DDUGQP - As máscaras caem.

6 A memória é verão que nunca morre - Part II.


Notas iniciais
A.K - '' Ela surgiu do nada, Um garota sem um nome Tão rápido, todos a odiavam É o que ela estava tentando dizer Virou uma algazarra na mente dos que a temiam, Tantos jogos que nós jogamos Como cada verão rápido Como cada dia precioso Todos os sonhos que ela teve, estão mortos. E eu quero saber porque eu continuo vivendo? Por que eu devo ser poupada? Minha metade mais doce Poupa o sacrificio que ela fez por mim.'' C.M - ''No fim do arco-íris E eu ainda ouço sua própria canção Aceite-me de volta novamente Me de uma chance, eu suplico. Você sabe meu pequeno amigo Seus caminhos são sempre comigo Eu desviei-me de todo o momento Mas por favor você deve me perdoar Por nunca ter te dito a verdade...'' Cheguei. O final vai deixar muita gente em prantos, mas calminha, espere e verá! Desculpem se o capítulo ficou muito longo.

[...] Como sempre, corro o risco de tudo ser um fiasco por causa de um plano maluco que Carina inventou, tirando aproveito de que os Gallardo são amigos íntimos dos Monteiro a séculos, explicando assim como Lissa e Carina se conhecem. Optei por não responde-lá, pelo fato de não querer me exaltar em um dia que devo me manter calma. O silêncio pairou no ambiente. Poderia-se apenas ouvir os meus passos apressados em direção a saída. Lissa não me deixará descer as escadas, ficando em minha frente e me encarando com seus olhos verdes que pareciam esbanjar uma aura exuberantemente limpa. Nossos olhares se conectavam como se fossemos do mesmo sangue, como se algo estivesse explodindo em mim.

Era... você? Eu te machuquei?

[...]

****

Central Park,

Por volta da três da tarde de um sábado.

Março de 2008.

Ao som das batidas do meu coração

Nós nos apaixonamos

Enquanto as folhas secavam

Poderíamos ficar juntos, querida

Você age tão inocentemente Hoje,

Mas você mentiu tão cedo para nós!

Sim, tudo começou naquele verão quando te conheci...

Céu azul. Cheiro de orvalho trazido pela madrugada anterior, que fora um tanto quanto quente, deixando-me assim, acordado a noite toda. Varias crianças correm pra lá e pra cá atrás de suas bolas de futebol americano meio ao imenso gramado recém cortado e molhado, dando sinal de que há poucos dias foi muito bem aparado. Uma toalha xadrez se encontra sendo estendida por uma mulher de cabelo loiro que aparentemente tinha na época, pouco mais de trinta e cinco anos. Tal mulher, era ninguém mais ninguém menos, que minha própria mãe. Um pouco mais a frente, poderia se avistar Bea minha prima, que por pura coincidência tem a mesma idade que eu, ao lado de papai e Justin, meu irritante e invejoso irmão mais velho. Ambos traziam em mãos uma cesta de piquenique cheia de guloseimas das mais variadas. Não demorou-se muito até todos estarmos sentados em volta da toalha, comendo e conversando. Bea e eu, como éramos acostumados a nos alfinetar durante reuniões de família, nos encontrávamos discutindo a respeito de qual foi a melhor semana, a minha ou a dela. Justin por sua vez acabava de derramar um copo de suco de uva propositalmente em minha camisa branca.

– Justin Verewaal Clark! – Exclamou mamãe. – Quero que ajude Renny a se limpar . – Ordenou fazendo Justin se levantar no mesmo segundo e me agarrar pela camisa. – Você parece ser o caçula e não o mais velho.

Ele deu de ombros e começou a me puxar até a fonte que se localizava no meio do parque, em seguida, pegando uma quantidade não aceitável e desnecessária de água e jogando em minha roupa, gargalhando com minha expressão um tanto infurecida. Com ódio, iniciei uma guerrinha de água, fazendo todo o chão de concreto acinzantado em volta de nós molhar-se , assim como Justin e eu.

– Você quer mesmo me desafiar maninho? – Questionou Justin. – Bem, você pediu. – Completou, empurrando-me para dentro da fonte, que para o meu azar estava com o chafariz ligado.

No segundo seguinte, bati a cabeça, o quê me deixou atorduado e sem rumo. Tal sensação logo desapareceu dando espaço a uma tremenda vergonha ao perceber que duas garotas, uma loira de cabelo liso e uma morena com cachos ondulados presenciavam a cena e riam calorosamente e debochadamente da situação enquanto tomavam seus maravilhosos sorvetes de casquinha sabor baunilha. Meu relógio de prata, presente de meu já falecido avô, rachou-se com o impacto da queda, parando nas exatas cinco horas e cinqüenta e dois minutos. Levantei-me com a ajuda daquelas meninas que não paravam de se entreolharem e darem leves risinhos. Minha visão ainda embaçada, impossibilitava-me de distinguir o rosto da garota loira, que parecia um pouco familiar. E na verdade era.

– Meu Deus. Cadê o desgraçado do Justin? – Uma voz ecoou em minha mente, fazendo-me voltar a realidade e perceber que minha melhor amiga acabava de me tirar do maior mico da minha vida. – Esse menino vai se ver comigo. – Disse ela pisando duro e jogando um olhar mortal para meu irmão que estava do outro lado do Parque. Carina só não seguiu adiante, por que a morena desconhecida e deslumbrante a impediu.

Chacoalhei meu cabelo, tirando o execesso de liquído presente nele e foquei-me na tão maravilhosa e aparentemente mais nova ''amiga’’ de Carina. Ela parecia uma mistura de superficialismo, sarcasmo e vicio ao mesmo tempo. Sua beleza encantadora me fazia querer explodir por dentro. Seus lábios rosados e perfeitamente desejáveis combinavam com seu sorriso de superioridade. Com toda certeza, ela esteve recentemente viajando, talvez um ou dois anos fora de New York, afinal o jeito com que dizia as palavras e tentava forçar o sotaque britânico que evidentemente não tinha, era percebivél. Seu olhar não me passava confiança e isso foi a coisa nela que mais me chamou atenção, era como se o brilho em seu ego tivesse uma cor indefinida, como se fosse uma friez e obscuridade em sua alma, um lado ruim de seu ser, que cheirava um pouco a falsidade. A escuridão cai e o coração dela chamava o meu, laçando em um elo intocável. Eu sei que o diabo é uma noite solitária, mas o diabo também pode ser um anjo disfarçado. Eu quero me apaixonar por um anjo. Alias, quem resiste os encantos dele?

– R, essa é Anna. Anna King’s. Ela veio transferida do Couci Gold de Londres e este ano vai estudar conosco no Hunter. Anny, esse é Renny Clark, meu melhor amigo e confidente. – Ela veio até mim e depositou em minha buchecha esquerda um leve beijo, como sinal de cumprimento. Como eu já havia notado, seus lábios eram macios e leves e seu toque delicioso. Definitivamente, minha cabeça ainda está debaixo da água, mas eu estou respirando bem. Oh, ela adorava provocar e jogar seu charme. É como se quizesse que eu a amasse e soubesse que eu estava encantado em conhece-lá. Anna é louca e eu estou fora de mim.

Carina avistou Dilan perto das mesas e bancos de madeira ao lado do aglomerado de árvores e correu em sua direção, deixando Anna e eu sozinhos ali. Anna tirou o iphone da bolsa e digitou uma mensagem antes mesmo de iniciar um diálogo concreto comigo. Vi apenas o nome Cauanne e o de mais quatro pessoas como sendo os destinatários da mensagem.

'' Esta correndo tudo como o esperado. Estamos bem intímas, assim como eu queria. Ela é o tipo de garota que eu imaginava, invencível. Mas não é palha pra mim. Dou mais informações para vocês em breve, não demorarei para destrona-lá.’’

– A.K

Após clicar em enviar, desligou com pressa o aparelho celular e o devolveu para a bolsa.

– Então Renny, você e Carina se conhecem a muito tempo? Suficiente para saber se ela é alguém interessante ou complicado?

{...}

....................................................

AGORA.

Quando o momento é simplesmente certo, você pode tentar todos os dias da sua vida esquece-ló, porém não há tempo que tire de minha memória aquele dia. As palavras que antes eu não podia dizer, agora fazem-se vivas em mim. Os jogos estúpidos que jogamos não nos deixa cruzarmos a linha, apenas para fazermos tudo mais uma vez. A partir daquele segundo eu sabia que as coisas nunca mais seriam as mesmas. É, eu não estava errado.

– Ual! Você está belíssima Anna Banana.– Falei, assim que há vi surgir na sala de estar.

Faltavam poucos minutos para o jantar se iniciar. Todos já estavam presentes, incluindo meus pais, Bea e Justin que a todo momento lançava olhares para minha namorada ao mesmo tempo que fingia conversar com Margareth. O barulho que vinha da cozinha, onde Mrs. Stefh dava as cordenadas aos cozinheiros basicamente deixava o ambiente ainda mais animado, porém quando Anna adentrou ele, o ar pareceu ficar mais pesado.

– Obrigada – Agradeceu tímidamente, parecendo desconfortável com algo.

– Está tudo bem? Seu pai não gostou de mim, é isso? Ou é o Justin que está te encomodando? Posso resolver isso... – Ela não me deixou completar, me cortando.

Reh, calma. Não se preocupe com isso. O meu problema é com Lissa, mas eu já resolvi. Certo?

Assenti com a cabeça e depositei um selinho rápido e contido nela, que sorriu e me abraçou, fazendo Justin morder-se de ciúme a ponto de se retirar do local. Foi o tempo suficiente para Lissa descer a escada central da mansão e discretamente sair pela porta dos fundos. Anna e eu nos olhamos confusos, Carina surgiu feito um tornado, junto a Priscila, Marrie e Pedro.

– Precisamos segui-lá! – Exclamou. – Eu recebi uma mensagem com as cordenadas. Não temos muito tempo. – Falou Carina, Anna concordou. – Pedro e Priscila, vão até propriedade dos Gallardo e tentem achar algo que ligue Lissa a nós. Tomem cuidado com os seguranças. – Os dois não perderam tempo, pegaram seus casacos e saíram correndo. – Renny e Anny fiquem aqui e finjam que está tudo bem, eu cuido disso. Marrie e eu seguiremos Lissa. Anny, ligue para mim, você acompanhará nossos passos. – Completou batendo a porta com força.

Eu odeio quando Carina toma a frente de tudo, se não estivéssemos em um ’’ caso de vida ou morte’’ e se esse jantar não fosse por causa da minha oficialização com Anna, eu já mais obedeceria a esses comandos. Quero um dia, poder salvar o dia eu mesmo, pois tenho suficiente capacidade para isso.

POV'S Carina.

Parece que existe alguém que está do nosso lado...

– Siga a Maria Lissa se quiser descobrir algo. Ela está saindo pela área de serviço da mansão dos King’s agora. Você nem sabe quem eu sou e baby não se preocupe em saber, eu só quero te ajudar. Faça o que eu digo e não vai se arrepender.

– TVG – Li em voz alta para Anna, que já estava em uma vídeo conferência comigo pelo skype.

Marrie ligou a BMW, fazendo-a dar uma arrancada só. O jaguar prata de Lissa já virava a esquina. Aceleramos o máximo que pudemos e por fim conseguimos alcança-lá.

POV'S Anna

– Eu vou no toalete, vou deixar o celular aqui fora. Qualquer coisa grita. – Avisei para Carina.

Ao abrir a porta do banheiro que ficava próximo a sala de jantar, senti uma mão masculina puxando-me com agressividade e me jogando contra a parede. Seu alíto de menta me deixou balançada e o forte cheiro de perfume picante deixou-me enojada. Um sorriso e um olhar safado surgiu. Ele mordeu seu lábio inferior direito e me fitou atento, levando seus dedos até minha boca, colocando o indicador sobre meus lábios em sinal de silêncio.

– Hum... como o idiota do meu irmão pode estar namorando com uma garota do seu nível? Sinceramente querida Anna, você merece coisa melhor. – Justin Sussurrou em meu ouvido, apertou minha coxa e levantando meu vestido.

– Sabe Justin? Para um aspirante a advogado, você deveria saber que assédio sexual é crime! — Rebati.

– Assédio sexual senhorita? Assédio sexual é o quê você faz quando assume o papel de ser assim tão gostosa – Gargalhou.

– ME SOLTA – Berrei.

POV'S Priscila.

A mansão dos Gallardo mais parecia um casarão abandonado do que uma fortaleza cheia de seguranças como Carina descreveu. Para um empresário rico, Victor tinha funcionários incompetentes que ao invez de fazer o trabalho pelo qual são pagos, preferem ficar jogando baralho as dez horas de uma noite de sabádo. Não foi complicado chegar até o quarto de Lissa. Levou pouco mais de meia hora.

– Pedro, olha essa pulseira. – Apontei, para algo brilhante na cabeceira do quarto de Lissa. – Acho que vi uma parecida nas coisas de Anna no avião quando voltamos de Malibu.

– Eu encontrei uma passagem de Londres/New York e um passaporte escondidos naquela gaveta com chave. Devemos levar? – Perguntou entregando-me o que tinha conseguido achar.

Quando abri o passaporte e o li, quase desmaiei ao ver a foto de ninguém mais ninguém menos que Cauanne estampada no documento.

Poderia Lissa conhecer Cauanne? Poderia Cauanne estar hospedada aqui? Lissa pode ter alguma relação com Anna? São tantas perguntas para tantos questionamentos sem sentido ou ligação alguma. Será que existe um segredo maior por debaixo desse pano, que estamos prestes a desvendar?

POV'S Carina.

Finalmente Lissa estacionou em uma rua deserta, onde um outro carro preto a esperava. Os gritos incessavéis de Anna presentes no vídeo me deixavam cada vez mais preocupada. Com toda certeza ela tinha problemas e não eram poucos. Era notória a uma voz masculina não identificada, o rapaz dono parecia ser no mínimo três anos mais velho, sendo assim descartando a possibilidade de ser Renny.

– Você não vai acreditar no que Priscila e Pedro acharam. – Disse Marrie espantada, virando a tela de seu telefone, onde uma foto anexada da pulseira de nascimento de Anna e de um passaporte falso com o sobrenome de Cauanne vinha junto a uma mensagem de Pedro.

Agora parece que tudo faz sentido. Lissa está tentando evitar que Cauanne conte a verdade para Anna, por isso, elas estão juntas nessa. A única prova que existe uma ligação entre Lissa e Anna é a pulseira de nascimento que Lissa deu para Anna quando a mesma ainda era um bebezinho. Cauanne está se aproveitando da situação para poder atingir Anna.

Você já mais vai ser capaz de ficar longe de nós Cauanne! Tem que conseguir te impedir, antes que seja tarde.

Pov’s Anna.

– Micha.. – Justin não teve tempo de completar, recebeu assim um soco no rosto, sendo arrastado por um loiro de cavanhaque e terno cinza.

Ao me libertar, comecei a tossir e respirar da forma correta. Vi a raiva de Renny que também acabava de aparecer por conta dos meus inúmeros pedidos de socorro brotar em seus olhos. Justin que começava a se recompor foi ao chão novamente, desta vez com um soco de Renny, que o chutou até sala de jantar, onde Victor Gallardo, meus pais, Margareth, os pais de Carina, sua irmã mais velha Glória, Bea os pais de Renny se preparavam para degustar a entrada.

Renny pegou Justin pela camisa e o empurrou em cima da mesa fazendo todos os pratos e taleres ali caírem.

– Isso foi por ter me jogado na fonte do Central Park a há anos atrás e por ter tentado estuprar minha namorada!

POV'S Carina

Lissa desceu do seu carro segurando um tipo de envelope de cor marrom. O dono do outro veicúlo acendeu o farol na altura máxima na direção dela, fazendo Marrie, ela e eu quase ficarmos cegas. Não esperei mais nem um minuto que fosse, sai em disparada , bati a porta com força e escutei Marrie chamando pelo meu nome. Quando cheguei próximo a Lissa, um olhar espantado surgiu, senti-a tentando me jogar para fora do foco de luz me impedindo de ver quem dirigia aquele modelo Chrysler 300 preto com os vidros escuros, sua tentativa não deu resultado.

– Você vai estragar tudo, você não sabe com quem está lidando. Sai daqui. – Falou.

– Eu não estou aqui por você e você sabe disso. – Respondi.

Mal podia acreditar no que meus olhos viam. Arregalei-os ao ver que a pessoa que dirigia o automóvel com os faróis acesos deu partida e num piscar estava em cima de mim. Bati contra o para-brisa, fazendo o vidro da frente se estilhaçar. Meu corpo tão forte e indestrutível, agora estava fraco e indefeso.

Observei em volta. Uma grande mancha de sangue junto a marcas de pneu tinha destaque em meu ponto de vista. Os gritos de Marrie e Lissa pareciam cada vez mais distantes. Um filme passou em minha mente, felicidade, lágrimas, abraços, momentos de angustía, flashbacks que sou incapaz de esquecer.

Eu consigo ver a dor vivendo em meus olhos e nos olhos daqueles que fazem parte da minha história. Eu sei que tentei, assim como sei que todos os meus amigos merecem alguém melhor do que eu em suas vidas. Eu consigo sentir meu coração e eu me compadeço. Eu nunca criticarei todo o que todos significam para minha vida.

Anna, eu não quero te desapontar, eu não quero te deixar com raiva e acima de tudo, eu não quero te manter afastada de onde você talvez pertença. Me perdoe se não pude cumprir com o que prometi, mas saiba que nunca desisti de você nem um instante sequer. Você nunca me perguntou porquê, meu coração é tão dissimulado não é? Eu simplesmente não posso mais viver uma mentira, eu preferiria magoar a mim mesma do que algum modo te fazer chorar. Não sobrou nada para dizer, exceto um "Adeus". Espero que para sempre seja feliz. Onde quer que eu esteja, estarei observando sua joarnada e te mostrando os passos da minha trilha que infelizmente ainda está incompleta.

Continua...

Notas finais
Agora a velha rainha se foi! Vida longa a nova governanta! A Rainha se calou garotos!'' Será que o desejo de metade de New York foi realizado? Carina está morta? Bem, façam suas teorias e até a próxima semana. - MRSC