DIGIMON - ALPHA
6 Cinco - Fogo Negro
Notas iniciais
Ethan tivera um pesadelo naquela noite. Sonhara que todos os seus amigos haviam sido presos e mortos por um monstro muito poderoso, uma espécie de dinossauro, de pele negra e dois canhões nas costas. O jovem acordou assustado, olhando para os lados e também para seu corpo, que ainda tinha a temperatura um pouco elevada, mas supôs que fosse pela adrenalina do pesadelo. Marsh dormia ao lado de Labramon e Otamamon estava próximo à entrada da caverna, dormira montando guarda.
— Que bom que estão bem — murmurou a si mesmo, deixando um sorriso transparecer. Fez um pouco que esforço e se levantou, foi até o lado de fora da caverna, havia encontrado um bilhete perto de onde dormia e ficara curioso, fora onde havia mais luminosidade para ler.
“Caros escolhidos, espero que meus remédios caseiros tenham ajudado em sua recuperação. Peço para continuarem sua jornada rumo À parte norte da Ilha Data. Lá encontrarão um vulcão, também denominado Data, que fora o responsável pela criação da ilha. Tomem muito cuidado quando se aproximarem, alguns digimon estão planejando coisas horríveis por lá.
Me desculpem por sair assim, sem me despedir. D’Arcmon!”
— O que é isso? — Marsh estava atrás dele, observando-o.
— Você conseguiu ajuda, não foi?
— Por um instante pensei que não fosse conseguir — ela sorriu desajeitada — onde está D’Arcmon?
— Foi embora — ele entrega o bilhete a garota — disse para continuarmos seguindo para o norte, em direção ao Vulcão Data — resumiu o conteúdo da carta.
— Então... Para o norte, não é mesmo? — Marsh guardou o bilhete no bolso de sua calça camuflada e voltou pra caverna — Labramon — chamou, e de cara o parceiro despertou — como você se sente?
— Muito melhor — Aparentemente ele realmente estava muito melhor, os hematomas haviam desaparecido e não haviam ferimento algum.
— Otamamon, precisamos ir — agora era a vez de Ethan acordar o parceiro. Ele já havia chamado outras três vezes, mas nada do digimon acordar — vamos lá parceiro, temos que ir — cutucou o corpo azulado do digimon, mas de nada adiantou — parece que vou ter que te carregar — sua voz parecia de aborrecimento, mas seu rosto mostrava um sorriso.
º º º
Os quatro já estavam andando por um bom tempo e não viam mais rastro de árvores e muito menos de rios ou lagos congelados. O tempo frio estava acabando com eles, com exceção de Otamamon, que já havia acordado e saltitava pela planície gélida.
Para todo o lado em que olhavam só viam a cor branca, no céu, na terra, em qualquer lugar. A neve já formava uma espessa camada sobre a, agora, grama congela.
— Porque mesmo temos que ir para o norte? — o queixo de Labramon batiam incessantemente devido ao frio.
— Tem algo lá que precisamos fazer — Ethan foi o responsável pela resposta, ele caminhava na frente, ao lado de seu parceiro.
— Se pelo menos eu tivesse um agasalho — Marsh abraçava o próprio corpo.
— Ethan, tem algo quente por perto! — o anfíbio disse e saiu em disparado pela neve. Os outros, depois de notar que o digimon não iria parar de correr o seguiram.
— Para onde está nos levando, Otamamon? — o parceiro do monstrinho azulado pergunta.
— Tem água quente por aqui! Olhem — mostrou com um aceno rápido. Vapor subia pelo ar em algum lugar próximo dali.
º º º
— Fontes termais — exclamou com um enorme sorriso no rosto, a garota. Eles haviam corria por quase um quilômetro e meio e o cansaço já era aparente, porém, ao notar as fontes com água quentinha e gostosa eles se esqueceram de quase tudo.
— Temos que ter cuidado — alertou, Labramon — pode ser uma armadilha de algum inimigo.
O grupo permaneceu imóvel por algum tempo, Ethan e Marshel imaginando como a água estaria perfeita para um mergulho. Otamamon querendo nadar em todas as quatro fontes e Labramon acreditando que poderiam ser atacados a qualquer momento.
— Chega, não aguento mais esperar! — Marsh começou a tirar sua calça camuflada e a jaqueta e camisa. Vendo isso, Ethan ficou de costas, pelo menos até ouvir o barulho da jovem se afundando na água — está perfeita — comemorou — vocês deveriam entrar.
Otamamon não esperou nenhum segundo a mais, se jogou com um forte pulo em uma das fontes. Ethan foi logo em seguida, retirou a camiseta e a calça jeans e entrou com o parceiro. Labramon foi o que mais demorou, precisava ter total certeza de que não seriam atacados.
º º º
Exatamente meia hora se passou desde que finalmente todos estavam tirando proveito das fontes termais. Ethan e Otamamon brincavam de jogar água um no rosto do outro enquanto Marsh e seu parceiro apenas relaxavam. A paz não durou muito tempo.
— Ouviram isso? — Labramon diz.
— Ouvimos o que? — sua parceira, assim como os outros não haviam ouvido nada.
— Sons de batalha. Temos que ir!
O labrador saltou pra fora da fonte termal e aguardou até que os dois humanos se vestissem. Otamamon estava ao seu lado quando ele saiu em disparado em direção a possível batalha.
— Congelamento Abaixo de Zero! — um demônio branco, era o que eles avistaram primeiro – com mais de dois metros de altura, pele toda branca, braços que vão do ombro até quase seus pés, um par de asas esburacadas e um par de chifres nas laterais de sua cabeça. Havia um morcego arroxeado desenhado em seu peito – o monstro liberou uma potente baforada congelante de sua boca, essa que fora parada por chamas negras.
— Você não pode escapar, vírus! — uma voz desconhecia ecoou pelo lugar, eles viram uma silhueta.
— Birdramon? — Otamamon estava apreensivo.
— Nós éramos amigos, Saberdramon. Porque está me atacando? — o branquelo perguntou.
— Você verá que estou fazendo isso pelo bem de todos, IceDevimon — Saberdramon é extremamente parecido com Birdramon – mais de dois metros de altura, e corpo feito de chamas. A única diferença era que suas chamas, ao contrário de Birdramon, são negras — Seta Nitro! — de seu peito, uma flecha, negra e encoberta pelo fogo do pássaro, é lançada em alta velocidade.
— Não faça isso! — Ethan grita. Não conseguia entender como alguém poderia matar um amigo.
A flecham em chamas atinge o peito de IceDevimon que, com uma careta de dor, se desfaz em dados.
— Como você pode? Como pode matar um amigo? — os olhos do garoto fitavam intensamente o pássaro — Otamamon!
— Sim! Bolhas Fervidas! — o ataque, mesmo sendo efetivo, não causou tanto dano em Saberdramon.
— Labramon!
— Certo! Labramon, digivolve para... Seasarmon! Brilho da Bravura! — terminada a mudança, Seasarmon libera seus raios incandescentes contra o inimigo, o tingindo em cheio.
— Miseráveis — o digimon grunhiu furioso — não pensem que porque um de vocês evoluiu, vão me vencer! Sabre Negro!
Vários meteoros de fogo negro foram lançados contra os escolhidos e seus parceiros. Felizmente todos conseguem desviar dos ataques.
— Já vencemos Birdramon — começou o loiro, ele olhava pela paisagem, procurando por algum lago ou rio — vencer você vai ser ainda mais fácil, já que é uma cópia barata dele!
— Cópia barata? — agora ele havia irritado o pássaro — vou te mostrar quem é a cópia barata — disse e voou em direção a Ethan que, como já havia pensado, iniciou uma fuga em direção as fontes termais. Lá teriam mais vantagens contra ele.
— Otamamon, é agora! — gritou ao notar as fontes termais. Seu parceiro se apressou para saltar dentro de uma delas.
— Otamamon, digivolve para... Dolphmon! Gêiser Penetrante! — submergindo das águas, o golfinho libera, do furo no topo de sua cabeça, um potente jato d’água contra Saberdramon.
— AHH! — o pássaro vai ao chão. Seasarmon e Marsh chegam nesse momento.
— Aproveite a oportunidade, Seasarmon.
— Presas Incandescente! — com a ordem a parceira, o digimon começa a correr em direção ao algoz, que tentava se levantar após o banho que tomara, suas presas cintilavam em ouro quando as fincou em uma das asas de Saberdramon, girando-o no ar o jogando pra dentro de uma das fontes — acabe com ele Dolphmon!
— Pode deixar, amigo — recebido o recado, o digimon golfinho salta de fonte em fonte até chegar na que seu inimigo estava — espero que na próxima vida você faça o bem... Onda das Profundezas! — o digimon se concentra, todas as quatro fontes termais começaram a ter suas águas levitadas, como se Dolphmon se tornasse um imã. Uma onde se formou, o golfinho a controlou na direção de Saberdramon, que fora atingido em cheio e transformado em dados.
º º º
Com o fim da batalha e a seca nas fontes termais, os escolhidos e seus parceiros continuaram sua jornada em direção ao extremo norte de Ilha Data. Eles caminharam até quase o sol se pôr por completo, já conseguiram avistar perfeitamente o topo do vulcão, vários pontos flamejantes podiam ser vistos, tanto parados como se movendo pela extensão do lugar.
— Parece que agora estamos pertos — comentou, Ethan — podemos parar para descansar?
— Estou mesmo precisando dormir um pouco — a garota concordou, sua voz de sono deixava claro o que ela queria.
Combinado um lugar seguro, eles construíram uma espécie de iglu com a neve, os quatro finalmente poderiam descansar. Não tinham muito conforto, devido estarem deitados no chão gelado, mas quando conseguiram dormir, se esqueceram até mesmo que poderiam ser atacados a qualquer momento.
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