabilizá-la.
— Qual o seu problema? Confraternizando com o inimigo? Como você tem coragem de dizer isso? — estava com tanta raiva que não conseguia controlar a vontade de chorar, lágrimas rolaram de seus olhos — vocês dois são os meus amigos. Eu faço tudo por vocês! Eu não tenho culpa se eu fui escolhida pra ser dupla dele. Eu sigo vocês para todos os cantos, sempre dou o meu melhor para ser uma boa amiga. Apoio, torço e ajudo vocês de todas as formas que eu consigo. Mas nada que eu faço é bom o suficiente. Na primeira oportunidade que você tem Rony você me culpa por qualquer besteira.
Weasley se encolhia perante os gritos da garota. Harry a olhava assustado também. Os dois pareciam constrangidos pelo desabafo da bruxa.
— Hermione... Eu... — Rony veio em sua direção, meio sem jeito.
— Não! Vá a merda Rony — ela empurrou a mão do menino que se erguia para consolá-la — Eu não quero mais saber desse assunto. Eu cansei.
Hermione Granger juntou seu casaco e se encaminhou para o retrato da mulher gorda. Ela precisava de ar, precisava sair dali.
Antes que abrisse a passagem por conta própria, a porta se escancarou e Lilá Brown entrou de uma vez no salão.
— Ron Ron — a menina ronronou — eu te procurei em todo lugar. Por favor me diz que você está bem.
— Dá licença — sem esperar resposta ela esbarrou na menina, procurando a saída.
— Credo, que mal humor... — Lilá murmurou.
Ignorando totalmente os amigos que a chamavam de volta, partiu sem rumo pelo castelo. Precisava ir para longe daqueles dois. Ela ignorou totalmente sua barriga que roncava pedindo por comida e foi em busca de um lugar sossegado para chorar. Não queria que ninguém a visse, mas sendo sábado a tarde poucos eram os lugares em comum que estavam vazios para que pudesse ficar sozinha. A garota andava sem destino fixo em mente, virando o rosto e tentando secar as lágrimas sempre que alguém passava por ela nos corredores. Até que de repente uma porta surgiu ao seu lado esquerdo, assim que o corredor esvaziou. Reconhecendo aquela porta como sendo a entrada para a Sala Precisa, a menina não pensou duas vezes antes de entrar.
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