DDUGQP - As máscaras caem.
14 Anna, Anna! Não desista!
Notas iniciais

Anteriormente em DDUGQP...
{...} Eu quero fingir que isso não é verdade, quero apagar pro resto dos meus dias e afundar-me nesse copo de whisky a minha frente, enquanto curto o gosto amargo da verdade junto a esse rum adocicado, feito qualquer coisa que já mais fui capaz de sentir. Essa combinação, pode ser a pior de todas, assim como era minha amizade e a de Carina, mas não é pior do que pensar que, a única pessoa que eu tinha certeza que estaria ao meu lado para todo o sempre, me usou de uma forma tão sutil e desagradável, como se fosse somente um brinquedo velho que perdeu o encanto e o espírito das chamas do fogo sem ter ninguém mais para reacende-lá e estimula-lá para tornar-se algo novo e impossível de se estilhaçar-se em pedaços. {...}
***
Hunter College
Sala 18,
Prédio de trás
Segunda-feira,
''Eu sei exatamente o que eu quero e quem eu quero ser
Estou me tornando minha própria profecia auto-cumprida ''
Tenho uma cabeça focada, um coração obcecado
Se eu falhar, vou desmoronar
Talvez tudo isso seja um teste
Porque eu sinto que sou a pior,
Então eu sempre ajo como se fosse a melhor
Se você não tiver muito cuidado
Suas posses te possuirão’’
Oh Droga! Onde eu aperto o play para reprisar esse final de semana com Renny? Confesso, a melhor parte dele foi realmente estar ao lado de alguém capaz o suficiente de me amar e fazer absolutamente tudo para que eu pudesse me sentir melhor, dando-me a oportunidade de esquecer esses malditos problemas insignificantes dos quais, eu tanto fujo. A cada momento, gesto, toque e demonstração de afeto, mais longe ficava o fato de eu ser um completo e futíl fracasso, afinal, é um pouco evidente que eu deveria ter morrido assim que vi pela primeira vez a luz do sol brilhar contra a ''generosa ’’ superfície terrestre desta cidade ''dos sonhos’’ chamada New York, onde a ganância reina assim como a sede por poder. É engraçado como tudo ainda está muito vivo em minha mente, mas mesmo assim, não consigo entender por que Victor não me procurou durante esses anos todos, ou por que Arthur não me disse a verdade quando eu estivesse na idade certa para compreender de forma pacifica, ou ainda por que Lissa resolveu se aproximar de repente, sabendo dos riscos que corria, pois o segredo ficou por meses na mão de Cauanne.
— Garçons et filles, antes de mais nada eu já tenho os meus candidatos para fazerem o discurso da formatura e gostaria de anunciar isso publicamente — começou a professora Mrs. Vallk — Carina Monteiro, Renny Clark, Julius Forgath, Klara Fennis e Maria Alice Gallardo — Uma Salma de palmas ecoou e os alunos começaram a ficar inquietos, Lissa e Carina se entreolharam dando um leve sorriso, como se estivessem tramando algo e em seguida, curvaram seus olhares para mim, que evitei ao máximo não manter contato, desviando e focando-me em Renny que também esbanjava felicidade — Ficarei feliz se qualquer um destes nomes for escolhido e subir ao pódio para dizer palavras vindas do coração. A urna será colocada daqui a alguns minutos na secretaria e desta forma, a escola inteira, poderá votar no seu preferido. Boa sorte a todos!
Fiz cara de indignação com tamanha áurea que transparecia de minha meia irmã para com o resto do ''meu grupo’’, suspirei e balancei a cabeça em sinal negativo. Após alguns segundos a professora levantou-se de sua cadeira e puxou para o lado, uma pilha de papeis. Diferentemente de antes, sua face continha traços sérios.
— Prestem atenção. Aqui em minhas mãos está a nota final de vocês e como sabem, está nota definirá quem corre o risco de não poder se formar daqui a alguns meses no que diz respeito a minha matéria, francês — . A sala parou de conversar e o silêncio e tensão que eram inexistentes a alguns minutos atrás, tomou conta do ambiente , Marrie, a única que ainda posso chamar de amiga, cutucou-me fortemente e bruscamente, vire-me para a frente e sai do transe de pensamentos bagunçados em que eu repentinamente fiquei — Bien, não irei fazer rodeios, sendo assim os alunos: Josh Bason, Marcelly Parmmani, Eric Jonson, Anna King’s, favor conversarem comigo durante esta semana para poderem saber a respeito da recuperação caso queiram estar junto a seus colegas recebendo o diploma.
Mas o que? Eu escutei bem? Não me formar, por causa de uma matéria cuja eu já nasci sabendo? Como assim eu tenho mais um problema, e que é ainda mais grave? É claro que assim como os outros, esse também foi totalmente inesperado! Não faz sentido, eu sempre me dou bem nesta aula, sou uma das únicas fluêtes da sala! Morei na França por sete meses e alguns verbos que eu não sabia na época, aquele maldito internato forçou-me a aprender. Lembro-me de ter até demorado certo tempo para me acostumar com a América novamente, por isso eu estava despreocupada e com certeza absoluta que a minha nota neste teste tinha sido altíssima. Como irei dar conta? Posso ser forte, mas não o suficiente para agüentar ter que fazer mais um ano de ensino médio. Carina e eu planejavamos ir para a Columbia, ou Harvard desde que tinhamos quatorze anos, era uma espécie de sonho que nós duas dividíamos e tinhamos em mente para o nosso futuro, para a nossa amizade, enfim, era algo que nunca poderia ser destruído. No entanto, dizem que o destino se diverte conosco não nos dando nada e prometendo tudo, é verdade! Nossas vidas não valem grande coisa, elas passam em um momento. Creio que o tempo é um bastardo e nossas tristezas são aparências, estou errada?
O sinal estridente bateu, esperei a sala esvaziar para arrumar minhas coisas e poder questionar a professora sobre a palhaçada que é ter que submeter-me a provavélmente, fazer outra prova.
— Mrs. Vallk — falei parando de frente para mesa — Eu estou sinceramente envergonhada por estar nesta situação com minhas notas, nunca imaginei que chegaria a esse ponto, o quê posso fazer para recompensar? — questionei.
Ela riu enquanto terminava de apagar o quadro negro e mecher levemente em suas pulseiras. Bem... a professora Melissa Vallk não é idosa como a maioria das pessoas que ensinam Francês, muito pelo contrário, aparenta ter pouco mais de quarenta anos e veste-se como se fosse uma jovem de vinte e quatro e por isso eu a amo e amo suas aulas, porém em segredo é claro. Me indêntifico com sua personalidade., alias, com a personalidade que eu queria ter, mas estranhamente desde o primeiro dia de aula do ano de 2013, mesmo ano em que fui para a França Mrs. Vallk me odeia, segundo ela isso se dá, pois sou uma péssima amiga e colega de classe o que não é nem uma novidade, talvez, apenas talvez, isso tudo seja uma punição por ter sido uma completa vadia a vida toda. Fiquei confusa com sua reação, cruzei meus braços e esperei por uma resposta que veio depois de longos segundos.
— Anna, você é a garota do tipo ‘’ Eu sorrio quando estou zangada, eu engano e minto, eu faço o que eu tenho que fazer para conseguir o que eu quero’’, então não tente me bajular ou pagar de boa moça para me fazer aumentar sua nota, acredite... não vai funcionar. Deve ser por isso que brigou com seus amigos, você não suporta o seu jeito de ser e não consegue mudar — afirmou apontando para a carteira da minha melhor amiga, onde havia um diário que provavélmente tinha sido esquecido ali — Sim! Não pense que eu não percebi o quanto ela te olhava hoje... sei que vocês duas tem essa de ‘’quem é a melhor?’’ desde que eu comecei a dar aulas aqui no Hunter, eu só não sei por que continuam juntas... me parece ser algo tão forte que nem mesmo as diferenças de cada uma é capaz de destruir, e é exatamente isso que os outros ao redor de vocês admiram e odeiam ao mesmo tempo — Neste momento, percebi o verdadeiro motivo para a Mrs. Vellk não gostar de mim, era simples, sempre esteve por debaixo do meu nariz... ficar ao lado de Carina era um privilégio que muitos não tinham, e eu tenho orgulho de dizer que eu fui uma dessas sortudas que ficou na vida dela por mais tempo, eu sentia única ao lado dela. Não consigo a odiar, ela obstruiu a verdade de mim escondendo algo sobre mim que nem eu mesma sabia, mas não consigo ficar longe dela, não importa o quanto eu me force a isso constantemente — Eu vou te dar um desafio maior do que Carina. Eu quero que cante o hino nacional da França na frente do Hunter College inteiro no festival da semana que vem, dou minha palavra que se você conseguir, nunca mais pego no seu pé. Sei que você é capaz, faça isso por ela... aproposito, a Senhorita Carter acabou me mostrando um poema que sua amiga fez sobre vocês duas a alguns anos atrás, eu ainda o tenho, não tive coragem de jogar fora antes de encontrar o momento certo para te mostrar. Se quiser ler, fica a seu critério — Falou, tirando da bolsa um papel e entregando-o para mim.
Peguei o diário de Carina e guardei a folha que a Mrs. Vellk me deu ali dentro, porém antes a li, o título, definia muito, assim como a data em que foi escrito, uma semana antes de eu retornar a New York.
I Will not give UP on you A.K
28 de maio de 2013
Por: Carina Cavendish Monteiro
Já se passou sete mesês desde a nossa última conversa sincera...
Será que você se esqueceu de tudo o que fizemos?
Das altas horas em que conversávamos
Dos tempos em que, úniamos nossos pensamentos
Riamos dos planos que criavamos...
E juntas, nos tornávamos invencíveis.
Oh, os céus ecoavam nosso grito de glória
Enquanto agora,
Eles clamam para você voltar a canta-ló comigo...
Duas garotas malvadas,
Apenas querendo se divertir...
Você amava guerra
E eu ainda amo vencer você nela.
Nos completamos
Tanto quanto nos odiamos
Por que tivemos que jogar por tanto tempo?
Você destruiu o futuro que planejamos...
Você se foi, sem me dizer adeus....
Lembro quando você dizia ‘’ Nunca vou parar de falar com você’’
As vezes, pessoas quebram promessas...
Pois não são capazes de lidar com seus sentimentos...
Só não entendo por que não disse a verdade....
Nunca já mais questionarei seus motivos para me deixar..
Mas será que você foi capaz de recomeçar?
Te contei meus maiores medos
Para descobrir por fim, que o seu pior e mais horrível pesadelo era eu
E seu maior sonho, era se ver livre de mim
Kheterinne, por que me deixou?
Poderíamos ser tudo o que sempre quisemos ser
Poderíamos viver nosso mundo perfeito
E governa-ló ao nosso modo
No último suspiro, as cartas estavam na mesa
Você já tinha partido e entregado o troféu sem me deixar entender
O quê signifiquei para você...
Oh Anna... você é incapaz de perceber que preciso de você?
Oh Kheterinne... deixe-me te mostrar a verdade...
Oh Srta King's... você tem mil personalidades
Mas somente um nome mostra quem é você
Oh Kheterinne... sinto orgulho em ter te conhecido..
Oh Karrly.. escrevo por que sinto sua falta...
Um dia você vai se pegar olhando o passado..
E serei só parte dele
Você está indo aos poucos,
Assim como a inspiração que encontrei nessa história
E nessa pobre e triste amizade que nunca existiu.
Anna.. Kheterinne Karrly...
Seja lá qual for seu nome
Oh Kheterinne... como você é fraca...
E isso, já mais mudará
Oh, você deveria saber que não vivo para ser esquecida...
E que, quando você menos esperar,
Estarei de volta em seus pensamentos...
Por que baby, eu sou um privilégio
Que poucos conhecem
Que todos odeiam
E que poucos tem.
Você sabe onde me encontrar
Eu sei que um dia vai parar de fingir
Tire a máscara,
Jogue-a no lixo
E mostre aquela garota que conheci,
Quando fizer isso...
Procure-me
Mas não demore,
Sabes que não irei lhe esperar.
Ao termino da última estrofe, senti vontade de desabar em lágrimas ao saber os verdadeiros sentimentos dela, sobre a minha ida a Londres, era tudo tão sincero, não parecia ter sido escrito por Carina, sei que já mais ela se rebaixaria tanto ao ponto de se abrir dessa maneira a não ser que estivesse inspirada, ou seja, com muita saudade de mim.
O pensamento anterior me fez sorrir dignamente pela primeira vez no dia. É como se todo o ódio que eu estava sentido do mundo, tivesse sumido e de repente, as coisas estivessem no lugar de novo. É uma pena que essa sensação não tenha durado muito, é uma das melhores coisas que existe, um tipo de oitava maravilha do mundo.
Avistei um homem conhecido parado próximo a porta vestindo um terno Armani marrom e um relógio rollex dourado que aparentava ser de ouro e diamantes. Pelo que sei, somente o vi duas vezes; uma na mansão dos Gallardo e outra no meu jantar. Era o pai de Lissa, e não somente dela, meu também, Victor. Sua face continha traços de indecisão e seu olhar percorria por cada canto meu, tentei passar com a cara fechada ao seu lado, mas fui impedida por ele, que puxou-me pelo braço sem tanta força e antes que Victor falasse algo, tomei partido ironizando e elogiando, sem fazer a mínima idéia se ele sabia que estava falando com sua filha bastarda.
— Eu vi uma matéria sua no New York Times Sr. Gallardo e que por sinal falava muito bem a respeito da sua empresa, por isso sei que é um homem ocupado, então não vejo sentido em ter tirado um tempo para vir conversar com sua filha Lissa aqui a menos que seja urgente. Deve estar a procurando, certo? Sinto dizer mas eu não falo com ela, sou uma KING’S, desta forma da família rival a dela.
— Olá, Anna Kheterinne, ou deveria dizer, Olá filha? — Questionou encarando-me e apontando para a pulseira em meu braço direito — Sempre achei Kheterinne um nome tão bonito, mas Arthur quis que seu primeiro nome na certidão fosse Anna, por tanto sugeri a junção dos dois, combinou perfeitamente com a sua personalidade. Se seu pai tivesse me deixado colocar o meu sobrenome desde o ínicio, tudo teria sido mais fácil — cruzei os braços e fitei o chão com vergonha — Oh filha, você se tornou uma mulher. Está tão bela! Lissa puxou o lado de Margareth, quanto a você, erdou o cabelo cacheado de Stefh e os meus olhos cor de mel, bem como alguns traços do rosto. Contudo a ironia e a forma com que faz qualquer um entrar em um transe é coisa minha também — uma lágrima escorreu, mas ele limpou antes que percebesse que eu havia visto, suspirei — Todos os segredos começaram a trazer discórdias entre você e Carina não é? Ah Anna... ela só queria te proteger por que te ama! Ela fez uma promessa ao pai, se tem alguém que você precisa culpar, esse alguém sou eu. O tempo escorregou das minhas mãos! Quando você nasceu, fui egoísta, pensei em minha carreira e coloquei-a a sua frente e a frente da minha família. Achei que com o passar dos anos, eu me esqueceria da sua existência e você cresceria tendo todo o luxo que teria comigo ao lado de Arthur. Mas sempre que eu abria uma coluna social no jornal ou em uma revista, lá estava você ao lado de Carina, brilhando mais do que uma estrela no céu. Assim sendo, senti orgulho e pensei ‘’ Minha filha, meu bêbê, me desculpe por te afastar de mim, eu fui um tolo, você vencerá tanto na vida quanto eu venci sem que eu precise interferir’’ De qualquer maneira, eu somente te atrapalharia, nunca te daria a atenção que iria merecer, mas o que eu não sabia é que com Arthur foi a mesma coisa. Será que algum dia você vai me perdoar? Será que algum dia eu me perdoarei?
CONTINUA....
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