DDUGQP - As máscaras caem.
28 Amigas, até que as mentiras no separem
Notas iniciais

Todos têm seus demônios
Bem acordados ou sonhando
Eu sou aquele que acaba indo embora
Para que tudo fique bem
Se vejo uma guerra, eu quero lutá-la
Se vejo uma partida, quero ganhá-la''
– Jet Black Heart: 5 seconds of summer
O telão apagou sem aviso prévio e tudo o que nele estava, enfim calou-se. A única coisa que restava no ambiente era o o silêncio de nossas próprias mentes debilitadas e cansadas de mais para tentar encontrar uma solução. Por pura falta de sorte proposital e forçada, Dianna esta afim de fazer com que nós duas torturemos uma a outra, jogando o jogo cuja regras ela inventou, é tão típico vindo dela nos obrigar a contar nossos segredos dos quais, em sua mente e do seu ponto de vista, não deveriam existir. Sabe? Acho que pela primeira vez na vida, terei que concordar com Dianna. As mentiras em um único todo sempre me afastaram e destruíram tanto a mim quanto a Anna. Incrivélmente obviamente ela é a única que não aprende com seus erros por conta de sua teimosia e de sua vontade de sempre seguir o caminho que quer, ou seja, sua liberdade para possuir de um jeito ou de outro, aquilo que deseja, diferente de mim que quebra a cara duas, três vezes, mas quase nunca desmorona e torna-se um diamante quebrado.
Não adianta o quanto nos tentemos tornar as coisas diferentes, o destino já mais deixará. Nascemos para ser algo, para cumprir uma missão e não há como fugir dela, não sei se me orgulho por ter descoberto o meu propósito nesta terra ou se chateio-me ao perceber que este propósito liga minha vida e a de Anna para sempre, acredito que o que resta a fazer é me conformar de que a muito tempo o universo vem me dando dicas de que não pode e não tem condições de separa-la de mim porquê, nossa amizade vai muito além do que essas futilidades corriqueiras de troca de pensamentos entre duas pessoas, é uma ligação de almas e, simplesmente é impossível de ser quebrada. Nossas mentes com o passar dos anos, tornaram-se uma só, se um sentimento ruim assola uma, relaciona-se as atitudes da outra beirante um outro alguém, o que acontece de ruim com uma, tem ligação com o passado da outra e enfim, o ponto de vista de ambas choca-se profundamente e juntas somos como a joia mais dura e inquebrável existente no mundo, ou até mesmo da mesma matéria que a rocha do mineral mais cintilante e caro do qual a terra produz e não precisamos estar no mesmo lugar para que essa troca de pensamentos, sentimentos e toques aconteça, somos instruídas o suficiente para sentir uma a outra quando quer que seja. Sendo assim, Anna estava certa quando disse na noite da formatura que não importa se ela esta perto ou longe ou onde quer que esteja, eu sempre estarei guardada dentro dela e meus pensamentos darem um jeito de pararem próximos aos seus, cedo ou tarde.
Oh, Deus, ela sente-se da mesma maneria que eu! Então...será verdade...será verdade que talvez isso não seja algo dessa vida e sim de uma passada? Chame-me de louca ou de idiota por crer e ter fé em algo que não posso ver com meus próprios olhos, mas para mim é provável sim que Anna e eu em um universo paralelo a esse aqui tenhamos nos encontrado e não conseguimos cumprir nosso destino juntas pois uma se foi primeiro que a outra. Desta forma, as forças maiores nos deram outra chance de pisar sobre a terra, deu-nos o poder da imortalidade e o privilégio de ter o fim dos tempos nutrindo essa amizade uma com a outra. Nem mesmo a morte nos separará, eu não deixarei que isso aconteça, não encontrarei minha paz sem ela, não há duvidas. Para encontrar minha paz, desço dos céus ao inferno se possível, movo o que for necessário e passo por cima de quais forem os obstáculos, isso, eu prometo. Oh...eu sabia desde o primeiro instante que Anna colocou seus olhos em mim novamente, logo após retornar de onde é que tenha passado suas férias de verão deste ano, que havia algo muito errado. Seu olhar para comigo parecia gritar pedindo ajuda e a energia que eu sentia vindo dela quando chegava próximo sussurrava-me a afirmação: '' Não estou bem, estou escondendo algo, preciso desabafar'' Foi exatamente a mesma frase que surgiu em minha mente quando pelos corredores do Hunter College eu vi-a causar todo aquele show na minha frente depois de ter sumido do mapa por exatos sete meses, me levando a descobrir um ano depois que esteve em um internato na França e que lá, conhecerá Piérrie, assim como quando morava em Londres, antes mesmo de me conhecer e mantinha um vinculo afetivo com um grupo de garotas fanáticas por meus dizeres a respeito de New York.
É mais uma vez, eu ignorei minhas sensações, meus indícios particulares da verdade.
Agora tudo faz sentido, Anna não exclusivamente afastou-se de mim por causa de Dianna, afastou-se porquê estava mantendo segredos que não era corajosa o suficiente para me contar, alias, diga-me quando ou uma vez sequer que aquela pequena garotinha tenha sido valente para contar o que fez de ruim a alguém, principalmente a mim? Anna pode ser o que quiser ser, mas e fato ela é e nunca deixará de ser uma covarde que exita em dizer a verdade e prefere-a esconder com histórias absurdas das quais com o tempo, até ela mesma consegue acreditar que são reais, convencendo inclusive sua própria sombra que aquele segredo deve ficar no mais obscuro de seu coração, deixando deste modo de transparecer por de trás daquele sorriso e do rosto encantador, o vazio e a solidão além das feridas que cada mentira causam em suas estruturas emocionais, sim...eu vejo quem está atrás das máscaras e não importa o quanto ela queira mante-las, uma hora elas caem, entendo também o porquê disso...provavelmente alguém que ama está em jogo e precisa de proteção assim como nossa amizade. Mas acima disto, acredito que ela com toda certeza está protegendo a sí mesma porquê sente vergonha de admitir ter feito algo de ruim e tem medo das consequências.
Enfim, tanto Anna como qualquer um sabe que tentar autodestruir-se não funciona e sempre fara-a voltar a ser quem era a dois anos atrás. Creio que nem uma de nós quer ver aquela versão medíocre e fútil dela cuja ainda tenho guardada em minha memória. Aquela garota ainda existe, basta um bom motivo para que a mesma apareça e acabe de vez com a parte leve que Anna tem e conquistou com seu esforço e aprendizado com cada burrada que fez durante sua vida toda.
— O que é isso, Dianna? Vai nos manter na escuridão? Qual é! — Gritará o mais alto que pode próximo a porta, tirando-me de meus pensamentos. Notei quando voltei de minha pequenina viagem dentro de meu próprio corpo que a energia do quarto tinha caído ou havia sido cortada propositalmente. Mal conseguíamos ver o rosto uma da outra.
Ela tirou os ouvidos da madeira oca pertencente a saída trancada do ambiente e segurou firme meu braço quando claramente podia-se escutar um caminhar de saltos por de trás da porta. Abaixei-me e afastei um pouco, uma sombra nem tal alta e nem tão baixa estava parada ali, parte de sua capa preta podia ser vista. Foi nesse momento que não tive sequer nem uma duvída de que Dianna era uma mulher de verdade com mais ou menos a nossa idade, ou seja aparententes dezoito ou dezenove anos. Outra coisa um pouco obvia é que talvez, Dianna possa facilmente conseguir se passar por uma de nós duas, visto que ela usa palavras do nosso vocabulário e gosta de varias coisas que sabe que gostamos similarmente, chegou até a me chamar da mesma maneira que Anna me chama e da mesma maneira que eu a chamo. De fato para ela, somos suas personagens e personagens tem claramente que se parecerem em algum aspecto ao seus criadores. Contudo, eu e Anna somos reais e não fruto da imaginação de uma pessoa qualquer, Dianna só pode ser ou estar maluca se acha que tem o direito de nos manter aqui como se fosse a coisa mais normal existente só porquê nós duas temos sua essência registrada em 180 páginas de um livro. Alias, será mesmo que nós temos uma parte dela conosco em nossas personalidades, ou não é ela que tem uma parte nossa gravada em sua carne? Nós viemos primeiro, nunca ouvimos falar em sem nome. Não tem como inspirar-se em alguém que não se conhece de verdade, a menos que a conhecemos cara a cara e ainda não tenhamos nos dado conta disso. Contudo, é impossível...não é?
Anna se soltou de mim de repente e puxou-me para o chão, fazendo-me agachar dobrando os joelhos ligeiramente, aquela sombra não deixou em momento nem um de ser visível. atrás da porta. Eu orava com todas as minhas forças restantes para que Dianna se cansasse de tentar escutar a conversa e se mandasse ou colocasse a chave na fechadura para nos libertar deste inferno, todavia nada disso aconteceu, por minutos a fio nos calamos e lá estava a vadia, observando tudo.
— Cade o seu anel? Não me diga que o jogou fora! — Sussurrou pegando em minha mão nua e em seguida em meu indicador sem joia alguma, se eu pudesse olhá-la nos olhos, tenho quase certeza que veria em sua face, um sentimento desapontador
Virei minhas mãos e encarei cada um de meus dedos, puxei o ar apressadamente varias e varias vezes seguidas sem pausa, deixando sair de meu pulmão e de minha boca um som que indicava que eu tinha me assustado ao perceber a falta do anel com minha inicial. Segurei o punho dela e acariciei a palma de sua mão...Anna não tinha tirado o seu, assim como eu não tinha tirado o meu. Ainda eramos melhores amigas apesar de estarmos ficando cada vez mais longe uma da outra, o afeto e o carinho ainda existem intensamente.
Soltei um suspiro de alivo e conformação.
— Acorda sua idiota — Devolvi colocando pausas sobre cada palavra em tom normal. Queria que quem quer que fosse que estivesse escutando atrás da madeira da porta sentisse raiva por eu não ter desistido disso tudo quando tive a maior das oportunidades — É obvio que eu não tirei ou dei fim a ele. Eu devo ter o perdido no meio desse quarto estúpido ou na Monster House quando caímos. Estive usando-o durante todo o tempo em que você se manteve fora. Sempre que eu o olhava sabia que independente de onde você estivesse ficaria bem e algum dia voltaria, da maneira que aconteceu quando foi para a França e para Londres milhões de outras vezes.
Pude imaginar Dianna do outro lado revirando os olhos, sentei-me cansada ali para logo em seguida, Anna fazer o mesmo. Algumas pisadas fortes no chão de mármore foram dadas com a ponta de um sapato, grunhidos contidos e baixos com o fundo da garganta eram notórios, porém era como se a pessoa tivesse os repreendido antes deles se tornarem mais fortes, impedindo-nos de reconhecer a voz. Senti algo cair sobre meu ombro, o toque daquele inconfundível cabelo cacheado sobre a minha blusa denunciava e me dizia quem era a dona dele. O silêncio tomou conta do local por longos instantes até ser quebrado por oito letras´, um simples Desculpe que ecoou da boca de ninguém mais ninguém menos que minha ''melhor amiga''. Eu não sabia o que mais falar, então optei por nada dizer. Procurei pelo rosto dela na escuridão e acariciei suas bochechas, basicamente transmitindo a ideia que estaria tudo bem e independente do que se trataria o assunto, independente qual fosse o segredo horrível desta vez, ela poderia abrir o jogo sem ter medo de qualquer que seja minha resposta, porquê se tal acabasse sendo ruim, seria da boca pra fora.
— Escuta...tive motivos para ter sumido desta vez. Lissa esteve mal durante as férias todas e por muito pouco eu e o restante da família Gallardo, incluindo meu pai não a perdemos para a própria mente desregulada dela que tornou-se dependente de algo incapaz de fazer bem. Quer dizer.... no começo fazia. Deixava-a mais alegre e cheia de esperanças assim como me deixava também. Sim, antes que pense isso, é...Eu usei doses mais fracas desta droga que Lissa ingeriu, mas foi só para me divertir um pouco durante umas semanas antes de viajarmos, neste ano tínhamos decidido ir par o Caribe juntas. Deveria ter sido ótimo se não houvéssemos estragado as coisas. Achei que teria acabado e seria só por uma noite, porquê..sabe? Cauanne, eu, Ashley, Alene, Marrie e Becky já tínhamos usado maconha e coisa do genêro diversas outras vezes nas festas que rolavam no Couci em meados de 2010, 2011 eramos crianças porém tipo..quase todos os alunos lá usavam, era somente sobre efeito de algo que Cauanne e eu encontrávamos coragem para confidenciar coisas uma pra outra. Eu confesso que estava sentindo falta disso, por isso topei quando minha irmã me ofereceu. Mas, Alice não é como as minhas amigas antigas que compravam droga para conseguirem botar coisas pra fora porquê de fato eram frágeis de mais e inseguras de si mesmas. Com minha irmã é totalmente diferente, quando decide que vai usar, usa muito, de verdade e mistura coisas, maconha, LSD, anfetamina e etc — Falou, despejando informações de maneira idêntica a um trem bala. Arregalei meus olhos e arquei as sobrancelhas mais do que surpresa por Anna estar me dizendo aquelas que ao meu ver eram gravíssimas neste quarto escuro para não precisar me encarar e depois de pouco mais de meses desde o ocorrido — Quando Victor chegara no quarto de Alice uma certa manhã e viu-a em um estado depravantemente alucinogénio, ligou para Arthur e eu encontra-lo para uma reunião de família completa na mansão dos Gallardo. Chegando lá, Margareth, Michael, minha mãe, Maria Lissa, Arthur e Victor estavam reunidos na sala da lareira. Arthur me confrontou cara a cara me acusando de ter começado a usar de novo, estava prestes a contar a verdade, porém Lissa interveio assumindo a responsabilidade. Ah e ai? Ai é que fui assolada por um deja vu enorme..já tinha presenciado aquela cena — Seu tom de voz baixou e se tornou fraco, triste, creio que seus olhos tinham marejado — Só que, no lugar de Lissa tendo uma chance de se explicar, era eu sendo mandada para um internato na França sem poder dizer que não fazia aquilo porquê queria, fazia porquê me sentia despreparada para enfrentar o mundo sendo eu mesma — Anna pausou, tomando folêgo para continuar — Meu pai biológico decidiu que Lissa precisava de uma casa de repouso de frente para o Mar da Antígua e Barbuda. Como eu tinha expêriencia com o assunto, me ofereci para cuidar dela. Marrie foi nos visitar uma ou duas vezes, era a única até hoje a saber disso.
Enquanto ia ouvindo seu relato, bolava uma resposta e começava a criar questionamentos, por isto não perdi tempo e comecei a falar por cima na frase final sem dar intervalos.
— Hum, deixe-me adivinhar! Pela sua generosidade e por demonstrar que se importa com Alice, Victor aprontou os documentos da sua certidão de nascimento te dando a honrada posição de filha legítima e o direito de chamar ele de pai acrescentando seu nome no testamento. Resumindo, se caso seus dois pai's vierem a falecer você torna a garota mais rica e poderosa da cidade. Oh, quem diria que alguns poucos anos te fariam melhor? Quando nos conhecemos você se sentia a menina renegada pela família, solitária e inferior. Agora é a queridinha de Victor. Será que não parou para pensar que Alice tem se afundado cada vez mais desde que você se tornou uma Gallardo por que se sente da mesma maneira que você se sentia antes? É como se tivesse roubado a posição dela beirante sua família, pelo que parece desde a formatura noite da formatura, vocês basicamente jantam na mesma mesa. Por mais que Lissa tenha sonhado EM ter uma irmã e te ame incondicionalmente, é obvio que é difícil pra ela a vida inteira ter sido o centro das atenções e do nada virar a segunda melhor, acho que você se lembra como é ser a segunda melhor, né?
De repente, a luz acendeu-se, iluminando cada canto do quarto, continuamos naquela mesma posição com ela deitada em meu ombro, não movemos um musculo para levantar do chão. Anna abriu e fechou a boca inúmeras vezes, todavia foi impedida de falar pois a porta a nossa frente abriu-se revelando um corredor que mais adentro tinha um clarão com uma outra porta que levava a saída.
Continua...
Fale com o autor